terça-feira, 26 de abril de 2011

IRRACIONAIS, MAS NEM TANTO (MEUS AMIGOS ANIMAIS)

maria-farinha (bitingui-al)

Tenho pra mim que os animais, por serem irracionais, são mais fotogênicos que os humanos. Não posam, não fazem nada a não ser serem eles mesmos. 

Se por acaso são flagrados em uma atitude qualquer, é porque isso é da sua natureza. Não podemos querer -nem jamais vamos ter- um sorriso de um animal, muito menos uma atitude de vaidade, um olhar provocante, ou coisa que o valha..  



jabuti (pantanal sul)



garça (florianópolis-sc)


onça pintada (foz do iguaçu-pr)
urubu (bonito-ms)

Isso eles deixam para os humanos que, quando gostam de ser fotografados - e praticamente todos gostamos - exageram nos cuidados para "sair bem na foto" (e viva a tecnologia digital que ajuda aos fotógrafos de todas as categorias possíveis, do mais ingênuo amador ao mais sofisticado profissional, a economizar uma barbaridade em filmes, papéis e produtos químicos, buscando "aquela" pose definitiva e aprovada pelo sujeito fotografado)..

Compete a nós humanos fotógrafos, portanto, conseguir flagrar aquilo que consideramos uma "pose animal" digna de ser mostrada, copiada e divulgada.

tucano do bico verde (foz do iguaçu-pr)
Essas minhas, por exemplo, de um amador esforçado, jamais figurariam numa revista especializada, tenho certeza.  Mas, como gosto muito desses companheiros de jornada terrena, é o que eu tenho conseguido fazer para guardá-los na minha memória.  
ararajuba (foz do iguaçu-pr)

FLOR DA VITÓRIA-RÉGIA, UM BLOCO, UMA SAUDADE




Um dos melhores momentos da minha vida foi o dia em que nossa família decidiu fundar um Bloco Lírico para sairmos no carnaval de Casa Forte.  Para quem não sabe, Blocos Líricos são aqueles que vão às ruas do Recife cantando marchas-de-bloco, também chamadas de frevos-de-bloco, que têm uma letras bem elaboradas, cantadas por Coral feminino.







Moças e senhoras com lindas fantasias são acompanhadas por uma Orquestra chamada de "pau-e-corda", porque é formada por violões, cavaquinhos, bandolins e violinos, que dão sustentação a instrumentos leves de sopro como flautas, saxofones e clarinetes..









Por outro lado, a Praça de Casa Forte, com suas vitórias-régias, foi o cenário da minha infância e adolescência.  Nos jardins projetados pelo Mestre Burle Marx brinquei quando criança, fiz serenatas quando adolescente, passeei com meus filhos pequenos, e hoje é pista para minhas reflexões, caminhadas e corridas vespertinas.





Nesse cenário bucólico, o Bloco nasceu (em setembro de 1998) vingou, cresceu e sete carnavais depois foi fazer parte da História dos Blocos e do Carnaval do Recife.  Costumo dizer que o Bloco Flor da Vitória Régia não feneceu, não acabou, não foi extinto.  Ele vive nos corações dos que o sonharam, dos que o fundaram, dos que se divertiram em seus cordões, cantaram em seu Coral, tocaram na sua afinadíssima Orquestra.  E viverá para sempre na nossa memória, por tudo o que representou para nós e para todos que dele participaram.

Relembrem, participem e matem a saudade dos nossos desfiles pela Praça de Casa Forte e da nossa homenagem a José Mariano, no histórico bairro do Poço da Panela.  O Flor da Vitória Régia agradece de coração a todas as queridas pastorinhas e músicos que fizeram juntos conosco os melhores Carnavais da nossa vida !

Aqui o link do vídeo:  http://www.youtube.com/watch?v=_KVR5nzLfk0

As fotos deste post são de autoria do conhecido fotógrafo dos blocos do Recife: EUDICE

sábado, 23 de abril de 2011

WHEN I'M SIXTY FIVE

Uma das mais interessantes músicas dos Beatles, pra mim, é um rag-time muito legal.
Rock de garagem em 1965.  Eu sou o 4° da esq para a dir
nos bons tempos dos Tártaros: guitarra, órgão e sonhos juvenis !
When I'm sixty four relata as expectativas futuras do autor e intérprete Paul Mc Cartney, suas incertezas quanto ao que poderá acontecer depois que tiver 64 anos.. Recados para a sua companheira, perguntas, sugestões do que fazer quando estiverem velhinhos..ou pelo menos na idade em que ele considerava, à época da composição, o que fosse ser um "velhinho" de 64 anos.. Aí eu me ponho a pensar: e hoje que ele já passou alguns anos dessa idade, o que ele acha de ter, digamos 65, feito eu?  Certamente vai considerar que se enganou e que ter 64, ou 74, ou 84, não o impede nem impedirá de fazer praticamente tudo quanto fazia naquele verdor dos anos em que se encontrava.  Gosto dessa música desde a primeira vez que a ouvi, muitos anos atrás, quando com a guitarra ou o órgão elétrico alegrei minhas noites e a dos meus contemporâneos, repetindo a pergunta do Paul : e quando eu tiver 64 anos?.. Gravei recentemente uma interpretação instrumental bem livre, com piano, banjo e órgão hammond, mais uma percussão bem típica e gostei do resultado.. Bom.. de qualquer maneira agora com 65, eu tenho a certeza de que Paul exagerou nas tintas.. Não tenho mais cabelos, em parte por opção, pois raspo o que restou na cabeça.. não tenho 3 netos (por enquanto só Diogo) pra botar nos joelhos.  No mais, estou muito feliz com os meus 65.  Eu e Edla nos amamos do mesmo jeito que há 41 anos atrás, ela continua me alimentando e muito bem, nós temos muito mais o que fazer do que catar ervas daninhas no jardim.. Enfim, é muito bom ter 65 anos quando a gente está com a pessoa certa !!

Ouçam aqui a minha versão, agora com a minha idade atual

terça-feira, 19 de abril de 2011

NORONHA, ILHA MARAVILHA !



Estivemos em Noronha em 1999, eu e a família inteira.  Dizer mais o que, daquele arquipélago fantástico e de uma ilha maravilha?  Se a gente for pesquisar na rede qualquer coisa sobre Noronha, com toda certeza vai encontrar milhares de filmes bem elaborados, fotografias de alto nível e textos rebuscados desvendando todos os mistérios, belezas e história desse lugar incrível.  Portanto, não vou perder tempo em contar pra ninguém o que está muito melhor contado em outros lugares. Só queria mesmo era dizer que a gente ficou encantado com Noronha, como qualquer ser vivente que aporte por ali.. O azul das águas, os golfinhos, a vegetação, as praias selvagens, cada uma das ilhas com sua própria personalidade, as aves, as tartarugas e sua descendência continuando a luta contra a extinção, tudo faz com que Noronha se torne um ambiente de sonho, de um sonho bom que nunca deixamos de desejar "resonhar".. Noronha é um dos destinos brasileiros que vale a pena repetir.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

FLORES, SORRISOS DE DEUS 3 - DAS FLORES



O Outono chegando e aumentando a saudade da Primavera que ficou pra trás faz tempo... Aí bate-me a vontade de rever as flores, de alegrar-me com seu perfume, suas cores, suas formas tão variadas e tão belas. Eu gosto muito de fotografar flores e animais. Sobre eles postarei mais tarde umas fotos.. Delas me ocupo hoje e começo a trazer para vocês algumas que me impressionaram e que me levaram a impressionar a retina digital da minha câmera.
flores do umbuzeiro
bem-casados










de um jardim em aldeia-pe-br

rosa amarela

terça-feira, 12 de abril de 2011

MACUCO SAFARI - UM BATISMO E TANTO



Claro que não é coisa do outro mundo, senão não iria no barco gente de toda idade.. Mas que exige um pouco de espírito aventureiro, isso exige..  Passeio gostoso, num bote de borracha empurrado corredeiras acima do Rio Iguaçu por dois possantes motores de popa e conduzido com habilidade por um piloto bem treinado que faz manobras bem legais.. O passeio ao longo das corredeiras, a toda velocidade, termina por baixo do Salto Três Mosqueteiros, numa superducha gelada que refresca o corpo e a alma, fazendo a turistada gritar feito criança (não sei se de puro prazer ou para espantar o medo).. Divertimento garantido, podem crer.. E quando forem a Foz de Iguaçu não deixem de aproveitar !  É bom demais !!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

FOZ DO IGUAÇU, AQUI ESTAMOS


Alô meu povo ! Tou por aqui curtindo essas maravilhosas cataratas e esse belíssimo Parque Nacional do Iguaçu.  Estas fotos foram feitas entre meio-dia e 4 da tarde de hoje..  Amanhã vamos ao Parque Iguazu, aqui ao lado dos hermanos argentinos.  Vai ser o dia todo curtindo as belezas do lado de lá.  Aguardem muitas fotos e videos mais tarde.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

BLOGUEIRO DE VIAGEM... DE NOVO ?!

Imburana Gomes na Serra da Capivara
Cara folgado esse blogueiro!! Tá querendo o que com a vida? .. Ora, aproveitá-la, meu povo.. Estou viajando amanhã bem cedinho para Foz de Iguaçu, pra dar uma conferida naquelas Cachoeiras maravilhosas, no Parque Nacional, na Represa de Itaipu, e também pra dar um pulo nos países "hermanos" Argentina e Paraguai.. Podem ficar tranquilos, não vou comprar nada não.. talvez, quem sabe, se o preço estiver bom, somente uma maquininha fotográfica à prova d'água pra fotografar as cachoeiras e futuramente, registrar meus mergulhos (em apnéia mesmo, por enquanto) por aqui e por praias mais além (Caribe, por exemplo)..então, prefiro tirar férias de uma semana aqui outra acolá e ir gozando a vida, enquanto ainda dá, hehehe.. Se sobrar um tempinho entre uma trilha e outra eu mando alguma coisa pelo blog.. Até a volta !!

O IMAGINÁRIO SE FEZ CERÂMICA E HABITOU NO RECIFE

Francisco Brennand é um dos maiores ícones do mundo artístico recifense. Apaixonado por sua terra, conta histórias maravilhosas sobre ela, magnificamente perpetuadas na argila e no fogo.  Na sua Officina Cerâmica Brennand, recebe turistas, artistas, entusiastas da sua grandiosa obra, estudantes, curiosos, críticos, jornalistas, uma multidão que diariamente o procura, com o mesmo entusiasmo de uma criança que compartilha seus brinquedos preferidos com seus amigos de classe ou de brincadeiras de rua.  Brennand é um lírico da cerâmica, um épico, um gênio. 






É também um Mecenas no sentido mais amplo dessa palavra.  Um Mecenas universal e de si próprio.  Da fábrica de cerâmica e azulejos, marca de tradicional família pernambucana, construiu em paralelo uma fábrica de sonhos e de arte, tão surreal como caberia ser definida essa palavra em qualquer dicionário do mundo. Visitei várias vezes a Officina e em cada uma delas repeti a minha admiração e o meu encanto pela genialidade de Brennand. 


A propósito, também sou cliente e usuário dos produtos da sua fábrica.  A cerâmica Brennand, símbolo de solidez e beleza em pisos e paredes de casas, apartamentos, edifícios públicos, fábricas e lojas recobre, igualmente, pisos e paredes do meu apartamento e de uma casa que construi em Aldeia.

E posso garantir, sem medo de errar, como dizia minha mãe:  - É coisa, muito fina !


domingo, 3 de abril de 2011

CARNEIROS, A PRAIA DA VEZ !

Pernambucano não tem jeito.. é bairrista assumido mesmo.. Mesmo sem ter nascido em Pernambuco (sou alagoano, de Maceió, nascido no  bairro do Farol), vivi toda a minha vida em Pernambuco e aprendi a ser bairrista desde criancinha.. Então depois do post sobre Jericoacoara, me bateu uma vontade de falar de novo na nossa Praia dos Carneiros, em Tamandaré. Um pedaço do Caribe em pleno Nordeste brasileiro. Areias brancas, arrecifes, água azul/piscina, coqueiros a perder de vista (a praia era na verdade a orla de uma imensa plantação de coco). Hoje, Carneiros transformou-se num dos melhores destinos do turismo de praia de Pernambuco. Tem uma infraestrutura de hotéis considerável, mas ainda sem o leque de opções de Porto de Galinhas (até então a número um das praias brasileiras). Mas tem uma coisa que já está faltando em Porto de Galinhas: sossego, privacidade, natureza virgem e um charme de "praia de antigamente", daquelas em que os veranistas se tratavam pelo nome, passeavam pelas sombras dos coqueirais e deixavam as crianças à vontade, a brincar nas suas águas mornas e muito rasas. Tem, também, uma igrejinha linda e fotogênica, do século 18, bem na beirinha do mar, dedicada a São Benedito). Vale a pena passar um fim de semana ali.. Carneiros é inesquecível !

sexta-feira, 1 de abril de 2011

JERICOACOARA, ONDE A VIDA NÃO TEM PRESSA


De um lugar perdido no mapa do extenso litoral cearense, a um dos destinos turísticos mais badalados do mundo, a ponto de ter sido, durante muitos anos, considerada uma das praias mais belas do planeta, Jericoacoara, Jeri para os íntimos, ainda é para mim uma das grandes maravilhas que consegui curtir nos meus 41 anos de passeios por todo o Brasil. 
Jericoacoara é beleza natural, é paz, é quietude, é misticismo, é silêncio, agitação, vida simples, badalação, esportes..


Surpresas em cada pedacinho de paisagem fazem de Jeri, suas praias e dunas vizinhas, uma fonte de prazer interminável.  Nas longas caminhadas, subindo e descendo dunas,  grandes e pequenas, refrescando-se no mar azul, pisando aquela areia macia e quente, você não percebe o tempo passar.
A beleza da paisagem chega a assustar até em pequenos detalhes como um tronco seco caído, um casebre abandonado, um jogo de sombra e luz nos desenhos fantásticos moldados pelo vento forte nas dunas e areias do lugar.
Enfim, Jericoacoara é beleza dia e noite, noite e dia, no  ritmo/ritual da vida simplesmente vida: tranquila como a vida deveria ser, sem pressa, com a certeza de que o sol que hoje se põe defronte à Duna do Por do Sol, amanhã vai repetir o espetáculo... e depois, e depois, e depois, e depois... como sempre tem sido, como sempre será.



terça-feira, 29 de março de 2011

DE PAI PRA FILHO




Falei  um pouco de cada filho aqui, em outros posts.  Sempre com a música a permear nossa conversa.  E vou continuar fazendo assim, porque a música sempre cimentou nossa relação de pais e filhos.  Claro, as viagens e acampamentos que fizemos durante toda uma vida, também.. as leituras também, a poesia também, acima de tudo o amor que temos uns pelos outros, também.  Por essas e outras, fiz para Fred, quando ele deixou o Brasil para ir viver nos Estados Unidos, um chorinho bem significativo para nós: “De pai pra filho”.  Essa música resume tudo quanto um pai tem a dizer num momento assim, em que a separação é inevitável.  Uma oferta de emprego irrecusável, na Microsoft, e lá se foi nosso Engenheiro de Software praticar sua profissão por lá.  Embaixo das mangueiras de Aldeia tocamos e nos divertimos muito..  
Esses registros ficaram indeléveis nas nossas memórias e o chorinho que eu fiz pra Fred só faz realçar as cores da lembrança.  Ele existe só por isso.  Gostamos de ouvi-lo e recordar, com a sua mensagem, todos os anos bons que temos vivido.  Graças à Internet, hoje é mais fácil, muito mais fácil, para aqueles que se amam, suportar a ausência física.  Falamo-nos todos os dias pelo telefone: ele no celular, deslocando-se pelas “highways” de lá até chegar ao seu posto de trabalho, na imensa sede da Microsoft, em Redmond, eu aqui, geralmente na hora do almoço ou pouco depois (são 5 fusos horários a nos separar).  Mas é como se estivéssemos –como sempre estivemos, naquele encontro sempre esperado pela família, à mesa do almoço, falando sobre as coisas do dia, contando piadas, e logo retomando cada um suas rotinas.  Um papo gostoso, que sempre existiu e sempre vai continuar existindo. Daqui pra lá e de lá pra cá..

Aqui, a letra do chorinho, cantado por mim, com o acompanhamento fantástico do "Arabiando", com Rafael no bandolim..

Descendo a Rua da Matriz, solfejo um choro de Jacob
"Doce de coco" é muito bom, "Simplicidade é bem melhor
Me lembra um tempo em que havia umas mangueiras no quintal
Eu tão feliz e não sabia, achava tudo natural

A vida passa sem saber que a gente chora no final
Se a saudade aperta o peito, não tem jeito, isso é fatal
Mas é tão bom saber que o meu chorinho vai continuar
parmanecendo na memória popular

Um bandolim trinando notas de um canoro sabiá
Um cavaquinho delirando, acordes soltos pelo ar
Um violão de sete cordas tão dolente a acompanhar
e um pandeiro ritmando, platinelas ao luar

E o meu chorinho vai tomando a forma de uma canção
que se esvai correndo as veias rumo ao teu coração
Alegre mas plangente, vai tingindo o amanhecer
com as cores rubras da minha emoção...

sábado, 26 de março de 2011

DIAMANTINA, A MAIS BELA DAS CHAPADAS


Canion do Buracão
Tenho uma paixão declarada pela Chapada Diamantina, na Bahia.   Estive por lá em três ocasiões: a primeira em 1988, com meus filhos, quando a Chapada não tinha sequer um bom Hotel para hospedar os turistas que para lá acorreram, a partir de uma série de reportagens da Rede Globo enfocando suas belezas naturais, em especial a famosa Cachoeira da Fumaça.





Pousada de pedra, em Igatu

 Naquele ano, de passagem para Brasília e Minas, acampamos em Lençóis e conhecemos os principais pontos abertos à visitação: o Serrano, o Salão das Areias, Cachoeirinha, tudo pertinho da cidade e de fácil acesso. Afinal, meu filho caçula tinha apenas 8 anos e ainda não tinha condições de enfrentar uma trilha. Dois anos depois, em 1990, ficamos por mais tempo.

Deu para conhecer outros lugares fantásticos como a Cachoeira do Sossego, a Gruta da Pratinha, a Lapa Doce, subir o Morro do Pai Inácio (naquele tempo quase uma escalada). Mas, em 2008, agora sem as “crianças”, casadas e independentes, voltamos para conhecer todo o Parque. Começamos por Mucugê, e subimos por Ibicoara, Andaraí, Igatu, Palmeiras, Nova Redenção, Iraquara até chegarmos novamente a Lençóis, hoje um dos maiores e mais bem estruturados polos de ecoturismo do Brasil.  

Trilha da Fumaça- ao fundo o Morrão

Apesar de outras Chapadas brasileiras (dos Veadeiros, dos Guimarães, da Borborema), terem atrações de beleza sem par, a Diamantina é para mim a rainha delas. Suas cachoeiras são ainda selvagens, grutas e cavernas bem preservadas, trilhas espetaculares, enfim, há muita coisa por explorar na Região. Até mesmo um sítio arqueológico muito importante, como a Serra das Paridas, descoberto por acaso, após um incêndio que devastou uma grande área de vegetação nativa, fazendo surgir paredões de arenito recobertos por milhares de inscrições rupestres de grande interesse histórico e arqueológico.


Vista de cima do Morro do Pai Inácio
 
Voltarei outras vezes por aqui para mostrar mais vídeos e fotos da Chapada. É inesquecível !













Vegetação da Chapada

 

Rio Paraguassu, Toca do Morcego
 

Por de sol, na Serra das Paridas

Morro do Camelo

sexta-feira, 25 de março de 2011

CINTURA FINA NA ILHA DE PÁSCOA?



Quando estive no Chile, em 1997, tive a oportunidade de jantar no Bali-Hai, único restaurante polinésio das Américas (pelo menos naquela época, é o que se dizia.. hoje não sei se há outros..)  Assitimos,então, a um belo show de um grupo folclórico de Santiago, que nos apresentou ao rico folclore chileno, desde as "diabladas" do deserto de Atacama, às "cuecas" e outras danças da região central do país.  Para o final do show, estava reservada a grande atração: o grupo Tahiti Muroroa, trazendo as danças tradicionais da Ilha de Páscoa, possessão chilena isolada no imenso Pacífico Sul e que a todos fascina, pela misteriosa civilização dos chamados "homens-pássaros", com uma singular escrita e milenares tradições.  Eu filmava e fotografava tudo (mas, chamo a atenção de que este trecho de vídeo faz parte de uma fita que estava à venda no local) e no decorrer do show, minha câmera travou.  Provavelmente pelo frio excessivo a que foi exposta pela manhã, quando eu visitava as estações de esqui de Farellones, Eldorado e Valle Nevado, no alto dos Andes, a mais de 3 mil metros de altitude e na época do inverno.  E de repente, ouço uma música mais que familiar.. ou por outra, um trecho dela.  Levei um tremendo susto e passei o resto da noite a me perguntar: o que diabos Luiz Gonzaga tem a ver com isso?.. Aí chegou a vez de vocês me perguntarem:  - Luiz Gonzaga?... Pois é.. ouçam o vídeo e me digam se os tahitianos e pascoenses aí não estão cantando e dançando "Cintura Fina" (vem cá cintura fina, cintura de pilão, vem cá minha menina, vem cá meu coração...) sucesso de Lua nos anos 50 !  Em 2000, 2001 eu mantive numa Rádio FM do Recife, dois programas chamados "Pernambuco Musical" e "Pop 60", que tiveram uma boa audiência.  Trouxe esse assunto a público e despertei uma polêmica bem interessante entre o pessoal ligado ao forró... Realmente, fica até hoje a pergunta: isso aí foi mera coincidência ou o Rei do Baião e seu parceiro Zé Dantas andaram ouvindo melodias de soldados e marinheiros vindos dos Mares do Sul e de passagem pelo Rio de Janeiro, onde estavam nessa época?..Quem sabe?

segunda-feira, 21 de março de 2011

UM POUCO MAIS DO MESTRE SOUSA





John Philip Sousa

A admiração e o respeito que tenho pela obra de John Philip Sousa é intrigante.  Sempre que estou sem energia, chateado com alguma coisa, costumo ouvir música.  E não tem coisa mais revigorante do que uma marcha de Sousa.  Engraçado... Tem gente que sente o mesmo com pagode, rumba, mambo ou axé (que significa energia em idioma nagô/baiano/bantu/ou sei lá qual mais).  Mas experimentem a caminho do trabalho, andando, ou parado dentro de um congestionamento tipo "paulistano na hora do rush", botar no som do carro ou no mp3 player, uma das dezenas marchas de Sousa que ouvimos vida afora, sem ao menos sabermos que eram da sua autoria.  Tiro e queda.   O ponteiro da energia vai aos 100%.. se o reservatório estiver pertinho do zero, chega no mínimo a uns 90.. podem tentar..dá certo mesmo.  Eu tentei um dia fazer uma homenagem a esse Mestre e não sei se consegui.. .mostro pra vocês aqui.   Chama-se "Sousa, o Rei da Marcha".  O arranjo é do maestro Duda.  Tive a honra de ter sido esse dobrado escolhido como fundo musical no programa "Evocação-Bandas de Música", que o Hugo Martins apresenta na Rádio Universitária aos domingos a partir das 7 da manhã.

domingo, 20 de março de 2011

CURITIBA, ONDE A MÚSICA E A BELEZA FIZERAM MORADA





 

Jean Marie et sa limonaire

Deu uma saudade repentina de Curitiba, agorinha mesmo.  Mas, assim, de repente?.. Pois é..músico não tem hora pra ter saudade.  Em Curitiba, ouvir música e admirar a beleza são coisas como a ar que se respira.  Certa tarde, passeando pela tranquilidade da Rua das Flores, deparei-me com um cantor francês que se encontrava em tournée por Curitiba.  Parei para ouvi-lo cantar aquelas cançonetas francesas que apaixonam qualquer ser vivente e só saí de lá quando ele terminou o show.  Não sem antes comprar o seu CD, gravado ao vivo com essas pérolas, uma das quais divido com vocês.   Jean Marie,é o nome do cantor.  Nome bem comum para um cara incomum, que encarna da melhor maneira o espírito de um francês: sua simplicidade, gentileza e sensibilidade musical rimavam a cada nota com a sua antiga (eu diria até histórica) "limonaire", uma pequena harmônica de manivela, bem antiga, com um som inesquecível, que nos faz sentir em Paris, num Café com mesinhas e cadeiras espalhadas pela calçada de algum Boulevard sombreado por árvores seculares.. Em resumo: uma tarde de prazer puro, de enlevo poético e musical.  Aliás, acho que esse será o primeiro de outros posts que pretendo trazer aqui sobre Curitiba, um dos lugares mais maravilhosos que conheci pelo imenso Brasil, cidade em que moraria para sempre, com muita alegria !

Rua das Flores

sábado, 19 de março de 2011

MEGALUAR SOBRE O CAPIBARIBE



Hoje, 19 de março, a Lua em perigeu (ponto máximo de aproximação da Terra) nos proporcionou um espetáculo quase inédito de luz e beleza.. Há 18 anos atrás foi assim também e eu a fotografei, na época,  com minha velha câmera Zenith, uma russa pesada e lenta.. Hoje com lentes e câmera mais sofisticadas, digitais, mais rápidas e eficientes, sem a necessidade de laboratório e aquela torturante espera, para ver a foto em papel dias depois, compartilho com vocês as fotos que fiz, exatos 20 minutos atrás. dessa maravilhosa Lua Cheia.  E para acompanhá-la, céu afora, pela ondas da Música, segue também um frevo de bloco que escrevi, faz uns 10 anos, inspirado num pedido do colega Paulo Aloise, trompetista e quase-fundador, com sua esposa Beatriz, de um Bloco Lírico que seria chamado Raios de Cristal.  Gravei essa música com o Coral Stalo e nossa Orquestra de Pau e Corda, em 2009.  A música está ali em cima, com as fotos da Lua..  Abaixo, segue a letra:

ESPELHO DO CAPIBARIBE



A lua derramou sobre o Recife

Seus raios de cristal
E o Capibaribe refletiu
Imagens de um antigo Carnaval
Em que eu me perdi apaixonado
Por uma pastorinha angelical

A orquestra tocava uma marcha tão linda
Sorrindo a menina de longe me olhou
Um acorde fiz soar ao violão
Mas ela se perdeu na multidão

E agora eu aguardo o Bloco passar
Pra minha pastorinha admirar...(BIS)

(dedico este post aos apaixonados pela Lua, pela Poesia e pelos Blocos Líricos do Recife aqui muito bem representados por: Paulo Aloise e Beatriz, Ana Pottes e Paulo Fernando)

quarta-feira, 16 de março de 2011

A CANETA PARKER E UMA PEQUENA TRAGÉDIA





trilhos de bonde no Recife Antigo(foto do autor)
No "tem-tem" do bonde a gente ia levando aquela vida mansa , na rotina de casa pro colégio e do colégio pra casa.
Por isso, as emoções de qualquer descoberta eram supervalorizadas pela garotada afoita do meu bairro.
"Tem-tem" é a expressão mais próxima que encontrei pra imitar o barulho característico das rodas de aço do bonde, ao passar nas emendas dos trilhos altos e brilhosos, polidos como prata ao sol do meio-dia e traiçoeiros como o diabo nos dias de chuva, pra quem andava de bicicleta.
Uma das grandes aventuras da gente era saltar do bonde em movimento.
O salto tinha que ser perfeito, do estribo para a calçada, caindo nos calcanhares com o pé de apoio, normalmente o direito, para trás e os braços descontraídos mas abertos, para equilibrar o movimento no momento do contato como o solo que, para quem saltava, parecia uma esteira rolante em velocidade.
A gente aproveitava quando o bonde se aproximava o máximo do ponto de parada e quando ele já estava bem lento, saltava.
"reclame" de jornal da Parker 51 (google imagens)
Uma carreirinha curta depois do salto e pronto ... virávamos homens feitos em alguns segundos e saíamos, elegantemente, assobiando qualquer coisa e olhando de lado, pra ver se alguma menina bonitinha que estivesse por acaso sentada na ponta dos bancos do veículo admirava nossa maluquice.
Depois, era só curtir os comentários elogiosos e vangloriar-se um pouco, avaliando a velocidade do bonde com uma lente de -pelo menos- duas vezes de aumento.
Pra não dizer que estou contando vantagem, confesso que um dia me estrepei numa dessas peripécias.
Paizinho tinha me dado como presente de conclusão do curso de admissão ao ginasial, sua caneta Parker 51, uma jóia que hoje deve custar bastante a algum colecionador fanático e que eu já tive oportunidade de ver , Brasil afora, exposta em vários Museus, em posição de destaque.
Era linda minha Parker 51: corpo de baquelite grená escuro, tampa de 18 e pena de 21 quilates, sendo a tampa arrematada pela célebre seta característica da marca.  A bomba de tinta era de borracha de látex muito macia e a pena fazia gosto de ver e, principalmente, de escrever.
Vou, um dia, bem lampreiro no estribo do bonde e ao aproximar-se o mesmo do ponto de parada bem em frente ao portão do Colégio São Luiz, na calçada do palacete dos Batista da Silva, resolvi saltar à maneira dos aventureiros.
Pra que fiz isso?... a caneta, que estava no bolso da camisa, desprendeu-se na hora da minha desastrada aterrissagem e, desequilibrado, saí  "catando tostão", como se diz na gíria, tentando evitar um tombo maior.

Um dos últimos bondes da PTPC (do blog "Júlio Ferreira")

Não cheguei a cair de todo, mas a caneta pulou do meu bolso e foi direto, como se estivesse imantada, para a roda traseira do bonde.

Nem preciso dizer qual o seu estado, quando fui juntar os pedaços que sobraram  daquela prensagem entre a roda e o trilho: somente restaram a tampa amassada e a seta de ouro empenada, apontando pra mim, como a dizer: - Bobão.. você devia saber que isso podia acontecer a qualquer hora...
Nunca mais, até o último bonde calar o seu "tem-tem" alegre nas manhãs de Casa Forte, me dei ao direito de viajar no estribo.



(Do meu livro de crônicas "Caçador de Lagartixas", Ed.do Autor, impr. pela Editora Livro Rápido - Elógica, Recife, 2008)



sábado, 12 de março de 2011

E POR FALAR EM CINZAS

ETERNO CARNAVAL

Este é o título de um poema, que musiquei como frevo-de-bloco e que foi classificado nas eliminatórias do Festival do VII Recifrevo, juntamente com outra música minha "Sol na Moleira", em 1995.  Infelizmente só uma delas fez parte do disco do Festival, já que o Regulamento da época era explicito ao estabelecer que cada compositor só podia vencer com uma música, não importanto quantas classificasse pelas 5 categorias existentes. Assim, somente muitos anos depois gravei essa música, com a excelente Woleide Dantas, que foi "crooner" da famosa Orquestra do Maestro Nelson Ferreira.

Eis aqui o poema original:

Meio cinzenta vem chegando a quarta-feira
Sua tristeza apertando os corações
Anunciando que acabou-se a brincadeira
e a vida nem sempre é formada de ilusões

Mas, resistimos agarrados nas lembranças
Feito crianças recusamos despertar
E um belo sonho de amor, tão colorido
pelas ruas do Recife insistimos em sonhar

Virá um dia de alegria sem igual
e um grande sol dourando as pontes da cidade
Vai nos dizer que eternamente é Carnaval
e o nosso bloco não precisa ser saudade..

quarta-feira, 9 de março de 2011

CINZAS SOBRE O RECIFE E OLINDA





Em 1994 compus meu primeiro frevo-de-bloco.   Chama-se "Saudade de Olinda" e foi escolhido para participar do VI RECIFREVO, o concurso de músicas de carnaval promovido pela Prefeitura de então. Fiquei muito feliz por ter feito essa música.  Conto a vocês como ela nasceu..  Era uma quarta-feira de cinzas e chovia fino, garoava, sobre as cidades gêmeas.  Ainda ressacado daquele carnaval, que brinquei intensamente, estava na varanda do apartamento aqui em Casa Forte, olhando para Olinda, através do véu da garoa, e sentindo ainda nos ouvidos o som das orquestras de frevo, imaginando-as a tocar as marchas-regresso tão dolentes que nos impregnam a alma nessa hora de despedida da folia.  Subitamente, fui até a sala,  peguei meu violão sobre o sofá, caneta e papel e, a música fluiu toda, de repente, quase uma psicografia.  Pronta e acabada.  Satisfeito com o resultado, invadiu-me uma sensação de paz profunda e adormeci ali mesmo no sofá.  No final de semana seguinte, cantei esse frevo-de-bloco para os familiares que me incentivaram -no final desse mesmo ano de 2004- a inscreve-lo no Festival.  Fiquei com a quarta colocação na categoria, não tendo alcançado o objetivo de incluir a música no disco do Festival (só entravam as 3 primeiras).. Mas, eu gosto muito dessa música e a gravei.  Agora, estou fazendo uma releitura dela e de outro frevo de bloco meu chamado "Mascate das Lembranças", numa linguagem clássico-ligeira.  Arranjei-as numa pequena suíte para quinteto de cordas e começo ainda esse mês a gravação.  A peça vai se chamar "Serenata Pernambucana para Quinteto de Cordas, n.1".. O que significa que já tenho outras escritas e a caminho de gravação.  Oportunamente vou trazê-las para este espaço.

NO CHÃO OU NO TELÃO ?




















Carnaval é festa do povo, certo? Sei não.. pelo andar da carruagem, aqui no Recife isso em breve será apenas uma frase no inconsciente coletivo dos recifenses.  Ser festa popular não basta?  Levar o povo às ruas da maneira mais pura e simples não basta ?  Deixar o povo se organizar livremente e organizar seus folguedos pobres, baratos, mas que atraem turistas do mundo todo (e sempre atraíram) não basta? Não.. não para os políticos que lidam com vultosas verbas, dizem que a deste ano beirou os 34 milhões de reais se não estou enganado.. Deve até ter passado disso, pois há caminhos e descaminhos nas estradas financeiras do dinheiro público do Brasil. No entanto, toda essa dinheirama na certa não foi destinada às pequenas ”troças”, aos “bois de carnaval”, às “la ursas”, aos blocos que se vestem, como no passado, com o esforço e o suor dos seus participantes..

Esses são esquecidos pelos subúrbios, não sobem o palco dos espetáculos para turista ver, como um bando de ovelhas, apertadas no curral do Marco Zero, em meio a toneladas de equipamentos de som, holofotes, telões monstruosos, todos empenhados em mostrar mais um capítulo da “novela do carnaval multicultural ”.. Já estou farto de gritar: perguntem ao povo do Recife se eles preferem botar o pé no chão e brincar atrás do seu grupo preferido, ou quedar-se hipnotizado no meio de milhares de “ovelhas” espremidas num grande curral, simplesmente olhando para o palco brilhante com colunas de som de milhares de watts a explodir pagodeiros, rockeiros, reggaeiros, baianos do axé, que quase já nos levam a alma, nos horrendos tempos do Recifolia..   Por que os baianos, cariocas, paulistas, gaúchos, catarinenses, paranaenses que eu conheço se encantam tanto com o nosso “carnaval participação” ?   É isso que eles vieram buscar.. é isso que eles não têm, nos seus Estados !  Nessa fonte popular vieram beber.. Não na sua própria cultura, nortista ou sulista, não importa..   Eles querem ver o povo na rua, brincando, correndo atrás de uma “la ursa” que eles não têm; vibrando com as bandinhas de pífano que nem sequer conhecem e estão morrendo à míngua; eles querem ter a liberdade de ir brincar atrás do Elefante, da Pitombeira, do Maracatu que nunca viram, do Bloco da Saudade e de tantos outros lindos Blocos que temos para lhes mostrar.  Já devem estar cansando dessa  "história de trancoso" de lhe venderem um pacote das nossas tradições mais puras, mas lhe entregarem um palco iluminado onde um telão ilumina com seus reflexos coloridos, uma multidão inerme, calada, passiva.. Como convém às multidões,  quando vistas pelos donos do Poder e da Cultura alheia !