sábado, 21 de abril de 2012

CORDEL E CRÍTICA

Repentistas (Google Imagens)
Na minha coluna “Mascate das Lembranças”, do Jornal da Besta Fubana (bestafubana.com), tenho escrito sempre uns versos de cordel em décimas, sextilhas ou setilhas, pois tem muita gente boa por lá nesse tipo de literatura. Além de exercitar meus neurônios, nessa divertida e tradicional modalidade literária, exerço também meu direito à crítica política, porque no Brasil de hoje em dia é praticamente uma obrigação nossa denunciar todos esses erros e escândalos e não deixar que se tornem rotina. A falta de vergonha e a impunidade estão a exigir uma tomada de posição e, nesse ponto, juntando humor, ironia e engajamento, o JBF tem contribuído, e muito, assim como as demais redes sociais, para essa tomada de posição. Leiam abaixo três estrofes que construí a partir do mote de Cícero Cavalcanti, goiano de Cuiabá:


“O que dói no meu peito o tempo inteiro
É o Brasil governado por canalhas”



Eu passei toda a vida trabalhando
Dei um duro danado e aqui estou
Feito um mero esqueleto de eleitor
Que cansou das batalhas, se esgotando
E o meu velho tí’tlo vou guardando
Pois cansei de votar nesses petralhas
Que fizeram da pátria umas borralhas
E levaram do povo o seu dinheiro
“O que dói no meu peito o tempo inteiro
É o Brasil governado por canalhas”


Se cheguei pouco tarde me desculpo
Eu estava ocupado em meu trabalho
Pois a vida só tem um cabeçalho
De valor tenho aquilo que eu esculpo
Nessa luta diária eu não me culpo
Pelo tanto suado e pelas falhas
se por tudo ganhei minhas migalhas
procurei ser um homem verdadeiro
"O que dói no meu peito o tempo inteiro
é o Brasil governado por canalhas"


Entra ano sai ano e a coisa fica
Cada vez complicada de se ver
É um tal de roubar e de esconder
O dinheiro do povo na barrica
A vergonha tá ficando nanica
Nesta terra que adora essa gentalha
que na lama da corrução se espalha
E ninguém dá por falta do dinheiro
"O que dói no meu peito o tempo inteiro
É o Brasil governado por canalhas"