quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

FLORES, SORRISOS DE DEUS 7 - UMA FLOR ENTRE OS ESPINHOS

Dona Marlene, uma flor especial






Foz do Iguaçu, como tantos lugares conhecidos do Brasil abriga atrações que não estão propriamente incorporadas aos guias turísticos mais badalados.
Como um Jardim de Cactos, por exemplo.
Uma idéia fantástica de uma mulher fantástica.
Dona Marlene Parzewski dedica-se de corpo e alma (e que alma brilhante!) a cultivar essas plantas que a tantos afasta, pelos espinhos que possui, e a tantos atrai pela beleza incontestável das suas flores e frutos.
Mais de 1.500 espécies já passaram pelas suas mãos generosas.  E um dia realizou seu sonho de construir um Recanto só para suas amigas cactáceas.



Cactos de todo o mundo



Uma beleza selvagem
Conhecer Dona Marlene e suas bem cuidadas plantas é um raro prazer.
Compartilhar suas idéias nobres, ouvir suas histórias sobre cada cacto daqueles, sobre as dificuldades com que lutou para realizar seus sonhos, também.
A simpatia personalizada, um sorriso aflorando a cada segundo, a alegria de viver fazem dela "aquele tipo inesquecível", de que falava a revista "Seleções do Reader's Digest" ...






É assim Dona Marlene. Uma flor entre os espinhos.  Lugar comum, essa frase ?..  Mas não há outra que a defina tão bem, em meio às suas queridas plantas e flores.   Ela, também, uma flor !
Exotismo frágil

domingo, 22 de janeiro de 2012

MEMÓRIA MUSICAL

Um dia desses eu resolvi enfeixar num só disco toda a minha obra de compositor. 
Chamei-o de “Memória Musical”.  Fiz uma primeira versão em 2010 com umas 60 músicas, o que havia gravado até então. 
Distribui o CD pela familia e amigos e a pequena tiragem que havia feito, uns 100 discos, logo se esgotou. 
Agora, tendo completado 71 músicas gravadas (não inclui as cerca de 20 regravações) reimprimi o Cd e fiz nova tiragem de 150 discos, que também já estão acabando.  Por isso, resolvi que era mais fácil distribui-lo pela Internet e é isso o que estou fazendo agora. 
Esse link vai abrir uma pasta chamada “Memória Musical” que contém outras pastas nomeadas pelos diversos gêneros musicais que compus. 
O programa é muito amigável e basta que vocês mandem fazer o “download” para em poucos minutos terem em seu computador as 71 músicas separadas em  pastas (Forró, Frevo canção, Frevo de rua, Maracatu e Ciranda, Marcha de Bloco e Vários Ritmos).
Sete pastas, ao todo.  Qualquer semelhança com o nome do blog terá sido mera coincidência. 
Transcrevo aqui o texto da contracapa: 
“Neste CD de arquivos MP3 gravei para vocês toda a minha obra musical.
Não é lá grande coisa.  São 71 músicas de ritmos tão diversos quanto frevos e valsas, baiões e xotes, maracatus e cirandas, bolero e maxixe, marchinhas e berceuse, dobrados, chorinho e até uma serenata para Quarteto de Cordas, a primeira de uma série a que pretendo me dedicar a partir de agora.
Muitas dessas músicas vêm sendo divulgadas em discos e pelas emissoras de rádio-cultura, já que as rádios comerciais não se interessam muito por um trabalho autoral levado a sério e preferem ganhar dinheiro com grupos e cantores descomprometidos com a nossa rica fonte cultural e apenas interessados numa carreira rápida e lucrativa. 
A intenção maior desse disco é entregar a vocês o meu acervo e esperar que alguma dessas músicas consiga lhes cativar. Se isso for conseguido, já terei dado por cumprida a minha missão de compositor, devolvendo ao povo que me fez gostar da sua música, uma imagem –sem bem que pálida- da alegria de ser agraciado com esse dom tão sublime.
Muito obrigado a todos os que me incentivaram a continuar na trilha”

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O ÚLTIMO BONDE

Bonde da Tramways - foto de Allan Morrinson



Em 1956, ainda com 10 anos de idade, entrei num impasse.
Tinha terminado o curso primário na Escola Padre Donino, com as professoras Ceminha e Dalu e estava pronto para enfrentar o ginasial.
Mas, havia uma idade mínima para iniciá-lo: 11 anos.
Ocorre que eu só completaria 11 anos no final do ano, em 20 de dezembro... o que fazer, então ?
Tinha muita gente nessa situação e a solução era "encher lingüiça" durante um ano letivo inteiro com uma revisão geral de matérias do curso primário chamada "curso de admissão ao ginásio".
Fui matriculado no então Ginásio, hoje Colégio São Luiz, dos Maristas, na Avenida Rui Barbosa, Graças.
Quando não ia com Paizinho, no “jeep”, pegava o bonde de Apipucos/Dois Irmãos e rumava para o São Luiz.
Como todo garoto metido a gente, gostava mesmo era de ir em pé, no estribo, que vinha a ser -pra quem nunca andou de bonde- uma grande tábua de madeira bem grossa e forte, presa no suporte lateral da carroceria de aço.
Era uma viagem muito divertida, pois os muitos meninos que tomavam esse bonde gostavam de brincar de "gato e rato" com o trocador (o bilheteiro) e toda vez que ele se aproximava para cobrar a passagem, o bilhete, a gente se afastava, ora aproveitando uma parada, ora mudando de lugar, andando mesmo, equilibrado no estribo e segurando na balaustrada do veículo.
Não era tão perigoso quanto pode parecer, porque o bonde se deslocava muito lentamente.
O motorneiro, soprava um apito de metal, feito esses de guarda de trânsito, nos pontos de parada, para avisar que terminara a pausa de espera pelos passageiros retardatários e um novo trecho se iniciava.
Tenho pra mim que, na linha de Casa Forte, a roda que o motorneiro girava para aumentar a velocidade do veículo, nunca chegou aos 9 pontos, marca máxima de velocidade daqueles trenzinhos urbanos tão simpáticos e que deixaram tanta saudade.
Esses famosos “9 pontos”, creio eu, equivaleriam, hoje, a uns 20 ou 25 km por hora, média aliás, superior à de um automóvel super-moderno, mas também super-parado, nesses enormes engarrafamentos que atravancam uma cidade inteira.
A gente fazia isso por farra mesmo, porque todo mundo da turma andava com um bloquinho de bilhetes no bolso (custava Cr$ 0,50 -cinqüenta centavos de cruzeiro cada) que nosso pai comprava por antecipação na Pernambuco Tramways & Power Co., a companhia inglesa que vinha desde o início do século XX explorando esse serviço.
Não tenho bem certeza se em 1955 a Tramways já havia sido vendida a algum grupo nacional, mas o nome da empresa pintado nos bondes amarelos com faixas marrons era ainda esse.
Penso que o bonde de Apipucos/Dois Irmãos foi o último a rodar no Recife e eu ainda fui testemunha/usuário da transição entre esse veículo elétrico, ecológico, confortável, ventilado e seguro e os fumacentos ônibus da Autoviária e da São Jerônimo, cuja estrela era o famoso "papa-fila".

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

OBRIGADO, DONA TECNOLOGIA !

Internet é uma coisa boa demais, pra tudo nesse mundo. Ou melhor, pra quase tudo.  Tem muita besteira por aqui.  Mas, a gente sabendo o que fazer, pode dar bom uso.
Pra mim Internet significa entre outras coisas, ter  filho, nora e neto juntinhos  da gente, sempre que dá tempo.  Feito ontem à tarde.  Eles lá, em Duvall, neve caindo, frio lá fora de 3 graus negativos e a gente cá, num calor, lá fora, de 32 positivos.
35 graus centígrados nos separariam; quinze horas de vôo contínuo dentro de um jato, ou quase um dia inteiro, se contarmos o tempo gasto em aeroportos e imigração, também nos deixariam saudosos.
Mas, o milagre acontece na hora em que o telefone toca e a gente liga os computadores. Eles de lá, nós de cá.  E a vida em família renasce, nem que seja para uma família separada por um monitor de LCD e umas caixas de som.
É o prazer que nos permitimos, nós e Dona Tecnologia.
Papo vai, papo vem, Diogo resolve ir buscar seu violino.  Quer me mostrar a última música que aprendeu na Escola Suzuki, onde estuda o instrumento, em Redmond.
Eu e meu neto começamos praticamente na mesma época: ele, no violino, eu no violoncello.
Ele novinho, aquecendo os neurônios; eu, madurão não deixando os meus esfriarem e juntando mais um instrumento à minha coleção de instrumentos de cordas.
Ele toca, de lá, a cançoneta folclórica Song of the Wind (Canção do vento).  Nós, do lado de cá da tela, o aplaudimos: eu, minha mulher e a minha sogra, que estava de visita para ver neto e bisneto.
Corro até o quarto e apanho meu violoncello.  Toco para ele a mesma canção.  Diogo, bem atento,  violino embaixo do braço, ouve o avô tocar seu violinão, como ele chama. Me aplaude também. Com entusiasmo. Com a devoção dos netos.
Momentos de puro êxtase, estes.  Pra nós e pra eles.  Um pouco de saudade a menos, em seis anos de tanta distância. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

QUANDO CRESCER EU QUERO SER LIMEIRA

Cego cantador de feira

Eu sou fã declarado de Zé Limeira/Orlando Tejo e atualmente, depois de umas conversas com o Papa Berto, Primeiro e Único, da Santa Igreja Fubânica, tenho minhas dúvidas da existência física, real, do “Poeta do Absurdo”.

O que tenho achado (apesar do próprio Orlando Tejo, desde a primeira edição do seu livro jurar de pés juntos que o violeiro dava asas à sua louca poesia nos sertões da Paraíba), é que Zé Limeira deve ter tido origem, mesmo, na fertilíssima imaginação e na veia poética do Tejo.

Numa proporção, julgo eu, de 95% de criação para 5% de realidade, os mitos nordestinos surgem assim mesmo, como Limeira surgiu.  Assim como surgiram a “perna cabeluda”, a  “loura do portão do cemitério”, o “pavão misterioso” e a “besta fubana”, por exemplo.

Mas, esse surrealismo limeiriano é mesmo muito atraente para quem escreve poesia e, nesse meu “achismo”, eu vou é aproveitar a onda (que ainda não morreu e não morrerá jamais, pois a figura de Limeira é, hoje, antológica), e passar para vocês essas mal-traçadas rimas, que fazem parte do meu atual treinamento “cordelístico”.

Triste sina de retirante
RIMANDO À TOA

Nunca vi papagaio falar fino
Nem comer munguzá de milho grosso
Ou salada de couve com tremoço
Como fosse um quitute feminino
O rabicho da cobra bate o sino
Patuá fica bem lá na Bahia
Quando ele pensou que eu vinha, eu ia
Eu pegava água doce e dava um nó
Nas quebradas do velho quiprocó 
Arpejando os cabelos de Maria

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

SERENATAS EM CASA FORTE


Violão debaixo do braço, falta do que fazer nas noites de sexta-feira e sábado, vontade de impressionar as meninas, tudo isso somado às noites de lua cheia e ao romantismo bucólico de Casa Forte, terminaram por fazer de mim um seresteiro inveterado.
A gente se encontrava na Praça; não era nada muito premeditado, não. Chegava um, sentava num banco, no canteiro central, onde cresciam, soberanas, as vitórias-régias; afinava o violão e ficava por ali, dedilhando uns acordes, como quem não quer, querendo.
Daqui a pouco, outro aparecia e pouco depois já estávamos reunidos, uns quatro ou cinco, ensaiando canções novas e antigas; valsas e guarânias, baladas e ie-ie-iês de letras romanticamente adolescentes, como nós mesmos, nos idos daqueles anos 60.
As primeiras canções do Roberto... e também as antigas, de Nelson Gonçalves, de Orlando Dias, Francisco Alves. Um bolerão de Bienvenido, um tango de Gardel ou uma balada italiana, em versão cantada por Moacir Franco ?
Quem ditava o repertório eram as meninas do bairro. De acordo com os seus pedidos, construíamos a nossa cantoria de fim de semana.
Eu gostava mais das serestas nas noites de inverno, quando Casa Forte quase garoava.
Naquele tempo, fazia até mesmo um friozinho que exigia um agasalho, nada de muito quente, claro. Um blusão "James Dean", por cima da camisa, uma calça "Topeka", um topete bem penteado, devidamente firmado com brilhantina "Glostora" ou com a novidade do momento: o fixador de cabelos "Gumex", que não deixava cair a "trunfa" da rapaziada. Tudo isso conseguido com bastante trabalho pelo pente "Flamengo", comprido, de plástico inquebrável, sempre a postos no bolso de trás da calça.
Já tinha passado o tempo das alpargatas "Roda", de lona grossa e solado de corda, como também da calça "Far-West", substituída pela Topeka ou pela "Calhambeque", da grife "Jovem Guarda".

Mas, mesmo pra fazer serenata, e principalmente pra enfrentar o frio da madrugada, havia uma garrafinha de rum "Bacardi", carta-oro, sempre a postos, no outro bolso de trás da calça; era meio curva, já pra isso, e tinha o tamanho certo.
Um gole de rum, pra temperar a garganta, assustar o frio e afastar a timidez e pronto: começava a seresta, por volta das dez da noite, ali mesmo na praça. Depois, lá pras onze ou meia-noite, a gente ia fazendo uma caminhada lenta, entrando nas ruas onde moravam as meninas mais chegadas à nossa música e parando em frente à janela das suas casas, pra desaguar nossas melodias.
Tudo sempre corria às mil maravilhas e as meninas adoravam seus menestréis; mas, aí é que morava o perigo: de vez em quando, pra confirmar o que dizia Nelson Rodrigues (toda donzela tem um pai que é uma fera...) um pai afobado e ciumento estragava nossa festa.
Lembro bem do caso mais evidente dessas manifestações hostis de pais enciumados: um famoso promotor público do Recife, pai de três moças, primas de um dos seresteiros inveterados, interrompeu nosso cantar com um tiro de revólver, em plena madrugada.

O cenário: a gente caprichando nos "pinhos" e soltando a voz, cantando uma balada do repertório de Moacir Franco, "Doce Amargura" ; a garota pendurada na grade da janela do seu quarto, se deliciando com a canção; o apaixonado, que por mero acaso também se chamava Moacir, gesticulando de olhos semicerrados e mãos pro céu, porque era desafinado até pra dar bom-dia.

A ação: pelas sombras das paredes do terraço do casarão, o pai ciumento, de pijama listrado e trabuco na mão, avança como um tigre em plena caçada.

O desfecho: de repente, no seu vozeirão de acusador forense, grita pra gente... - Bando de malandros, desocupados, vou pegar vocês !... e atira pra cima, com o trabucão ...
Aquele revólver, no meio da noite e da nossa serenata, pareceu pra nós todos um dos "Canhões de Navarrone", tamanha foi a zoada do tiro: em dez segundos eu devo ter corrido uns cem metros, com o violão pendurado nas costas e o coração querendo sair pela boca.
Difícil foi juntar a turma toda depois dessa: tem gente correndo até hoje !

domingo, 8 de janeiro de 2012

UM ANO DE BLOG. QUEM DIRIA..

É isso mesmo. Quem diria.. eu que pensava que só seria lido pelos familiares e amigos muito próximos, fiz durante todo esse ano que o Blog completa hoje, uma porção generosa de novos amigos, que se tornaram leitores fiéis.
Não tenho como agradecer tanta paciência de vocês por prestarem atenção a estas coisas que publico por aqui. Textos, músicas, fotografias e vídeos; histórias rais ou fantasiosas, tudo isso venho dividindo com vocês quase como uma terapia. Pra mim, lógico. Na medida em que ponho pra fora minhas lembranças e experiências, ou algo que pareça com arte ou atividade de algum interesse geral, fico feliz.
Não é figura de retórica, não... É felicidade, mesmo !
Alegro-me como um menino se alegra ao receber um elogio na escola, ao finalmente entender porque dois mais dois são quatro, ao descobrir sabores, cores, sentimentos.
É disso que se faz a Vida. São essas descobertas e essas relembranças a razão de nossa existência.
Pois, meus caros amigos e amigas, sintam-se -cada um de vocês- abraçados com todo o meu entusiasmo e gratidão. E hoje, com muita alegria, vou cantar para vocês, que me trouxeram até aqui, 27.138 vezes "parabéns", porque vocês não são meus convidados. Vocês, na verdade, fazem, este Blog. Muito obrigado a todos pelo incentivo e pela compreensão. Perdoem os maus momentos (que devem ter sido muitos) e vamos em frente, tentando sempre melhorar. (Este bolo de aiversário, tomei emprestado a um dos meus inspiradores, meu neto Diogo. Desculpem o improviso.)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A NOITE DOS MARACATUS

No intuito de mostrar as diferenças rítmicas e coreográficas de duas das mais importantes manifestações culturais do rico folclore pernambucano, fiz esse pequeno vídeo, gravado em pleno Encontro de Maracatus no Carnaval de 2004, no bairro do Recife Antigo.
Não representa algo didático, longe de mim essa pretensão.  Apenas e tão somente uma forma de mostrar a turistas e amantes do nosso Carnaval, essas duas vertentes do Maracatu, às vezes tão confundido nas suas diferentes origens: o Maracatu-Nação, ou de baque virado, vindo da tradição africana, representando o cortejo alegre e vibrante das Coroações dos Reis do Congo e o Maracatu-Rural, ou de baque solto, contendo elementos formadores da raça brasileira: os africanos representados pelo casal real, damas do paço, princesas e calungas; os indígenas, pelos caboclos de pena e de lança; os europeus, pelas figuras do bumba-meu-boi, originado nas tradições lúdico/carnavalescas da Ilha da Madeira e relembrando o auto de Mateus e Catirina da partilha do boi.  Tudo isso ponteado e dramatizado pelos nossos trabalhadores da lavoura canavieira da Zona da Mata Norte, em especial, com cantos (loas) tirados de improviso pelos mestres das "sambadas" de maracatu e repetidos, dolentemente, por toda a "corte".
Espetáculo bonito de se ver e de se dançar, nas noites do período carnavalesco no Recife ou nos "encontros" em Nazaré da Mata, onde dezenas de agremiações anualmente se apresentam, o Maracatu Nação, urbano, concentrou-se em bairros populares do Recife e Olinda, com sede nos terreiros de Candomblé onde permanece a mística dos seus rituais e a tradição das suas Nações originais.  O Maracatu da Nação Elefante,  o da Nação do Leão Coroado, o da Estrela Brilhante, são exemplos disso e remontam a mais de dois séculos.   Grupos estilizados de origem recente, como A Nação Pernambuco e Cabra Alada vêm mantendo, principalmente entre o público jovem, danças e cânticos das antigas Nações Africanas.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O DIA EM QUE ELE BEIJOU MARILYN MONROE

Marilyn, a musa

Dia desses li por aí um comentário descendo a ripa nos sujeitos autobiográficos.
Fiquei com medo de ser um desses.  Por que?  Porque eu talvez não tenha ainda conseguido sair de um mundo pequeno, esse meu mundo que eu conheço um pouco melhor do que o “lado de fora”.  Então raramente me arrisco a botar a cabeça na porta (ou levantar as persianas, abrir os postigos, diriam os mais antigos).
Tropic Cinema, na Eaton Str, em Key West-FL
E  fico circulando fatos e pensamentos mais ou menos meus, sem muitas pretensões de analisar a alma de outrem ou tentar explicar o que não entendo ou, ainda, fotografar o que eu não vi.  E torno a remoer lembranças do que realmente me envolveu, das coisas que vivo ou vivi e que me marcaram de forma mais ou menos intensa.
Pois hoje escolhi não falar de mim, mas de uma pessoa muito próxima e que se parece comigo em muitos aspectos. Meu alterego, um menino sonhador, que gosta muito de cinema e já sonhou um dia que beijava Marilyn Monroe.  Os homens preferem as morenas ? Bom.. sei não...eu, pelo menos casei com uma loura.  Mas, voltando a Marilyn, com aquela pintinha simpática no rosto, dançando, cantando e representando, tudo de modo convencional, claro, sem nunca ter sido uma diva, bem que ela povoou os sonhos daquele menino. E aí, numa bela tarde de verão, passeando por uma ilha distante, ele teve uma visão que lhe atraiu de imediato.  Nada menos que Marilyn Monroe do outro lado da rua, na calçada de um cinema, o Tropic, olhava e sorria para si.

A musa repete a pose para o fã
Puxou a namorada pelo braço, entregou-lhe a câmera e suplicou:  - Desculpe, amor, mas você vai me fazer esse obséquio.  Eu quero beijar Marilyn ! 
Ela sorriu, empunhou a câmera e fez não somente uma, mas várias fotos.
O garoto beijou Marilyn, enfim, mas com todo o respeito, na face, mesmo. 
Sonho de menino, enfim realizado 
Um beijinho de fã adolescente, coisa sem muita importância.  E o melhor :  ela não revidou seu atrevimento com aqueles tapinhas que sempre acompanhavam os beijos, mesmo inocentes, naqueles filmes em branco e preto, dos anos 50. 
Troféu conquistado, sonho realizado, desceu a rua e entrou na primeira Sorveteria, duas quadras adiante.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

MISSÃO CUMPRIDA.. QUE VENHA 2012 !

Caminhar é preciso... Lembrar dos caminhos é necessário, para  que voltemos às origens
Último dia do ano.. Tempo de reflexão e agradecimentos.

Comecei este Blog em janeiro deste ano, pensando nele como uma forma de conversar com meus familiares e amigos, contar minhas histórias, compartilhar experiências, fatos, fotos, vídeos, músicas, retalhos de vida...No fim de tudo, coisas que parecem pessoais, mas na essência pertencem a todos nós.

É bom saber que temos tanto em comum, senão não estaríamos aqui, nos olhando nesse espelho cristalino que é a Vida, refletida em todos nós pela luz do Tempo.

Uma memória qualquer, que parecida tão íntima, tão pessoal, pode e deve ser compartilhada, porque às vezes basta uma pequena faísca de algo vivido por outrem, para que se acendam em nós sensações e sentimentos de um trecho de vida que também foi nosso.

Comecei fazendo isso no "Caçador de Lagartixas", cujas crônicas tenho publicado aqui, por partes. Jaime, meu irmão que o prefaciou, já me cobrava uma continuação.  Talvez, por generoso que é, achando que eu realmente tinha dons de escriba. 

Dizia ele, naquele texto tão lindo que abre o meu livro:

"Fred, de forma despretenciosa, faz uma narrativa de vários episódios que ora desnudam a alma do menino de então e ora nos reporta aos valores que estão sendo esquecidos nos tempos atuais.... Espero que o mano, em outra ocasião, se sinta estimulado a dar continuidade a este desafio, relatando as suas peripécias, nos outros estágios de sua vida."  

E é exatamente isso o que eu estou fazendo, querido irmão, queridos irmãos, queridos leitores, que vêm aqui me prestigiar e dar atenção a este sonhador.  Nunca tive pretensões literárias. Aliás, textualmente, falei na contracapa do livrinho: 

Em Diogo, revivo meus sonhos de menino
"Na verdade, o que eu queria era apenas registrar umas lembranças de infância, umas saudades que teimavam em se apresentar, sem hora certa e sem motivo aparente, verrumando aqui e ali meus pensamentos, pedindo para vir à tona, sem mais aquela."

Se tenho conseguido esse objetivo, compete a vocês dizer.  Pelo que tenho visto e pela participação valorosa e gentil de vocês, estimulando, comentando, aplaudindo e me fazendo ficar emocionado a cada resposta que me dão, acho que venho sim, atingindo meu objetivo, que é o nosso objetivo, afinal: fazer vivas nossas lembranças, congelando o tempo naqueles minutos em que nos deparamos com nós mesmos, conduzidos por um texto de um blogueiro ao nosso baú comum de memórias.

Agradecer, finalmente, de coração a todos vocês que vieram comigo nesta caminhada por todo este 2011.  Agradecer pelo carinho e pela participação, é o que me resta fazer.   E abraçá-los.  Com todo carinho, também.  Como um irmão que acabou de chegar de longe.  Do longe dos tempos, do longe das memórias e também por que não, do longe das distâncias.  Mas, sempre voltando para contar como foi, maravilhado com as descobertas, entusiasmado porque vocês estão me ouvindo.  Muito obrigado a todos. Feliz 2012 !

A SOPA DE RIO DOCE

Não era uma sopa qualquer, de legumes ou canja de galinha. Nada disso.

Falo de outra "sopa".. um ônibus antigo que fazia a linha Recife - Rio Doce e cuja última viagem, no finalzinho da tarde, por volta das cinco horas, deu margem a esse apelido original.

Chegando no destino ao escurecer, na hora da ceia noturna, isto é, da sopa, era natural que o povo, na sua criatividade, assim a nomeasse.

Nesse pequeno ônibus a gente ia para a praia, nas férias de verão.

Sempre tinha algum tio que alugava casa para a temporada, ou mesmo para um mês (janeiro ou fevereiro) e a gente era convidado pra passar uma ou duas semanas por lá.

As casas de veraneio naquele tempo eram pouco mais do que cabanas de pescador e nisso estava a beleza delas: na sua simplicidade.

De madeira ou de taipa, com cobertura quase sempre de palha de coqueiro, às vezes de telhas sem forro, não tinham água encanada e a gente tinha que bombear água de poço, que ficava invariavelmente nos fundos ou no oitão da casa.

O quintal e a varanda?.. de areia da praia mesmo. Era muito gostoso botar, à noitinha, uma cadeira na frente da casa e ficar com os pés enterrados na areia olhando a lua nascer e ouvindo o marulho das pequenas ondas de uma maré baixa nos acalentando para mais uma noite de sono reparador.

De manhã, a gente ganhava o mundo e passava boa parte do dia dentro d'água, ora pescando, ora mergulhando nas piscinas formadas nos arrecifes para olhar os peixes coloridos e ariscos, como saberés, mariquitas e budiões, cuidando sempre de não pisar nos ouriços que enchiam trechos das "pedras", junto aos escorregadios "beiços de boi", corais lisos e traiçoeiros.

As "pedras", como chamávamos os arrecifes de coral, eram o nosso mundo e de tanto andar sobre elas, quase nunca nos acidentávamos.

Saíamos procurando um bom pesqueiro, ora num pequeno poço, ora numa piscina maior e quase nunca voltávamos pra casa de mãos vazias.. ao menos uns siris e mariscos carregávamos de volta nessas pescarias infantis.

De tarde a ocupação era outra: “pelada”, voleibol ou "pega". Perto das seis da tarde, ainda arranjávamos tempo pra ir comprar o pão do jantar e algum outro complemento, como uma bolacha d'água redonda chamada "bolacha praieira". A da Padaria de Rio Doce era excepcionalmente gostosa.

Depois de uma canja ou um peixe frito, um "bate-papo" na frente de casa onde muitas histórias de assombração faziam tremer os menores, até que o sono chegava e todo mundo se recolhia.

E assim se passavam nossas férias de verão, naquele tempo em que o relógio era mais preguiçoso, os dias eram mais claros, a lua mais prateada e a areia da praia mais fina e branca.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

RETALHOS DE AGRESTE




Nos anos 70, meu pai, menino nascido e criado no Engenho Barra do Dia, Palmares, Mata Sul de Pernambuco, aposentou-se e alugou uma fazendola em Sairé, para voltar a sentir o cheiro da terra, criar galinhas, alguns animais e curtir seu merecido descanso.  Por esse tempo eu tinha comprado uma camera Super 8 mm e entrado na onda do famoso "Ciclo do Super 8" do Recife (e do Brasil).  Então, nos fins de semana que passava em Sairé, Gravatá e Bezerros, passei a fazer alguns "takes" enfocando a vida do sertanejo/agrestino.  Assim nesta, como em outras oportunidades, cometi alguns "documentários" que apresentei em vários Festivais de Cinema Amador (Sergipe, Bahia, Petrolina, Recife). Em um deles, obtive duas indicações o que me valeu um pequeno troféu e um orgulho muito grande de ter dado o meu recado no telão.  Em outra oportunidade, participei como jurado no Festival do Recife, indicado por um dos órgãos participantes, a Sudene. Trago aqui em vídeo, essa cópia de um curta bem artesanal (o possível, para essa época de tecnologia rudimentar e preços de primeiro mundo, num país de terceiro).  Posteriormente, sonorizei o texto que me inspirou o roteiro desse "curta" com pretensões de documento.  Curtam.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

40 ANOS DE CASA GRANDE E SENZALA - RECIFE 1974

OS 40 ANOS DE CASA GRANDE E SENZALA

                Em 1974, O Instituto Joaquim Nabuco de Pequisas Sociais hoje FUNDAJ, na presença do seu fundador , Sociólogo Gilberto Freyre, comemorava os 40 anos da primeira edição de “Casa GrandeeSenzala”, o livro que marcou a vida daquele genial Escritor.

Entre inúmeros expoentes da cultura pernambucana ali representada, destacam-se os compositores Nelson Ferreira e Capiba, os Escritores Mauro Mota e Mário Souto Maior, os Sociólogos Renato Carneiro Campos e Valdemar Valente.

Convidado pela Direção daquele Órgão, produzi este documentário focalizando a solenidade e Exposição comemorativa ao evento.

O filme foi realizado com uma câmera Super-8mm e dele só resta esta cópia, uma vez que as enchentes de 1975, no Recife, destruíram a película original.


Assim, numa homenagem sempre atual ao Mestre Gilberto, evoco essas imagens que tive imenso gosto em fazer e que, embora mudas, porque a tecnologia do cinema-amador da época não nos brindava ainda com as facilidades das câmeras digitais de hoje, falam muito da cultura pernambucana, por seus grandes expoentes.

Tornando-as públicas, ponho à disposição de quem as quiser copiar, no endereço do Youtube.  Quem não souber como baixá-las mas quiser o vídeo para seu arquivo, pode me contactar pelo email fredcrux@gmail.com.

Coisas assim, penso eu, têm que ser publicadas para serem melhor aproveitadas e terem melhor uso, do que ficarem adormecidas no fundo de uma gaveta.

domingo, 25 de dezembro de 2011

SERRA GAÚCHA 2003 - UM FRIOZINHO GOSTOSO E UMA XING-LING PRIMITIVA

Quarto do Poeta Mário Quintana-Hotel Majestic
(Casa da Cultura Mário Quintana, Porto Alegre)
Em julho de 2003, mês frio de Inverno na Serra Gaúcha, chegamos em Gramado depois de uma parada em Porto Alegre.  Passamos ao todo uns 15 dias entre a Serra e a capital gaúcha.  O espaço seria pequeno para descrever essa maravilha de viagem. Por curiosidade, para quem gosta do tema e também de fotografia, lembro aqui, rapidamente, alguns momentos passados entre Canela, Gramado e Nova Petrópolis. Voltarei depois com mais fotos de Cambará do Sul, São Francisco de Paula, Bento Gonçalves, Caxias, Porto Alegre, Três Coroas, etc.




Pinheiro gigante, em Nova Petrópolis
Para o  post de hoje escolhi essas fotos por terem sido feitas com a primeira câmera digital que possui.  
Comprada em início de 2003, era uma quase buginganga:  pequena, carcaça de plástico azul, com uma ridícula memória de 1 Mb, em que mal caberia uma foto qualquer feita por um bom celular, hoje em dia.  Mas, pelo tamanho reduzido, em comparação com minha grotesca, enorme e pesada Zenith russa, que também poderia servir como arma de defesa num eventual assalto, ou quem sabe para partir um côco, ou bater uma estaca, até que esta maquininha quebrou o galho em alguns passeios.

A Serra Gaúcha é um lugar maravilhoso, natureza plena e pura, frio gostoso no Inverno, que nos proporcionou, inclusive, temperaturas negativas em alguns dias.  Não tivemos a sorte de ver neve, mas geava, quase toda noite lá para as bandas de Cambará do Sul e São Francisco. Fizemos passeios maravilhosos por diversas regiões da Serra.  Eu tinha alugado um carro em Gramado e o entreguei antes de voltar (como cheguei) num ônibus confortável, no percurso Porto Alegre/Gramado, somente para evitar dirigir nessa subida/descida de Serra muito movimentada e perigosa.  

Foto em Canela, caracterizados como imigrantes alemães
Divirtam-se, então com as “fotinhas” da minha mini-mini câmera digital (e agora, como era mesmo o nome dela ? )... Sei não, essas  “xing-ling” às vezes nem nome têm.. Mas foi com ela que experimentei a rapidez das fotos digitais e aderi à moda, quando voltei, comprando em setembro daquele ano, uma “Sony Cybershot P-72” que usei por algum tempo com excelentes resultados. 
Lago Bier - Gramado

Cascata do Caracol-Canela

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

SÍNDROME DO PÂNICO E EXERCÍCIO - UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL

É meio difícil falar de nossas fraquezas ou doenças.
Nem mesmo sei se aqui e agora são o momento e o lugar certo para isso.
Mas, hoje veio-me à lembrança um fato real, um drama pessoal que teve solução e final feliz, graças ao ciclismo, à corrida e à natação, esportes que comecei a praticar, nessa exata ordem, num momento de muito estresse na minha vida.

Começo de vida profissional, casado, 27 anos, muito trabalho, pouco lazer, muita responsabilidade, pouco dinheiro, muito cigarro, zero exercício.  Uma receita completa e acabada para... muito estresse.
E o estresse se manifesta com força total, quando a nossa vida, por isso tudo, se torna sedentária.

Por essa época, comecei a ter episódios da "síndrome do pânico", um mal estar que hoje é rotineiro nas grandes cidades e que - infelizmente - não é tratado com o devido cuidado pela maioria dos médicos, eles mesmos, na maior parte dos casos, sedentários, fumantes, hipertensos, tudo por culpa -aí também- do excesso de trabalho e da falta de exercício físico.

Procurei um dos melhores Clínicos da cidade e ele -sem mais conselhos- receitou-me um ansiolítico e me assegurou que o tomasse sempre, para evitar uma úlcera ou algo semelhante.  E assim foi, durante cerca de 10 anos.   Resultado:  por mais que eu não quisesse, terminei dependente e fui levando assim minha agitada vida.
Fumante inveterado de 30 a 40 cigarros por dia, fui piorando a cada dia, a ponto de não conseguir sair de casa sem que me assegurasse de que havia um comprimido do tal ansiolítico no bolso.

Um dia, porém, dei um basta nisso tudo.  Resolvi deixar de fumar e o fiz de uma só tacada.  Largado o cigarro, senti-me bem melhor.  Cuidei mais da alimentação, tomava bastante água, mas ainda dependia do remédio.
Foi quando resolvi dar meus primeiros passos na corrida lenta e de resistência aeróbica, depois de ter lido um livrinho que já citei aqui no blog:

A ALEGRIA DE CORRER,   

Um santo remédio, desta vez definitivo e de efeito quase imediato.
Por alguns meses, à medida que progredia no exercício, ia esquecendo o remédio e logo não tomava praticamente nada durante toda uma semana, até que o larguei definitivamente.


No princípio, durante 3 ou quatro meses, eu somente caminhava e trotava lento, durante meia hora. Ao final de 6 meses já conseguia correr sem parar os primeiros 10 quilômetros. Oito meses depois corri minha primeira prova oficial de 10 km e com um tempo abaixo dos 60 minutos.

Até hoje, quase 29 anos depois ( que serão completados em abril de 2012 ) só tenho tido alegria com o exercício físico.  Quando não estou pedalando, de madrugada, estou correndo ou caminhando, diariamente, ou ainda nadando, sempre que posso.  E em breve, vou voltar a nadar todo dia, se quiser, pois estou mudando para um condomínio que tem uma piscina com raia semi-olímpica e que será o meu mais novo "ansiolítico".. Que me perdoem os clínicos que continuam optando pelos produtos farmacêuticos.  Jamais passarei perto de um deles.  Meu receituário é um par de tênis, uma magrela, uma sunga de natação e um par de óculos.  E muita "alegria de correr". E de viver !

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

FANFARRA SILVA JARDIM (UM DISCO ESPECIAL)

É grande meu amor pelas Bandas. Também pelas Fanfarras.
Quem, garoto ou rapaz feito, na sua juventude, não sonhou em tocar na banda da Escola e desfilar, garboso, nas paradas do Sete de Setembro ? As meninas sonhavam ser balizas e fazer malabarismos à frente da Fanfarra, sempre aplaudidas pela multidão que acompanhava os desfiles, sob o sol inclemente do Recife.
Sob um sol também inclemente, num dia quente de setembro de 2003, entrei na Quadra esportiva do Colégio Estadual Silva Jardim, para atender a um pedido da minha irmã Dulce.
Professora muito querida por todos de lá, hoje aposentada, havia-me solicitado que gravasse algum número da banda do Grupo. Dulce vivia me elogiando a banda, porque muitos dos seus alunos tocavam nela, eram meninos e meninas carentes e sonhavam em um dia ouvir a Fanfarra gravada. Desde logo, ela explicou que o Grupo Escolar, como todos os da rede pública, não tinha a menor condição de pagar um tostão que fosse pelo trabalho.  Não seria um disco oficial, pois. Não estava nos planos orçamentários da escola, que não dispunha de verba própria para qualquer pagamento desse tipo de coisa.
Eu disse a ela que não queria saber de dinheiro e que faria mais. E resolvi fazer. Gravei um disco inteiro. Seria meu presente para ela e para a meninada da banda.
Com autorização da Direção, ela combinou com o regente uma tarde para a gravação e lá vou eu, com toda a tralha de um estúdio de gravação, mesa digital portátil, microfones, pedestais, fones de ouvido, etc.
E lá estou eu, nesse belo dia, preparando tudo sob o sol das duas da tarde.  Alvoroço geral, quando entram na quadra cerca de 70 moças e rapazes, com uniforme impecáveis, prontos para a gravação e as fotografias.  Sim.  Porque também levei câmera e tripé para fotografar toda a turma, antes da sessão, a fim de preparar uma capa condigna para o disco.  Feitas as fotos, (foram muitas, por naipes de instrumentos e depois com toda a banda formada, com suas bandeiras e cartazes), iniciamos a gravação. Tudo realizado a contento, desmontei minha tralha e durante os dois dias seguintes, tendo o disco já mixado e masterizado, providenciei a impressão da capa, mandando fazer um número suficiente de cópias para entregar à Direção do Grupo, ao Regente e a cada um dos jovens músicos.

Missão cumprida.  Não me perguntem se a existência desse disco -ou o próprio- chegou aos ouvidos do Secretário de Educação, do Governador, ou de alguma outra autoridade do Estado.

Acho que não. Na verdade, tenho certeza que não.  Foi apenas um disco de uma banda juvenil.
Se bem que -pelo que sei- é um dos raros discos de Fanfarra gravados no Brasil todo.  Tenho conhecimento de uns dois ou três, de escolas do Sul do País, não mais que isso.
Apesar de tudo, levei o disco ao meu amigo Hugo Martins, da Rádio Universitária, onde ele apresenta e produz vários programas culturais, inclusive um dedicado à música marcial, e fizemos o devido "lançamento".
Tudo isso me veio à mente agora, 8 anos depois de ocorrido, quando eu estava catalogando meus muitos trabalhos de produção musical em 18 anos de atividade que farei no próximo mês de março de 2012.
Na verdade, eu fiz esse disco por 3 motivos: 1. para agradar a minha irmã; 2. para realizar o sonho de cada jovem musicista e músico ou baliza daquela fanfarra juvenil tão vibrante e sonora; 3. acima de tudo, fiz este disco para o menino que ainda existe em mim, e que sonhava tocar na banda da sua Escola também, marchando numa parada estudantil do Sete de Setembro, pelas ruas do Recife, tocando o seu tarol.
Só por isso.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O HOMEM DA SOMBRINHA DE OURO

O Detetive 008, personagem de Hugo Martins, que já enfoquei aqui no Blog, é um abnegado defensor do frevo, tal como seu criador.  Certa vez, Hugo pediu-me para criar um roteiro e seus personagens, para que pudéssemos gravar mais um dos vídeos da série.  Assim, escrevi um enredo de humor-suspense, que chamei " O Homem da Sombrinha de Ouro", passado em plena folia do Recife e Olinda, tratando de um espião que queria sabotar a saída de troças e clubes de frevo.




O vídeo não chegou a se concretizar, mas gravamos cerca de metade do roteiro.  Por dificuldades técnicas de filmar em pleno carnaval olindense com um equipamento amador e uma equipe minúscula, desistimos de finalizar o projeto.  Restaram, entre as cenas gravadas, alguns momentos descontraídos de erros de fala, que terminam se tornando também algo engraçado para se ver depois e que aqui repasso para vocês.

O vídeo segue aí embaixo:

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O BOLICHE DO NATAL

Natal na Praça de Casa Forte-dezembro 2007


(no áudio, Luiz Bordon e " A Harpa da Cristandade", um disco que marcou nossos Natais)


  Ainda havia uma certa novidade em torno da figura do Papai Noel, que começava a aparecer por essas bandas nordestinas, onde antes imperava a tradição lusitana do Presépio e do Pastoril, que tão bem se adaptaram ao gosto pernambucano.

  Uma aura de mistério envolvia o velhinho de barbas brancas, faces rosadas e óculos de aro, com suas renas e seu trenó mágico.

  As lojas, em dezembro, pleno verão nordestino, ficavam brancas da neve de algodão, cheias de pinheiros de outras florestas, que nem sequer se assemelhavam às nossas casuarinas ou às araucárias sulistas.

  Mas se ele veio parar por aqui, fazer o que?.. Já havia, vê-se, uma antecipação à chamada "aldeia global", hoje uma realidade incontestável, que a tantos agrada e a tantos não.

  Meu pai, como todos os outros da época,  a partir de então adotou a moda de presentear à meia-noite do dia 24 de dezembro, e àquela hora, esgueirava-se nas sombras do quarto das crianças e debaixo de cada cama deixava um pacote de presente.

  Num desses Natais, eu então com 4 anos, ganhei um jogo de boliche.


Natal na Praça de Casa Forte-dezembro 2007
Na minha visão de menino, não era um boliche qualquer. Todo de madeira torneada, pintado a mão, tanto as garrafinhas quanto as bolas. Foi o primeiro presente que ganhei de que me recordo com nitidez.

  Inesquecível, meu boliche. Brinquei muito com ele, nas tardes em que -preso à agonia da asma- ficava em casa, enquanto meus irmãos saiam a passear com Dedé, nossa segunda-mãe, minha madrinha de batismo.

  Aquele boliche, singelo e contido, mas honesto e colorido, como são os bons brinquedos, muito me ajudou a superar o "cansaço" provocado pela asma e eu quase tinha pena dos "soldadinhos" pintados nas garrafas quando os atingia em cheio com as bolas vermelhas e azuis

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

POENTE


O ano agoniza.
Cai, desfalecido, céu abaixo, amortecendo a queda num colchão de nuvens.
Da minha janela eu observo tudo.
Saudade dos momentos bons, também dos momentos tristes.
Duas faces da mesma moeda, duas texturas diversas da mesma massa que nos modela: sentimentos.  Sentimentos, o motor dos humanos. Animais, dizem alguns, também os têm.
Mas, penso eu, não tão exacerbados quanto os humanos (os seres e os sentimentos).
E, apesar de tudo, o ano agoniza.
Vai embora, aos pouquinhos, sem pensar na gente.
Cumpre sua rotina.  Amanhecer, anoitecer, amanhecer, anoitecer, amanhecer..
O ano resume-se em cada dia que lhe cumpre existir.
Amanhece a primeiro de janeiro, anoitece a trinta e um de dezembro.
E agoniza. E agonizamos nós, solidários.
Cada dia nos acrescendo bons e maus momentos. 
Não maus de todo.
Tristes, apenas.  Tristes momentos de que temos até saudade.
Cada dia, sua agonia. Cada dia, um fio de cabelo branco, um segundo que se foi.
Desperdiçado, algum.  Aproveitado, outro.
Todos passando, todos desfalecendo, todos agonizando.
Negro, o céu agora.  Em repouso mortal.  Para ressuscitar em janeiro.
Sob o barulho dos fogos, sob o clarão do Ano Novo.



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

AS CRIANÇAS E OS COMPOSITORES

Professora Raquel Eduardo, Maestro Edson Rodrigues
e os Alunos da E.M. Engenho do Meio

O que eles têm em comum?
A resposta está  na ponta da língua, para todos os que tiveram o privilégio de assistir a uma festa de civismo, cultura e amor ao Frevo de Bloco.

Promovida pela Escola Municipal do Engenho do Meio, produção da Professora Raquel Eduardo, uma abnegada defensora dos Blocos do Recife, esse Encontro encheu de emoção a todos que dele participaram.  E não foram poucos.
Toda a criançada da Escola, educadamente sentada, vibrou e participou a cada segundo das apresentações de músicas dos blocos carnavalescos líricos do Recife.
Os compositores convidados viram e ouviram, emocionados, a criançada a interpretar suas canções, com toda garra e entusiasmo próprios da idade e também de quem descobre a sua verdadeira cultura, as suas verdadeiras raízes.
Uma tarde inesquecível, de que tive a honra e o prazer de participar.
Em meu nome e em nome de todos os amigos e amigas compositores que lá estiveram um enorme agradecimento a Raquel e seus pequenos alunos. 


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

MEUS AMIGOS ANIMAIS (6)

Foz do Iguaçu é um privilégio para quem gosta de Natureza.
Os Everglades, na Flórida, também. O Pantanal de Mato Grosso (Norte), idem.
Têm em comum, a exuberância das plantas, a força das águas, a beleza da fauna.

Borboleta - Foz do Iguaçu


Paisagens e seres assim, são um colírio para os olhos e para as lentes das câmaras de fotógrafos do mundo inteiro.
Onça - Itaipu Binacional
Nesta série, mais um apanhado das plumagens e cores, das formas e da diversidade de pássaros, insetos e animais de toda espécie que temos fotografado nesses lugares mágicos.
Joaninha - Duvall, WA-USA
Diz o jargão surradíssimo que "uma imagem vale mais que mil palavras".
Economizemos, pois, as palavras.

Borboleta - Foz do Iguaçu

Esquilo (serelepe) - Puerto Iguazu

Lagarto - Itaipu Binacional

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

MINIBIOGRAFIAS DOS TÁRTAROS (DIDI)


Ou melhor, Waldilson.  Irmão do nosso Walter.  E do Waldir, da Waldjane, da Waldilene, do Walney, da Waldja e haja "dabliú" !  


Outro caso de nomes diferentes.   Nosso mascote, caçula da turma, tinha uns quinze anos quando começou a "centrar" guitarra com a gente.  
Não sei como nunca tivemos problemas com o Juizado de Menores.  Entrou quando o Raimundo Carrero saiu.

Criança por fora, maduro por dentro.  Mais sério do que o necessário para sua idade, até hoje continua o mesmo.   

Solidário até a doação da medula a quem primeiro precisasse. Jeito de frade franciscano, fala macia, grande coração.



Mas, quando entrava no clima de brincadeira da turma... sai de baixo !
Formou-se em Direito, como eu.  Aliás, recentemente formamos um trio, com outro Advogado, o Geraldo Azoubel, excelente gaitista, só para tocar em reuniões de beneficência e chás de caridade.  O trio ainda não tem nome (eu sugeri "Petição Inicial" e o Didi falou em "Despacho Saneador".  Coisa de louco! 









(do inédito "Tártaros, Os Seis do Recife")

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

ZÉ LIMEIRA, O POETA DO ABSURDO

Paisagem dos Cariris Paraibanos

Conforme falei um dia desses, aqui na coluna, durante o ano de 2001, produzi e apresentei, através da Rádio Pacoland FM 106.1 MHZ, uma rádio comunitária/cultural, dois programas com a duração de uma hora cada, em dias alternados. 

O primeiro, dedicado à música pernambucana, chamava-se “PERNAMBUCO MUSICAL”; o outro, dedicado à música pop brasileira e internacional, era o  “POP 60. 

Tenho gravados todos esses Programas e vou trazer aqui pra vocês alguns deles. 

Como o de hoje, em que fiz um pequeno apanhado a respeito do folclórico cantador sertanejo Zé Limeira, retratado pelo escritor e poeta paraibano Orlando Tejo, cuja livro “Zé Limeira, o Poeta do Absurdo”, tornou-se rapidamente um sucesso, por estas bandas nordestinas. 

O áudio é um pouco longo, eu sei, (cerca de 9 minutos) mas o assunto é bem interessante e vale a pena ser ouvido.