quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O PALHAÇO DOIS EM UM


O Recife agora tem
Um palhaço "DOIS EM UM"
e você já o conhece
não tem mistério nenhum
vou lhe explicar agora
é uma história comum

dia 31 de Maio
nasceu meu netinho THEO
um menino muito esperto
que faz avô ir pro céu
e que tanto ri comigo
é engraçado pra dedéu !

Quando chego perto dele
desata logo a risada
e eu também já começo
a lhe fazer palhaçada
o THEO ri de soluçar
com essa minha empreitada

Pois agora eu descobri
que a vocação já se mede
pela força do meu nome
que o destino concede
como eu raspo minha cabeça
virei CAREQUINHA e FRED !

sábado, 22 de setembro de 2012

A SOPA DE RIO DOCE (REPOST)


Não era uma sopa qualquer, de legumes ou canja de galinha. Nada disso. Falo de outra "sopa".. um ônibus antigo que fazia a linha Recife - Rio Doce e cuja última viagem, no finalzinho da tarde, por volta das cinco horas, deu margem a esse apelido original.
Chegando no destino ao escurecer, na hora da ceia noturna, isto é, da sopa, era natural que o povo, na sua criatividade, assim a nomeasse.
Nesse pequeno ônibus a gente ia para a praia, nas férias de verão.
Sempre tinha algum tio que alugava casa para a temporada, ou mesmo para um mês (janeiro ou fevereiro) e a gente era convidado pra passar uma ou duas semanas por lá.
As casas de veraneio naquele tempo eram pouco mais do que cabanas de pescador e nisso estava a beleza delas: na sua simplicidade.
De madeira ou de taipa, com cobertura quase sempre de palha de coqueiro, às vezes de telhas sem forro, não tinham água encanada e a gente tinha que bombear água de poço, que ficava invariavelmente nos fundos ou no oitão da casa.

O quintal e a varanda?.. de areia da praia mesmo. Era muito gostoso botar, à noitinha, uma cadeira na frente da casa e ficar com os pés enterrados na areia olhando a lua nascer e ouvindo o marulho das pequenas ondas de uma maré baixa nos acalentando para mais uma noite de sono reparador.
De manhã, a gente ganhava o mundo e passava boa parte do dia dentro d'água, ora pescando, ora mergulhando nas piscinas formadas nos arrecifes para olhar os peixes coloridos e ariscos, como saberés, mariquitas e budiões, cuidando sempre de não pisar nos ouriços que enchiam trechos das "pedras", junto aos escorregadios "beiços de boi", corais lisos e traiçoeiros.
As "pedras", como chamávamos os arrecifes de coral, eram o nosso mundo e de tanto andar sobre elas, quase nunca nos acidentávamos.
Saíamos procurando um bom pesqueiro, ora num pequeno poço, ora numa piscina maior e quase nunca voltávamos pra casa de mãos vazias.. ao menos uns siris e mariscos carregávamos de volta nessas pescarias infantis.

De tarde a ocupação era outra: “pelada”, voleibol ou "pega". Perto das seis da tarde, ainda arranjávamos tempo pra ir comprar o pão do jantar e algum outro complemento, como uma bolacha d'água redonda chamada "bolacha praieira". A da Padaria de Rio Doce era excepcionalmente gostosa.
Depois de uma canja ou um peixe frito, um "bate-papo" na frente de casa onde muitas histórias de assombração faziam tremer os menores, até que o sono chegava e todo mundo se recolhia.

E assim se passavam nossas férias de verão, naquele tempo em que o relógio era mais preguiçoso, os dias eram mais claros, a lua mais prateada e a areia da praia mais fina e branca.

Deixo, ainda, para vocês essas estrofes inspiradas nas paisagens de Rio Doce e Olinda da minha infância.

PEIXE NA PRAIA


Eu que sempre morei no litoral
e conheço o sertão só de passagem
não queria dizer muita bobagem
pois então vou louvar a capital
que tem praia bonita e original
e um mar que é cheio de magia
águas verdes e claras como o dia
onde nadam peixinhos tropicais
que na graça e na cor são maiorais
representam da vida a harmonia

***********
mariquita, olhão, tem mais arraia
budião, xira, gato e agulhinha
tem o galo, também tem a tainha
tem cioba e sargento lá na praia
quando a noite já vem e o sol desmaia
pescador pega logo o seu puçá
e na beira do mar vai fachear
pra pegar a saúna e o camarão
samburá fica cheio de montão
ele vai pra pescar o seu jantar

*************

de manhã bem cedinho sai de novo
a maré já baixou e ele insiste
na jangada com sua vela em riste
pra pescar a lagosta usa seu côvo
pois além do guajá, cutuca o polvo
que se esconde na loca do arenito
no ganchinho de ferro é expedito
e com sorte inda fisga uma moréia
vai feliz prosseguir nesta odisséia
e assim garantir seu peixe frito

terça-feira, 18 de setembro de 2012

DE POESIA E REALIDADE - UMA GOTA DE ORVALHO

Serra da Capivara, Piauí - foto do autor
Enquanto as águas do Rio São Francisco servirem só de pretexto para os falsos profetas iludirem até mesmo os intelectuais "engajados" e crentes nos seus falsos milagres; enquanto efetivamente elas não chegam para aplacar a sede do nordestino; enquanto os velhos e novos "imperadores" não cumprirem suas promessas ilusórias e mentirosas, digo e repito: resta-nos a Poesia para matar a nossa sede, resta-nos o Orvalho (sim, esse abominável orvalho que os cientistas dizem fazer mal à lavoura) para ser objeto da nossa admiração ! Porque, através da pequena lente da sua lágrima - pois a gota de orvalho tão pequenina é, para o poeta,  a lágrima da chuva que não caiu - o sol inclemente é transmutado numa Alquimia mágica, em diamante valioso  que, por fração de segundo, dessedenta uma minúscula formiga e ao mesmo tempo enche de esperança o coração de um sertanejo sofrido.

Escravo da Poesia
carrego a sua bandeira
feito a água na biqueira
nos lava na invernia
levando a melancolia
porque no quente verão
que penaliza o rincão
o orvalho é jóia rara
aplicada na tiara
de um sofrido coração

Mas, se cai chuva no chão
é demais a diferença
e aumenta minha crença
de fartura no Sertão
Pois dá-se a transmutação
do cinza que angustia
no verde que alumia
os olhos do sertanejo
realiza-se o desejo
e a vida é só alegria !




sábado, 15 de setembro de 2012

PERNAMBUCO FALANDO PARA O MUNDO

(Sobre uma dúvida que não deveria ter existido.)

Transmissores da Rádio Jornal, em Casa Forte, 1949

Mantenho uma coluna no Jornal da Besta Fubana, um dos melhores espaços culturais da internet brasileira, que cresce a cada dia, em virtude da liderança do seu mantenedor, o Jornalista e Escritor palmarense Luiz Berto.  Chama-se "Mascate das Lembranças" e lá publico matérias do meu Blog "Sete Instrumentos".

Sala do do prédio dos transmissores, com o famoso "slogan"
Costumo também fazer comentários nas postagens do JBF. Ontem, tendo comentado uma excelente postagem da poetisa cearense Dalinha Catunda, na sua coluna "Eu Acho é Pouco", do mesmo jornal virtual, fui surpeendido com um comentário de um (ou uma.. a gente nunca sabe o que está atrás de codinomes) tal Passiflora que afirmava, entre outras coisas que não tinham muito a ver com o poema ilustrado com uma foto, da Dalinha Catunda, que o slogan "Pernambuco Falando para o Mundo" era criação da Rádio Tamandaré.


Retruquei de pronto, porque tendo conhecido de perto a nossa mais querida emissora, a Rádio Jornal do Commércio (nos anos 60 meu conjunto "Os Tártaros" apresentou-se com frequência no seu magnífico Auditório, no prédio da Rua do Imperador.)

Palco/auditório da RJC, na Rua do Imperador, Recife, 1949














Aos que quiserem mais detalhes da história da Rádio Jornal (como era popularmente conhecida) 
recomendo uma visita à Wikipedia (link abaixo).
(http://pt.wikipedia.org/wiki/R%C3%A1dio_Jornal#E_Pernambuco_fala_para_o_Mundo... ) 
ou -ainda melhor, ao site da Rádio Jornal, em especial, aqui: 
http://www2.uol.com.br/JC/radio/memoria.htm .

As fotos publicadas no site da RJC foram extraídas de um livreto comemorativo à fundação da emissora. Tenho um exemplar dele, que me foi oferecido pelo amigo cantor do "cast" daquela Rádio e da TV Jornal do Commércio, Canal 2, o Joaquim Gonçalves.  Aliás, àquela época, o meu grupo musical atuava tanto na TV, como na Rádio.

Caminhão de externas da RJC, um luxo único no Brasil da  época
A força deste slogan deve-se à minuciosa (e milionária) montagem da emissora pelo seu proprietário, F. Pessoa de Queiroz, que importou o que havia de mais moderno da Inglaterra, para montá-la, ao nível de uma emissora internacional, mesmo.  Transcorriam os anos 40/50, quando o rádio teve a sua chamada Era de Ouro, em todo o mundo, e a televisão ensaiava ainda seus primeiros passos.

Quem fez a supervisão/manutenção da emissora foi a Dra Janet Swaton que,com seu sotaque britânico falou pela primeira vez "Pernambuco speaking to the world', enquanto apresentava o programa 'Brazil Calling', para um público a milhas de distância." (do site do RJC.)

Aliás, o requinte da Rádio Jornal era surpreendente, tanto nos seus transmissores, no meu querido bairro de Casa Forte, quanto na sede da Rua do Imperador, onde havia até mesmo um Salão na cobertura, onde tocamos várias vezes também  -a Boate Rosa Amarela- frequentada por artistas que se apresentavam na TV Jornal, os mais famosos do Brasil e também de outros países do mundo.

O salão (depois Boate Rosa Amarela) no prédio do RJC
Ainda do site da Rádio Jornal, transcrevo, para ilustrar o nível da sua programação:

"Orquestras de todo o Brasil passaram a disputar espaço para apresentação na emissora. Um convidado ilustre, o maestro Villa-Lobos, mostrou o seu trabalho seguido da orquestra Tommy Dorsey, que executava peças de fox-trote e blues."

Outra lembrança muito querida que eu tenho dessa época em que atuei na Rádio e na TV Jornal, foi ter tocado num espetacular Órgão Hammond que foi trazido para a inauguração da TV e era quase que de uso exclusivo do famoso Sivuca. Quem é do ramo, sabe o valor sonoro desse instrumento.

Por outro lado, e quanto à Rádio Tamandaré, que foi a terceira emissora fundada no Estado, 3 anos depois, em 1951, seu slogan era "Música somente música" depois mudado para  "Tamandaré: maximúsica."

Hoje é uma emissora evangélica, sediada em Olinda,  e tem por slogan: "Rádio Tamandaré: 100% Jesus", com pastores se revezando em pregações evangélicas e música também evangélica (ou gospel, como queiram).
Floriza Rossi, Nelson e Joaquim Gonçalves,
no Programa "Você Faz o Show"
comandado por Fernando Castelão.
O ídolo, Nelson Gonçalves, acompanha o seu  fã 
e seguidor Joaquim Gonçalves, excelente cantor 
pernambucano de Bom Jardim
As fotos aqui apresentadas foram escaneadas do livreto acima falado. Inclui ainda uma foto de uma das muitas apresentações do Joaquim Gonçalves, na TV Canal 2, com o cantor Nelson Gonçalves, pasmem, lhe acompanhando ao violão.

Acho que fica esclarecida aqui a dúvida (que não deveria ter existido, caso o autor/autora do comentário houvesse pesquisado um pouco mais sobre esse famoso slogan.)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

GUERREIROS DO PASSO - UMA APOTEOSE DO FREVO


Quem acompanhou até aqui a série de postagens sobre o aniversário de 7 anos dos "Guerreiros do Passo" não perdeu por esperar.

É que hoje, encerrando esta homenagem, trago para vocês um espetáculo de grande significado para todos nós brasileiros e pernambucanos que valorizamos a nossa cultura  tão rica e diversa.

Contar história através de livros, de filmes, de fotografia até que pode parecer fácil, com toda a tecnologia da comunicação desenvolvida até os nossos dias.

Mas fazer isso utilizando a linguagem corporal, a dança, a vestimenta, o sentimento de viver a história que se conta, é  bem diferente.  E além de tudo cativante.  Para quem atua e para quem interage assistindo e aplaudindo.

É isso que os Guerreiros fazem, e muito bem.  Vendo essa apresentação, lembramo-nos de cada palavra, de cada fato apresentado numa das mais importantes obras sobre o frevo: "Frevo, Capoeira e Passo", do Mestre Valdemar de Oliveira.

E nos encantamos com a evolução conjunta da música e da dança (o frevo e o passo); e nos deslumbramos com o descobrir disso tudo.  De como, desde o final do século 19, início do século 20, os brabos e capoeiras recém-libertos se enfrentavam em lutas sangrentas à frente das bandas miitares, disfarçando suas pelejas renhidas e mortais em "combates" de movimentos cada vez mais complexos.

Tudo isso, veio a se tornar numa verdadeira enciclopédia coreográfica: o "passo" que, sempre aliado à música oriunda da transformação dos compassos binários das marchas militares, amalgamados com outros ritmos das mais diversas origens fez nascer esse nosso patrimônio único chamado "frevo".

Quem viveu intensamnte a organização sistemática de tudo isso, passando aos seus alunos os segredos dessa rica coreografia foi o amazonense "Nascimento do Passo", o mais apaixonado e carismático Mestre que entreviu desde que aqui chegou a beleza plástica da dança aliada à intensidade rítmica da música do frevo.

E surgiu assim um real e valoroso "Método de aprendizado" que ele transmitiu e que vem sendo repassado com toda proficiência pelos nossos Guerreiros.  Eles nos trazem a certeza de que o frevo e o passo terão vida longa. Com a determinação transmitida pelo Mestre Nascimento, levarão pela frente (e os seus seguidores também) a bandeira da nossa dança mais expressiva.




quarta-feira, 12 de setembro de 2012

BODAS DE DIAMANTE - FREDERICO E MARIA, 70 ANOS DE AMOR


Primos, eles começaram a namorar muito novos.  Mas, a vida de Frederico e Maria era somente Amor.  Desde cedo.  Minha mãe tinha apenas 14 para 15 anos quando começou a gostar do primo Frederico.  Quando completou os 18, ele com 25, casaram.  E daí por diante, o Amor somente aumentou.  Rendeu muitos dividendos: 13 filhos, 24 netos e 20 bisnetos.  E hoje, 12 de setembro, completariam 70 anos de um casamento perfeito.  Jamais presenciamos qualquer rusga entre eles. Um casamento mais-que-perfeito. Dois Anjos para quem a única razão de ser era o Lar, mais seus filhos, netos e bisnetos.  Pensei muito antes de postar esta mensagem no Blog hoje. Afinal, o Blog é público e certas coisas podem não interessar a tanta gente que o frequenta., Mas, mesmo sendo já um  final de tarde, quando a saudade deles apertou mais uma vez, resolvi fazer o que devia ter feito desde o início da manhã.  Meus queridos pais: de onde vocês estiverem, abençoem esses filhos que lhe adoram!  Parabéns pelo seu dia.  Amor, Sempre !


Fiz esta canção para eles no aniversário de 60 anos de casados. Eles ainda a cantaram, juntinhos, durante mais 7 anos e alguns meses.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

GUERREIROS DO PASSO – 7 ANOS DE RESISTÊNCIA – PARTE 3

Os Guerreiros e amigos num momento de comemoração e alegria total (Cortesia "Guerreiros do Passo)

Aqui a terceira parte da nossa homenagem aos “Guerreiros do Passo”, com mais imagens da Aula comemorativa ao sétimo aniversário do Grupo.

E, ainda, depoimentos de um dos alunos/passistas, o Otávio Bastos, como também do Professor e passista Ricardo Napoleão.

Na próxima quinta-feira, dia 13 de setembro, encerraremos esta série de homenagens a este importante Movimento Cultural, trazendo em vídeo a encenação da história do frevo, como foi anunciada no primeiro vídeo, pelo Coordenador dos “Guerreiros do Passo”, o caro amigo Eduardo Araújo.

Todo o aplauso e todo o apoio a esses ilustres defensores da nossa cultura !


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

GUERREIROS DO PASSO – FREVO É PARA O ANO TODO

Lucélia incorporando sua personagem de sucesso,
a "doméstica passista" (foto: cortesia Guerreiros do Passo)
Nesta segunda parte da série em homenagem aos sete anos de fundação desse grupo cultural maravilhoso que é “Guerreiros do Passo”, trazemos mais imagens da Aula-Espetáculo realizada no dia 1° de setembro, aniversário dos Guerreiros.

Lucélia Albuquerque, uma das fundadoras do Movimento, Professora e exímia passista, fala-nos sobre essa luta que é hoje de todo o povo, em especial do povo que participa, “fazendo o passo” para manter o alto astral do Carnaval recifense, apesar de todo o lixo musical que é apresentado anualmente nos palcos oficiais, em nome de um falso “multiculturalismo” que nada tem a ver com a beleza das nossas mais puras tradições.

E aí que, em nome desse chamado “carnaval multicultural”, joga-se de maneira desavergonhada a cultura verdadeiramente pernambucana para os palcos minúsculos de arrabaldes distantes, enquanto o lugar de honra dos grandes palcos da festa fica reservado para roqueiros, bregueiros, Djs de toda ordem e outras aberrações que já têm o ano inteiro para devorar verbas gigantescas das burras do governo, em nome de atendimento aos turistas que aqui vêm procurar, justamente, o contrário dessa submúsica despejada diariamente pelas emissoras de rádio e TV, regiamente pagas com “jabás” dos poderosos produtores do consumo fácil (e burro...)

Lucélia já tornou famosa a sua personagem da “doméstica passista”, que se esbalda no frevo, com um pano nos cabelos e uma carteira nas mãos, no meio da “onda” violenta dos passistas, lá pelos anos 40 ou 50.

Essa é a luta em que os “Guerreiros” se empenham. Essa é a luta em que todos nós, pernambucanos ou não, devemos nos empenhar. Preservar cultura é ato de inteligência. É ato de “poupança histórica” que renderá frutos muito mais saborosos, porque têm a cor e o sabor da nossa gente, e o saber dos nossos antepassados! 

Ouçam o que a Lucélia tem a dizer sobre isso tudo, curtam os frequentadores e alunos dos “Guerreiros” na preparação para a próxima batalha carnavalesca e principalmente no aperfeiçoamento da dança que tanto nos orgulha.




domingo, 2 de setembro de 2012

GUERREIROS DO PASSO - 7 ANOS DE RESISTÊNCIA


Uma tarde de alegria, confraternização e muito frevo. Foi o que tivemos ontem, 1° de Setembro, no aniversário de sete anos dos "Guerreiros do Passo" um grupo de abnegados defensores da autêntica cultura pernambucana, em especial do Frevo e do Passo.

Professores da nossa mais representativa dança, todos ex-alunos do Mestre Nascimento do Passo, os Guerreiros são hoje um símbolo da resistência cultural que indiscutivelmente representam com toda eficiência e conhecimento de causa, a mais nobre fatia cultural de pernambuco, o nosso patrimônio imaterial, consagrado oficialmente em inúmeros atos documentais e legais e sobejamente conhecido no mundo inteiro.

Estive presente na arena dos Guerreiros, esse verdadeiro “Coliseu” do frevo em que se transformou a Praça do Hipódromo, naquele simpático e bucólico bairro recifense, lugar de morada do nosso grande poeta Ascenço Ferreira, e trouxe de lá imagens e depoimentos que, a partir de hoje, passo a divulgar aqui no nosso Blog e na minha coluna “Mascate das Lembranças”, no Jornal da Besta Fubana  (http://www.luizberto.com/coluna/mascate-das-lembrancas-fred-monteiro )

O passo, como ensinado pelo Mestre Nascimento, tornou-se para os pernambucanos uma modalidade aeróbica de valor extraordinário, porque além de mera dança, é um conjunto inteiro de exercícios de alongamento, flexibilidade, força e resistência muscular.

Quem acompanha os clubes de frevo e troças pelas ladeiras de Olinda, ou pelas ruas e vielas do Recife Antigo, sabe muito bem do que estou falando.

Ensinado por Mestres que tiveram como Mestre o maior deles, Nascimento do Passo, que já divulgava o seu método de aprendizado como a “Aeróbica do Frevo”, resulta num caminho seguro para a saúde física (e mental, consequentemente) plenamente atingível por pessoas de qualquer idade. Sim, pois como vocês verão pelas imagens, gente dos 7 aos 70 está representada naquela Aula-Espetáculo patrocinada todos os sábados, gratuitamente, pelos “Guerreiros do Passo”, na Praça, que é do Povo, pelo Povo e para o Povo !

Vamos frevar, porque o Carnaval vem aí e daqui pra lá ainda dá tempo de evoluir de um “pulador de frevo” para um passista competente e consciente, bem orientado pelos Mestres Guerreiros. Minha vaga já está garantida e a partir de setembro pretendo fazer esse caminho evolutivo e completar minha paixão pelo Frevo e pelo Passo!




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

MEMÓRIAS DO F STUDIO - IVAN FERRAZ




Radialista famoso, com programa de rádio e de TV consagrado há décadas, Ivan Ferraz procurou-me um dia, sabedor dos meus intrometimentos nas áreas de produção de áudio e vídeo.
É que, em 2008, o seu programa televisivo "Forró, Verso e Viola" estava há meses fora do ar, por uma contigência da emissora de TV do governo, que o abrigava e Ivan, pressionado pela audiência dos milhares de fãs não tinha como arcar com os custos de produção inerentes a um programa de TV.
Resolvemos, então, com a ajuda de um apaixonado pela cultura nordestina, Luiz Ceará, proprietário de dois restaurantes na Cidade Universitária, improvisar e mandar o programa ao ar, com os parcos recursos disponíveis.
Num dos restaurantes, o Arriégua, foram gravados, assim, 3 programas completos, contando com inúmeros artistas da terra e de outros Estados, com a apresentação do Ivan Ferraz. Para a maior parte dos números apresentados foi utilizado o esquema de dublagem, com os cantores apresentando-se com trilhas sonoras dos seus Cds gravados, sendo feita posteriormente a edição no Estúdio.
Alguns artistas fizeram questão de apresentar-se com suas próprias Bandas e assim foram gravados. Entre eles, um dos autores de uma das pérolas da música nordestina (que Gilberto Gil tão bem defende até hoje) "Esperando na Janela" : (ao contrário do muitos pensam e do que a internet divulga, essa música é de autoria de Targino Gondim, Manuca e Raimundinho do Acordeon.)
Pois bem: mesmo improvisados, esses programas que gravamos e editamos com apenas duas câmeras amadoras, mas com muita boa vontade e trabalho, foram ao ar por meses, em vários Estados do Nordeste, dando uma sobrevida à edição televisiva do Forró, Verso e Viola da época, segundo me contou posteriormente o amigo Ivan.
Tudo isso aconteceu entre os meses de junho e agosto de 2008, para orgulho do nosso F Studio, como um presente ao Mestre Ivan Ferraz.
Voltarei, posteriormente, com vídeo do programa de Targino Gondim. Fiquem, agora, com a apresentação do cantor e compositor Erasmo de Lima, dono de uma bela voz e e autor de excelentes canções, que se apresenta sempre no hall do Aeroporto dos Guararapes, no Recife.
 



sábado, 25 de agosto de 2012

PRIMEIRO VIOLÃO, O BODE E A CABRA


Em princípios de 1962, um certo grupo musical inglês lançou um estilo que mudou a vida de muito jovem da época: eram os Beatles.

Eles vinham aparecendo nas manchetes desde que lançaram suas primeiras gravações e começaram a arrancar aplausos das platéias do mundo inteiro, quer pela simplicidade e beleza das canções, quer pela sua forma de apresentação, suas roupas e cabelos, seu estilo, enfim.

Estava confirmada, historicamente, a Beatlemania.  Esse modo de cantar, de tocar e de encarar o mundo foi logo adotado pelos milhões de jovens e adultos, que entenderam a sua mensagem de paz, amor e alegria, sem abrir mão do romantismo.

Passar a tocar um instrumento e tentar imitá-los, então, foi uma urgência que tomou conta de todo adolescente que tivesse algum pendor musical.

Entrei nessa onda de cabeça. Os Beatles eram tudo o que eu precisava, no momento, para afirmar a minha musicalidade em desenvolvimento.

Apesar de ouvir bastante os clássicos, a música popular brasileira e regional e mesmo o jazz e música de cinema, me dei conta da modernidade daquele som, que até hoje permanece bem vivo no coração da gente.
O instrumento que era meu objeto de desejo -naquele momento- era a guitarra elétrica.

Como  não tinha dinheiro pra comprar uma, embora sonhasse com isso, comprei um violão "Rei dos Violões" e dei início ao aprendizado.

As horas de folga eram dedicadas a afinar e estudar os primeiros acordes. Pra mim foi fácil.  Já pro resto da família, não garanto...


A primeira música dos Beatles que aprendi foi "I want to hold your hand", ao pé da letra, "Quero segurar sua mão" mas, na versão livre da meninada, que não manjava nada de inglês, foi muito conhecida como "O bode e a cabra"...

Tudo por causa do refrão de uma das canções do grupo, "She loves you" que terminou por dar o nome brasileiro ao movimento dos Beatles: ié-ié-ié.

Daí por diante, o entusiasmo foi crescendo e a coisa chegou a virar profissão paralela.  Tanto que quase empatei os anos de exercício da advocacia (25) com os da música (22, sendo 4 na época de faculdade e 18 no meu estúdio de gravação, a partir de 1994).

O conjunto "Os Tártaros" em 1968
Os Tártaros, numa versão da artista plástica Rayama, em 2011


domingo, 19 de agosto de 2012

MANDIOCA, FARINHA E SEUS SEGREDOS

Guia José Maria (foto: cort. Revista Sabores)

Conforme prometi dias atrás, segue uma matéria em vídeo sobre o fabrico artesanal de farinha de mandioca, na comunidade de Tapuio, zona rural de Barreirinhas, no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. 
Foi gravado em setembro de 2008, quando lá estivemos para conhecer aquela maravilha natural brasileira.

Chegamos lá de barco, pelo Rio Preguiças e um dos seus afluentes e fomos muito bem recebidos pelo Guia José Maria, da Freeway Turismo, que nos explicou o passo-a-passo da fabricação da farinha de mandioca, numa explanação bem didática e uma aula prática sobre o assunto.
O vídeo fala por si.  Assistam e curtam a experiência.




Foto: cortesia Revista Sabores


terça-feira, 14 de agosto de 2012

OO8 EM BUSCA DA BARCA PERDIDA -DEPOIMENTOS

Até nas fotos ele aparece de costas pra não ser reconhecido...
Afinal, é Agente Secreto, não é?


Preparei para os posts de hoje e amanhã duas matérias versando sobre o mesmo assunto: como escrever e filmar uma comédia com "recurso financeiro zero", muito humor, boa vontade e improvisação total.  Estranho, isso, numa era em que todos buscam a perfeição e ao mesmo tempo esquecem a paixão pelo que almejam fazer. 
Mas é que me alinhei com uma equipe de sonhadores empedernidos em fazer o que gostam, sem ligar muito para o sucesso financeiro e profissional dos seus empreendimentos.
Estou falando de um grupo de artistas nordestinos liderado por Hugo Martins, o Paladino do Frevo, mas que também atua em muitas outras áreas, inclusive cinema e teatro.
Na cena escolhida, até que o roteiro foi cumprido, mas depois vou mostrar outras em que a improvisação foi quase total e com resultado até melhor.
Como introdução a essa matéria, que virá amanhã, publico hoje um vídeo com o depoimento do Hugo Martins e o meu, sobre esse projeto que aliás, continua vivo, pois tenho notícia de que em breve teremos pronto mais um filme da série, o quinto, desta vez sem a minha participação.
Sigam com o vídeo abaixo, para terem uma idéia geral da coisa toda.  Amanhã eu volto ao assunto com o trecho do roteiro e o respectivo vídeo.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

LENÇOIS MARANHENSES - ARTESANATO EM BURITI


 Uma viagem aos Lençóis Maranhenses é uma experiência inesquecível.
Parece chavão de agência de turismo, mas é a pura verdade.  Acho que no Brasil inteiro não há lugar que congregue paisagens geográficas e humanas tão diversas.  
Da modernidade das largas avenidas de beira-mar em São Luiz, aos casebres de palha dos arredores e cidades interioranas; das dunas imensas que lembram desertos de outras plagas às lagoas no meio delas, de todas as cores e formas; dos trechos de terra seca, a caminho do Parque aos rios caudalosos e quase amazônicos; da população metropolitana antenada com o moderno ao caboclo e ao quilombola do entorno dos Lençóis, tudo nos dá idéia de grandiosidade, num estado grandioso, embora sofrido com seus acachapantes índices de IDH, objeto de debates de toda ordem que não nos cabe nesse pequeno expaço explorar.  
Aqui o que exploramos é a beleza simples e pura de uma região rica de paisagens, com um céu de azul intenso, que nos faz esquecer a chamada civilização e nos deixa com vontade de ficar por lá, vivendo aquela vida simples e natural do lugar, pontuada por uma gastronomia saborosa e imagens de tirar o fôlego. 

Afora as fotos que aqui vão postadas, montei esse pequeno vídeo, resumindo visita que fizemos à comunidade de Marcelino, mostrando as mulheres ocupadas com seu artesanato em palha de buriti, uma arte colorida e delicada, tudo pontuado por passeios pelos rios da região de Barreirinhas, portal de entrada dos Lençóis Maranhenses. 
Curtam e não percam a primeira oportunidade que tiverem de ir até lá. Garanto que jamais vão esquecer aquele pedaço tão lindo do Brasil !

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

MEMÓRIAS DO F STUDIO 10 - GENARO LUZ

Genaro, no comando.

Nos tempos da Jovem Guarda, cantou no Conjunto The Silver Jets, substituindo Reginaldo Rossi, quando este decidiu partir para a sua exitosa carreira-solo.
Depois, o próprio Genaro também fez sua carreira de cantor do iê-iê-iê, com o nome artístico de Lee Tony,  nos programas da Rádio e TV Jornal.
Possuidor de um tremendo bom humor, Genaro ultimamente dedicou-se a compor frevos-de-bloco para as agremiações do Recife e Olinda e nisso tem tido muito sucesso.



No cotidiano, é competente corretor de imóveis, muito querido pelo tratamento que dispensa aos clientes, tendo amealhado amigos às centenas, no Recife e fora dele.
Gravei todas as músicas desse inspirado compositor, com o seu Coral Meus Amores, composto pela ala feminina da sua família e mais algumas amigas, e que deu um brilho de muita alegria às suas músicas.
Meus Amores, beleza e alegria 

Homenageou em seus discos todos os Blocos líricos do Recife e muitos dos seus compositores.  Suas músicas estão sempre sendo executadas no Programa "O Bloco está na Rua"  transmitido pela Rádio Universitária FM 99,9 do Recife.
Algumas das fotos feitas durante as gravações do seu primeiro CD, "Meus Amores", vão aqui reproduzidas.  No áudio, uma delas misto de ciranda e marcha de bloco, chamada "Ciranda do Amor".
Por isso tudo, meu amigo Genaro Luz está sempre presente nas Memórias do F Studio!



                   


segunda-feira, 30 de julho de 2012

VERSOS A GRANEL 4 (CORDEL VIRTUAL - POESIA E PARCERIA)

No Jornal da Besta Fubana (JBF), comandado pelo Escritor Luiz Berto, autor do premiado Romance da Besta Fubana e de inúmeros sucessos editoriais como "A prisão de São Benedito", "A Serenata", "Nunca houve guerrilha em Palmares", a Poesia corre solta, junto à crítica, à sátira e ao humor político sempre presente.  
Gente famosa da literatura nordestina e brasileira em geral ali pontifica, mantendo colunas e participando ativamente dos comentários às postagens sempre interessantes e atuais.

Dalinha Catunda, poetisa de Ipueiras-CE
Entre estas está a poetisa Dalinha Catunda, membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, entusiasta dessa forma de versejar e que viaja o Brasil de Norte a Sul promovendo esta Arte poética multisecular, que encontrou solo fértil no Nordeste prodigalizado por um número que vai, certamente, aos milhares de poetas populares, que cantam seus versos de repente, acompanhados pelas suas violas, pandeiros ou ganzás, vendendo nas feiras seus cordéis ou promovendo entre si "pelejas" poéticas inolvidáveis, muitas delas antológicas.
O cordel, como movimento literário vem passando atualmente por uma revitalização impressionante e chama a atenção do público interessado nessa forma popular de poesia, a grande quantidade de eventos sobre o tema.  
Nossa seção de hoje tem a finalidade de apresentar a vocês algo do trabalho que Dalinha e eu vimos desenvolvendo nos comentários e "pelejas" virtuais nessa importante arena literária, que é o JBF.  Aliás, em breve, um projeto da Dalinha Catunda estará saindo às ruas: um cordel enfeixando uma dessas "pelejas virtuais", bastante interessante. Aguardem. Enquanto isso, curtam essas estrofes que, de ontem para hoje, escrevemos no Blog Cantinho da Dalinha e no JBF.
Trata-se de um conjunto de estrofes rimadas (na parte de Dalinha) em versos de sete sílabas, nas modalidades quadra, sextilha, septilha, oitava e décima (estrofes com 4,6,7, 8 e 10 versos, respectivamente).
Na minha parte, eu inverti a ordem das estrofes, começando pela décima e terminado pela quadra, mas com versos decassílabos (de dez sílabas), também conhecidos como heróicos.

Fred Monteiro, visto pelo crayon de Dalinha Catunda


MEU CANTO CRESCENTE
(Dalinha Catunda)
*
Sou lua nova crescendo
Do Jeitinho que eu queria
Assim vou resplandecendo
Nos braços da poesia.
*
Minha cantiga de amor
Eu canto na lua cheia
Porque tenho meu barqueiro
Que me chama de sereia
Com ele cato conchinhas
Que o mar sacode na areia.
*
Em noite de plenilúnio
Eu dispenso meu colchão.
No alpendre, numa rede,
Eu me deito em meu sertão
Pra ver a lua surgindo
De prata à noite tingindo
Com seu mágico clarão.
*
Eu sou uma retirante
E da minha terra amante.
Foi numa lua minguante
Que deixei o meu rincão.
Caminhei léguas a fio
Senti sede senti frio
Mas venci o desafio,
E voltei pro meu sertão.
*
A lua é sua madrinha
Me disse mamãe um dia
Confirmou a minha tia
E acreditar me convinha,
Pois quem se chama Dalinha,
E foi no sertão parida,
É pra lua prometida
Reza a lenda do lugar.
Eu que não vou contestar!
Gosto de ser iludida.
*

DECRESCENDO
(Fred Monteiro)
*
A Dalinha, poeta consagrada
aportou pelas praias do cordel
aumentando o valor do menestrel
sugerindo um estilo na jornada
e eu aqui vou topar essa parada
começando nas décimas tão boas
pra cantar todas essas minhas loas
à poesia e à cultura sertaneja
pois, então, doravante que assim seja
para a oitava eu remo essa canoa
*
Oito versos e também outras idéias
vou buscar entre terras galiléias
tal inseto vagando entre as colméias
busco o mel pr 'uma rima num floral
nordestinos terrenos parecidos
feito a terra de Cristo são feridos
pela seca e o calor tão repetidos
mas com tanta beleza visual
*
Pois agora no meio do percurso
da poesia ordenada como quis
minha amiga e parceira de cantar
a Dalinha do verso Imperatriz
Poesia ela guarda na su'alma
e transborda de forma leve e calma
cristalina qual canto do concríz
*
Em seu blog bebi sabedoria
pura fonte de rimas bem traçadas
conduzidas na pena da magia
uma arte por Deus presenteada
Academicamente ela porfia
dos cordéis pela vida consagrada
*
Finalmente chegando a porto firme
decassílabos em quadra eu confirmo
para que a parceira me confirme
se está certa a chegada que afirmo !

sábado, 28 de julho de 2012

TEST--DRIVE DA CICLOVIA NORTE

A novidade estava no ar, desde a semana passada.  E eu gosto das novidades, principalmente quando me interessam de perto. Como no caso dessa falada ciclofaixa Norte. Faz parte do Binário Encanamento/Arraial que eu esperava que acontecesse há muito mais tempo.
Fui lá conferir, hoje de manhã, logo depois do café.
Montei na bicicleta e pedalei rumo à Estrada do Encanamento, altura da Praça de Casa Forte.  Entrei logo na ciclofaixa projetada, com placas mas sem o principal, a faixa pintada no asfalto. Tudo bem.. tiveram todo o tempo do mundo, mas não pintaram. Fazer o que?Na esquina da Praça do Parnamirim alguém chama meu nome.. era a minha amiga Jornalista Alessandra Cavalcanti, da CBN/JC.  Pediu-me para falar sobre a ciclofaixa.  Falei, conversamos um pouco e prossegui.
Na Av. Ruy Barbosa, giro à esquerda, no sinal da Bremen Veiculos, e prossigo no sentido da Av. Rosa e Silva. Depois do retorno, pego a faixa, já pintada a partir daqui, rumo à Estrada do Arraial. No caminho, vários sustos e muitas irregularidades gravadas. Fui trancado várias vezes, ônibus ocuparam parte da faixa, ciclistas andavam pela contramão da Avenida, e UM CARRO DIRIGIDO POR UMA "DAMA" veio em minha direção pela contramão da Avenida e ainda por cima da ciclofaixa !  UM ABSURDO !  Daqui para a frente, cadê a faixa? Sumiu... nada pintado, ainda...
Mais adiante, na Estrada do Arraial, um carrinho de mão cheio de coco, conduzido por um distraído senhor, uma carroça recolhendo papel, um carro particular estacionado... tudo sobre a ciclofaixa, claro.
Tudo bem.. o povo é mal educado mesmo... primeiro dia, etc.. Vá lá.. dou um desconto.. há dezenas de anos estou pedalando sem ciclofaixa e sou vacinado contra esses malucos.
Ou então tenho muita sorte por estar vivo, ainda !
Lá pelo Monteiro,  entrevistei um Agente da CTTU. Um bom depoimento o dele, dizendo o que salta realmente à vista: metade dos acidentes de trânsito é provocado pela completa falta de educação de pedestres e condutores.  É um fato indiscutível !
Prossigo, com a minha sorte habitual, até chegar à praça de Casa Forte e entrar na rua Oliveira Góes, rumo ao Poço da Panela. E logo na esquina, O MAIOR DOS ABSURDOS: UMA BORRACHARIA E VÁRIOS BARES NO LEITO DA RUA !!!  EM PLENA CASA FORTE !!!
Vejam o vídeo aí e comprovem.  Este é o Recife de hoje.  Projetos, sonhos, acertos e erros. Muitos erros. E só depende de nós consertá-los.  Mãos à obra.  


segunda-feira, 23 de julho de 2012

MEMÓRIAS DO F STUDIO 9 - MARIA DAPAZ

Maria DaPaz (foto: divulgação)
Uma voz doce como mel, um sorriso cativante e uma personalidade inesquecível.
Assim é Maria DaPaz, pernambucana de Afogados da Ingazeira e Cidadã do Mundo.
Canta desde pequenininha, ganhando também prêmios em concursos infantis de interpretação. Depois, adolescente, engajou-se de vez na Música, cantou e encantou as platéias de Pernambuco, como "crooner" da Orquestra Marajoara. Até que um dia, tal uma Asa Branca, bateu asas e ganhou o mundo. E noutro dia voltou, para fixar-se em São Paulo e continuar sua brilhante carreira musical.
Sorte minha, que conheci Maria Dapaz, nos idos de 2000, 2001, quando gravava entrevistas de um programa radiofônico do caro amigo Xico Bizerra. Fiquei fascinado pela voz de cristal dessa moça e pelo seu jeito simples e sorriso largo. Ficamos amigos e sempre que vinha ao Recife, ela dava uma passadinha no estúdio para um cafezinho, um bate-papo e conversas sobre música. Ela tinha ouvido minha "Ciranda do Mar da Vida" e gostou, pedindo-me autorização para incluí-la num CD cujo projeto estava em andamento. Foi quando gravei o vídeo que ilustra esssas "Memórias".





E realmente ela gravou minha ciranda, em pot-pourri com a toada do grande Dorival Caymmi "Morena do Mar". Uma honra e um prestígio imenso, fazer parte daquele disco (Da Cor Morena) justamente na sua primeira faixa e ao lado de um dos grandes mitos da Música Brasileira.
Tenho um carinho muito grande por Pazinha e a considero uma das maiores cantoras da nossa música. Sem dúvida nenhuma, Maria Dapaz (a querida Pazinha) é uma das minhas melhores "Memórias do F Studio" !



sábado, 21 de julho de 2012

FLORES, SORRISOS DE DEUS 8





Um tema recorrente e de que nunca me canso: fotografar e admirar essas maravilhas da Criação.

De todas as cores, de todos os cheiros, ou sem eles, de todos os cantos....

Por onde passo, sua beleza me contagia.

E fiz para elas uns versos que mostro aqui para vocês.


Se flores há é porque Deus sorriu
e a cada uma deu Amor e Luz.
Se vestem o brilho a que fizeram jus,
é que o Eterno assim o decidiu.
Por ser eterno, Ele lhes garantiu
que os demais seres as louvassem, então.
Pois Rei nenhum, nem mesmo Salomão
teve em suas vestes a beleza delas!
E seguem assim quais doces sentinelas
mostrando o Pai sua eterna gratidão


















terça-feira, 17 de julho de 2012

VERSOS A GRANEL - 3

Acabo de escrever essas sétimas, que dedico a duas pessoas maravilhosas no mundo do Cordel: Dalinha Catunda e Rosário Pinto, que mantêm os Blogs "Cordel de Saia" e "Cantinho da Dalinha", para divulgar essa poesia que cultivamos no Nordeste, com tanto ardor.





Três folhetos de cordel
não podem faltar na estante
de quem ama a poesia
na sua força estuante
Poema bem nordestino
e que já serviu de ensino
pra tanto vate brilhante

"O Pavão Misterioso"
e "As  proezas de João Grilo"
são folhetos importantes
esbanjam rimas de quilo
E "Lampião no Inferno"
faz parte desse caderno
foi escrito com estilo

A poesia matuta
no cordel representada
é de muita utilidade
no sertão é comparada
à cartilha do ABC
pois matuto aprende a ler
ouvindo história contada

Então, aprendendo a rima
vai o matuto seguindo
e pela vida rimando
o seu mundo descobrindo
E assim ele é feliz
pode não ter o que quis
mas sua alma está rindo

E aqui eu agradeço
a essas moças prendadas
em beleza e poesia
ambas são muito dotadas
de Dalinha e de Rosário
eu digo no meu sumário
são duas predestinadas !

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O TEMPO... AH, O TEMPO, ESSE CARA COMPLICADO !


Eu digo e muita gente não acredita. Eu nasci pra viver noutro tempo, juro...

No tempo em que a gente tinha tempo de fazer o próprio pão, plantar o próprio milho,  cultivar o próprio alimento.
Mas não posso mudar o rumo do tempo.

Sou um saudosista? Nem sei, tenho certeza de que aproveito o máximo da vida de agora e me interesso por tudo quanto o presente e o futuro me trazem de bom.

Escrevo minhas memórias não porque queira obstinadamente retornar ao passado, fugindo de um presente hostil, às vezes, ou de um futuro mais do que incerto, como sempre foram todos os futuros de ontem e anteontem.

O futuro só é agradável e só não mete medo quando ele já aconteceu, virou passado.
Até mesmo enquanto ele está acontecendo, no presente, nos traz, ou pode nos trazer, na sua fração de futuro imediatamente antecedente, um risco, uma decepção, uma dor.

Agradável, então, é viver o presente imediatamente posterior ao que está sendo vivido, ora porque já está passando, ora por conta do prazer daquele exato instante.
No duro, no duro, o tempo é um só.  É o tempo vivido, passado, atual, presente, ou vindouro e incerto, futuro.  E nós no meio desse turbilhão temporal, sentindo:  saudade, prazer, angústia.

O último filme de Woody Allen, "Meia noite em Paris" que ainda ontem assisti, e que assistirei muitas vezes mais, fala exatamente sobre esses sentimentos. Tal qual a serpente "Ouroboros", dos ocultistas, mordendo a própria cauda, Woody, na sua perspicácia de emérito observador dos tempos, mata a charada com imagens belíssimas da Cidade-Luz.

E o seu autobiográfico personagem chega, ao final da estória consciente do valor do seu tempo. Enveredou tanto pelos meandros do "dejà-vu" que resolveu por si mesmo a equação da vida.
E vocês talvez me perguntem, agora: o que tem essas fotos a ver com o tempo?



Tem sim, eu insisto.  Quem sabe, com uma espiga de milho idêntica a essa quantos ancestrais nossos fabricaram o seu pão rústico, ou mataram sua fome com frutos nascidos da sua primitiva horta?



Em tempo: como é de hábito afirmar em letreiros de final de filme, as espigas, compradas na feira de Casa Amarela, não sofreram qualquer dano, injúria ou mau-trato. Foram degustadas cozidas, em forma de pamonha e também de canjica, no último dia de São João.  Os tomates-cereja fazem parte do nosso pequeno jardim de apartamento e são doces e deliciosos.  Os pãezinhos foram a base do lanche da tarde e da ceia do mesmo dia. Estavam uma delícia e também deixaram saudade...

terça-feira, 10 de julho de 2012

VERSOS A GRANEL - 2

Ilustração: Dalinha Catunda

Dalinha Catunda é uma poeta cordelista de primeira. Membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel e muito atuante nos seus Blogs e no Jornal da Besta Fubana, onde temos colunas.

Sempre estamos trocando idéias através do nosso versejar e gosto muito dessa parceria com Dalinha, que só me enriquece.

Um dia desses, comentando uma idéia dela em sua coluna, para homenagear o Centenário de Luiz Gonzaga, escrevi essas duas décimas. Dalinha de pronto interagiu, respondendo, e as publicou no seu Blog " Cantinho da Dalinha".  A ilustração também é arte dela, que desenha as capas dos seus folhetos de cordel e o faz com muita competência.

As décimas foram parar, também, num jornal e blog "Gazeta de Notícias" . de Juazeiro do Norte-CE.
veja aqui:
http://cantinhodadalinha.blogspot.com.br/2012/07/fred-e-dalinha-no-gazeta-de-noticias.html

Aproveitem os links e façam uma visita completa ao Blog da Dalinha. É cordel e tradição pura !

LUIZ GONZAGA NOS VERSOS DE: FRED MONTEIRO E DALINHA CATUNDA

*Fred Monteiro

Eu nasci, cresci e vivo
ouvindo o rei do baião
o nosso bom Gonzagão
e dele fiquei cativo
do seu humor positivo
do seu carisma e sua voz
é o que fala por nós
e entende a fala da terra
e num forró pé-de-serra
é nascente, rio e foz !

*Dalinha Catunda

Desde os tempos de menina
Eu gostava de escutar
Luiz Gonzaga cantar
A música nordestina
Lembro-me de Carolina,
Na voz do rei Gonzagão,
E do pássaro carão
Que não me sai da memória
O nosso rei fez história
Encantando esta nação.
                                          
*FM

Gonzaga é uma jóia pura
dessas que por ser tão raras
nos são cada vez mais caras
seu valor não se apura
e não há arquitetura
de valor que lhe compreenda
pois Gonzaga é nossa prenda
nossa ungüento e nossa cura
nosso ouro de fartura
nosso sol e nossa tenda

*DC

O Gonzaga é diamante
É nosso maior tesouro
É muito mais do que ouro
O nosso astro brilhante
Seu nome segue adiante
Disso ninguém duvida
Seu canto e sanfona em vida
Fez nosso povo vibrar
E o rei caboclo aclamar
Antes e após a partida.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

GRAFITE É ARTE - MINHO 2C, UM ARTISTA DO GRAFITE


Na minha mania de blogueiro, vivo procurando motivo e assunto para publicar.

Quando o assunto é arte, então, não perco tempo.
Sou até meio "cara de pau" para abordar  qualquer assunto, personagem ou situação que me chame a atenção e valha a pena ser publicado no Blog.

Como esse de hoje.  Eu vinha caminhando pela Estrada do Arraial, na Tamarineira, quando deparei-me com um artista de rua, grafiteiro, executando o seu trabalho no portão de um Centro Cultural.

Não titubeei e aproximei-me dele, perguntando se topava gravar uma pequena matéria para o nosso blog.

Ele aceitou de pronto e depois de algumas fotos do seu trabalho, gravei seu depoimento, que trago aqui, no vídeo abaixo.  A qualidade não está lá essas coisas porque, na falta de uma das minhas câmeras, gravei com um celular cuja imagem não é lá uma "brastemp".

É uma história de vida bem interessante.

Minho 2C é um rapaz com muito gosto pela pintura e pelo desenho, mas que começou pichando muros e portões alheios.  Conscientizado de que essa ação não iria lhe levar a lugar nenhum, pelo contrário, o marcaria socialmente como uma pessoa inconveniente, antisocial, tratou de canalizar o seu talento para o que eu considero a "pichação do bem".

Hoje reconhecido mundialmente como Arte Popular, o Graffiti artístico é meio de vida que tem sido o sustento de Minho 2C e de milhares de moços talentosos e trabalhadores como ele, que fazem da sua  carreira artística motivo de muito orgulho, trazendo belas e coloridas imagens para a cidade e para o nosso deleite, embelezando com suas cores alegres e vistosas, muros, fachadas, cartazes, camisetas, painéis e tudo quanto sirva de base para sua pintura.

No vídeo, Minho 2C deixa seus contatos telefônicos, para todos que precisarem com o seu auxílio, colorir melhor esse mundo.









42.195 - (SOBRE BLOGS E MARATONAS)


O Blog completou hoje 42.195 acessos.
Eu tenho uma fixação por esse número.  Sabem por que?
É o mesmo número de metros que o atleta tem que percorrer numa Maratona.
Sou, com muito orgulho, um Maratonista.  Já sofri e tive muito prazer, simultaneamente, em milhares de quilômetros corridos nestes 29 anos de prática do atletismo, em especial a corrida de rua e o triathlon.  Completei, oficialmente, 3 Maratonas, embora haja corrido a série completa de 8  treinamentos para a distância, ao todo.  Cada série dessas soma entre 200 e 350 quilômetros mensais, corridos em quatro meses.  Sempre fechava o ciclo de cada um dos períodos correndo até 32 ou 35 quilômetros, no último "estirão" ou "longão" das séries.
É um esforço plenamente recompensado pela alegria de terminar a prova.  E isso, como diz o comercial do cartão de crédito, "não tem preço"!




Assim também, manter um Blog em atividade é uma maratona cibernética.  Diante de tantas opções que o internauta de hoje tem, da pesquisa ao lazer, dos vídeos à música e aos espetáculos, das piadas às fofocas, do noticiário político ao econômico, fica realmente meio difícil manter aceso o interesse num Blog pessoal ou cultural.
E é por isso que eu agradeço, agora, a vocês todos, meus queridos seguidores e leitores, comentaristas, parentes e amigos, o prestígio que cada um de vocês me dá, acessando diariamente este humilde espaço, construído com muito carinho... para vocês mesmo !
Muito obrigado de coração, por estes mais de 40 mil acessos.


O Blog está catalogado pelo "Blogger", serviço de que faço parte, tendo obtido o "page rank" 2 e tive hoje, por sinal, uma indicação para participar do Prêmio Top Blog Brasil 2012, promovido por um site dedicado à divulgação e incentivo dos melhores Blogs brasileiros.

Muita honra também, para esse blogueiro iniciante. Mais outro motivo para agradecer a vocês por estas pequenas conquistas.
A única coisa que posso fazer, em reconhecimento, é continuar deixando por aqui minhas crônicas, poemas, músicas, versos, fotos, vídeos, compartilhando com vocês minhas vivências, experiências e viagens. Tudo isso com muito entusiasmo.  Porque a Vida merece !  Porque Vocês merecem !