quarta-feira, 14 de novembro de 2012

PICHADORES: PORCOS NUMA CIDADE EMPORCALHADA



Esse país um dia vai ter jeito.  Vai deixar de ser o valhacouto dos imbecis e o alvo dos idiotas.
Eu tenho certeza de que isso termina por acontecer, mais dia, menos dia.

Um dia desses publiquei aqui no Blog uma matéria com um grafiteiro profissional, com fotografias e filme
de uma pequena entrevista que ele me concedeu, a meu pedido. Veja no link abaixo:


Era um trabalhador da Arte, ganhando o pão com o suor do seu rosto.

Pintava com spray colorido, traços precisos e emoção de artista reconhecido um muro e portão de um Centro Educacional, em Casa Amarela.  Um exemplo digno de como ganhar a vida sem dilapidar o patrimônio alheio, alegrando a cidade, sem emporcalhá-la. 

Hoje, pela manhã, no mesmo bairro de Casa Amarela, descendo a Rua Ana Xavier rumo ao Bompreço Supermercado, deparo-me com mais uma das milhares, talvez dezenas de milhares de pichações de vadios inescrupulosos que se julgam filósofos, políticos, líderes, sei mais o que.   Mas que no fundo são isso mesmo que você, caro leitor civilizado, está pensando: uns marginais recalcados que usam a liberdade que a democracia lhes concede para sujar a cidade que lhes abriga.

Já morei em casa térrea, já tive um muro pichado e sei qual a sensação que toma conta da gente quando vê seu patrimônio, seu lar, invadido por um bandido desses. 

A falta de policiamento, a falta de vergonha dos mandatários, a falta de fiscalização, a falta de educação e principalmente a falta de punição a este tipo de, vá lá....  "gente", nos irrita e nos deixa com sede de justiça.

Por mim, um corretivo muito eficaz para esses vândalos seria fazer com que todos os que fossem apreendidos com seu spray criminoso nas mãos fossem obrigados a limpar, manualmente, com lixa e tinta pagos por eles mesmos, dez imóveis sujos pela sua falta do que fazer, como "prêmio" à sua idiotice, imbecilidade e falta dos mais simples conceitos de cidadania.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

ULTRASSOM, O MARTÍRIO



Sala de espera dá um tédio de doer.  Principalmente sala de espera de consultório.

Para concluir meu check-up anual, fui providenciar um ultrassom, solicitado pelo médico.  Saí de casa às 9 em ponto e às 9,30 estava na clínica pensando que iria ser rapidamente despachado para voltar à minha rotina.
Qual o que... Saí de lá às 12,30, praguejando contra a porcaria de serviço médico brasileiro que nos transforma em otários cada vez que precisamos cuidar da saúde.  Pagamos uma pequena fortuna para manter um plano de saúde particular de primeira linha e o que temos ?  Um SUS melhorado !
Inevitavelmente nos sentimos otários explorados por um governo displicente e malversador dos recursos dos nossos impostos.  Principalmente nós idosos, que passamos a vida inteira contibuindo para a previdência social e hoje -contratos rasgados- mesmo aposentados, ainda somos mensalmente descontados por um serviço inexistente e que temos de comprar aos espertos planos de assistência médica particular.  Em resumo, uma vergonha !  
Mas voltemos ao tema, de que me desviei.  Voltemos à sala de espera.
Nessas três horas de espera, numa sala com cerca de 50 pessoas sentadas, sob o frio desregulado de um aparelho de ar condicionado e a voz cabulosa de uma atendente a chamar os pacientes, vez em quando, ouve-se de tudo.
Ontem mesmo, fiquei sabendo de todos os detalhes de uma festinha de aniversário que será realizada neste fim de semana, num diminuto "salão" que fica no terminal de ônibus de um bairro em Abreu e Lima.  A mãe da criança falava, digo melhor, gritava, ao telefone celular, todo o roteiro da festa da sua filha para o contratado, do outro lado da linha. E soube que, como o salão era pequeno, e o dinheiro curto, ela só iria querer, de equipamentos, uma "piscina de bolas".
Enquanto isso, próximo ao meu ouvido esquerdo, um palavreado rápido entre duas mulheres que até poucos minutos atrás eram ilustres desconhecidas, dava conta de toda a vida conjugal de uma delas, incluída aí a performance atlética (modalidade "pulo de cerca") do marido, o gênio ruim da sogra, as doenças do filho caçula e naturalmente, as dificuldades financeiras.  Nem sair de perto eu podia, visto que todas as cadeiras da sala estavam ocupadas.   Uma tortura chinesa a mais, outra a menos, não fariam diferença.
Enquanto isso, rolava o papo da festinha:
-  Mas a Elisângela, minha amiga que lhe indicou disse que você faria uma diferença.  180 reais só por uma piscina de bolas? Tá muito caro. E eu vou combinar ainda com o "pai da minha filha".  Vê se faz por R$ 150, moço, vai...

*****
- O senhor tem que tomar 6 copinhos de água, no máximo.  E devagar.  Quando a bexiga estiver cheia, me avise.

Ouvi essa recomendação a pelo menos 3 ou 4 pacientes que, naturalmente, iam fazer o competente ultrassom de próstata, bexiga e vias urinárias, que era também o meu caso. 

****
- Mas você não imagina a cara-de-pau dele.  Estava de mãos dadas, na hora do expediente, com uma loura "piriguete", desfilando no Shopping Recife, já pensou.. Ah, se eu estivesse lá !  Quem viu tudo foi Marina, minha amiga de infância.. e o safado ainda chegou em casa ontem com cheiro de perfume.  

****

Examezinho cruel, esse !  Quando você está no ponto de virar uma fonte ambulante, um Manequinho de carne e osso. vem a atendente e lhe manda entrar na sala do ultrassom.
E haja pressão justamente em cima da .... bexiga,  que está quase estourando, feito os balões do aniversário da menininha da festa.  A única coisa em que eu pensava, no momento, era num alvo e lindo sanitário, num banheiro cheirando a lavanda, onde eu pudesse descarregar toda a água acumulada em seis copinhos de plástico de 100 ml cada. E haja barreiras mentais de contenção.  Ganha a batalha, terminado o ultrassom, corri ligeiro para o banheiro, que estranhamente ficava no início do corredor e não no final, feito aquelas casas de cidadezinha de interior e, quase chorando de prazer, deixei lá, naquele trono branquinho e asseado, cheirando a lavanda, todo o líquido ingerido à força da necessidade do exame.

Ainda bem que outra tortura dessas somente no ano que vem, se Deus quiser !

sábado, 10 de novembro de 2012

ESTÃO VOLTANDO AS FLORES... E O FREI-VICENTE TAMBÉM !


Um caju apressadinho
Estão voltando as flores. A Primavera as trouxe de volta e junto com elas, o prenúncio do Verão.
O deste ano parece que está meio apressado, pois começam a subir as colunas de mercúrio dos termômetros. 
Das flores aos frutos é um passo e um passarinho.

Frei-Vicente voltou !
E aqui da minha varanda, das minhas janelas, observando com avidez as cores e as flores, os frutos e os pássaros que se apressam a veranear conosco, faço da minha ânsia de Sol e de Luz, aquilo que a fotografia, essa mágica ao alcance de todos me autoriza a fazer.

Registrar a Vida é um dos maiores prazeres que o ser humano pode ter.  E eu aproveito minhas idas e vindas curiosas a varandas e janelas, para escrever com luz (foto - grafar) os tons e os sons da vida.  Como nessas fotos de um caju apressado emergindo de um mar de folhas no imenso cajueiro do Sítio vizinho.

E também flagrar a beleza de um "frei-vicente" que veio extemporaneamente pesquisar o inquieto mercado imobiliário local da azeitoneira do nosso Condomínio.  Não sei se é o mesmo do Outono passado, mas está tão belo quanto aquele que foi objeto de uma pequena crônica aqui no Blog.   



Uma nota de correção.  Estou sempre dando fora em matéria de ornitologia.  O caro Professor Galileu Coelho, que já me corrigiu na matéria anterior, quando chamei de guriatã-de-coqueiro um frei-vicente (tangara cayana), acaba de me dar mais uma aula, Na verdade esse pássaro aí é que é a guriatã (euphonia violacea).  Feita a correção, onde está o "frei-vicente", leiam "guriatã".. Desta vez é ela mesma !  Nada como ter um amigo que é a maior autoridade em Ornitologia do Nordeste !!  Obrigado, Mestre Galileu !  O texto anterior, a que me refiro, está aqui: http://www.seteinstrumentos.com/2012/05/o-recife-ainda-e-verde.html 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

CAÇADOR DE LAGARTIXAS - REPOST

Deu trabalho, mas um dia ficou pronto
Não adianta discutir.. menino é menino, em qualquer circunstância.  Antigamente, aliás, a meninice durava muito mais tempo que hoje.  Uma afirmação aparentemente temerária  como essa, é facilmente comprovável por alguém que tenha 50 anos ou mais. 

Apesar de ter meu trabalho, meu próprio dinheiro e relativa independência, aos 14 anos de idade, nunca abdiquei do meu direito de ser criança.  Assim, aproveitei ao máximo as brincadeiras da idade e até estiquei-as pela adolescência afora, enquanto pude.  Não necessariamente tentando tornar-me um Peter Pan, de quem sou fã, assistindo ainda hoje, em dvd o antológico desenho animado de Walt Disney, com o mesmo prazer que experimentei ao vê-lo na tela do Cine Trianon, nos idos de 1953, 54, por aí..

Mas, é interessante lembrar essa minha vida dupla entre o homem-feito, com emprego registrado em carteira de trabalho de menor e tudo, e o menino de pés no chão, correndo pelas ruas de Casa Forte e do Poço da Panela.

Autografando no lançamento do livro
Com o mesmo entusiasmo eu brincava e trabalhava, não fazendo muita distinção entre a obrigação e o lazer porque, em ambas as situações, o que contava era o prazer. Além de empinar papagaios atormentei, ( e hoje me arrependo disso) as lagartixas do meu bairro.  Fazia laços para apanhá-las, com o talo das folhas de coqueiro.  Retirava da folha a parte verde, sobrando o talo central.  Na pontinha dele, fina e maleável, fazia o laço e partia para as minhas aventuras de caçador. 

Engraçado, como há poucas lagartixas hoje em dia por aí... os edifícios, as ruas calçadas, o barulho e o movimento da cidade, foram expulsando esses bichinhos simpáticos, que punham ovos à vontade nos quintais do meu tempo e ainda se prestavam a conversar conosco:
- Lagartixa, você é uma bobona ?  
E elas assentiam, balançando a cabeça pra baixo e pra cima.



lagartixa na Chapada Diamantina
(Sem quintais, pra onde fugiram as lagartixas?  São uma espécie em extinção ?)

Embora essas preocupações me aflijam hoje, naquele tempo nem passavam pela minha cabeça.  O desafio era chegar perto delas, sem assustá-las, ariscas que eram, colocar bem devagar o laço à frente das suas cabeças e, num movimento rápido e preciso, finalizar a operação, prendendo-as pelo pescoço.

Mas, de uma coisa podem ter certeza: jamais matei alguma, nas minhas caçadas infantis.  Como nesses programas de pesca esportiva de hoje, tão comuns nas estações de TV, tão logo as capturava, eu as soltava para, se elas deixassem, capturá-las em seguida e soltá-las outra vez.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

SÃO PAULO. UM TOQUE BRASILEIRO DE CLASSE- REPOST

Um realejo no Ibirapuera
Alguma coisa acontece nos nossos corações quando, vindo de outros Brasís,  nos deparamos com uma terra tão diferente, de ares europeus, com grandes espaços abertos e bem cuidados, embora com uma população tão diversificada de raças, origens e culturas.  Alí, o caldeirão humano resume toda a intrincada formação desse povo brasileiro tão querido e tão pouco entendido. Tanto já disseram sobre São Paulo, que é missão ingrata descrever suas belezas, cantar suas grandezas.


Theatro Municipal

Edf Banespa

Catedral da Sé
Jardins do Ipiranga
Os jardins do Ipiranga, seu Museu fenomenal, em construção e em acervo, em história e em imponência arquitetônica, contrastam com a modernidade do MASP, a agitação febril da Avenida Paulista e o ambiente cosmopolitano do centro velho, ora lembrando New York, quando nos deparamos com o Edf. Banespa, ao fundo de uma alameda de prédios sóbrios, com calçadas largas, convidando a um passeio tranquilo pelo Parque do Ibirapuera, com seu verde repousante e seus monumentos colossais em homenagem a todos os Bandeirantes brasileiros que desbravaram essa terra sem igual.  No Ibirapuera, um velho toca a manivela do seu realejo enquanto um papagaio "tira a sorte" dos passantes, ao lado de gente correndo ou caminhando em meio a ávores frondosas e crianças curiosas.

A beleza de São Paulo salta aos olhos, no seu Theatro Municipal, no vale do Anhangabaú, no Pátio do Colégio, no Parque do Ipiranga..  Querem minha opinião sobre São Paulo?  Sinceramente.. São Paulo não se discute: admira-se ! E ponto final.

Theatro Municipal
Vale do Anhagabau

(Todas as fotos são de autoria do blogueiro.. S.Paulo, 1997. camera Cannon, analógica)

sábado, 27 de outubro de 2012

A TOGA DO JOAQUINZÃO

Como vocês já devem saber (se não souberem estão sabendo agora) eu tenho uma coluna chamada "Mascate das Lembranças", no Blog Jornal da Besta Fubana (bestafubana.com) onde publico matérias exclusivas, que também reproduzo aqui, e vice-versa, as matérias aqui publicadas.
Ontem, devido ao sucesso da publicação do cordel "Mensalão Vergonha Nacional", tive a idéia de fazer uma sessão de video-clipes com meus cordéis, publicados ou inéditos.  Como sou aprendiz de novato na arte da cantoria, ficou bem improvisado mesmo.  E assim é que eu acho bom, porque afasta o defeito da mistificação.. Pois então, curtam (se conseguirem, hahaha) e caso aprovem me dêem um retorno na área de comentários ou por email fredcrux@gmail.com ...  Abração !



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

MENSALÃO, VERGONHA NACIONAL


Para os que gostam de literatura de cordel, e para os que acompanharam a história do maior escândalo de todos os tempos no Brasil.  Um resumo cronológico dessa página vergonhosa da nossa História, que nos envergonha  mas que, por outro lado, nos enche de esperança de dias melhores, com Justiça e Decência para um país tão desigual.



MENSALÃO, O MAIOR ESCÂNDALO 
DA HISTÓRIA DO BRASIL

Corria 2005
era o dia 10 de maio
quando um mero burocrata
com a cara de lacaio
dos quadros da ECT
(Correios, como se vê)
deu uma de papagaio

Meteu a língua nos dentes
entregou todo o serviço
pra dizer a um empresário
que sem muito rebuliço
aceitava uma propina
pra poder abrir a mina
e assumia o compromisso

O empresário sabido
filmou a reunião
e o Seu Maurício Marinho
que era um perfeito ladrão
embolsou de logo a grana
e esse filme bacana
passou na televisão

O cabra tinha respaldo
de um deputado sacana
que era  o tal do Roberto 
Jefferson, rei da chicana
do partido PTB
ora veja então você
era uma grande ratazana

Pois pegado na botija
da tramóia dos Correios
O gorducho deputado
perdeu de vez os arreios
e entregou o PT
que essa altura como vê
já tinha afrouxado os freios

Partido metido a sério
metido a ser esquerdista
o PT era uma pulha
com chefe sindicalista
que só queria subir
e o Poder usufruir
sob a capa comunista

O Chefão desse PT
era um cabra nordestino
com uma cara de herói
e mente de sibilino
um profeta de araque
esse herói de almanaque
não engana nem menino

No dia 9 de junho
de 2005 dito
instalou-se no Congresso
a contragosto do mito
uma CPI de vera
pra entrar no mei' das fera
botar tudo por escrito

Chamaram logo os banqueiros
que entravam com a grana
e o tal do Marcos Valério
carequinha bem sacana
foi logo indiciado
e haja muito deputado
com medo de entrar em cana

E assim no mês de junho
lá no dia 16
que Zé Dirceu, o ministro
da Casa Civil já fez
seu pedido de renúncia
pois diante da denúncia
viu chegada a sua vez

No dia 8 de julho
mais um canalha foi preso
era o irmão do Presidente
do PT então coeso
Assessor de Deputado
pela polícia pegado
sua cueca era um peso

Um peso de tanta nota
só de dólar eram 100 mil
Genuino ficou doido
porque o irmão traiu
o plano mirabolante
de transferir num instante 
todo o ouro e prata vil

No dia 20 de julho
a coisa ficou mais preta
outra Comissão criada
pra investigar a mutreta
da compra de deputados
que eram cooptados
com o dinheiro da falseta

Aí em 12 de agosto
vem o Presidente Lula
Afirmar que foi traído
isso quem quiser engula
desculpou-se na TV
e até hoje se vê
que sua fala foi chula

A essa altura da novela
Falou-se até em renúncia
a oposição tão fraca
afrouxou  e sem denúncia
ficou quase que encerrado
o "impeachment" desejado
pensamento sem pronúncia

Chegou o mês de agosto
afinal, aos 31
A Polícia indicia
os cabeças do fartum
escândalo fedorento
esse acontecimento
de humor não tem nenhum

Dançou Delúbio Soares
O  Genuíno também
Marcos Valério foi outro
que dançou como ninguém
e até o marqueteiro
Duda Mendonça encrenqueiro
quase fica sem vintém

Cassaram Roberto Jefferson
em 14 de setembro
por corrupção das brabas
e de tudo ele foi membro
sem falar na Eletronorte
no IRB, falta de sorte
além de gordo era zembro

A CPI concluida
e novembro no final
provocou imensa ira
porque mesmo no geral
não houve uma conclusão
naquela investigação
virando coisa banal

em 1° de dezembro
O Zé Dirceu foi cassado
pela quebra do decoro
e logo foi apenado
não pode se eleger
e dez anos vai sofrer
por seu erro comprovado

2006 foi chegando
e era 5 de abril
a CPI dos Correios
encerrou como se viu
comprovou o envolvimento 
desses 18  nojentos
de um Congresso servil

Mais de 100 denunciados
e a sorte está lançada
a denúncia afigurou-se
muito bem apresentada
o senhor Procurador
da República firmou
a tramóia bem traçada

Antonio Fernando Souza
no dia 11 de abril
levou 40 ladrões
desse esquema tão vil
ao Supremo Tribunal
pra prestar contas do mal
que fizeram ao meu Brasil

Mesmo assim oito ladrões
do dinheiro da nação
foram eleitos em 2 de outubro
pois a lei não disse não
ficha-suja nesse tempo
flanava sem contratempo
e ganhava a eleição

6 de dezembro chegou
covardes renunciaram
dos 19 acusados
outros 12 escaparam
os 3 que foram cassados
e um deles, desculpado
muito contentes ficaram

Mas a coisa ficou dura
depois que o Tribunal
O Supremo em forma pura
a denúncia afinal
aceitou e nomeou
para ser o Relator
Um Juiz fenomenal

Corria o ano da graça
de 2007 então
desde que o STF
conheceu do "mensalão"
que assim era chamado
por ser mensal o acertado
com deputado ladrão

2008, janeiro
e 28 era o dia
quando Silvio Land Rover
abriu o jogo e não via
hora de aceitar o falho
trocar cadeia em trabalho
e livrar-se da ingrizia

em 14 de setembro
de 2010, chegado
bateu as botas de enfarte
aquele tal deputado
do PP, José Janene
que foi de forma perene
pagar no inferno o pecado

Finalmente chega o dia
7 de julho era o mês
da entrega do libelo
que a PGR fez
Dr Roberto Gurgel
fez denúncias a granel
e condenou 36

Dos 38 implicados
tirando Janene e Silvio
escapou Luiz Gushiken
O Lamas sentiu alívio
foi o Antonio, um irmão
de outro do mensalão
Jacinto, seu nome trívio

Finalmente foi chegado
esse julgamento agora
dia 22 de agosto
que é o mês da caipora
O Relatório foi lido
Joaquim Barbosa aplaudido
viu chegar a sua hora

Eu aqui abro uma brecha
pra saudar esse Juiz
que representa o desejo
do brasileiro que diz
Eu quero minha Nação
sem mancha de danação
um vero e honesto País

Então eu mudo a toada
rimando em modos diversos
em décimas arranjando
esses meus modestos versos
louvando um Juiz decente
orgulho da nossa gente
e aqui não tergiverso

*************
Era um vez um Juiz
um exemplo de carreira
não era de brincadeira
era um sujeito feliz
e tudo o que sempre quis
conseguiu sem falação
até fora da Nação
tinha fama de rochedo
'Tem muita gente com medo
Da toga do Joaquinzão.'

Pensando em só agradar
nosso afrodescendente
o Lula, ex-presidente
convidou-o pra atuar
como cotista vulgar
N’ Alta Corte da Nação
pra fugir do mensalão
Mas Joaquim mudou o enredo
'Tem muita gente com medo
Da toga do Joaquinzão.'

Assim resumo a história
de um novo herói brasileiro
que não curvou-se ao dinheiro
nem à fama e à falsa glória
mas já ficou na Memória
Honrou sua tradição
rejeitou a omissão
Revelou o seu segredo
'Tem muita gente com medo
Da toga do Joaquinzão.'

**********************
(Aviso aqui por justiça
que este mote arretado
não pertence a este escriba
e foi só por mim glosado
é de Wellington Vicente
um poeta inteligente
em Rondônia baseado)

Agora eu passo a falar
como foi o julgamento
à medida em que o Juiz
Relator com sentimento
ia apresentando os fatos
fatiando seus relatos
com grande discernimento

Desenrolando o enredo
como se fosse novela
o Dr Joaquim indica
a trama como era ela
e assim facilitando
o roubo foi explicando
o crime claro na tela

Fatiou o Mensalão
e provando em cada parte
como se dava a mutreta
fez isso com muita arte
os banqueiros para um lado
para o outro, os deputados
disparou seu bacamarte

Num setor, publcitários
que desviaram recurso
para bancos estrangeiros
foi de vigarice um curso
mas no faro dessa grana
esse bando de sacana
ganhou um abraço de urso

A vantagem disso tudo
foi explicar a tramóia
mentiras a descoberto
político em paranóia
foi cabra dando chilique
descobriram seu trambique
e ficaram sem tipóia

Alguns até se livraram
por falta de prova certa
mesmo assim foi complicado
e o sapato lhes aperta
foi como se nús ficassem
e assim todos achassem
que nada mais lhes conserta

Até que chegou o tempo
das penas discriminar
e novamente o Joaquim
o nosso herói singular
começa a meter a peia
vai mandá-los pra cadeia
para seus crime pagar

Um deles já tem contados
40 anos de cana
multa de uns 2 milhões
pra deixar de ser sacana
foi o careca Valério
que não vai ter refrigério
na sua vida cigana

Outros mais já estão vindo
pra mira do Joaquinzão
e passando no seu crivo
mais cadeia pegarão
pois os crimes cometidos
por magote de bandidos
impunes não ficarão

O Brasil já precisava
acabar com essa agonia
de político ladrão
roubar com toda alegria
tirando a paz da nação
deixando os pobres na mão
sem nenhuma primazia

Um deputado que rouba
mata cem mil duma vez
são crianças sem escola
numa grande insensatez
e a saúde dos velhinhos,
que de si já são fraquinhos ?
tudo é grande estupidez !

O país está quebrado
Segurança não existe
A inflação desenfreada
O plano Real, que triste,
sendo vilipendiado
tudo isso é um pecado
não pode virar um chiste

Mas, mensaleiros punidos
foi uma grande passada
para um Brasil mais sério
de ética consagrada
já basta de tanto roubo
o povo não é mais bobo
vai ganhar esta parada !

Aqui agradeço a Deus
por me conceder a graça
de assistir a tudo isso
de ver cessar a desgraça
que pairava em nossa terra
a Justiça agora encerra
toda essa vil arruaça

Eu espero que a gente
aprenda a lição agora
e também que só eleja
quando for chegada a hora
um político decente
que mude esse ambiente
e esse dia não demora

O Mensalão foi julgado
condenado pelo povo
nós devemos isso tudo
(e por isso eu me comovo)
à nossa Democracia
que trouxe com galhardia
A Esperança de novo !

Fred Monteiro
Recife, 25-10-2012




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

PEGA ELE !

Já havia falado aqui das minhas lembranças de coisas do Engenho Barra do Dia, de Palmares, que foi de propriedade do meu bisavô, do meu avô, e que depois da morte deste permaneceu por muito tempo ainda na propriedade de membros da família.
Um dos meus tios, Casimiro Monteiro da Cruz Filho, conhecido em Palmares por "Monteirinho", continuou, depois da morte do meu avô, com alguma atividade ligada à cana-de-açucar.  
Ele tinha uma distribuidora de bebidas (aguardente, vinho de jurubeba, vinagre) chamada C.Cruz, em Palmares, zona urbana.
Quando pequeno, eu me divertia muito com o rótulo da aguardente por ele comercializada, tendo-o fixado na mente até hoje. Tratava-se de um rótulo colorido muito sugestivo, para o nome da aguardente "Pega Ele".

E assim, recordo que o rótulo continha os seguintes elementos: Num retângulo amarelo claro, uma gravura de paisagem bem agrária.  Um canavial que se estendia até a linha do horizonte, cortada por um céu bem azul.  No primeiro plano, uma cerca de arame farpado que está sendo pulada por um moleque que leva nas costas um feixe de cana e, segurando seus fundilhos, um cachorrinho preto-e-branco, bem determinado a rasgar-lhe as calças.
Como eu sou um fiel guardião das lembranças da família, comecei a procurar, com todo o empenho, uma garrafa dessa aguardente e significaria muito para mim ter uma dela na minha coleção da memória familiar.
Uma dias desses, consultando pela Internet nos sites de busca, encontrei finalmente uma referência à Pega Ele.  O Museu da Cachaça, em Lagoa do Carro, na nossa zona da Mata Norte, disporia de uma única garrafa da aguardente.  Fui até lá, sábado passado e confesso que fiquei extasiado diante do denodo com que o proprietário montou aquele fantástico Museu, sobre o qual falarei um dia.  Até porque o Museu é classificado no Livro Guiness de Recordes como a maior coleção de aguardentes do mundo, com mais de 15.000 rótulos, dos quais 5.500 em exposição permanente.

E lá, Eureka !, encontrei uma garrafa de "Pega Ele" e a fotografei.  É um exemplar bem mais antigo do que o que eu conheci, e cujo rótulo, já pelo amarelado do tempo, e o estilo da gravura indicam que, provavelmente, teria mais de 70 ou 80 anos.  
Ainda vou procurar um bom desenhista para reproduzir o rótulo um pouco mais recente (eu tinha na época que o conheci cerca de 10  ou 12 anos, isto por volta de 1956, 58, significando dizer há 56, 54 anos atrás.)
Mas, a idéia geral do rótulo está lá, com o cachorrinho a defender bravamente o "furto" do feixe de cana, sob o olhar surpreso do moleque.


Não lembro exatamente se era aquela aguardente uma das preferidas pelos hoje conhecedores e admiradores dessa nossa bebida tão especial e que, consumida moderadamente, nos faz mais felizes.
Eu mesmo, que nunca fui muito de beber, -até pela nostalgia do tema- comecei ultimamente a apreciar as boas aguardentes, de Minas Gerais, do Ceará, da Paraíba e- naturalmente - de Pernambuco, em especial a nomeada "Quilombo", dos Palmares.  Podem considerar bairrismo. Talvez seja isso mesmo !


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ENCONTRO DOS MARACATUS RURAIS - REPOST

Deixo aqui duas fotos e uma reflexão.

Uma princesa triste e um guerreiro preocupado.
Em que pensam eles agora: na alegria do Carnaval? Na alegoria das suas vidas?
Nem sempre o carnaval combina com alegria.






Na vida, como no carnaval, o brilho é, às vezes, passageiro.
O que vale mesmo é o brilho do olhar, que aqui falta.

(Nazaré da Mata-PE, carnaval de 2005)


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

ACASO, COINCIDÊNCIA OU O QUE?

” Não tenho fé suficiente para ser ateu, pois Deus não joga dados…(Albert Einstein)”

Certas coisas que acontecem merecem, no mínimo, um pouco de reflexão. Coincidências podem acontecer (e acontecem mesmo, principalmente naquelas ações e fatos mais repetitivos do dia, da semana, do mês, do ano..)

O acaso, bem, o acaso já são outros quinhentos. Mas, mesmo assim, é também um pouco mais fácil de entender.

Mas, além do acaso, alguns outros acontecimentos realmente ficam meio difíceis de serem explicados.
Não estou tratando aqui de nada sobrenatural, ligado a crenças ou idéias exóticas. Nada ligado a religiões, a forças desconhecidas, nada disso.. Mas vejam que coisa curiosa sucedeu esta semana. Estava lendo uma postagem num blog em que tenho uma coluna (Mascate das Lembranças), o Jornal da Besta Fubana, quando me deparo com este desenho:

O desenho publicado no JBF
Já ia mudando de foco para o post abaixo, quando chamou-me a atenção o endereço eletrônico dos autores: janainarico@janainarico.com.br. Espera aí ! Janaina é o nome da minha nora, casada com Enrico, meu filho caçula, por nós tratado carinhosamente de "Rico".
Achei isso muito interessante e imediatamente mandei um email para os dois dizendo assim:
"Estão editando livros infantis e eu não sabia !!!??? sente a coincidência dos autores e do email !!"
A resposta veio de imediato, primeiro de Janaina, depois de Enrico:

" Fred: ri muito agora. eu fiz um desenho bem bobinho para Rico parecido com esse ai. Quando eu vi, rapidamente eu fiquei me perguntando onde vc tinha achado o desenho!"
"Ela fez esse desenho e mandou pra mim, pouco depois de a gente ter voltado de Curitiba.
PS-Curitei = Curitiba na linguagem que eu, Janaina e Lucas conversamos, aonde tudo termina com "ei"

E me mandaram o desenho feito por Janaina, em 2006, através do "Paint", aquela ferramenta de desenho bem tosca, aqui reproduzido:

O desenho de Janaina, de 2006.. Nesse tempo, Enrico (de preto) tinha os cabelos maiores do que os da esposa
"Einstein acreditava que era possível prever o pensamento de Deus, já que estava tudo determinado. Só era preciso achar a fórmula correta...E com esse pensamento ele chegou à teoria da Relatividade, na qual ele explica a mecânica através da força eletromagnética (E=mc²).Mas Einstein continuava firme na sua teoria. Ele tentou criar uma “Teoria do tudo”. Mas ele foi ridicularizado e essa teoria foi esquecida.Einstein – segundo o relato de sua enfermeira – terminou seus dias em Princeton, New Jersey, dizendo “…talvez Deus não queira ser observado. Acho que Ele não gosta de curiosos.” (do Blog Hipertacular)  http://blog.hipertacular.com/autores/

Passo a bola pra vocês ! A área de comentários está aí pra isso... 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O PÃO DE MINUTO E AS LEMBRANÇAS DE BARRA DO DIA

Lembranças boas são sempre bem-vindas. Principalmente quando nos evocam coisas dos tempos de criança, no aconchego da família, ouvindo histórias de avós, de terras distantes, de sabores e cores de outrora.

E foi assim que hoje pela manhã me deparei com uma boa motivação para escrever esta crônica.
Procurando uma receita bem nordestina, no livro "Comes e Bebes do Nordeste" de Mário Souto Maior, advogado, folclorista e escritor, acima de tudo um apaixonado pela cultura da nossa região e com quem tive a honra e o prazer de conviver à época em que trabalhei no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, hoje FUNDAJ, encontrei um referência ao Engenho Barra do Dia, que pertenceu ao meu bisavô, ao meu avô, e onde nasceu meu pai.


Ao que sei, o Mestre Mário era afilhado da minha avó Maria Felipa, tal como inúmeros e ilustres palmarenses.
Barra do Dia ficou marcado nas minhas lembranças do menino por muitas razões.  A maior de todas foram as histórias que meu pai me contava, falando da terra, da família, de todo o entorno que cercava a sua história pessoal de menino dos Palmares.
Pois bem.  A receita que encontrei (não a que motivou a abrir o livro) está na página 148, da 3a. edição ampliada e se reporta ao "pão de minuto".  Foi recolhida por Mário de um livro de receitas de Dona Amélia Jorge Ferreira.  Trancrevo aqui o que interessa a esta matéria:



"Da parte referente ao pão como alimento consta, além de outras, esta receita muito antiga de Pão de Minuto, que encontrei no livro de receitas de Dona Amélia Jorge Ferreira (1863-1935), do Engenho Barra do Dia, encravado nas terras doces de Palmares, Pernambuco."

E segue a receita, fielmente descrita. Tal como outras, igualmente desse mágico "livro de receitas"  perdido na poeira dos tempos.
Ouvi algumas vezes, de meu pai, referências carinhosas a essa tia ancestral que - a julgar pela idade - foi contemporânea do meu bisavô Joaquim.  Pelo sobrenome Ferreira, julgo que era parenta da minha avó paterna Maria Felipa Ferreira Gomes.  E a qualidade de doceira e quituteira de minha avó e de minhas tias avós era bastante conhecida.
Ficou então a saudade -mais uma vez- de tudo isso: do engenho de cana que não cheguei a conhecer, a não ser pela memória carinhosa do meu velho, pelas histórias que minha avó Dindinha me contava.. E, para alimentar um pouco essa saudade boa, deixo aqui uma foto que deve ter sido feita lá pela década de 1930, com a família reunida no alpendre da casa do Engenho Barra do Dia.

Família Monteiro da Cruz - (anos 1930)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

BANJO DE OURO (REPOST)


São bem comuns, entre os compositores de frevos de bloco do Recife, homenagens mútuas, as chamadas elegias, dirigidas também a pessoas ligadas ao Carnaval e aos Blocos.  Assim, seguindo a tradição (e também o coração) prestei minha homenagem a Getúlio Cavalcanti, num frevo de bloco chamado “O Guerreiro dos Blocos”, em 1994,  gravado anos  depois por  Woleide Dantas, que foi “crooner” da famosa Orquestra do Maestro Nelson Ferreira.  Em 2001, fui agraciado (e com isso saí ganhando, eu acho) pelo Getúlio Cavalcanti com um belíssimo frevo de bloco intitulado  “Banjo de Ouro”, epíteto que ele cunhou para mim, por conta do meu banjo-tenor, um instrumento que mandei fabricar, por encomenda, ao mestre-luthier João Batista e que fiz questão tivesse seu aro frontal recoberto por uma douração, o que lhe deu esse aspecto diferenciado.  Com este banjo acompanhei todos os Blocos do Recife existentes entre 1994 e 2005, ano em que  – por excesso de trabalho e falta de motivação para brincar nas ruas- deixei de participar das orquestras de pau-e-corda.  Hoje o “banjo de ouro” somente toca nas gravações do FStudio.  Trago hoje, pois, esta gravação, para os que não conhecem a bela música do Getúlio que foi campeã no Festival de Frevos de 2001.  

Cantam Tatiana, minha filha e Alessandra, filha de Getúlio, acompanhadas pela Orquestra e Coral Levino Ferreira, do maestro Lúcio Sócrates.. Ouçam e saibam por que Getúlio Cavalcanti é um dos nossos maiores compositores carnavalescos de todos os tempos !

Aqui, a letra do frevo-de-bloco:

Banjo de Ouro, que alegria imensa
pela recompensa de te acompanhar
Pelas estradas de frevo e poeira
fonte derradeira da gente cantar

Ao som dos bentivís que Casa Forte tem
O canto mais feliz de um novo bloco vem
Falando de união, cantando pra valer
Um mundo de ilusão que só nos dá prazer

Se foi "Vitória-Régia" que te fez sorrir
teu brilho tem feitiço que nos faz sentir
Que a vida tem jeito, que o tempo é criança
Saudando lembranças, bastando te ouvir

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

RECIFE DOS MIL CARNAVAIS



Há inúmeros carnavais no Carnaval do Recife.

Se você gosta de frevo, as opções são muitas: frevo de bloco, nas dezenas de blocos carnavalescos com suas fantasias caprichadas e caprichosas, seus corais femininos entoando poesia musicada, vinda direto da fonte mais pura dos nossos compositores.

A emoção à flor da pele, saindo do coração direto para a garganta muitas vezes rouca de tanto cantar. 
Já nas centenas de troças e orquestras de rua, o caminho da emoção é diverso. 

Do coração para os pés e pernas frenéticos, de tanto executar malabarismos coreográficos, movidos ao som dos instrumentos de metal e percussão, num ritmo diabolicamente gostoso de ouvir e de pular, de todas as maneiras possíveis, uma dança única e uma música contagiante.

Há os que prefiram a cadência do bumba-meu-boi, com seus taróis e bombos marcando a dança do boi e dos vaqueiros, das catirinas e dos mateus eternizando o mito e atravessando gerações ao contar a lenda da ressurreição do boi. E até aqui o Recife oferece opção aos brincantes. 

Se você prefere forró às loas ou batuques tradicionais, nada melhor que brincar no Boi da Macuca, que lhe transporta do Carnaval ao São João num arrastar de chinela, num tilintar de triângulo, num roncar de fole ou na melodia dos pifes de taboca.

Dos pifes de taboca ás flautas de metal dos caboclinhos, é um pulo..
Não, um pulo não.. É uma dança cadenciada, de passos firmes e graciosos, marcados pelas marchas e perrés, em meio à evolução de corpos suados misturados às penas multicoloridas, com um fundo musical inédito de flautas, caixas, bombos e arcos e flexas de madeira, as preacas.

Enfim, esse é o nosso tesouro cultural que se perpetua a cada Carnaval nos muitos carnavais do Recife. Vamos curti-los, amá-los e preservá-los, sempre...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O PALHAÇO DOIS EM UM


O Recife agora tem
Um palhaço "DOIS EM UM"
e você já o conhece
não tem mistério nenhum
vou lhe explicar agora
é uma história comum

dia 31 de Maio
nasceu meu netinho THEO
um menino muito esperto
que faz avô ir pro céu
e que tanto ri comigo
é engraçado pra dedéu !

Quando chego perto dele
desata logo a risada
e eu também já começo
a lhe fazer palhaçada
o THEO ri de soluçar
com essa minha empreitada

Pois agora eu descobri
que a vocação já se mede
pela força do meu nome
que o destino concede
como eu raspo minha cabeça
virei CAREQUINHA e FRED !

sábado, 22 de setembro de 2012

A SOPA DE RIO DOCE (REPOST)


Não era uma sopa qualquer, de legumes ou canja de galinha. Nada disso. Falo de outra "sopa".. um ônibus antigo que fazia a linha Recife - Rio Doce e cuja última viagem, no finalzinho da tarde, por volta das cinco horas, deu margem a esse apelido original.
Chegando no destino ao escurecer, na hora da ceia noturna, isto é, da sopa, era natural que o povo, na sua criatividade, assim a nomeasse.
Nesse pequeno ônibus a gente ia para a praia, nas férias de verão.
Sempre tinha algum tio que alugava casa para a temporada, ou mesmo para um mês (janeiro ou fevereiro) e a gente era convidado pra passar uma ou duas semanas por lá.
As casas de veraneio naquele tempo eram pouco mais do que cabanas de pescador e nisso estava a beleza delas: na sua simplicidade.
De madeira ou de taipa, com cobertura quase sempre de palha de coqueiro, às vezes de telhas sem forro, não tinham água encanada e a gente tinha que bombear água de poço, que ficava invariavelmente nos fundos ou no oitão da casa.

O quintal e a varanda?.. de areia da praia mesmo. Era muito gostoso botar, à noitinha, uma cadeira na frente da casa e ficar com os pés enterrados na areia olhando a lua nascer e ouvindo o marulho das pequenas ondas de uma maré baixa nos acalentando para mais uma noite de sono reparador.
De manhã, a gente ganhava o mundo e passava boa parte do dia dentro d'água, ora pescando, ora mergulhando nas piscinas formadas nos arrecifes para olhar os peixes coloridos e ariscos, como saberés, mariquitas e budiões, cuidando sempre de não pisar nos ouriços que enchiam trechos das "pedras", junto aos escorregadios "beiços de boi", corais lisos e traiçoeiros.
As "pedras", como chamávamos os arrecifes de coral, eram o nosso mundo e de tanto andar sobre elas, quase nunca nos acidentávamos.
Saíamos procurando um bom pesqueiro, ora num pequeno poço, ora numa piscina maior e quase nunca voltávamos pra casa de mãos vazias.. ao menos uns siris e mariscos carregávamos de volta nessas pescarias infantis.

De tarde a ocupação era outra: “pelada”, voleibol ou "pega". Perto das seis da tarde, ainda arranjávamos tempo pra ir comprar o pão do jantar e algum outro complemento, como uma bolacha d'água redonda chamada "bolacha praieira". A da Padaria de Rio Doce era excepcionalmente gostosa.
Depois de uma canja ou um peixe frito, um "bate-papo" na frente de casa onde muitas histórias de assombração faziam tremer os menores, até que o sono chegava e todo mundo se recolhia.

E assim se passavam nossas férias de verão, naquele tempo em que o relógio era mais preguiçoso, os dias eram mais claros, a lua mais prateada e a areia da praia mais fina e branca.

Deixo, ainda, para vocês essas estrofes inspiradas nas paisagens de Rio Doce e Olinda da minha infância.

PEIXE NA PRAIA


Eu que sempre morei no litoral
e conheço o sertão só de passagem
não queria dizer muita bobagem
pois então vou louvar a capital
que tem praia bonita e original
e um mar que é cheio de magia
águas verdes e claras como o dia
onde nadam peixinhos tropicais
que na graça e na cor são maiorais
representam da vida a harmonia

***********
mariquita, olhão, tem mais arraia
budião, xira, gato e agulhinha
tem o galo, também tem a tainha
tem cioba e sargento lá na praia
quando a noite já vem e o sol desmaia
pescador pega logo o seu puçá
e na beira do mar vai fachear
pra pegar a saúna e o camarão
samburá fica cheio de montão
ele vai pra pescar o seu jantar

*************

de manhã bem cedinho sai de novo
a maré já baixou e ele insiste
na jangada com sua vela em riste
pra pescar a lagosta usa seu côvo
pois além do guajá, cutuca o polvo
que se esconde na loca do arenito
no ganchinho de ferro é expedito
e com sorte inda fisga uma moréia
vai feliz prosseguir nesta odisséia
e assim garantir seu peixe frito

terça-feira, 18 de setembro de 2012

DE POESIA E REALIDADE - UMA GOTA DE ORVALHO

Serra da Capivara, Piauí - foto do autor
Enquanto as águas do Rio São Francisco servirem só de pretexto para os falsos profetas iludirem até mesmo os intelectuais "engajados" e crentes nos seus falsos milagres; enquanto efetivamente elas não chegam para aplacar a sede do nordestino; enquanto os velhos e novos "imperadores" não cumprirem suas promessas ilusórias e mentirosas, digo e repito: resta-nos a Poesia para matar a nossa sede, resta-nos o Orvalho (sim, esse abominável orvalho que os cientistas dizem fazer mal à lavoura) para ser objeto da nossa admiração ! Porque, através da pequena lente da sua lágrima - pois a gota de orvalho tão pequenina é, para o poeta,  a lágrima da chuva que não caiu - o sol inclemente é transmutado numa Alquimia mágica, em diamante valioso  que, por fração de segundo, dessedenta uma minúscula formiga e ao mesmo tempo enche de esperança o coração de um sertanejo sofrido.

Escravo da Poesia
carrego a sua bandeira
feito a água na biqueira
nos lava na invernia
levando a melancolia
porque no quente verão
que penaliza o rincão
o orvalho é jóia rara
aplicada na tiara
de um sofrido coração

Mas, se cai chuva no chão
é demais a diferença
e aumenta minha crença
de fartura no Sertão
Pois dá-se a transmutação
do cinza que angustia
no verde que alumia
os olhos do sertanejo
realiza-se o desejo
e a vida é só alegria !