segunda-feira, 16 de julho de 2012

O TEMPO... AH, O TEMPO, ESSE CARA COMPLICADO !


Eu digo e muita gente não acredita. Eu nasci pra viver noutro tempo, juro...

No tempo em que a gente tinha tempo de fazer o próprio pão, plantar o próprio milho,  cultivar o próprio alimento.
Mas não posso mudar o rumo do tempo.

Sou um saudosista? Nem sei, tenho certeza de que aproveito o máximo da vida de agora e me interesso por tudo quanto o presente e o futuro me trazem de bom.

Escrevo minhas memórias não porque queira obstinadamente retornar ao passado, fugindo de um presente hostil, às vezes, ou de um futuro mais do que incerto, como sempre foram todos os futuros de ontem e anteontem.

O futuro só é agradável e só não mete medo quando ele já aconteceu, virou passado.
Até mesmo enquanto ele está acontecendo, no presente, nos traz, ou pode nos trazer, na sua fração de futuro imediatamente antecedente, um risco, uma decepção, uma dor.

Agradável, então, é viver o presente imediatamente posterior ao que está sendo vivido, ora porque já está passando, ora por conta do prazer daquele exato instante.
No duro, no duro, o tempo é um só.  É o tempo vivido, passado, atual, presente, ou vindouro e incerto, futuro.  E nós no meio desse turbilhão temporal, sentindo:  saudade, prazer, angústia.

O último filme de Woody Allen, "Meia noite em Paris" que ainda ontem assisti, e que assistirei muitas vezes mais, fala exatamente sobre esses sentimentos. Tal qual a serpente "Ouroboros", dos ocultistas, mordendo a própria cauda, Woody, na sua perspicácia de emérito observador dos tempos, mata a charada com imagens belíssimas da Cidade-Luz.

E o seu autobiográfico personagem chega, ao final da estória consciente do valor do seu tempo. Enveredou tanto pelos meandros do "dejà-vu" que resolveu por si mesmo a equação da vida.
E vocês talvez me perguntem, agora: o que tem essas fotos a ver com o tempo?



Tem sim, eu insisto.  Quem sabe, com uma espiga de milho idêntica a essa quantos ancestrais nossos fabricaram o seu pão rústico, ou mataram sua fome com frutos nascidos da sua primitiva horta?



Em tempo: como é de hábito afirmar em letreiros de final de filme, as espigas, compradas na feira de Casa Amarela, não sofreram qualquer dano, injúria ou mau-trato. Foram degustadas cozidas, em forma de pamonha e também de canjica, no último dia de São João.  Os tomates-cereja fazem parte do nosso pequeno jardim de apartamento e são doces e deliciosos.  Os pãezinhos foram a base do lanche da tarde e da ceia do mesmo dia. Estavam uma delícia e também deixaram saudade...

terça-feira, 10 de julho de 2012

VERSOS A GRANEL - 2

Ilustração: Dalinha Catunda

Dalinha Catunda é uma poeta cordelista de primeira. Membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel e muito atuante nos seus Blogs e no Jornal da Besta Fubana, onde temos colunas.

Sempre estamos trocando idéias através do nosso versejar e gosto muito dessa parceria com Dalinha, que só me enriquece.

Um dia desses, comentando uma idéia dela em sua coluna, para homenagear o Centenário de Luiz Gonzaga, escrevi essas duas décimas. Dalinha de pronto interagiu, respondendo, e as publicou no seu Blog " Cantinho da Dalinha".  A ilustração também é arte dela, que desenha as capas dos seus folhetos de cordel e o faz com muita competência.

As décimas foram parar, também, num jornal e blog "Gazeta de Notícias" . de Juazeiro do Norte-CE.
veja aqui:
http://cantinhodadalinha.blogspot.com.br/2012/07/fred-e-dalinha-no-gazeta-de-noticias.html

Aproveitem os links e façam uma visita completa ao Blog da Dalinha. É cordel e tradição pura !

LUIZ GONZAGA NOS VERSOS DE: FRED MONTEIRO E DALINHA CATUNDA

*Fred Monteiro

Eu nasci, cresci e vivo
ouvindo o rei do baião
o nosso bom Gonzagão
e dele fiquei cativo
do seu humor positivo
do seu carisma e sua voz
é o que fala por nós
e entende a fala da terra
e num forró pé-de-serra
é nascente, rio e foz !

*Dalinha Catunda

Desde os tempos de menina
Eu gostava de escutar
Luiz Gonzaga cantar
A música nordestina
Lembro-me de Carolina,
Na voz do rei Gonzagão,
E do pássaro carão
Que não me sai da memória
O nosso rei fez história
Encantando esta nação.
                                          
*FM

Gonzaga é uma jóia pura
dessas que por ser tão raras
nos são cada vez mais caras
seu valor não se apura
e não há arquitetura
de valor que lhe compreenda
pois Gonzaga é nossa prenda
nossa ungüento e nossa cura
nosso ouro de fartura
nosso sol e nossa tenda

*DC

O Gonzaga é diamante
É nosso maior tesouro
É muito mais do que ouro
O nosso astro brilhante
Seu nome segue adiante
Disso ninguém duvida
Seu canto e sanfona em vida
Fez nosso povo vibrar
E o rei caboclo aclamar
Antes e após a partida.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

GRAFITE É ARTE - MINHO 2C, UM ARTISTA DO GRAFITE


Na minha mania de blogueiro, vivo procurando motivo e assunto para publicar.

Quando o assunto é arte, então, não perco tempo.
Sou até meio "cara de pau" para abordar  qualquer assunto, personagem ou situação que me chame a atenção e valha a pena ser publicado no Blog.

Como esse de hoje.  Eu vinha caminhando pela Estrada do Arraial, na Tamarineira, quando deparei-me com um artista de rua, grafiteiro, executando o seu trabalho no portão de um Centro Cultural.

Não titubeei e aproximei-me dele, perguntando se topava gravar uma pequena matéria para o nosso blog.

Ele aceitou de pronto e depois de algumas fotos do seu trabalho, gravei seu depoimento, que trago aqui, no vídeo abaixo.  A qualidade não está lá essas coisas porque, na falta de uma das minhas câmeras, gravei com um celular cuja imagem não é lá uma "brastemp".

É uma história de vida bem interessante.

Minho 2C é um rapaz com muito gosto pela pintura e pelo desenho, mas que começou pichando muros e portões alheios.  Conscientizado de que essa ação não iria lhe levar a lugar nenhum, pelo contrário, o marcaria socialmente como uma pessoa inconveniente, antisocial, tratou de canalizar o seu talento para o que eu considero a "pichação do bem".

Hoje reconhecido mundialmente como Arte Popular, o Graffiti artístico é meio de vida que tem sido o sustento de Minho 2C e de milhares de moços talentosos e trabalhadores como ele, que fazem da sua  carreira artística motivo de muito orgulho, trazendo belas e coloridas imagens para a cidade e para o nosso deleite, embelezando com suas cores alegres e vistosas, muros, fachadas, cartazes, camisetas, painéis e tudo quanto sirva de base para sua pintura.

No vídeo, Minho 2C deixa seus contatos telefônicos, para todos que precisarem com o seu auxílio, colorir melhor esse mundo.









42.195 - (SOBRE BLOGS E MARATONAS)


O Blog completou hoje 42.195 acessos.
Eu tenho uma fixação por esse número.  Sabem por que?
É o mesmo número de metros que o atleta tem que percorrer numa Maratona.
Sou, com muito orgulho, um Maratonista.  Já sofri e tive muito prazer, simultaneamente, em milhares de quilômetros corridos nestes 29 anos de prática do atletismo, em especial a corrida de rua e o triathlon.  Completei, oficialmente, 3 Maratonas, embora haja corrido a série completa de 8  treinamentos para a distância, ao todo.  Cada série dessas soma entre 200 e 350 quilômetros mensais, corridos em quatro meses.  Sempre fechava o ciclo de cada um dos períodos correndo até 32 ou 35 quilômetros, no último "estirão" ou "longão" das séries.
É um esforço plenamente recompensado pela alegria de terminar a prova.  E isso, como diz o comercial do cartão de crédito, "não tem preço"!




Assim também, manter um Blog em atividade é uma maratona cibernética.  Diante de tantas opções que o internauta de hoje tem, da pesquisa ao lazer, dos vídeos à música e aos espetáculos, das piadas às fofocas, do noticiário político ao econômico, fica realmente meio difícil manter aceso o interesse num Blog pessoal ou cultural.
E é por isso que eu agradeço, agora, a vocês todos, meus queridos seguidores e leitores, comentaristas, parentes e amigos, o prestígio que cada um de vocês me dá, acessando diariamente este humilde espaço, construído com muito carinho... para vocês mesmo !
Muito obrigado de coração, por estes mais de 40 mil acessos.


O Blog está catalogado pelo "Blogger", serviço de que faço parte, tendo obtido o "page rank" 2 e tive hoje, por sinal, uma indicação para participar do Prêmio Top Blog Brasil 2012, promovido por um site dedicado à divulgação e incentivo dos melhores Blogs brasileiros.

Muita honra também, para esse blogueiro iniciante. Mais outro motivo para agradecer a vocês por estas pequenas conquistas.
A única coisa que posso fazer, em reconhecimento, é continuar deixando por aqui minhas crônicas, poemas, músicas, versos, fotos, vídeos, compartilhando com vocês minhas vivências, experiências e viagens. Tudo isso com muito entusiasmo.  Porque a Vida merece !  Porque Vocês merecem !

quarta-feira, 4 de julho de 2012

MEMÓRIAS DO F STUDIO - 8 - SERVOS DE MARIA

Nesses 18 anos de estúdio gravei música regional, erudita, pop, rock, gospel, enfim todo e qualquer trabalho que aparecia e que me agradava fazer.  Sim, porque também recusei muitas propostas de gravações que não me agradavam fazer. Entre elas pagode, funk, brega, por exemplo.

Sempre arranjava uma maneira delicada de afastar a possibilidade de ter que aturar música de alguma vertente que (embora sabendo ser do gosto popular) realmente não me interessava ouvir, muito menos gravar.

Quando comecei com o Estúdio, meu primeiro trabalho foi a trilha sonora da Procissão de Nossa Senhora da Saúde, como parte da tradicionalíssima Festa do Poço da Panela, dedicada à mesma.



Foi em 1994 e a minha sogra era a "festeira" daquele ano (a patrocinadora responsável pela organização da procissão da "bandeira" da Santa).



Coincidentemente, meu último trabalho, 18 anos depois, foi a gravação de um CD de músicas religiosas pela Congregação dos Servos de Maria. 18 faixas tocadas e cantadas  pelas freiras e demais membros da Comunidade que, por sinal, foi fundada por uma prima.



Antes de cada sessão de gravação, as religiosas faziam uma prece e uma bela vocalização seguida de um cântico do seu ritual.  Um momento para reflexão e concentração no trabalho que se iniciava.

Curiosamente, descia sobre todos um sentimento de muita paz, após esses cânticos. Com a licença delas, gravei de forma bem simples estas vocalizações e as passo para vocês neste arquivo de áudio.

Que todos se sintam, também, envolvidos pela paz desses cânticos.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

MEU IRMÃO PEDRO AUGUSTO E OS PATRULHEIROS TODDY


Surgiu um dia, na programação do Canal 6, TV Rádio Clube do Recife, um programa patrocinado por um chocolate em pó : Os Patrulheiros Toddy.
Na verdade, o seriado que dava nome ao programa versava sobre as aventuras e desventuras de um pelotão de Rangers do Texas, modernos cowboys com seus chapelões característicos, revólveres à cinta e muita valentia, para entusiasmar as crianças e adolescentes que os assistiam.

(Foto extraída do Blog Anos Dourados)
Como toda criança da época, fomos mais ou menos colonizados por estórias desse tipo, que não eram de todo desprezíveis, porquanto incutiam nos jovens valores morais como a coragem, o amor à lei e à ordem e a vontade de ajudar o seu semelhante.
Pedro Augusto, nosso irmão, era o quinto na ordem de idade e o terceiro dos cinco filhos homens da casa.
Maior fã dos Patrulheiros, entre nós, não perdia um episódio do seriado por nada neste mundo e sabia de cor o hino e as gesticulações próprias dos cowboys que formavam o pelotão de “rangers”.
Um belo dia, o apresentador local do programa, devidamente uniformizado, anunciou que haveria o sorteio de um traje completo por semana, para formar uma turma de patrulheiros-mirins.

Pedro entusiasmou-se e pediu a Mãezinha pra guardar todos os rótulos de Toddy daí por diante... aliás, pediu o mesmo aos tios e tias mais próximos e até mesmo à vizinhança.
Tanto mobilizou o pessoal que conseguiu, de imediato, vários rótulos do produto os quais, devidamente envelopados com seus dados escritos no verso, foram enviados pelo correio para a emissora, a fim de concorrer ao cobiçado prêmio.
Nos sorteios, éramos todos um só coração a torcer por Pedro. E a coisa terminou por funcionar... certa vez, após o capítulo do seriado, o apresentador trouxe para o meio do palco a urna cheia de cartas e sorteou o ganhador que não foi outro, senão nosso mano: alegria e gritaria geral, muitos abraços, beijos e tapinhas nas costas do nosso herói.
Pedro Augusto, com nossos pais
Na semana seguinte, lá estava, no Estúdio da Televisão, nosso Pedrão, vestido a caráter, de calças compridas e camisa também de mangas compridas caqui, chapéu de feltro de na cabeça, estrela de xerife no peito, um belo cinto de couro largo, recheado de balas prateadas, um revólver colt no seu coldre de couro lavrado e um belo par de botas marrons e bem lustrosas.
Junto a outros meninos que já haviam ganhado uniformes e liderados pelo apresentador, cantaram o hino dos Patrulheiros e levaram ao delírio a platéia caseira: “Nós somos os Patrulheiros Toddy, a Lei juramos defender...”
Daí por diante, sempre que brincávamos de “cowboy” Pedrão era o líder... quem discutiria a autenticidade da sua autoridade de xerife texano, diante de um uniforme daquele ?!... Quem desafiaria um revólver tão real e que, por cima, disparava tiros de espoleta de papel, é verdade, mas que soavam como tiros de verdade e ainda deixavam no ar um cheirinho de pólvora como nunca sentimos ?...


(do meu livro de crônicas "Caçador de Lagartixas)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

NÃO CUSTA NADA LEMBRAR (1) SERENATA PERNAMBUCANA

Compus e gravei cerca de 90 músicas, sendo muitas dessas também gravadas e mesmo regravadas por outros cantores e grupos musicais de Pernambuco e do Brasil.  Ultimamente tenho me dedicado ao estudo do violoncello e não componho mais com a mesma frequência, mesmo porque o ato de compor requer paciência e espera, para que não se caia na tentação de, fazendo em quantidade, perdermos em qualidade ou, no mínimo, começarmos a nos repetir.  No começo deste ano, resolvi fazer uma experiência com música para cordas.   Dois temas musicais foram então escolhidos dentre 28 "marchas-de-bloco" já gravadas e conhecidas do público carnavalesco: "Mascate das Lembranças", em que homenageio os pregoeiros do Recife e "Saudade de Olinda", dirigida à nossa cidade-irmã.

O arranjo é do Maestro Edson Cunha e a interpretação de quatro excelentes musicistas, todas atuantes em Conjuntos de cordas e Orquestras do Recife: Gizelle, Valquíria, Aline e Roberta.  Fiquei muito feliz com o resultado e ainda este ano pretendo repetir a experiência com outras músicas minhas, sempre enfatizando a melodia e deixando de lado o aspecto ritmico dos mesmos.  No clipe presto também uma homenagem às duas cidades e ao elemento que as une: o Carnaval.

sábado, 23 de junho de 2012

A INCRÍVEL ODISSEIA DE FÁBIO JR

Um dia desses, conversando com minha irmã Marta sobre as crianças da família, surgiu uma lembrança bem interessante.
Estava ela tentando fazer dormir o filho recém-nascido, embalando-o na cadeira de balanço no terraço da casa dos nossos pais.  Aliás, nessas histórias de recém-nascidos, a casa dos pais está sempre presente.  É ali, no ninho antigo, que todos nós vamos buscar auxílio e experiência nos primeiros dias da gratificante tarefa de ser pais e mães.
Uma das irmãs, a caçula Ana Lúcia, tinha ganho um papagaio muito engraçado, metido a falante e assoviador.
Como toda adolescente da época, fã apaixonada do cantor Fábio Jr, Ana Lúcia pôs nele o seu nome.


E Fábio Jr fazia suas gracinhas pela casa, bem à vontade, até por essa época.
Marta cantava, embalando o filho, e Fábio Jr remedava de longe.
Mas Guilherme era (e continua sendo) do "agito".  E nada de dormir.  E Marta a embalar.  E Guilherme a berrar.  E Fábio Jr a aprender todos os detalhes do seu choro.
Finalmente, a paz.  A mãe, satisfeita, olhando para o filho que agora dormia, sereno.


Silêncio total na casa.  Marta, pé ante pé, vai levando o filho para o berço, com todo cuidado para não acordá-lo.  Mas, de repente, não mais que de repente, quem chega pela sala, no seu rebolado natural de papagaio?
Ele. Em pessoa e em choro: Fábio Jr. demonstrando toda a sua potência vocal chorava e berrava de uma maneira tal que o próprio Guilherme não conseguiria imitar.  Mas tentou e tentou até conseguir. Acordado pelo choro do papagaio, abriu o berreiro novamente e a ladainha recomeçou em dueto.
Tempos depois de muito perturbar, Fábio Jr foi dado de presente a uma tia que gostava muito dele. Um dia fugiu para o apartamento do vizinho.  Passou alguns dias por lá, voltou ao apartamento da tia até que dali -de novo- alçou o voo para o estrelato definitivo. Se é verdade que papagaios chegam facilmente ao centenário, deve estar por aí, em algum lugar, aprendendo novas cantigas de ninar e novos berros infantis para desespero de mamães de primeira viagem.

domingo, 17 de junho de 2012

VERSOS A GRANEL - 1

Vou começando por aqui uma série publicando uns versos que venho fazendo sem a menor pretensão. Às vezes me dá essa vontade de poetar e dano-me a comentar coisas em blogs e colunas por aí afora de forma a matar minha vontade de ser poeta cordelista.  Mania que peguei ultimamente, por conta do Jornal da Besta Fubana, onde tenho uma coluna (Mascate das Lembranças).  O JBF é lugar de poeta de primeira linha e é com eles que eu tenho aprendido muito nessa arte tão leve e gostosa de literatura. 

O post de hoje é uma miscelânea de estrofes soltas, a maior parte tendo servido de comentários a textos, crônicas, charges, artigos e outros poemas e cordéis ali publicados.

LATRINAMÉRICA


A Latrina americana
vai se arrepender um dia
quando a Democracia
não for mais a soberana
quando um tirano sacana
pisar no povo indefeso
esmagar todo o seu peso
em cima do pobre povo
sem trazer nada de novo
arrostando o seu desprezo


***

SAUDADE, FLOR TRISTONHA
(à minha maneira e à maneira de Zé Limeira)

A saudade é flor tristonha
Sem perfume, nem beleza
E possui uma natureza
que parece coisa estranha
Uma dor extemporânea
Que em segundos sumiu
E o tempo consumiu
Na mesma celeridade
Você não mede a saudade
Que deixou quando partiu.

A saudade é uma bola
Correndo dentro do peito
Deixando a gente sem jeito
Com cara de graviola
Cutuca essa radiola
Bota um disco de vinil
Daquele que a gente ouviu
Num recanto da cidade
Você não mede a saudade
Que deixou quando partiu

****








NOME DE CACHORRO

Eu fico muito pimpão
quando vejo um vira-lata
com nome que sai da mata
do mar ou de um riachão
Mas um absurdo, então
é botar nos animais
nomes de racionais
tem Xôla, Tupi, Piaba
É nome que não se acaba
se não tem a gente faz

Cachorro bom não atende
esses nomes de madame
e não gosta que lhe chame
de Zé, Carlinhos, João
não é um nome pro cão
nome de cão é Traíra,
Fura-Nuvem, Macambira
é Xerife, é Ferrabraz
é Malhado e Capataz
Saci, Cotó, Curupira

sábado, 16 de junho de 2012

MEMÓRIAS DO F STUDIO - 7 - MAESTRO DIMAS SEDÍCIAS

Comecei esta série relembrando momentos muito importantes da minha vida de músico, compositor e produtor musical, focando alguns posts em personalidades da música pernambucana que cruzaram nossos caminhos e muito me honraram em participar da sua arte, através do meu modesto trabalho de perpetuar suas músicas em gravações que hoje, para mim, têm um grande significado.

Muito além do mero registro sonoro, são momentos inesquecíveis.  Aprendi muito com esses amigos/clientes/instrumentistas/cantores/arranjadores/compositores e maestros.
Por isso tudo sinto-me na obrigação de tornar públicos esses momentos de grande enlevo profissional e musical.

Trato hoje de um grande artista, de um grande músico, compositor, maestro, arranjador e amigo: Dimas Sedícias, nascido em Belo Jardim, em 1930, falecido no Recife em 2001. (mais dados biográficos aqui: http://www.enciclopedianordeste.com.br/nova328.php)


Genial e criativo, Dimas, infelizmente desconhecido do grande público, deixou uma obra vasta, comparável a dos nossos melhores Mestres.

Sua carreira brilhante desenvolveu-se sobretudo no Brasil, mas também na Espanha, Portugal, França e Itália, levando a outros povos a marca da nordestinidade pujante, mostrada  com toda ênfase no seu trabalho musical.

Em contrapartida, trouxe também para nós suas experiências européias, sua vivência de cultura universal e erudita. É o que ouvimos, por exemplo na música a seguir, uma pequena suíte para fagote e flauta magistralmente interpretada por Valdir Caires e Paco diGea, respectivamente, ambos seus colegas na Orquestra Sinfônica do Recife.

Trata-se de uma peça em três movimentos representando uma "festa de touros", que ele compôs para presentear ao seu amigo alcaide da vila de Molledo, no Norte da Espanha. Os elementos da rica cultura ibérica estão aí tão vivos que dispensam comentários, parecendo-nos estar numa "plaza de toros" assistindo o desenrolar desse drama secular do jogo de vida e morte entre o animal e o humano.



Mas Dimas era extremamente regionalista, também.  Neste disco que mal havíamos começado a gravar, quando sobreveio a doença que o levou à morte, há um exemplo disso, numa pequena peça que lembra o nosso decantado baião.

A execução primorosa do dueto entre o clarone de Crisóstomo Santos e o clarinete de Erilson Oliveira ilustram a música dedicada a um amigo de Dimas: Na Granja do Manoel, tem o balanço de um baião de pé-de-serra saído da mente desse bomjardinense fiel às origens.



Estas gravações que ora apresento são inéditas, fazem parte do acervo do FStudio e estão provavelmente sendo apresentadas pela primeira vez ao público, delas existindo até então apenas mais 2 cópias, uma delas com a viúva do Maestro e outra com seu discípulo e músico do Grupo SaGrama Crisóstomo Santos.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O PARAÍSO, TÃO PERTO...


Conhecem o Paraíso?  Ainda não?  Pois eu conheço.  Fica em Aldeia, no meio da paz e das plantas. Seus guardiões são gente de carne, osso e alegria: Jaime, meu irmão, e Elena, minha cunhada, que não medem esforços para nos fazer sentir especiais.  E assim nos sentimos.Ali o tempo passa lento, a pressa fica do lado de fora, a trilha sonora é executada por bentevis e sabiás.


De vez em quando  a chefe da segurança solta um latido forte para mostrar que está tudo sob controle. O nome dela é Kelly e é o xodó do casal.
Mas, essa introdução toda foi somente o pretexto para mostrar a vocês o outro xodó dos donos do Paraíso: as flores.  Lindas, em cada estação renovadas, criadas soltas, feito os passarinhos, jóias naturais no meio da exuberância do verde do lugar.  E, no entanto, cuidadas como se estivessem num vaso especial, dentro de casa, destacando as cores e a leveza das formas.
O Paraíso é o nosso ponto de encontro com aquele outro Paraíso mais famoso.  Enquanto não o temos, vamos aproveitar este aqui, tão perto.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

GERALDO AZOUBEL - UM PEQUENO REALEJO, UM IMENSO MÚSICO !

"Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas"..  Olavo Bilac



Partiu ontem um bom amigo.   
Voltou para o Pai, onde com toda certeza hoje tem seu abrigo e conforto, junto à sua querida Inez, que há dois anos também voltou para a Casa Eterna.

Geraldo, com sua filha Juliana

Geraldo Azoubel, um músico de grande sensibilidade, devotado ao seu instrumento que sempre trazia consigo. Uma pequena gaita-de-boca, ou realejo, como gostava de chamar.

Dela tirava sons suaves, ora vibrantes, ora dolentes, conforme lhe aprazia e cabiam no imenso e variado repertório.

Um dia, em 2004, Geraldo me procurou no Estúdio.  Estava entre sério e sofrido, preocupado com a notícia que havia recebido, acerca  da luta que haveria de travar durante quase oito anos.  


Guerreiro como sempre foi, naquele mesmo dia deixou gravadas várias melodias de belas músicas natalinas.  Seria seu presente de Natal para a família e amigos, disse-me.  Pediu-me que complementasse as linhas sonoras com uma harmonia, que deixou a meu critério fazer.


E assim nasceu o primeiro disco de uma série que fizemos juntos, num trabalho de parceria e cumplicidade musical, como ele aliás deixou escrito na dedicatória de um dos seis discos que gravamos. 


Foram eles, pela ordem: O Realejo do Natal; O Realejo da Paz; O Realejo Romântico de Olinda; O Realejo de Sempre; Meu Pequeno Realejo e O Realejo dos Blocos.

Não sei de qual eu mais gosto. Em cada um deles, ficou um pedaço do amigo e do seu amor pela Música.  Ficou também um pouco da minha vontade de, nos arranjos que fiz para acompanhá-lo, dizer da minha amizade e admiração pela sua musicalidade.

Sinto demais não termos feito o sétimo disco. 
Ainda na festa de lançamento do último deles, de frevos-de-bloco e marchas-rancho ( clique aqui para ouvir) conversamos sobre a vontade de fazer um trabalho juntando o som do seu realejo ao de um quarteto de cordas, explorando temas clássicos. Até cheguei a sugerir o título, no espírito dos demais discos da série: "O Realejo de Casaca".

Conheci Geraldo há coisa de trinta anos atrás.  Juntamente com Waldilson e Walter Neves, meus amigos/irmãos do conjunto musical Os Tártaros, fizemos alguns shows beneficentes destinados a entidades assistenciais.

Geraldo teve esse cuidado de dividir sua arte com aqueles que dela necessitavam, para esquecer seus dramas terrenos e aliviar seu sofrimento espiritual.  Um benemérito, sempre.

A imagem que persistirá na minha mente, acerca desse amigo que ontem partiu, será sempre a da bondade e da alegria, da força que transmitia, mesmo precisando de forças para lutar contra a doença, de amor à sua família e de lealdade à sua profissão e aos seus milhares de amigos.

Vá companheiro, gozar hoje a paz dos Justos e ouvir a Música das Estrelas que -como disse o Poeta Bilac- é reservada aos que amam profundamente a vida.  "Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas !"

sexta-feira, 1 de junho de 2012

THEO, MEU ALMIRANTE DE ESQUADRA !

Theo, desembarcando ontem à noite, cheio de vontade ! 
THEO, MEU PEQUENO ALMIRANTE
(para Theo, de Vovô Carequinha)

Tua nau aportou em berço puro
Consolou-me esse teu choro tão sincero
E a Paz que já trouxeste, bem seguro,
de que o amor que te envolve é todo vero..

Dorme Theo, Almirante estrelado
O amanhã te reserva imensa Glória
O teu mar, verde-amar,  iluminado
porque tu já és parte da História

Singra os mares desta vida com justeza
Sem tormentas e procelas, teu Destino
Será grande, forte, belo...só certeza
de Vitória, Força e Luz, meu pequenino !

Por mais que a gente pense que está acostumado a certas emoções e que elas não nos afetarão tanto, até por conta de outras já vividas, a Vida, a manifestação dela, da forma mais primitiva e bela, o Nascimento de um Ser, nos pega de surpresa e desencadeia mais uma torrente de sentimentos.  Aconteceu comigo, novamente, ontem à noite.  O milagre de um novo Ser, o filho de minha filha, mais um neto querido e esperado, me fez encher os olhos d'água e o coração de alegria incontida.

Paisagem marinha, pintada por Tio Enrico, um
presente especial para Theo
Novo marujo à bordo da Nau da Vida, esse pequenino já nasceu imenso: Almirante de Esquadra !

Eu sei, há um posto acima, ainda ( e uma estrela a mais), a ser galgado por Theo. Mas esse, ele o alcançará por si mesmo, pelo seu esforço, inteligência e caráter, que já foram delineados pelo pai e mãe dedicados e amorosos, de cujo amor nasceu.
A vida apenas começou, para Theo. Os sete mares que se cuidem ! Nenhuma gota d'água, nenhum raio de sol, nenhum sussurrar de brisa será segredo para esse marinheirinho valente que hoje pôs nos ombros as suas dragonas de Viajante dos Mares do Tempo !

Bem vindo Theo.. e que os mares dos dias sejam sempre de bonança e lhe levem sempre a portos seguros e de bom calado. Levante âncoras, meu neto, e que toda a Felicidade, Paz e Saúde lhe acompanhem nessa viagem tão bacana que você tem pela frente !


Ouçam aqui o "Cisne Branco" de A.M Espírito Santo, para homenagear o novo Almirante !




segunda-feira, 28 de maio de 2012

MEMÓRIAS DO F STUDIO - 6 - ROMERO AMORIM (parte 2)

Capa do CD "Esses Blocos", criação de Val Amorim
O disco de Romero Amorim, "Esses Blocos", foi um dos que tive grande prazer em gravar, porque reuniu o melhor dos Blocos do Recife. 
Com Sevy Nascimento e Arimatéia
A partir da sua capa (criação da filha Valéria (Val) Amorim), ficou expressada a vontade de Romero de fazer um tributo aos blocos por ele amados. Reuniu fotos dos flabelos (para quem não sabe, são os cartazes que indicam o nome dos blocos e antecedem o desfile das pastorinhas e orquestras) dos Blocos para os quais compôs músicas hoje imortalizadas.
Não sei por que (e continuo a criticar e insistir sobre isso) as nossas emissoras de rádio (exceção feita à Rádio Universitária, com os programas de Hugo Martins e Miriam Leite) não divulgam nossas músicas tão belas e que tanto agradam a todos que as conhecem. 
Sendo assim, dificilmente teremos entre as "paradas de sucesso" obras premiadas, como foi o caso de "Saudade Azul", uma perfeição de poema e canção, que ficou esquecida nas prateleiras das discotecas, delas somente saindo quando algum fã dos Blocos a solicita expressamente.

Vejam o que perde a coletividade, por mero desconhecimento e pela falta de divulgação das emissoras comerciais.   A música ficou a cargo da Orquestra de Ademir Araújo, com arranjo do próprio Ademir, acompanhando as vozes de Ângela Luz, Valdênia Melo e Vanda Lu que estão na foto abaixo abraçadas a Romero. 
Valdenia, Romero, Vânia e Ângela






SAUDADE AZUL (Romero Amorim - letra e música)

Que bloco é esse de azul singelo
que faz mais belo esse azul da tarde
e à tarde vem anoitecer flabelo
no desmantelo azul desta cidade?

Que luz é essa, azul que invade
e traz no azul esse azul etéreo
como se fosse uma saudade azul
a derramar-se em seu próprio espelho

Que lira é essa de azul tonal
que tange notas de azuis festejos
e bebe a taça de azuis desejos
no desmantelo azul do carnaval?

É a saudade azul, azul poema
lembrança azul, azul de Carlos Pena !

Ainda voltarei ao tema "Romero Amorim", nessas Memórias do F Studio.  O Poeta da Aurora merece!

domingo, 27 de maio de 2012

MEMÓRIAS DO F STUDIO - 5 - ROMERO AMORIM

Romero Amorim declama "Esses Blocos", no F Studio, 2002

Ele já era nome consagrado nas letras e na música de Pernambuco.  Campeão de Festivais de âmbito estadual ou nacional, quando o conheci, nos idos de 1994/95, quando participei, pela primeira vez do VI Recifrevo, com a primeira música que compus, um frevo-de-bloco chamado "Saudade de Olinda".  Romero participava com "Saudade Azul", em homenagem ao poeta Carlos Pena Filho.  Um frevo-de-bloco lindo, que anos depois tive a honra de gravar, no F Studio.

Romero tinha iniciado fazia pouco tempo, o Encontro de Blocos da Rua da Aurora, no Movimento por ele fundado "Aurora dos Carnavais", do qual -desde a primeira versão- o nosso Bloco Flor da Vitória-Régia participou, até 2006, quando desfilamos pela última vez.

Quando fundamos o Bloco, Romero fez questão de participar, como compositor, escrevendo um lindíssimo poema que foi musicado por Getúlio Cavalcanti, "Voltando ao Jardim".
Nele, o Poeta da Aurora relembra os tempos vividos em Casa Forte, com uma ternura que somente quem vive ou viveu por ali pode entender.

A noite é de festa 
e o riso é de graça
no banco da Praça
defronte à Matriz
A Vitória-Régia
no olhar do poeta
escuta a promessa 
de amor que eu já fiz

Voltando aos encantos
de um tempo tão belo
meu sonho é castelo
que a ânsia criou
Um cheiro de mato
vagueia rasteiro
e um banjo festeiro
meu riso escutou:

Vitória-Régia,
redonda barcaça
Sereia da Praça
beleza floral !
És o poema, 
o tema e a lira
a flor que inspira
nosso Carnaval !

Pois foi no F Studio, entre outubro e dezembro de 2002, que esta pérola musical e mais outras 15 jóias foram gravadas, para minha alegria e orgulho.  Romero acompanhou tudo com o carinho e desvelo de um pai, convidando uma legião de amigos e de blocos para cantar suas composições, dirigidas aos seus queridos Blocos de Pau e Corda do Recife.

No Encontro de Blocos da Rua da Aurora
Somente quem acompanhou de perto o trabalho diuturno de Romero para realizar com todo o brilho esse evento hoje eternizado no bronze de Abelardo da Hora, no trecho final da Rua da Aurora e que se tornou um marco no nosso Carnaval, pode avaliar a emoção que lhe tomava por inteiro quando, ano a ano, vencendo dificuldades e saltando obstáculos, conseguia realizá-lo com todo o sucesso e participação da comunidade dos blocos do Recife. "Esses Blocos", o nome do poema por ele também musicado, dá título ao CD. São 16 faixas de ternura, lirismo e amor aos Blocos do Recife.

Quando terminamos as gravações, eu perguntei, certa manhã ao Romero se ele não gostaria de participar dessa faixa cantando acompanhado pelo Coral Feminino.  Ele recusou, de imediato, e de imediato eu insisti em que pelo menos ele declamasse o poema, a fim de perpetuar sua voz no disco.  Depois de muita resistência, o Poeta aceitou e o declamou, com a emoção à flor da pele, que sempre o fazia chorar (e Romero, nesse particular, era um emotivo incorrigível: chorava mesmo, como todos sabem!).

Pois aí vão, nos arquivos abaixo, a voz do imortal Poeta da Aurora e a sua música para o nosso Vitória-Régia e o seu querido bairro de Casa Forte.








Pouco antes de ter início o calvário que levou o nosso amigo Romero para uma nova dimensão, tive um último recado dele, quando anunciei pelo Facebook o fim do FStudio e que aqui reproduzo:

"sábado às 10:17 · Curtir (desfazer) · https://s-static.ak.facebook.com/rsrc.php/v1/yw/r/drP8vlvSl_8.gif 2
Romero Amorim Fred, já tô com saudade, irmão."

Eu também, Poeta.  Principalmente daqueles papos que batíamos todos os dias, praticamente, na "Sertanense"  ou no "Beco da Fome" da Rua Bulhões Marques, junto com Hamilton Florentino, Vila Nova, Américo do Bombardino e tanta gente boa que passava por ali na hora do almoço.

Fique em Paz, Poeta ! e continue inspirando com o seu lirismo os Blocos do Recife, "Esses Blocos" que você tanto amou !

domingo, 20 de maio de 2012

O RECIFE AINDA É VERDE

Da Índia para o Poço da Panela - azeitonas ou jamelões

Verde e calmo. Dentro do possível, claro.
Ao lado da minha nova varanda, há uma azeitoneira povoada de pássaros de toda espécie.

Para quem não sabe, a azeitoneira a que me refiro é um pé de Jamelão, ou jambolão.
Aqui no Nordeste é conhecido como azeitona preta, esse fruto delicioso que já me lambuzou as roupas, para desespero de minha mãe, quando eu era menino, e pintou de roxo minha língua de moleque do Poço da Panela e de Casa Forte.

Pois durante 31 anos morando no Poço da Panela (entre 1955 e 1973, (com meus pais) e entre 1977 e 1991, (na minha primeira casa, um pequeno duplex que comprei pouco depois de casar), alimentava sempre o desejo de voltar ao Poço.

E voltei. Como diria Roberto Carlos, voltei para ficar, pois aqui, aqui  é o meu lugar...

Sabiá, um canto e tanto !

Por outro lado passei exatos 21 anos morando em Casa Forte, bem junto à Praça e atrás da Matriz (um endereço bem comum em vilazinhas do interior.  Toda cidadezinha pelo Brasil afora tem uma praça e uma igreja, não é mesmo?.

Socorro-me da Wikipedia, para resumir o Poço da Panela:

Eu te vi  (e te ouvi, também !)

“O Poço da Panela surgiu por volta do séc.XVIII, pertencia as terras do Engenho Casa Forte. No início era um simples povoado em meio às grandes plantações de cana-de-açúcar, porém a partir de 1746 este perfil começou a ser modificado. Naquele tempo uma grande epidemia possivelmente de cólera) tomou conta do Recife e alguns médicos divulgaram que os banhos, durante o verão, no trecho do Rio Capibaribe que banhava a povoado, eram um milagroso remédio no combate à doença. A notícia se espalhou muito rápido e fez com que essa região começasse a ser frequentada pelos ricos do Recife, que logo construíram ali casarões de veraneio. O povoado cresceu e em 1772 ganhou uma igreja dedicada a Nossa Senhora da Saúde.”

Hora do lanche do frei-vicente (Tangara cayana)
Mas, o que me interessa hoje, em meio à paz desta manhã de domingo, é mostrar para vocês essas fotos dos meus vizinhos de moradia.

Na paz verde do Poço

Eles na azeitoneira, eu na varanda, câmera na mão, atento à folhagem, coisa de um mês atrás, bisbilhotando suas vidas simples e felizes.

Então, flagrei-os na hora da refeição ou dos ensaios de canto: freis-vicentes, bentevis, sabiás,  estão aqui presentes.  Mas eu já presenciei ariscos sanhaços, sibitos, bicos-de-lacre, um gaviãozinho amarelo, um bando de maritacas (essas somente voando por perto, no seu alarido característico) e um carcará que toda tarde aparece no teto do bloco vizinho.

(Agradeço ao Professor Galileu Coelho, Ornitólogo, pelos ensinamentos preciosos sobre os pássaros de Pernambuco)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

BUSCANDO AS RAÍZES – BEZERROS É CULTURA

Um dia desses tomei o rumo de Bezerros, aqui pertinho do Recife, para beber um pouco das nossas raízes culturais. Em Bezerros, a tradição e o artesanato comandam as atividades o ano inteiro. Do Mestre J.Borges e sua operosa família, surgem trabalhos belíssimos de xilogravura e cordel.

A tradição dos Papangus, no Carnaval, dita o ritmo da cidade, atraindo milhares de turistas do Brasil e do Exterior. O Centro de Artesanato é um capítulo à parte, muito bem cuidado, apresentando sempre exposições de muito bom gosto e variedade. A Serra Negra, além da beleza natural, também guarda sempre surpresas culturais inesquecíveis, principalmente em Junho, tempo de muito forró, coco e xaxado, em meio a uma natureza exuberante e um clima com temperaturas mais baixas nas suas montanhas.

Um passeio que vale sempre a pena ser feito, no mínimo para matar a saudade das coisas da terra nordestina. Quem é de fora não perderá tempo e além de apreciar e comprar peças dessa rica cultura popular, terá oportunidade de conversar com os artesãos, sempre muito solícitos com quem lhes procure. Sendo ou estando de passagem pelo Recife, não deixe de visitar Bezerros, cidade cultural por excelência.

Abaixo uns fragmentos em vídeo do meu último passeio por lá. No final, ainda testei uma rabeca bem artesanal. Música de fundo de um artista do pífano, o Gilson do Pife, de Bonito-PE.

Divirtam-se !



quarta-feira, 2 de maio de 2012

CORREDORES E "CORREDORES"

No camping, à véspera da Maratona da Paraíba
Existe um blog direcionado a corredores de rua, mantido pela revista Veja e escrito por um jovem professor de educação física. Deve ter uma boa aceitação, vez que é vinculado a uma das maiores e mais conceituadas revistas brasileiras, da qual, aliás, sou assinante.
Decepcionado pela falta de resposta a um comentário meu (sinal de que o jovem mestre não é lá muito de aceitar críticas, mesmo fundamentadas, reproduzo-o aqui no meu blog.
Muitos dos meus leitores por certo discordarão de mim. Não sei se o professor sequer vai tomar conhecimento deste post agora publicado, mas com certeza, como todo blogueiro, leu e (como alguns avessos ao princípio da livre opinião dos seus leitores) deve ter meditado sobre ele. E achado por bem jogá-lo na lixeira virtual.  Julguem vocês mesmos se tenho ou não razão em rebater semelhante afirmativa (ao que tudo indica, feita com certa revolta – vide o ponto de exclamação na manchete.  A propósito, o título do tal artigo era “PRATICAR CORRIDA: ISSO JÁ FOI MAIS BARATO ! “ 

Com minhas desculpas antecipadas ao jovem colunista, este foi o artigo mais ridículo e sem fundamento que li na minha vida de corredor de rua.

Chegando na I Maratona do Recife

Referir-se à corrida como esporte caro é no mínimo um contrasenso. Creio que o post visa a despertar polêmica mesmo, senão vejamos: a corrida é o ÚNICO esporte que você pode praticar sozinho, a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer lugar, de qualquer cidade ou região do mundo. Desde que você esteja vestindo (pra não ser preso por nudismo) um mero calção, até mesmo descalço você pode correr sem malefícios maiores para a saúde. Desde que esteja bem alimentado (o que não significa entupir-se de “produtos para corredores” e líquidos miraculosos que não chegam aos pés da boa e velha água potável, você pode correr a vida toda e gerar saúde para si mesmo e estimular seus semelhantes a fazerem a mesma coisa. O que ocorre, meu caro, é que querem tornar a corrida um esporte comercial, que rende lucros inimagináveis para fábricas, produtores de qualquer coisa vendável a uma multidão de “corredores da moda”, gente que quer correr porque hoje correr é chique, dá status e aumenta a sensação de prestígio na sociedade. Estou falando, agora, dessa corrida fashion, com academias promovendo seus "personal trainers" e outros berloques completamente desnecessários à atividade. Quem quiser correr, a qualquer hora pode simplesmente levantar-se da cadeira, colocar um pé à frente do outro e iniciar o movimento mais antigo que o homem realiza desde que se pôs sobre duas pernas e ergueu a coluna. Sou corredor há exatos 29 anos e um mês. Ajudei a fundar um clube de corredores aqui no Recife, o CORRE, defendo a corrida como atividade básica e não como esse “esporte” de que o nobre colunista fala, com medalhinhas, chips, tênis que valem fortunas, “maratonas” de 5 quilômetros e que ainda admitem “revezamento”.. Tenham dó ! Acho que a “popularidade” da corrida não interessa à atividade física mais básica, mais barata, mais popular, mais simples, tanto que era praticada pelos pré-históricos, quando saiam das suas cavernas para correr atrás da caça ou entravam nelas pra fugir dos predadores. Se o enfoque de corrida que tem a sua coluna é esse, perdão: entrei na caverna errada ! Grande abraço e boas corridas… de verdade...não corridinhas sociais !

segunda-feira, 30 de abril de 2012

PERNAMBUCALAGOAR

Saudades das Alagoas
Coqueiros de Pratagi
Onde só vou passear
E quando chego por lá
Eu viro outra pessoa
Fico preguiçoso à toa
Deitado na beira-mar
Ouvindo a onda cantar
E olhando o céu de anil
Nesse canto do Brasil
Belezas iguais não há

Pajuçara e Avenida
São Bento e Maragogi
Ponte Verde e Pratagi
São de ouro uma jazida
Eu fico feliz da vida
Nas praias do meu rincão
No Pontal do Boqueirão
No Mirante da Sereia
Em noite de lua cheia
Delira o meu coração

Praia do Carro Quebrado
Das mais lindas que Deus fez
E na Praia do Francês
Descansar extasiado
Depois de ter mergulhado
Na Barra de São Miguel
No Gunga, queijo com mel
Em Japaratinga,  manga
Um refresco de pitanga
E a praia toda é um vergel

Paripueira e Patacho
Mirante da Sereia, em Pratagi
Cada qual mais encantada
De conchinhas enfeitada
Não sei qual mais bela eu acho
Molhando os pés num riacho
Por maceió conhecido
Um riozinho contido
Correndo em busca do mar
Na certeza de encontrar
O Coruripe querido

Eu louvo uma terra amada
Onde nasci e morei
Pouco tempo aproveitei
Três meses são quase nada
(Foi meu tempo de morada)
Mudei-me de vez pra cá
Pernambuco é o meu lar
Recifense também sou
E assim vivendo eu vou
PERNAMBUCALAGOAR



Ciranda do Mar da Vida - Fred Monteiro