sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

MÚSICAS PARA O VITÓRIA-RÉGIA (5) - INALDO LIMA

O Bloco Flor da Vitória-Régia desfila no Recife Antigo (Ponte Maurício de Nassau)













Desde o início do Bloco, o compositor e amigo Inaldo Lima, Professor aposentado da UFPE, músico criativo e recordista de gravações de frevo e choro, Prefeito da Praça do Choro (na sua residência) onde congrega a nata dos "chorões" daqui e de fora nos prestigiou com seu talento.

Inaldo é pai de duas exímias musicistas (já falei sobre elas aqui) as gêmeas Mayra e Moema (bandolinista e cavaquinista respectivamente -ou será o inverso?... eu sempre me atrapalho) além de Iuri, um contrabaixista de primeira. O próprio Inaldo foi também músico, clarinetista da Banda do Liceu Pernambucano.

Apaixonado pelos blocos líricos do Recife, Inaldo compôs para todos eles.  Para o Vitória-Régia nos presenteou com duas pérolas musicais. Este "Voltando ao Vitória-Régia" foi a primeira que nos ofertou e cuida do arrependimento de uma das nossas coralistas e do seu retorno ao Bloco.

O humor é uma característica de Inaldo, além dos hilários títulos que ele põe nos seus frevos de rua, muito técnicos e bem arranjados (ele próprio é arranjador).

Segue a letra e a música do Mestre Inaldo que um dia, no texto de uma capa de disco seu, eu disse ser (e é, sem dúvida) uma "represa humana de talento".  Isso porque, num curto espaço de tempo Inaldo gravou centenas de músicas, todas de excelente qualidade.

VOLTANDO AO VITÓRIA-RÉGIA (Inaldo Lima)


Eu acho é pouco que você esteja sofrendo
Pela mania de falar sempre demais
Dizendo coisas que você nem sente
Deixando a gente na beira do cais

Você pegou um barco e foi embora
Em outro bloco você foi cantar
E agora retorna chorando
Ao Vitória-Régia pedindo pra voltar

Eu não sei que fazer pra resolver o seu problema
Pois o Coral já está "na medida"
Com Tatiana, Henny, Karina e Mida
Dulce e Dalila afinando o cordão

Você precisa mudar menina
Se aconselhar pra não ficar sempre na mão
Procure Fred que é "macaco velho"
Que logo, logo, ele acha a solução...

VOLTANDO AO VITÓRIA-RÉGIA
Interpretação: Coral Edgard Moraes

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

MÚSICAS PARA O BLOCO FLOR DA VITÓRIA-RÉGIA (4) - O HINO DO BLOCO

O autor, ladeado pela filha e esposa, com os flabelos dos
dois Blocos que fundou com a família: Cinema Mudo e Vitória-Régia
Em 12 de Setembro de 1998, numa reunião da família para comemorar aniversário de casamento dos nossos pais, resolvemos fundar um Bloco Carnavalesco Misto para brincar em paz nosso carnaval em Casa Forte.

Eu havia composto meses antes um frevo-de-bloco com essa intenção mas precisa sondar a turma toda pra ver se topavam a empreitada, que não é fácil.

Só gravei oficialmente esta música quando o Bloco completou 10 anos, ou seja em fins de 2008.  É que o compositor Getúlio Cavalcanti solicitou uma parceria, para compor uma melodia para a minha letra.

Aceitei e durante 7 anos em que desfiliamos nas ruas de Casa Forte, o Bloco cantou essa versão, que ficou bem mais conhecida, em virtude do longo tempo de exposição.

Mas, por questão de respeito e amor à história do Bloco, gravei a versão original com melodia e letra de minha autoria.  Não é o primeiro caso, na história da música brasileira, de termos uma letra de música cantada com duas melodias diferentes, nem será a última.

A letra vai aqui transcrita e as gravações logo abaixo.
Por favor, entendam que esta divulgação não tem o caráter de comparar o que é incomparável.
São dois trabalhos de criação diferentes e completamente diversos, cada melodia com o clima que o compositor (eu e Getúlio, respectivamente) imprimiu à obra, com o seu próprio sentimento.

HINO DO BLOCO FLOR DA VITÓRIA -RÉGIA
(Letra e música de Fred Monteiro)

Escuta, Casa Forte!  Teu Bloco vai sair
E a Flor da Vitória-Régia
Outra vez na Praça vai se abrir
Viemos para cantar glórias e tradições
De um bairro secular
À luz dos seus eternos lampiões

Relembra, Casa Forte
O Engenho de Anna Paes
As lindas sinhazinhas
Correndo em seus quintais
E à luz do sol poente
Ao som das cigarras daqui
Saudamos José Mariano
E a Liberdade que ele fez surgir


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FLOR DA VITÓRIA-RÉGIA
(Música: Getúlio Cavalcanti / Letra: Fred Monteiro)


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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

DOUTOR, EU NÃO SOU POETA !


Nessa atividade diária com a poesia de cordel, de dois anos pra cá, tenho aprendido -e muito- com amigos poetas já consagrados.  
O Jornal da Besta Fubana é um polo de desenvolvimento e luta pela manutenção desSa tradição maravilhosa que os poetas nordestinos não deixam morrer.
A literatura de cordel é uma marca na cultura do Nordeste brasileiro que interessa a estudiosos e pesquisadores da literatura universal, tanto pelo seu aspecto folclórico, como do ponto de vista histórico.
Fincou raízes por aqui de tal maneira que é difícil dissociar seus elementos com os da cultura ibérica de onde evoluiu e aqui aportou trazido pelos colonizadores.
Apaixonei-me de tal modo por essa arte que sempre admirei desde a infância, ouvindo os emboladores, cantadores, repentistas em geral, mas nunca havia tentado escrever poesia de cordel. 
Até que, instigado pelo movimento cordelista abundante no Jornal da Besta Fubana, que congrega gente de todo o Brasil, passei a praticar e estudando sempre as formas e modos de versejar, tentando sempre obedecer às rígidas regras dessa arte, tenho hoje algum reconhecimento dos meus pares.
E uma forma de agradecer a eles é divulgar as suas glosas, no meu espaço literário, que são os blogs SETE INSTRUMENTOS e PROSA & RIMA (este desativado, no momento) e também na minha coluna do JBF (Mascate das Lembranças).
Trago então um mote do caro poeta JESUS DE RITA, de Acari, RN, que foi glosado pelo nosso grupo de apaixonados por cordel, destacando Maria de Lourdes Catunda, de Ipu (CE), a nossa querida DALINHA CATUNDA.
O mote é: "Doutor eu não sou poeta, sou curioso somente."  Vamos às glosas:



Jesus de Rita de Miúdo

Queria cumprir a meta
De viver só de poesia
Mas descobri outro dia
DOUTOR, EU NÃO SOU POETA.
Isso muito me afeta
Chegando a ser comovente
Meu esforço diligente
Pra fazer verso perfeito
Mas creio que não tem jeito
SOU CURIOSO SOMENTE.  

Dalinha Catunda 

Nunca tiro o meu da reta
Na hora de versejar.
Não tenho medo de errar
DOUTOR, EU NÃO SOU POETA.
Mas est’arte predileta,
Remexe com minha mente
É mágica e envolvente,
E ninguém me contradiz
Porém sou só aprendiz
SOU CURIOSO SOMENTE.

 Fred Monteiro

Eu atiro a minha seta
mas não acerto no alvo
porque além de ser calvo
DOUTOR, EU NÃO SOU POETA
pois nesta arte seleta
só tem cabra inteligente
daquele tipo de gente
que é difícil encontrar
por isso posso afirmar:
SOU CURIOSO SOMENTE !

Jesus de Rita

Minha alma se inquieta
Triste está meu coração
Pois cheguei à conclusão
DOUTOR, EU NÃO SOU POETA.
Sou apenas um atleta
Aplicado e penitente
Vivendo o meu presente
Aprendendo bem ligeiro
Não sou um Fred Monteiro
SOU CURIOSO SOMENTE.

Fred Monteiro

Eu posso ser até atleta
pois corri a Maratona
sete dias por semana
MAS DOUTOR, NÃO SOU POETA
Passo o chapéu na coleta
pra servir ao indigente
que eu sou neste repente
eu juro e não acreditam
e peço que me repitam:
SOU CURIOSO SOMENTE !

Jesus de Rita

Mas como bom estafeta
Sou atalaia de linha
Aprendendo com Dalinha
DOUTOR, QUERO SER POETA.
Meu espírito arquiteta
Um prédio de bela frente
Com mil versos num repente
Sempre em boa companhia
Pois nessa engenharia
SOU CURIOSO SOMENTE.

Fred Monteiro

Me interessei nessa meta
de glosar esse bom mote
eu sei que sou um pixote,
DOUTOR, EU NÃO SOU POETA..
sou somente “versão Beta”,
Esforçado e persistente,
destemido e renitente,
posso ser, e eu admito
mas digo, muito contrito:
SOU CURIOSO SOMENTE !

Mauricio Santos 

Tentei atingir a meta
Mas não passei do tentar
E sou franco ao declarar
DOUTOR, EU NÃO SOU POETA
Por isso peguei a reta
E saltei do meu batente
Me afastei do repente
Segui outra profissão
Pode anotar meu patrão
SOU CURIOSO SOMENTE

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

MÚSICAS PARA VITÓRIA-RÉGIA (3) SAMUEL VALENTE

Na Praça de Casa Forte, o Bloco Flor da Vitória-Regia prepara-se para desfilar
No Festival de Frevo da Prefeitura do Recife, ano de 2006, o compositor e amigo Samuel Valente, grande pesquisador da música brasileira e do frevo em especial, escreveu para o nosso Bloco uma marcha-de-bloco belíssima.
Classificada para aquele festival a música agradou em cheio os amantes do gênero e foi gravada com a Orquestra do Festival e Coral Edgard Moraes, que fez uma apresentação emocionada dessa canção.
Ficamos por demais orgulhosos de ter no nosso repertório uma música de tão grande qualidade poética e melódica.
Uma prova do carinho de todos os maiores e melhores carnavalescos de Pernambuco para com a nossa agremiação, que embora já fora dos desfiles, pois desde o ano de 2005 já não participava do Carnaval, continuou inspirando nossos poetas e brincantes.

Ouçam aqui o motivo de tanto orgulho:


E aqui o belo poema de Samuel:

FLOR DA VITÓRIA-RÉGIA
(Samuel Valente)
interp: Coral Edgard Moraes

No Bloco da Vitória-Régia
Se planta a saudade de antigos carnavais
Porque a beleza desta vida é a flor
A esperança verde de cantar o amor

No Bloco da Vitória-Régia
Se planta a saudade de antigos carnavais
E o seu perfume tange primas e bordões
Na harmonia viva de mil violões

Vitória-Régia na avenida desfolhando
Toda a ternura de um sonho que passou
São as lembranças de um lança-perfume
Na fantasia que a brisa carregou

Vesti palhaço porque sei que a própria vida
É carnaval dentro de nossos corações
Pra refolhar pedaços de uma serpentina
Que se entrelaçam no cordão das ilusões





terça-feira, 24 de dezembro de 2013

LILI MARLENE - UMA CANÇÃO QUE TODOS AMAM

"Tantas Lilis" é o nome de um frevo-de-bloco que escrevi para o Bloco Carnavalesco Nem Sempre Lili Toca Flauta, fundado e mantido pelo meu amigo Gerson Victor e família. 

Esse é um dos Blocos mais queridos do Carnaval recifense, juntando milhares de pessoas todos os anos, no seu desfile sempre incerto de horário e local de saída (justamente para evitar a superlotação nas ruas, à maneira do Galo da Madrugada.)
A turma do Lilly no ensaio..Um sai-não-sai já tradicional...

Querido por todos, "Lili", como é carinhosamente chamado, é uma alegria só.

Querida por todos, no mundo todo, é também a canção alemã, que virou meio francesa, chamada "Lili Marlene", ou Lili Marlènne, Lili Marlen, ou Lili Marleen, no original.

Lili Marleen foi escrita em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, e publicada sob o título "Canção de amor de um jovem Sentinela", em 1937, sendo gravada em 1939 pela cantora alemã Lale Andersen com o título " A garota sob a lanterna".
Tornou-se popular entre as tropas de ambos os lados em combate (ligados ao "Eixo" ou aos "Aliados"), pela intensa divulgação feita pela Rádio Belgrado, durante a invasão da Iugoslávia, em 1941.

Cartaz de época
Além da gravação de Lale Andersen, tornaram-se antológicas as feitas pela grande atriz e cantora Marlene Dietrich e pela Banda Alemã da "Panzergrenadierdivision", além da francesa Suzy Solidor e da americana Connie Francis, dentre muitas outras de outras partes do mundo. 

Trago então, para apreciação de vocês uma versão especial, de Lale Andersen, gravada em três línguas, (inglês, francês e alemão) e a gravação da Banda da divisão Panzer.  Ouçam-nas, em conjunto aqui:


Muito curiosa também, é a gravação feita pelo músico ambulante Jean Marie que corre o mundo com o seu realejo mecânico tocando e cantando canções francesas. Essa gravação que trago dele está num CD que comprei ao mesmo, numa apresentação ao ar livre na Rua das Flores, em Curitiba, em 1996.  Vale a pena ouvir todas as versões, para entrar no clima universal desta canção. Aqui, a de Jean Marie:

Jean Marie et son limonaire
Quanto à minha intervenção carnavalesca, quem tiver a curiosidade de conhecê-la, trago-a também, como se encontra incluida no CD que gravei do Bloco "Nem Sempre Lily toca flauta" há algum tempo atrás, gravada por mim (parte instrumental) e por Tatiana, minha filha, Naara Santos e Eliane Ribeiro, cantoras amigas, que participavam do Coral do nosso Bloco.  Ouçam aqui:


E qual a razão desse "post", perguntariam os curiosos?  Além, muito além, do aspecto histórico e musical, digo a vocês: é que não há nada tão imbecil, desumano ou desnaturado que uma Guerra.  Principalmente quando o conflito atravessa as fronteiras e toma ares de uma insanidade universal.  Exatamente o contrário do que o que ocorreu com essa música (Lily Marlene): universalizou-se pelo seu aspecto de melodia terna, de lembrança melódica que não tem nada a ver com ódio, luta e sangue.



sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

AS MÚSICAS DO BLOCO FLOR DA VITÓRIA-RÉGIA (2)


Com Getúlio e sua filha Alessandra, nos carnavais da vida
Dando sequência à série inciada terça-feira passada, trago hoje uma música que cantamos bastante nos nossos desfiles. É uma parceria minha (letra) com Getúlio Cavalcanti (música).  Foi gravada no CD "O Som dos Blocos", que produzi em conjunto com o Bloco Eu Quero Mais, de Olinda. Um disco que fez muito sucesso na época e que até hoje toca nos programas carnavalescos da Rádio Universitária, de Hugo Martins (O tema é frevo) e Miriam Leite (O Bloco está na rua). Com Orquestra e Coral Vitória Régia, na época formado por Henny, Tatiana, Dalila, Dulce, Adeilda, Edla, Eunice, Fátima, Leone, Mida, Naize e Valdênia. Arranjo do Maestro Duda.

Eis a letra:

Cigarras de Casa Forte
Por que sumistes da Praça?
Já vai tão distante o tempo
Em que cantavas com graça
Nas ruas da minha infância
Relembro teus madrigais
Nos galhos das pitombeiras
Dos cajueiros e trapiás

Cigarras, quanta saudade!
Daquelas tardes dolentes
Das noites de serenata
Luares resplandescentes
Se agora eu choro a mágoa
De ter perdido teus ais
Me consolam as pastorinhas
Que acalentam meus carnavais
(Nas proezas de Flor da Lira
Vitória-Régia e Eu Quero Mais)

A música vai aqui:

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

ESTAMOS DE VOLTA !

Na Rua da Aurora, com o compositor Heleno Ramalho, de branco, à direita

Quase dois meses de férias.  Mas quase três anos no ar.  Valeu a pena parar, para fazer um balanço e descansar vocês.  Estamos de volta, a partir de hoje. E com um assunto que talvez interesse a todos os que acompanharam o nascimento e a trajetória do Bloco Flor da Vitória-Régia.  Em setembro passado, o Bloco completou 15 anos de fundação. E oito de recesso.  Como o Carnaval já se aproxima, talvez valha a pena reviver esses oito anos de atividade, do primeiro desfile, em fevereiro de 1999, ao último, no Carnaval de 2005.  
Ano que vem também completará 15 anos a maior festa dos Blocos líricos do Recife, a "Aurora dos Carnavais", idealizada pelo Poeta Romero Amorim.  O nosso Bloco recebeu um convite da organização para participar, como um dos 3 blocos que inauguraram a festa, no ano 2000.
O Bloco Flor da Vitória Régia foi agraciado pelos compositores carnavalescos do Recife com 16 marchas de bloco (ou frevos-de-bloco, se preferem).  Acho que é um dos campeões, nesse sentido. Prova do quanto foi (e é) querida a nossa agremiação.
Instado por um amigo (e perseguidor do Bloco, também), listei hoje pela manhã todas essas músicas.  E a partir de agora, duas vezes por semana, às terças e sextas-feiras, vou transcreve-las aqui no Blog e no Jornal da Besta Fubana,  Para evitar "protecionismos", seguirei a ordem alfabética das canções.
Assim, vai abaixo a primeira delas: 

A CURVA DO RIO
(Heleno Ramalho)
Interp.:  Orquestra Vitória-Régia e Coral Meus Amores

Chega, vem cantar saudade
Ó pastora amada, 
Que já vai meu dia
Canta, que o tempo é breve
e passa mais leve
Se tem alegria
Quando me abraçar a noite
com aquele açoite 
De adeus final
Lembra da Vitória-Régia
A flor mais vistosa
Do meu carnaval

É bonito ver o Bloco a resplandecer
O luar de Casa Forte e a minha inspiração
Se a curva lá do rio me faz reviver
Mais uma lembrança acorda
Batendo nas portas do meu coração


sábado, 12 de outubro de 2013

UMA FESTA DE TULIPAS (SEM TULIPAS)

As tulipas se esconderam com frio.. só deu pra ver 
essas amarelinhas aí..nem sei que nome têm
É logo aliiii.. daqueles "logo ali" de matuto, vocês sabem...mas vale a pena, pra quem gosta das tulipas.

De todas as cores, plantadas criteriosamente e expostas todos os anos num Festival muito bacana. Em 2009 estivemos por lá.

O mapa da mina, pelo Google


Mas, não demos muita sorte não.. O Festival começa logo no início da Primavera. Uma homenagem à Estação das flores.. 

Em 2009, porém, o frio não deixou que as tulipas se abrissem.  Só vimos tulipas de estufa, mas o passeio é lindo, um lugar de sonho.. Impossível não ficar deslumbrado.  Fred Filho havia me mandado  fotos maravilhosas de lá, feitas por ele, com os campos de tulipas alternando-se em cores as mais diversas: amarelas, vermelhas, azuis, roxas, brancas, bicolores, com as mais diversas combinações.
Um simpático moinho, pra combinar com a paisagem.

Essa foto aí é do site oficial da Roozen Garder

A fazenda que visitamos é uma das mais famosas do lugar: Roozen Garder.   Creio que os proprietários são descendentes de holandeses.  Um dos destaques é um moinho cercado de jardins por todos os lados. E fica bem próximo à fronteira do Canadá (Columbia Britânica), a pouco mais de uma hora de Vancouver.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O DOM DA POESIA


Já falei aqui no Blog da amiga e parceira Claude Bloc. Vou falar de novo. 

E por que motivo?   Para mostrar a vocês o nosso terceiro trabalho, numa cantoria virtual.  São encontros poéticos que mantemos via internet, por email.  

Gosto muito desse desafio e cada vez que escolhemos um tema, ou um mote para desenvolver, sei que vem coisa boa da poeta do Cariri, que embora no nome e na filiação seja francesa, no nascimento e no coração é brasileira da gema, nordestina, cearense e caririzeira.

Dissertamos desta vez sobre a poesia, como Arte e como Dom.

Dom, sim, porque às vezes por mais que a pessoa tenha a técnica e a capacidade literária, falta-lhe a musicalidade, ou a rima fácil, o ritmo certo e a intimidade com os muitos modos de fazer poesia.  

Principalmente poesia dita "de cordel", com regras rígidas que não dão margem a frases soltas, a versos brancos e outras manobras literárias da poética dita moderna.

Na literatura de cordel, esse é o desafio.  Sem fugir ao tema, mantendo o estilo escolhido, versejar metrificando, rimando, dentro do ritmo próprio e da prosódia correta.

E quando isso acontece com uma parelha de cantadores, duelando com suas violas e violões, aí é que a coisa vira espetáculo.  

Aí é que vemos o valor da inteligência dos nossos repentistas sertanejos que muitas vezes aprenderam a ler em antigos folhetos de cordel já desgastados e amarelados pelo tempo, onde descobriam romances medievais, notícias históricas, enredos românticos ou políticos que vararam décadas e até hoje são lidos e relidos à luz de lampiões e candeeiros pelo Nordeste afora.

É desse dom que falamos.  Confiram e vejam se não temos razão!

Mote de Claude Bloc:
“A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana.”

CB
Lamentei ter perdido a mocidade
Esse tempo de grande ilusão
Nos meus versos eu fiz a projeção
De viver alegria e liberdade
E se falo de amor, essa verdade
Eu já sei que é de mim que ele emana
Pois eu vivo a correr nessa gincana
Que deslizo no verso sem ter medo
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana.

FM 
Quando Deus fez o homem, Ele lhe deu
Ferramentas de grande utilidade
E os dons que ofertou à humanidade
São parcelas do Céu que prometeu
Transparências no véu que escondeu
Toda a Luz que da Sua face emana
É o Poder da bondade soberana
No princípio era o Verbo o Seu segredo
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana

CB
A Bondade de Deus é infinita
E entre os dons que nos deu, Eternidade
Vamos todos seguindo essa Verdade
Pois a alma da gente canta e grita
Sentimentos que a vida delimita
Mas de Luz nossa história se engalana
A Herdade Divina não engana
Nem relega o Homem ao degredo
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana

FM
Deus é bom, Deus é Pai, Sabedoria,  
E aos filhos protege e acalenta
Cada dia que passa, em mim cimenta
A Palavra que é carta de alforria
E a Verdade, mãe da Soberania
Derrotando o Mal que nos engana
Tem na voz a clareza espartana
Do Universo infinito e mete medo
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana

CB
Quando a vida parece não ter jeito
Quando o sonho se esconde no lamento
Vem de Deus nosso único alento
Que remove essa dor em nosso peito
E é d'Ele esse gesto tão perfeito
Que nos une e até mesmo nos irmana
Que nos livra dessa tristeza insana
Nos liberta e nos traça outro enredo
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana 

FM
Já louvamos a Deus, por necessário,
Pois é nossa primeira providência
E o fizemos com toda consciência
Pois de Deus é bem vindo este fadário
Para o homem não ser um perdulário
desses dons, é preciso qual chalana
Navegar manso rio de água plana
que da vida não esconde seu segredo
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana

CB
Pela terra deixei meu pensamento
Pelos ares a mais louca paixão
Descobri que o tempo é ilusão
E que a vida é também deslumbramento
Meu poema nasceu do movimento
E desliza do olhar pela pestana
E se esculpe com o fio da catana 
Pois o verso é mais breve que o levedo 
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana 

FM 
Da palavra o poeta é operário
No esforço pra construir seu verso
Extraindo a matéria do Universo
Seu motivo é cantar um canto vário
Sem ligar pr' o detalhe do salário
Tem seu gozo na estrofe que se explana,
E a  constrói feito molda a porcelana
Na alegria tão pura de um folguedo
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana

CB 
As palavras são contas de um rosário
Que rezamos com alma e sentimento
Pois revoam sem causar sofrimento
No rascunho do nosso dicionário
Não importa qual seja nosso erário
Se lidamos com a língua lusitana
Se moramos ao léu, numa choupana
Se pisamos em falso num lajedo
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana

FM
Já nem sei quando a minha Musa vem
Do Olimpo pra inspirar meu estro
sendo a vã sinfonia que eu orquestro
Eu me anulo no verso, eu sou Ninguém
E encaro essa vida com o desdém
De quem busca a razão que não profana 
ou que aceita a pobreza franciscana
com a ternura de quem perdeu o medo
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana

CB
Eu me inspiro no cheiro de uma rosa
No suspiro mais doce de uma flor
Nas procelas do mar, no trovador
Que deságua em verso sua prosa
Numa rima perfeita, tão cheirosa
Quanto um sonho de amor, feito nirvana
Delicado fervor, pureza lhana.
Ilustrando o sol com riso ledo 
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana 

FM
Toda a Glória é cantada em tom maior
Pra louvar tantos dons que recebemos
Construindo esse mundo que não vemos
mas sentimos vibrando em derredor
Sacrifícios aos pés do altar-mor
Desta vida que não mais nos engana
Um poema rimado não se empana
são quais uvas brilhantes num vinhedo
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana

 CB
O meu ritmo é sempre musical
Como um gesto de amor, em peito arfante
Como o som da viola mais vibrante
Que empolga e se cala no final
E conduz o poema em espiral
Como a brisa que sopra e se encana
E o som que do âmago emana
Provocando o mais íntimo arremedo
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana  

FM
Agradeço às Musas dadivosas
Ao meu lado, agindo docemente
Seu labor gracioso e inteligente
Inspirando-me com vozes tão sedosas
Seus cabelos em mechas olorosas
No dançar doce e lento da pavana
ao soar de uma flauta em meia-cana
A tal baile entreguei-me e ao seu enredo
A palavra pra mim é um brinquedo
Projetando as feições da alma humana.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

PERNAMBUCO MUSICAL - FÁTIMA MARINHO E MAESTRO DUDA

Maestro Duda, um ídolo pernambucano
Em paralelo a outras postagens musicais, vou iniciar aqui uma série sobre dois programas de rádio que durante seis meses mantive na FM101-Pacoland.

Um deles foi "Pernambuco Musical", uma revista sobre nossos ritmos, trazendo artistas e compositores do Recife e do Interior do Estado.  

Promovi muitos lançamentos de artistas da terra nesse programa, no curto espaço da sua existência, vez que a emissora comunitária saiu do ar, seis meses depois da nossa entrada em cena.  

Mas, nesse curto período tive muitas alegrias e divulguei bastante a música pernambucana. 

Ouçam agora um belo arranjo do Maestro Ademir Araujo (Formiga) na voz de Fátima Marinho, da música "Veneza Americana", de Nelson Ferreira e Ziul Matos, em ritmos de caboclinho, maracatu e frevo.  

Em seguida, "Vassourinhas", de Matias da Rocha, com a Orquestra do Maestro Duda e belas variações de guitarra, flauta e mais os naipes de metais e palhetas. Boa audição !

Fátima Marinho, a graça e autenticidade
de todos os nossos ritmos

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

MEMÓRIAS DO FSTUDIO - SAIA DO MEU CAMINHO !


Já mostrei por aqui vários cantores e grupos que tive o prazer de gravar no FSTUDIO.
Hoje trago um grupo de autêntico forró que tive o prazer de produzir.  Foi em 2002 e o conjunto se chamava GRUPO ASA BRANCA.  
Não sei se eles ainda estão na ativa.  Só sei que era uma família inteira, fazendo música puramente nordestina. O pai e a filha são os compositores, sanfoneiros e cantores, o filho e um tio fazem a percussão e vocais.  
Gonzaga Félix é o pai, Nilva do Acordeon, a filha.  Severino, o filho e Rafael Félix, irmão de Gonzaga.  Tive a honra de participar tocando violão e agogô.
A faixa que trago hoje para vocês é uma que eu gosto, em especial.  E que cabe muito bem no atual momento político. O nome da música é "Cai Fora!".  Acho que muita gente gostaria de oferece-la aos políticos brasileiros ora em posição de mando.
A música fala em traição e "mafiagem", coisas mais do que comuns na atual conjuntura brasileira. Ouvidos atentos à mensagem de Gonzaga e ao seu sotaque sertanejo pesado, às vezes difícil de entender. O ritmo é contagiante: típico forró de latada, como a gente chama.  Daqueles de levantar poeira no chão de terra batida Eu disse: o cabra é autêntico mesmo e não faz concessão a esses e erres. Ouçam, dancem e balancem à vontade. 


terça-feira, 1 de outubro de 2013

DIA DO IDOSO E OUTRAS CONSIDERAÇÕES SOBRE "A TERCEIRA IDADE"


Por princípio, não gosto desse termo “terceira idade”. Na verdade, eu o acho ridículo. Não há ordem para viver-se uma “idade”. Qual a idade de um natimorto, aquele ser que, mal acabou de nascer, sem passar por uma “mínima idade” sequer, sem ter inaugurado a vida, já se foi daqui?

Porque comemorar a velhice, com esse Dia do Idoso? Velhice é pra ser vivida, orgulhosamente vivida. Velhice não tem idade. Às vezes começa aos 15, ou aos 25, 30, sei lá. E às vezes, muitas vezes, nem começa. Velho é aquele que não morreu cedo, de susto de bala ou vício, como diria um cara que já foi “Novo Baiano” e hoje não passa de um“Velho Baiano” decadente e querendo mídia. Vejam o que tem dito a respeito desses marginais que se denominam “black blocks”. 
Mas Caetano não liga pro ridículo, mesmo. Aliás, antes de apaixonar-se por “black blocks”, literalmente se apaixonou por surfistas, vide “Menino do Rio”. É da índole dele, fazer o que.. não vá o velho baiano me acusar de homofobia, por Jeová..

***

Certa vez, meio arretado da vida, com essa mania de juventude que velhos e velhas têm, escrevi um poema que está no meu livro de crônicas “Caçador de Lagartixas”, e que intitulei A MINHA IDADE.
Uma amiga deste Blog, pra quem mandei o poema por e-mail, levantou uma hipótese de que se eu o publicasse aqui, a grita seria grande, porque o que tem de terceiridadista aqui, e eu declaro orgulhosamente que vou fazer 68 em dezembro, não tá no gibi…
Pois eu ouso e o publico agora. Quem não gostar que reclame ao Papa, ao Bispo ou ao espelho, hahaha

A MINHA IDADE

Ei, você aí, por favor, pare!
com esse negócio de terceira idade,
essa mania de felicidade,
vendida em grupos de ocasião…
Deixe eu viver a minha experiência,
deixe-me em paz com minha consciência, 
deixe-me ouvir meu velho coração…

Eu, não ! 
não vou trocar os meus cabelos brancos
pela tintura de uma vaidade
que não resiste a alguns dias, só…
Prefiro
ter o defeito da dignidade
de olhar no espelho e me sentir eu mesmo
e de dizer: _ Meu velho, como andaste
por essas trilhas que tantos queriam
ter palmilhado (e só andaram a esmo!

Eu quero
olhar de frente para o meu passado
e a cada dia me sentir moldado
pela couraça da sabedoria

Desejo
que a corrente desse Rio/Vida
me leve à foz do Oceano Eterno
onde estaremos todos, Homens-Barco

Detesto
ser um parco homem teimoso
que luta contra a força do Destino.
Aceito o privilégio de ter tino
e tento, pra gostar da minha sorte
Tranqüilo quero me encontrar com a Morte
e dizer-lhe: – Irmã, tenha bom trabalho
Eu não serei mais um que te atrapalha;
milhões estão chorando atrás de mim.
Pois nós já compreendemos que é assim:
Os fracos têm medo de morrer
porque não têm juízo pra saber
que colhes o que é bom, o que é maduro
o resto tu espalhas num monturo
e deixas, pra depois vir recolher..

Pois é, não me falem dessa “mocidade”
forjada num clube de “terceira idade”
que aos tolos faz um jovem parecer
Eu vou me recolhendo ao coração
dentro de mim, somente eu, Mente-Cubículo
Com muita paz, sem me sentir ridículo
E com ternura, vou envelhecer.

-x-x-x-x-x-x

E pra ninguém pensar o contrário, digo também -aproveitando o mote- o que penso dessa palhaçada de dias comemorativos:

Ô MANIA DESGRAÇADA !

Eu num tulero a mania
de ter comemoração
Da mãe, do pai, do perdão
Da músga, da poesia
Doutor de adevocacia
Comemora dando xêxo
Tirando os garçon dos êxo..
Tem o dia da frevança
Amante, sogra e criança
Só farta o do quebra-quêxo

Já tem os dia dos santo
Dos casacudo também
Farta o dia do xerém
E tombém o do encanto
Inventa o dia do pranto
Para todo mundo chorar
Purque pra mode penar
Tem o dia dos finado
Dia bem malassombrado
É o dia do imbuá

Eu arresorvo esse caso
Inguinorando essas data
Botando tudo na lata
Jogando tudo num vaso
E se chegá cum atraso
O dia dos cafajeste
Eu quebro o rumo boreste
Pro rumo do pau da venta
Porque ninguém mais aguenta
tanto dia.. TÁ CA PESTE !

O que eu acho é que no ano
A gente tem todo dia
Pra saudar com alegria
O dia que tá chegano
Pois se a gente tem tutano
Pra guardá tanta lembrança
Num carece de imbuança
Nem de festa já marcada
Que só é comemorada
Mode nós inchê a pança…

Um abraço pra todos e todas, de todas as idades e de todos os dias. E quem se sentir idoso ou garotão comemore a seu bel prazer mais um dia que estamos vivendo… “Vale aquele adágio popularíssimo: amanhã será tarde demais!”
Só isso.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

CORAÇÕES DE MELÕES E DE BATATAS

No tempo do iê-iê-iê, do twist e do hully-gully, todo mundo dançava "La Bamba". E um dos ídolos daquela época, que fez sucesso cantando "La Bamba", foi Trini Lopez, cantor texano, nascido em Dallas, de ascendência mexicana.  
Outro grande sucesso de Trini Lopez, foi uma música de ritmo bem latino, bem marcado e que ele cantava como ninguèm: "Corazón de Melón".

Lembrei-me ontem dele e de sua " Coração de Melão ", num prosaico lugar e exercitando uma tarefa bem prosaica, também: comprar frutas e verduras num supermercado.

Estava escolhendo minhas hortaliças quando, na gôndola das batatas fiquei surpreso com um exemplar de formato especial. Um coração, em forma de batata inglesa.


A primeira coisa que me ocorreu foi fotografá-la. Ah, bendita tecnologia dos smartphones que nos permite filmar e fotografar em alta definição o que vier pela frente!

E assim o fiz.  Fotografei aquele espécime para mim raro. Uma batata-coração. Perfeita, com todas as curvas que formam o famoso símbolo do amor, da paixão..

Coloquei-a em cima do carrinho, junto a couves e tomates, coentros e cebolinhas, e ainda na gôndola, recostada a uma bela abóbora (que prefiro chamar de jerimum, em nordestinês legítimo).  

Aí, ocorreu-me uma segunda e importante ação.  Já tinha colocado a batata-coração dentro do saquinho, junto com suas irmãs tão comuns, mas resolvi que isso não era justo.


Afinal, ela era uma batata especial, estava ali para ser mostrada e apreciada por todos. Por que negar aos outros o prazer e a surpresa de ver, de tocar, uma filha especial da natureza?   

Sem o mínimo arrependimento, e com o senso de cumprir o meu dever para com os demais, devolvi a "batata-coração" à sua gôndola, mas não sem antes avisar ao encarregado da Seção que havia ali uma batata nascida para ser estrela, para ser sucesso.  

E assim foi.  Espero que a tenham deixado por lá, bem à vista dos frequentadores daquela Supermercado.  Quem sabe alguns corações humanos não se tenham também tocado para a necessidade do Amor nesses dias tão carentes dele...

E, de presente para vocês, as fotos da fugaz e amorosa estrela, ao som de Trini Lopez cantando "Corazón de Melón".


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

GALOPANDO NO REPENTE



Trago hoje mais um folheto de cordel, em parceria com a poeta amiga Claude Bloc, do Crato_CE, escritora, pintora, fotógrafa e sobretudo uma pessoa sensível às coisas do sertão, do seu Cariri.  Já falei aqui da Claude, e para os que ainda não conhecem a sua poesia, renovo o convite agora .
E dentro do estilo "martelo agalopado", fizemos essa parceria em torno de temas mais subjetivos, falando de música, poesia e sentimento.
O mote "E assim vou vivendo de improviso, para um dia não morrer de repente", assim foi glosado:

Fred Monteiro (FM)
 1.
Desisti e guardei minha viola
bem guardada, pra não me arrepender
Pois confesso, cansado de sofrer,
nesse afã a saudade deita e rola
Quase nada hoje em dia me consola
Mais do que escrever diariamente
Eu agora estou sendo coerente
no caminho escolhido com juízo
"E assim vou vivendo de improviso
para um dia não morrer de repente"

Claude Bloc (CB)
 2.
Na sacola guardei a minha lida,
No silêncio, guardei meu coração
Num poema secreto a emoção
De viver a saudade sem guarida
Sonhos tolos bordados pela vida
Nos retalhos de luz bem transparente
Alegria que passa tão silente,
Vai embora sem dar nenhum aviso
"E assim vou vivendo de improviso
para um dia não morrer de repente"

FM
 3.
Minha lira calou, emudeceu
E Euterpe então me abandonou
A Estrela da Tarde se apagou
Foi chegando a noitinha e fez-se o breu
Um silêncio profundo aconteceu
quando a lua surgiu incandescente
um torpor foi nublando a minha mente
e ao calar-me, fiquei tão indeciso
"E assim vou vivendo de improviso
para um dia não morrer de repente"
  
CB
4.
A saudade sentida se escondeu
Numa concha de estrelas, ao luar
No silêncio a aurora foi cantar
Exaltando um amor que já foi seu
E o poeta cansado adormeceu
Dedilhando uma música plangente
Que revira essa tristeza da gente
E acende o amor se for preciso
"E assim vou vivendo de improviso
para um dia não morrer de repente"
  
FM
5.
Nesta vida o cansaço fez seu preço
e a resposta ao esforço diário
sem apreço ao suor do operário
que na luta relembra o seu começo
Atitudes banais que não mereço
são desprezo por tal esforço ingente
Não se pode quedar indiferente
apagou-se o motivo do sorriso
"E assim vou vivendo de improviso
para um dia não morrer de repente"
  
CB
6.
O sorriso é sempre o brilho primeiro
No olhar e na vida do operário
Se a chama se apaga do cenário
O esforço esmorece bem ligeiro
E as horas desandam do ponteiro
De um relógio calado, displicente
Que só atrasa e sai pela tangente
Mas sorrir é o destino que eu viso
"E assim vou vivendo de improviso
para um dia não morrer de repente"
  
FM
7.
Se o sorrir faz a vida mais feliz
Eu esqueço minhas adversidades
vou passando a borracha nas saudades
retomando aquilo que eu mais quis
e pra tudo que é bom eu peço bis
da tristeza  não vou ser dependente
volto a ser um sujeito paciente
me livrando de qualquer prejuízo
"E assim vou vivendo de improviso
para um dia não morrer de repente"
  
CB
8.
A saudade é a força dos remidos
Faz fogueira no nosso coração
E transforma a nossa emoção
Num balão que remexe os sentidos
Relembrar o que houve em tempos idos
É sofrer outra vez  impunemente
É morrer um pouquinho,  tão somente
E jurar que amar não é preciso
"E assim vou vivendo de improviso
para um dia não morrer de repente"

FM
9.
Sendo a vida, afinal, grande mistério
Só me resta vivê-la com coragem
Enfrentar seus meandros na viagem
Aprendendo ao sabor do seu império
Respeitando o sublime Magistério
A lição vai-se tornando patente:
Ou me torno um aluno obediente
Ou assumo essa falta de juízo
"E assim vou vivendo de improviso
para um dia não morrer de repente"

CB
10.
Esta vida é feita de engrenagens
Que nos ligam a outros elementos
E nos somam milhões de sentimentos
Que transbordam e parecem até miragens
Desenhando os sonhos com as imagens
De projetos que vêm à nossa mente
Cada passo se torna diferente
Quando um gosto se mantém impreciso
"E assim vou vivendo de improviso
para um dia não morrer de repente"

FM
11.
Eu tentei ser leal às teorias
Mas na escola da vida eu aprendi
que no simples trinar de bem-te-vi
o que existe é mais que melodias
eles cantam assim todos os dias
e eu fico feliz por tão somente
escutar esse canto e de repente
eu esqueço a razão pois não preciso
"e assim vou vivendo de improviso
para um dia não morrer de repente"

CB
12.
Eu me rejo por essa sinfonia 
Que em silêncio, absorvo em plena paz
E num sopro, a saudade já me traz
O solfejo embalado em melodia
Numa pauta desenho a harmonia,
Esses ecos da nota mais dolente
Que me tocam como a brasa mais quente
No calor de um poema interciso
"e assim vou vivendo de improviso
para um dia não morrer de repente"
  
FM
13..
É a Música a mais mimosa Musa
que encontrei nesta vida peregrina
Musicar sua estrada é minha sina
e quem come esse mel não se lambuza
Mas se alguém deste doce não abusa
Viverá um sorriso eternamente
Ao cantar pela vida, simplesmente
Antecipa na Terra o Paraíso
E assim vou vivendo de improviso
Para um dia não morrer de repente

CB
14.
Só a música embala a alegria
De viver tal e qual manda o destino
E liberta o teu sonho de menino
Como o sol pontilhando a sinfonia
Nessas claves de pura melodia
Que a alma carrega docemente
Tudo isso germina da semente
Que desdobra esse verso tão conciso
E assim vou vivendo de improviso
Para um dia não morrer de repente