sexta-feira, 16 de março de 2012

CARANGUEJOS POLARES E GOSTOSOS

Os patolões na seção de frutos do mar do Pike Place Market, em Seattle
Este mundo é pequeno demais..  e de vez em quando a gente se surpreende com certas coisas.
Por exemplo: quebrar caranguejos, deve ser uma atividade das antigas, da idade das cavernas, do tempo do ronca.

Só assim se explica você chegar num restaurante especializado em frutos do mar, lá no outro lado do mundo, perto da fronteira do Canadá, mais precisamente em Bellevue, região de Seattle e de repente pensar que entrou em alguma barraca na Praia do Futuro, em Fortaleza, ou em Porto de Galinhas, Pernambuco, ou na Lagoa do Mundaú, Alagoas, por aí.

Fui experimentar o “caranguejão” do Alaska, aquele que se transformou  até em seriado de TV (Pesca Mortal). O chamado “King Crab”,”jumbo crab” ou algo que o valha. O Restaurante foi  “The Crab Pot” e o serviço de lá justifica minha surpresa.

Fachada do The Crab Pot, Bellevue, WA

Detalhe do avental de comedor de caranguejo
A gente se acomoda na mesa e pede o prato mais solicitado: um mix de 3 ou quatro tipos de caranguejos do Alaska, incluindo as patas do gandalhão (enormes, coisa de quase meio metro de pata e patola do “garoto”). 

Até aí, tudo bem.. O garçon traz, então um avental de papel plastificado e ... um batedor com sua respectiva tábua, para quebrar os caranguejos.  Pra auxiliar quem não tem a prática dos papa-guaiamum do Nordeste brasileiro, vem também um “quebra-nozes”, que pra nós foi de uma inutilidade total.

Pra imitar nossa bagunça, e até ultrapassá-la, os bichos vêm dentro de uma bacia de aço inox de bom tamanho, cheia até em cima.  Só que a dita bacia vai servir para acondicionar os restos das patas já devidamente quebradas e prazerosamente degustadas.  Porque em cima da forração da mesa que é feita com uma longa toalha de papel, o garçon derrama, ao longo dela, toda aquela caranguejada cheirosa e pra lá de gostosa.

Família reunida 

Diogo e seu martelão de caranguejo
Aí é só partir pro abraço e lembrar-se de agradecer à turma da pescaria, que vai lá pros gelados mares polares buscar essa delícia, fechar os olhos e na medida do possível pensar que está numa praia pernambucana ou alagoana, debaixo de uma barraca forrada de palha de coqueiro, ou mesmo na beira de um manguezal à margem de um rio, no tempo dos Flinstones, com um olho no caranguejo e o outro no tigre de bengala que pode chegar a qualquer momento pra te jantar !

terça-feira, 13 de março de 2012

LAND ROVER 1951

Foto: Google Images

Meu primeiro sonho de consumo que continua a ser o mesmo até hoje: um jipe Land Rover modelo Defender, verde-oliva e creme.
Carroceria de alumínio, toda rebitada, tração nas quatro rodas e a disposição de um camelo no deserto...
Por força da profissão de vendedor-viajante, meu pai possuiu bons automóveis cuja compra era financiada pelo Laboratório Raul Leite, onde trabalhou durante muitos anos.
Em 1951, morávamos em Olinda, à beira-mar, numa casa alugada, que pouco tempo depois começou a ser coberta pelas águas verdes do mar, numa nada poética ressaca de agosto.

A beira-mar de Olinda, naquele tempo, era de uma beleza inesquecível.
Arrecifes que se fundiam com a areia branca e solta, por onde nadavam, nas marés baixas, peixes de todos os tamanhos, loucos para serem fisgados pela legião de pescadores de fim de tarde.
Em certas épocas, golfinhos, que -pernambucanamente- chamávamos ainda de bôtos, mostravam suas barbatanas dorsais e respiradouros, nadando aos pares para lá da linha dos arrecifes, alegrando nossos entardeceres olindenses.
Corria a lenda de que esses animais salvaram muitas e muitas vidas, trazendo às praias do Carmo e dos Milagres os quase-afogados banhistas que se atreviam a nadar para mais distante da costa. Eram para mim heróis-animais encantados e encantadores.

Foto: Google Images
Um dia, Paizinho chegou mais cedo para o almoço, anunciando que à tarde iria ao Cais do Porto do Recife, buscar o seu carro, que acabava de chegar de navio, vindo de Liverpool, Inglaterra.
Fiquei ansioso pela novidade e logo pedi pra que ele me levasse junto... e assim aconteceu.
Quando chegamos de volta, eu estava pra lá de orgulhoso, sentado no banco de couro verde do jipe.
A única coisa que não me agradou foi o fato de o carro ter vindo com uma meia-capota de aço creme e o restante em lona verde escura.
Por engano o carro foi assim despachado na fábrica inglesa, mas isso foi depois resolvido, pelo revendedor Renê de Pontes, com a colocação de uma capota de aço inteiriça.
Foto: Google Images
Daquele dia em diante, durante alguns anos em que o jipe ficou conosco, ele foi o modelo predileto nos meus desenhos de criança.
Sou capaz de desenhá-lo ainda hoje, se tanto me for pedido... decorei mentalmente cada detalhe dos seus traços austeros, um carro de trabalho, sem muito luxo e rebuscamento de linhas, mas de uma funcionalidade que até hoje é reconhecida por todos que gostam de carros e de viagens.

sábado, 10 de março de 2012

COITADOS DOS JUMENTOS

Notícia recente dá conta de um fato um pouco mais antigo. Nos dois casos, coitado do jumento "nosso irmão", como diria a letra da música popularizada por Luiz Gonzaga, este ano centenário. É que os orientais, agora os chineses, estão tratando de importar, do Brasil 300 mil jumentos por ano, para alimentação e fabricação de sabão.  Um animal cuja existência no Nordeste sempre esteve ligada ao trabalho e ao homem do campo, servindo-lhe de transporte, de tração para os arados e carroças vai ser, dentro de pouco tempo, a julgar pela voracidade dos números chineses, extinto de vez.  Ameaças de extinção, em outras épocas, de "charqueadas" com carne de jumento e cavalo, aqui mesmo pelo Nordeste, já houve. Então, abatido pela notícia e com uma comiseração justa pelo pobre animal, escrevi essas estrofes em décimas, para louvá-lo, como tantos já fizeram.


Uma coisa me faz contrariado
Nessa terra que não dá mais valor
Aos valores que merecem penhor
Animais deste chão nordestinado
Numa seca que deixa o chão crestado
Com barrocas de terra quente e dura
O castigo maior da mãe Natura
Não consegue parar essa alimária
O trator de um sertanejo pária
Salvação dessa pobre agricultura

Veja que um jumento na cangalha
Come pouco, não se faz de rogado
Dá as horas zurrando seu recado
Passa o dia suando e só trabalha
Ara a terra, e também carrega a tralha
Do seu dono pra onde ele quiser
Inda puxa a carroça da mulher
Pras crianças serve de montaria
Sem jamais reclamar dessa agonia
Labutando sem férias seu mister

Mas agora me chega uma notícia
Que atormenta a cabeça de um cristão
Lá pras bandas da China ou do Japão
Mais parece um caso de polícia
Ou de gente que age com malícia
Querem exportar nossos animais
Os jumentos que são tradicionais
Nesta lida diária do sertão
Vão virar bife, couro e até sabão
Só para enriquecer orientais

*****

domingo, 4 de março de 2012

BONITO, O PARAÍSO ENCONTRADO

O tempo voa.  Frase manjada demais, mas verdadeira como nunca. De setembro de 2010 para cá,  fiz outras inúmeras viagens.  Mas na hora de recordar nossos passeios mais queridos, vamos no congelador de imagens que é a fotografia e os temos de volta quantas vezes quisermos.  E certos lugares, digo melhor, praticamente todos os lugares em que já estive, são mesmo inesquecíveis.  Feito Bonito, Mato Grosso do Sul.  Cachoeiras, rios cristalinos, grutas belíssimas, Bonito é mesmo digno do nome. E nada melhor que fotografias (que valem mais que mil palavras) para admirar esse lugar maravilhoso, muito pra lá de bonito...Voltarei depois com outras fotos de paisagens, flores e bichos de lá.

de bote, no rio formoso
corredeiras

mergulho de proa

registrando até debaixo d'água - rio sucuri

corimba - rio sucuri

dourado - rio sucuri

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

DE GAIVOTAS E BARCOS


Neste post de hoje vou falar muito pouco.
Só quero mostrar umas fotos .


De uma cidade que tem tudo a ver com o mar, com os barcos e com as gaivotas.
Florianópolis, Santa Catarina, maio de 2007.

Uma câmera simples, mas eficiente na mão.
Uma paisagem deslumbrante à frente dos olhos.
Um céu azul intenso e limpo sobre minha cabeça.  (Se bem que houve dias nublados.)


Acima de tudo a felicidade que envolveu e saturou minha mente por uns dias.
Floripa, uma paixão. Jamais esquecerei. E ainda volto lá. 



Pra ver suas praias, suas lagoas e suas gaivotas.


Pra estar com seu povo alegre e que tão bem me recebeu.


 




Dedico este post à amiga Cléa Braganholo, ao Rafael Hilbrecht e ao Paolo Piermarini.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

22 DE FEVEREIRO, O DIA DO MEU PAI


Hoje, Você estaria completando 95 anos.
E eu queria mais uma vez homenageá-lo.
Frederico, Paizinho, você foi tudo o que eu queria ser.
E que jamais serei.
Meu exemplo de vida, meu Herói.
Obrigado, eternamente obrigado.
PARABÉNS, MEU PAI !



dobrado Monteiro da Cruz

domingo, 19 de fevereiro de 2012

CORISCO E UM PERNAMBUCANO SAUDOSO

Uma prova do quanto tinha razão Antonio Maria, jornalista recifense radicado no Rio de Janeiro, autor de uma série de frevos sobre o Recife, está escrita em sua belíssima música, hoje um clássico da MPB, consagrado na voz de Maria Bethania (Frevo n. 2 do Recife):

“Quando eu me lembro
O Recife tá longe
A saudade é tão grande
Eu até me embaraço
Parece que eu vejo
O Haroldo Matias no passo
Valfrido e Cebola, Colaço
Recife tá perto de mim
Saudade que eu tenho
São maracatus retardados
Que voltam pra casa cansados
Com seus estandartes no ar..”


              Hoje de madrugada, recebi do meu filho Fred, um email em que anexava um vídeo feito às pressas, improvisado mesmo, em que ele -tocando cada um dos cinco instrumentos de um regional de cordas (violão, bandolim, cavaquinho, pandeiro e triângulo) e mixando-os num único vídeo, executa o frevo CORISCO, do saudoso compositor e amigo Lourival Oliveira, um paraibano/pernambucano do coração mais recifense e frevista que eu conheci.


Transparece desde logo a saudade do Recife, da família e das coisas da terra, nesse vídeo.
Exilado por força da profissão (Fred é Engenheiro de Software da Microsoft) e morando em Duvall, no Estado de Washington-USA, tem ele uma paixão imensa pela terra natal.  E a demonstra aqui, de forma bem significativa.  Ainda ontem, numa mensagem no facebook, dizia que: tudo o que eu queria era estar agora com meu banjo, acompanhado um bloco de pau e cordas no Recife.

Fred e meu neto Diogo, longe, muito longe do Recife
Sei que ele gostaria de refazer o vídeo mil vezes até ficar perfeito, como tudo o que faz.  Aliás, em dois dos cinco quadros do vídeo, há "interferências curiosas" de Diogo, como vocês poderão ver.  Mas, publico assim mesmo, esse grito de emoção e amor pela sua terra, esquecendo aspectos técnicos e musicais, externando, assim, a nossa paixão pelo Recife e seu verdadeiro Carnaval.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

CARNAVAL E EXPLORAÇÃO POLÍTICA



Algumas poucas pessoas preocupadas com o rumo que está tomando a nossa maior festa popular,  já falaram tanto que não têm mais o que dizer.
  
Por outro lado, há que se lembrar: afora os culpados por toda essa história, que vem se repetindo desde que a Prefeitura dos últimos 12 anos "inventou" o tal Carnaval Multicultural, para espalhar fartas verbas para roqueiros aposentados, funkeiros, disk-jockeys, cantores e dançarinos de axé-music, bregueiros, de todas as latitudes e longitudes do Brasil, existe algo mais.  

Sabem o que é?  É a terrível vontade, a imensa vaidade, a compulsão pela exibição que têm os nossos artistas e grupos carnavalescos. Tem gente que faz qualquer coisa para aparecer, mesmo naqueles vinte minutinhos de aparição numa chamada de TV, numa rua ou palco. 

Se não houvesse passarelas, palcos,  "organização" de shows, "homenagens" a figuras de destaque nos carnavais, essas baboseiras todas inventadas para botar na mídia os "queridinhos" dos poderosos do dia, haveria o que? 

Simples... Haveria a espontaneidade que sempre existiu e poderia voltar a existir, no nosso carnaval de rua. A Prefeitura e o Estado teriam apenas que fazer a sua parte: dar fluidez ao trânsito, atendimento de saúde e segurança à população.  E pronto. E só. 

Deixasse o povo brincar. Iríamos até, quem sabe, voltar a ver aqueles "Blocos do Eu Sozinho" em que gente como “O Lorde de Olinda” voltaria a desfilar seus sonhos carnavalescos, na maior Paz. Sugiro aqui pra vocês e garanto vai dar certo. 

Se os detentores da verdadeira Cultura Popular, essa gente que, sem nenhum tostão da Prefeitura, sem nenhuma ajuda do Estado ou das Estatais federais, cheias de políticos corruptos, se recusar a esse “programa de índio” em que está se transformando o Carnaval do Recife, que só locupleta os sabidões de sempre, repito, se essa gente que realmente faz Cultura Popular se recusar a aceitar essas humilhações a troco de nada, nosso Carnaval vai voltar a ser uma festa do povo. 

De minha parte já fiz o que achei que devia fazer. Mostrei, com o Bloco “Flor da Vitória-Régia”, com o Bloco “Cinema Mudo”e com o “Urso Maluvido”, que a gente pode fazer carnaval sem precisar esmolar junto a esses políticos inconsequentes, uma verbinha de nada ou uns minutinhos de palco, que vão acabar destruindo uma das poucas coisas que o povo sabe fazer todo ano: um Carnaval verdadeiramente popular. 

E se isso não ocorrer, como tudo indica que vai acontecer, essas “autoridades culturais” vão acabar fazendo uma insípida canja com a nossa “galinha dos ovos de ouro”.  

Porque, fosse eu sulista, ou nortista, gaúcho ou pantaneiro, não viria ao Recife, tão longínquo, para assistir shows de rock, de funk, de brega, de axé ou de qualquer coisa que rolasse no meu quintal.  

Vem aqui quem quer conhecer o nosso frevo, maracatu, caboclinho, blocos tradicionais, mascarados, laursas, bois, enfim, toda essa rica variedade de ritmos, de cores e de sons que só existem aqui. 

Minha voz está rouca de tanto protesto, meu coração está ficando insensível, depois de tanta luta inglória. Venceram os que acham que sabem o que o povo gosta. Bom proveito a todos.  Curtam bem a sua “canja”. 

Um dia, muitos ou quase todos deixarão de procurar os iluminados palcos e passarelas, por inúteis. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

OUVIR ESTRELAS

“Ora (direis) ouvir estrelas! certo 
perdeste o senso!” E eu vos direi,no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”. 

(Olavo Bilac)

Este lindíssimo e conhecido soneto de Olavo Bilac, o nosso poeta maior, que inúmeras vezes li, reli e declamei para mim mesmo, sempre teve uma importância fundamental na minha vida, em suas múltiplas etapas. 

Sou um apaixonado pela Música e pelas Estrelas. Há no Universo um ritmo, uma música, que contagia todos os seres humanos, desde as cavernas até os imensos edifícios de hoje, nossas cavernas tecnológicas. 

Quantas e quantas vezes me surpreendi, enquanto ouvia Mozart, ou Saint-Säens, Beethoven ou Bach, Lizt ou Schumann, enfim qualquer grande compositor da Música eterna e universal ! 
Não foi somente uma surpresa daquelas que a gente sente quando encontra o novo. 

A Música nunca é a mesma. Até mesmo aquele estudo que enfrentamos, no aprendizado, de olho na estante, traduzindo cada nota e sua expressão, cada pausa e seu significado na execução, nos surpreende a toda hora. 

E paro, e penso. O que está por trás da criação musical ? Que mistério se esconde atrás dessa divina manifestação ? Que força nos impulsiona para a criação, quando passamos a compor ? E eu mesmo tento responder: o Homem não é um ser comum, como qualquer criatura viva do planeta. Tendo o dom da criação ele reflete, na sua obra, a Grande Obra Daquele Ser Incriado e Misterioso que buscamos. 

Sim. Todo Músico, desde o mais humilde aprendiz, ao mais iluminado Maestro, Arranjador, Compositor ou Exímio Executante, deve ser um mandatário do Poder da Criação. E eu sinto que assim é mais fácil seguir nossa missão de Músico. Uma missão muito nobre, diferenciada, às vezes mal entendida. 

Missão que causa uma pontinha de inveja sadia em quem não recebeu esse dom musical. Claro, não somos os únicos. Outros privilegiados têm outros dons, outras Artes. Mas a nossa, sem falsa modéstia, passa por todas as outras. A nossa Arte só pode ser amada por quem aprendeu a ouvir e a entender as Estrelas!

(Publicado no Informativo Banda Dabanda  Ano I - Nº 10 AMPARO (SP), FEVEREIRO DE 2012)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

DESENHISTA POR ACASO

- Ied, desenha aqui uma capa bem bonita para o meu trabalho de História do Brasil. É sobre o Duque de Caxias (ou Tiradentes, ou Dom Pedro I)... 
- Eu não agüento mais desenhar essas capas pra vocês ! Será possível que vocês não aprendem nunca a desenhar uma capa de trabalho? Ora pitomba !! 
-Mas, Ied, é só desta vez... eu juro que não peço mais... desenha, vai... 
- Tá certo, tá certo.. vai ser a última capa de trabalho que eu desenho na minha vida ! Me dá isso aí, me dá....

Era mais ou menos esse o diálogo entre eu e minhas irmãs, toda vez que as professoras do Sagrada Família ou das Damas pediam um trabalho de História, ou de Ciências, ou de Religião. 
E haja inspiração pra desenhar rostos de heróis, de santos, células e plantas que eu nunca vi. 
Mas, o agradecimento vinha depois, quando elas, muito caprichosas nos seus estudos, mas pouco habilidosas nos desenhos das capas de trabalhos, me mostravam, suas notas: 

- Tá vendo, Ied? a gente tirou um 9 (ou um 9,5, ou um 10) ! Seu desenho ajudou, e muito! 
E eu, resmungando: 
- Não foi por causa do desenho, não... você tá é me enrolando.. desenho não vale pra nota !..."

Mas sempre ganhava o abraço e o carinho das manas, e por dentro ficava até meio orgulhoso dos meus desenhos. 
No mês seguinte, lá vinham elas de novo: 
-Ied, desenha aqui...etc..
E eu, brabo que só uma capota choca:
-Mas, de novo? Vige Maria, não agüento mais essa ladainha ! Me dá isso aí, me dá.. mas não dá pra fazer mais hoje não..só amanhã..

Tudo brabeza falsa.. de noite mesmo, quando chegava da escola, pegava os lápis e lá vem Dom Pedro, Tiradentes, Nossa Senhora, raiz de planta, ameba e tanta coisa mais. 
De manhãzinha, antes de pegar no batente, passava na sala de jantar e deixava a capa do trabalho bem à vista, em cima do buffet de sucupira, enorme e bem entalhado.
E nessa cumplicidade eu, desenhista por acaso, e as manas queridas íamos levando a vida pra frente.  

(do livro de crônicas "Caçador de Lagartixas, Ed. Livro Rápido, 2008, Recife)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

30.002 ACESSOS


30.002 acessos. Foi o que eu encontrei estampado agora nas estatísticas, às 20:48 hs de hoje. Número de que muito me  orgulho. E volto a comemorar com vocês.  Sou assim, meio bobo, mesmo. Por que?  Sei lá... Mas dou o maior valor a essas pequenas coisas.  Tem Blogs na Rede que são 30.000 vezes acessados no curto espaço de dias e até de horas..  Porém, o nosso é um blog diferente.  Um ponto de bate-papo, um lugar para matar saudades.  E, mesmo assim, meio bobo, fico admirado e continuo orgulhoso porque desde os leitores do Brasil, a grande maioria, até gente que mora nos Estados Unidos, Portugal, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Rússia, Espanha, Ucrânia, Coréia do Sul, Mongólia, Canadá, Japão, Peru, Argentina, Índia, Emirados Árabes e Marrocos, leram o que a gente escreve (sim, porque os comentários de vocês também contam, e muito!).  Mais uma vez, obrigado.  De coração... E continuemos juntos por mais 30.000 acessos !

domingo, 5 de fevereiro de 2012

SPIKE JONES, UM GÊNIO ESQUECIDO



Mistura de humorista e músico talentoso, Spike Jones esteve, durante muitos anos entre as grandes atrações do “showbiz”  americano, nas décadas de 40 a 60, juntamente com outros conhecidos músicos de jazz da época.

Baterista genial, juntou-se a esses amigos do cenário do “dixieland jazz”, formando o “City Slickers”, um grupo de músicos/comediantes que satirizava no palco músicas consagradas, de gêneros diversos, clássicos ou populares.

Seus programas de TV tinham audiência espetacular e as apresentações dessa banda, aparentemente maluca, eram admiradas em todo o mundo, algumas delas ficando no rol de antológicas interpretações.

Aqui no Brasil, os números de Spike Jones serviram de degrau para comediantes que depois se tornaram famosos, como o “Zé Bonitinho”, que os dublava em programas de humor de TV, a exemplo de “Cocktail for two”.´

Mais sobre este grande artista sempre venerado pelos fãs, neste link:

Vale a pena conhecer um pouco mais da obra deste grande músico e comediante, hoje esquecido, e dos seus companheiros do City Slickers, que alegraram tantas gerações com a sua engraçada genialidade.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

GAMÃO NA MADRUGADA



Eu e meu irmão Jaime gostávamos muito de jogar pif-paf, pôquer, dominó e gamão. Principalmente gamão. A gente passava tardes inteiras disputando uma partida atrás da outra.
Diziam que gamão é jogo de velho, mas a gente não tinha preconceito. 
E haja botar os dados dentro dos copinhos e ploc-ploc-ploc, o dia inteiro;  era o barulho dos copos de dados sendo batidos no tabuleiro de madeira, que a gente punha em cima dos joelhos, se estivesse sentado, ou no chão mesmo, que era o mais comum.

Esta dupla aprontou demais
Muitas vezes entrávamos pela noite, em intermináveis partidas, em que apostávamos "gibis" velhos, coleções de rótulos de cigarros, livros de histórias de detetive; o que estivesse à mão, enfim.

Numa noite de sábado, a gente sem ter mesmo o que fazer, começou uma partida, disputada ardorosamente, dado a dado, jogada a jogada.

A noite avançava, entrando na madrugada e nada da gente terminar. Ploc, ploc, ploc, cantavam os dados... E o relógio marcando duas, três horas da manhã.  E a gente nem pensando em entregar os pontos.

De repente, a voz forte de Paizinho avisa: -Parem com esse jogo imediatamente, ou eu desligo a luz da casa !

Obedecemos, por uns minutos, para dar tempo de Paizinho dormir novamente e, sorrateiramente, continuamos, jogando os dados com as mãos, em cima dos mosaicos do terraço.  Mas, no entusiasmo, os dados cantavam mais alto.

Paizinho, que não havia voltado a dormir, não disse mais nada. 

Desligou o interruptor geral de energia da casa e a gente ficou no escuro total.

Mas só por algum tempo; da rua, vinha um resto de luz do poste, em frente à casa.

Não tivemos dúvida: pé ante pé saímos, abrindo o grande portão de ferro, com muito cuidado, e ganhamos a rua.

Debaixo do poste, o jogo de gamão continuou até o sol raiar e nos mandar de volta pra cama.

Não dou certeza, mas nessa manhã acho que dormi e sonhei com um monte de copinhos de dados batendo nos meus ouvidos: -ploc, ploc, ploc, ploc...


(do livro "Caçador de Lagartixas" - Ed Livro Rápido, Recife, 2008)

sábado, 28 de janeiro de 2012

100 ANOS DE PAPANGU

Pernambuco com sua cultura multifacetada, surpreende até os nativos.

Bezerros, cidade pernambucana fincada no Agreste, com clima quente e seco, é palco no Carnaval para uma das festas mais concorridas do Estado.
Em 2005, essa festa completou seu centenário.
É a Folia do Papangu.  E eu estava lá, no meio das Orquestras de Frevo, dos batuques de Maracatu e Bumba-meu-boi, pela primeira vez.
Confesso que, folião da Capital e de Olinda, não esperava uma festa tão bonita.
Uma animação contagiante, com a população inteira da cidade participando, dezenas de milhares de turistas de todo o Brasil e sobretudo frevo, muito frevo.


Se a gente fechar os olhos,  se deixar levar de roldão pela “onda” e abri-los de repente, vai pensar que está em Olinda, em plena efervescência momesca.

O casario antigo ajuda, por certo.  Mas a profusão de cores, de sons e de gente é estimulante, mesmo.
Não foi dada muita repercussão, tanto em âmbito estadual, como nacional, a esse Centenário. E ele bem que merecia.   Salvo engano, algumas reportagens curtas em duas emissoras sediadas no Recife e Olinda, mas sempre em cadeia nacional, porque aqui não se gera mais quase nada da nossa programação e ficamos à mercê do que nos impõem lá de baixo.

Uma pena.  Porque, em matéria de diversidade cultural, o Leão do Norte (sem bairrismo porque sou alagoano de nascimento) manda nesta Terra Brasilis.  Veja o vídeo clicando no link abaixo e caia na folia dos papangus.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

FLORES, SORRISOS DE DEUS 7 - UMA FLOR ENTRE OS ESPINHOS

Dona Marlene, uma flor especial






Foz do Iguaçu, como tantos lugares conhecidos do Brasil abriga atrações que não estão propriamente incorporadas aos guias turísticos mais badalados.
Como um Jardim de Cactos, por exemplo.
Uma idéia fantástica de uma mulher fantástica.
Dona Marlene Parzewski dedica-se de corpo e alma (e que alma brilhante!) a cultivar essas plantas que a tantos afasta, pelos espinhos que possui, e a tantos atrai pela beleza incontestável das suas flores e frutos.
Mais de 1.500 espécies já passaram pelas suas mãos generosas.  E um dia realizou seu sonho de construir um Recanto só para suas amigas cactáceas.



Cactos de todo o mundo



Uma beleza selvagem
Conhecer Dona Marlene e suas bem cuidadas plantas é um raro prazer.
Compartilhar suas idéias nobres, ouvir suas histórias sobre cada cacto daqueles, sobre as dificuldades com que lutou para realizar seus sonhos, também.
A simpatia personalizada, um sorriso aflorando a cada segundo, a alegria de viver fazem dela "aquele tipo inesquecível", de que falava a revista "Seleções do Reader's Digest" ...






É assim Dona Marlene. Uma flor entre os espinhos.  Lugar comum, essa frase ?..  Mas não há outra que a defina tão bem, em meio às suas queridas plantas e flores.   Ela, também, uma flor !
Exotismo frágil

domingo, 22 de janeiro de 2012

MEMÓRIA MUSICAL

Um dia desses eu resolvi enfeixar num só disco toda a minha obra de compositor. 
Chamei-o de “Memória Musical”.  Fiz uma primeira versão em 2010 com umas 60 músicas, o que havia gravado até então. 
Distribui o CD pela familia e amigos e a pequena tiragem que havia feito, uns 100 discos, logo se esgotou. 
Agora, tendo completado 71 músicas gravadas (não inclui as cerca de 20 regravações) reimprimi o Cd e fiz nova tiragem de 150 discos, que também já estão acabando.  Por isso, resolvi que era mais fácil distribui-lo pela Internet e é isso o que estou fazendo agora. 
Esse link vai abrir uma pasta chamada “Memória Musical” que contém outras pastas nomeadas pelos diversos gêneros musicais que compus. 
O programa é muito amigável e basta que vocês mandem fazer o “download” para em poucos minutos terem em seu computador as 71 músicas separadas em  pastas (Forró, Frevo canção, Frevo de rua, Maracatu e Ciranda, Marcha de Bloco e Vários Ritmos).
Sete pastas, ao todo.  Qualquer semelhança com o nome do blog terá sido mera coincidência. 
Transcrevo aqui o texto da contracapa: 
“Neste CD de arquivos MP3 gravei para vocês toda a minha obra musical.
Não é lá grande coisa.  São 71 músicas de ritmos tão diversos quanto frevos e valsas, baiões e xotes, maracatus e cirandas, bolero e maxixe, marchinhas e berceuse, dobrados, chorinho e até uma serenata para Quarteto de Cordas, a primeira de uma série a que pretendo me dedicar a partir de agora.
Muitas dessas músicas vêm sendo divulgadas em discos e pelas emissoras de rádio-cultura, já que as rádios comerciais não se interessam muito por um trabalho autoral levado a sério e preferem ganhar dinheiro com grupos e cantores descomprometidos com a nossa rica fonte cultural e apenas interessados numa carreira rápida e lucrativa. 
A intenção maior desse disco é entregar a vocês o meu acervo e esperar que alguma dessas músicas consiga lhes cativar. Se isso for conseguido, já terei dado por cumprida a minha missão de compositor, devolvendo ao povo que me fez gostar da sua música, uma imagem –sem bem que pálida- da alegria de ser agraciado com esse dom tão sublime.
Muito obrigado a todos os que me incentivaram a continuar na trilha”

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O ÚLTIMO BONDE

Bonde da Tramways - foto de Allan Morrinson



Em 1956, ainda com 10 anos de idade, entrei num impasse.
Tinha terminado o curso primário na Escola Padre Donino, com as professoras Ceminha e Dalu e estava pronto para enfrentar o ginasial.
Mas, havia uma idade mínima para iniciá-lo: 11 anos.
Ocorre que eu só completaria 11 anos no final do ano, em 20 de dezembro... o que fazer, então ?
Tinha muita gente nessa situação e a solução era "encher lingüiça" durante um ano letivo inteiro com uma revisão geral de matérias do curso primário chamada "curso de admissão ao ginásio".
Fui matriculado no então Ginásio, hoje Colégio São Luiz, dos Maristas, na Avenida Rui Barbosa, Graças.
Quando não ia com Paizinho, no “jeep”, pegava o bonde de Apipucos/Dois Irmãos e rumava para o São Luiz.
Como todo garoto metido a gente, gostava mesmo era de ir em pé, no estribo, que vinha a ser -pra quem nunca andou de bonde- uma grande tábua de madeira bem grossa e forte, presa no suporte lateral da carroceria de aço.
Era uma viagem muito divertida, pois os muitos meninos que tomavam esse bonde gostavam de brincar de "gato e rato" com o trocador (o bilheteiro) e toda vez que ele se aproximava para cobrar a passagem, o bilhete, a gente se afastava, ora aproveitando uma parada, ora mudando de lugar, andando mesmo, equilibrado no estribo e segurando na balaustrada do veículo.
Não era tão perigoso quanto pode parecer, porque o bonde se deslocava muito lentamente.
O motorneiro, soprava um apito de metal, feito esses de guarda de trânsito, nos pontos de parada, para avisar que terminara a pausa de espera pelos passageiros retardatários e um novo trecho se iniciava.
Tenho pra mim que, na linha de Casa Forte, a roda que o motorneiro girava para aumentar a velocidade do veículo, nunca chegou aos 9 pontos, marca máxima de velocidade daqueles trenzinhos urbanos tão simpáticos e que deixaram tanta saudade.
Esses famosos “9 pontos”, creio eu, equivaleriam, hoje, a uns 20 ou 25 km por hora, média aliás, superior à de um automóvel super-moderno, mas também super-parado, nesses enormes engarrafamentos que atravancam uma cidade inteira.
A gente fazia isso por farra mesmo, porque todo mundo da turma andava com um bloquinho de bilhetes no bolso (custava Cr$ 0,50 -cinqüenta centavos de cruzeiro cada) que nosso pai comprava por antecipação na Pernambuco Tramways & Power Co., a companhia inglesa que vinha desde o início do século XX explorando esse serviço.
Não tenho bem certeza se em 1955 a Tramways já havia sido vendida a algum grupo nacional, mas o nome da empresa pintado nos bondes amarelos com faixas marrons era ainda esse.
Penso que o bonde de Apipucos/Dois Irmãos foi o último a rodar no Recife e eu ainda fui testemunha/usuário da transição entre esse veículo elétrico, ecológico, confortável, ventilado e seguro e os fumacentos ônibus da Autoviária e da São Jerônimo, cuja estrela era o famoso "papa-fila".

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

OBRIGADO, DONA TECNOLOGIA !

Internet é uma coisa boa demais, pra tudo nesse mundo. Ou melhor, pra quase tudo.  Tem muita besteira por aqui.  Mas, a gente sabendo o que fazer, pode dar bom uso.
Pra mim Internet significa entre outras coisas, ter  filho, nora e neto juntinhos  da gente, sempre que dá tempo.  Feito ontem à tarde.  Eles lá, em Duvall, neve caindo, frio lá fora de 3 graus negativos e a gente cá, num calor, lá fora, de 32 positivos.
35 graus centígrados nos separariam; quinze horas de vôo contínuo dentro de um jato, ou quase um dia inteiro, se contarmos o tempo gasto em aeroportos e imigração, também nos deixariam saudosos.
Mas, o milagre acontece na hora em que o telefone toca e a gente liga os computadores. Eles de lá, nós de cá.  E a vida em família renasce, nem que seja para uma família separada por um monitor de LCD e umas caixas de som.
É o prazer que nos permitimos, nós e Dona Tecnologia.
Papo vai, papo vem, Diogo resolve ir buscar seu violino.  Quer me mostrar a última música que aprendeu na Escola Suzuki, onde estuda o instrumento, em Redmond.
Eu e meu neto começamos praticamente na mesma época: ele, no violino, eu no violoncello.
Ele novinho, aquecendo os neurônios; eu, madurão não deixando os meus esfriarem e juntando mais um instrumento à minha coleção de instrumentos de cordas.
Ele toca, de lá, a cançoneta folclórica Song of the Wind (Canção do vento).  Nós, do lado de cá da tela, o aplaudimos: eu, minha mulher e a minha sogra, que estava de visita para ver neto e bisneto.
Corro até o quarto e apanho meu violoncello.  Toco para ele a mesma canção.  Diogo, bem atento,  violino embaixo do braço, ouve o avô tocar seu violinão, como ele chama. Me aplaude também. Com entusiasmo. Com a devoção dos netos.
Momentos de puro êxtase, estes.  Pra nós e pra eles.  Um pouco de saudade a menos, em seis anos de tanta distância. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

QUANDO CRESCER EU QUERO SER LIMEIRA

Cego cantador de feira

Eu sou fã declarado de Zé Limeira/Orlando Tejo e atualmente, depois de umas conversas com o Papa Berto, Primeiro e Único, da Santa Igreja Fubânica, tenho minhas dúvidas da existência física, real, do “Poeta do Absurdo”.

O que tenho achado (apesar do próprio Orlando Tejo, desde a primeira edição do seu livro jurar de pés juntos que o violeiro dava asas à sua louca poesia nos sertões da Paraíba), é que Zé Limeira deve ter tido origem, mesmo, na fertilíssima imaginação e na veia poética do Tejo.

Numa proporção, julgo eu, de 95% de criação para 5% de realidade, os mitos nordestinos surgem assim mesmo, como Limeira surgiu.  Assim como surgiram a “perna cabeluda”, a  “loura do portão do cemitério”, o “pavão misterioso” e a “besta fubana”, por exemplo.

Mas, esse surrealismo limeiriano é mesmo muito atraente para quem escreve poesia e, nesse meu “achismo”, eu vou é aproveitar a onda (que ainda não morreu e não morrerá jamais, pois a figura de Limeira é, hoje, antológica), e passar para vocês essas mal-traçadas rimas, que fazem parte do meu atual treinamento “cordelístico”.

Triste sina de retirante
RIMANDO À TOA

Nunca vi papagaio falar fino
Nem comer munguzá de milho grosso
Ou salada de couve com tremoço
Como fosse um quitute feminino
O rabicho da cobra bate o sino
Patuá fica bem lá na Bahia
Quando ele pensou que eu vinha, eu ia
Eu pegava água doce e dava um nó
Nas quebradas do velho quiprocó 
Arpejando os cabelos de Maria