domingo, 17 de julho de 2011

TATIANA, O FREVO

Minha filha Tatiana se parece comigo em quase tudo.. Na beleza ela está a anos-luz de distância (à frente, claro !). Um dia, querendo homenageá-la (não sei se consegui) escrevi pra ela um frevo-de-rua (instrumental) e logo que tive a oportunidade, quando fui convidado a participar  de uma coletânea do Cemcape-Centro da Música Carnavalesca de Pernambuco, prontamente encomendei o arranjo do mesmo ao Maestro Duda.

A gravação, feita no estúdio Estação do Som, esteve a cargo da Orquestra de Duda, com solo do famoso Mestre Bandolinista Marco César, um dos maiores instrumentistas do bandolim brasileiro.  Orquestra afinadíssima, solo perfeito, a música para a minha Musa Tatiana vem agradando -graças a Deus- a muita gente que conhece da matéria.

Fiz essa música pensando em gravá-la um dia com uma balalaika, já que o nome de minha filha é um popular nome de origem russa (para equilibrar a balança aqui de casa que tem dois Fred (nomes de origem anglo-americana) uma Edla (de origem alemã) e Enrico (de origem italiana), hehe..

Como o instrumento mais parecido com uma balalaika aqui no Brasil é o bandolim, o Professor Marco César traduziu em colcheias e semicolcheias a minha intenção.   E como o fez !  Ouçam a gravação original, que consta do CD "O tema é Frevo-Pesquisa" fev/mar-1998, faixa 16, produção CEMCAPE, direção musical e arranjos MAESTRO DUDA.

sábado, 16 de julho de 2011

JOSÉ DAVI DA SILVA - DE ALFAIATE A ESCRITOR


José Davi é simples, até humilde,  nessa sua simplicidade calada e tímida.  Mas é um homem de sete instrumentos: nascido em Canhotinho(PE) em 1926 não teve, como nós da cidade grande, muita condição financeira para desenvolver seus inúmeros dotes empreendedoristas, artísticos e literários. Formou-se em Pedagogia e Relações Públicas, já adulto de meia-idade.  Desde a infânica e adolescência exerceu diversas profissões.  Foi aprendiz de alfaiate, oficial alfaiate e chegou a ter por muito anos a sua própria alfaiataria. 
Músico (sax-tenorista) da Banda da sua cidade, desenvolveu posteriormente suas habilidades de compositor e tem cerca de 100 obras escritas, mais de 20 gravadas.  Esforçado e inquieto, Davi foi correspondente de dois grandes jornais da Capital, enviando regularmente notícias da sua terra para o Recife.  Escritor de vários livros, tem planos para o futuro, tendo já vários digitalizados e prontos para publicação.  Exemplo de esforço e luta pela vida, José Davi prossegue nas suas tarefas múltiplas, representando um exemplo para a sua, para a nossa e para gerações futuras. No video, um depoimento prestado e no áudio um dos seus muitos frevos já gravados, "Saudade do Passado", com a Banda da Polícia Militar de Pernambuco, gravação do FStudio para o CEMCAPE-Centro da Música Carnavalesca de Pernambuco, realizada em dezembro de 2008.


Acesse aqui o vídeo : http://www.youtube.com/fredcrux1#p/u/5/Wkwj4dPU06o

Acesse aqui a música:

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O 15 DE BONITO NO TROVÃO DO BACAMARTE




Manhã do dia de São João (24-06-11) no Bonito Plaza Hotel.. Pelas 9,30 da manhã, somos presenteados com uma visita sui-generis: o Batalhão 15, dos Bacamarteiros de Bonito, com sua Banda de Pífano e sanfona à frente, entra desfilando com dezenas de bacamarteiros, vestindo o tradicional uniforme de sarja azul, chapéu de couro e bacamartes reluzentes nos ombros.
A música alegre se espalha pelo ambiente e começa uma bem ensaiada marcha, repleta  de evoluções coordenadas, numa manifestação de disciplina própria do grupo.  São homens, mulheres e crianças, cientes da importância da cultura que representam: a tradição do bacamarte no sertão nordestino, em especial de Pernambuco é secular.

O Comandante Euclides Paiva, defensor intransigente dessa cultura observa a tudo e a todos, com o zelo de quem gosta do que faz e do que vê.  O entusiasmo aflora no seu sorriso calmo e na sua voz pausada.  Concedeu-me esse depoimento esclarecedor (VÍDEO ABAIXO), que diz tudo sobre o "15 de Bonito" e a tradição do bacamarte.  Logo em seguida, começam os disparos, verdadeiros ribombos de trovão.. A cada tiro, a banda festeja e o público aplaude, entusiasmado.

Ao final de tudo ainda recebi outro inestimável presente do Comandante e amigo Euclides: um exemplar do livro desse grande pesquisador e folclorista Olimpio Bonald Neto, "Bacamarte, Pólvora e Povo", que recomendo com todo entusiasmo.  Trata-se de uma análise histórico-sociológica dessa manifestação profundamente entranhada no viver do nosso matuto e que merece todo o nosso apoio.  Viva São João, viva o bacamarte e viva o Batalhão 15 de Bonito !



Mais sobre a cultura do bacamarte aqui: http://bonitobacamarte.blogspot.com/
Agradeço ao Wagner Wilker, blogueiro amigo, que mantém o Blog Bonito Bacamarte pelo uso das 
fotos que usei nesta matéria.




terça-feira, 12 de julho de 2011

CIGANOS POR OPÇÃO

Esta é a parte mais trabalhosa..
Nem me lembro mais como começou a minha atração pela Natureza e pelas viagens.  Escrevi sobre isso numa crônica do livro "Caçador de Lagartixas" - Acampamento frustrado.  Qualquer dia desses vou postar um resumo dessa minha primeira aventura campista.  Mas, o certo é que, durante cerca de 20 anos, entre 1975 e 1995, acampei com minha esposa e filhos pelo Brasil, percorrendo quase todos os Estados entre o Espírito Santo e o Maranhão, incluindo os estados centrais (Goiás, Minas e Distrito Federal.. ainda não existia o Tocantins). 
Depois, é só partir pro abraço !
Fizemos viagens longas, de 5.000 a 8.000 quilômetros, outras menores, em que pioneiramente conhecemos lugares que hoje são "atrações turísticas" e que anos atrás não constavam de qualquer guia turístico mais badalado.  No começo, acampava entre Pernambuco, Alagoas e Paraíba.  Depois todo o Nordeste foi visitado, raramente dormindo em alguma pousada, principalmente entre 1985 e 1990, quando comprei um "trailler", que era nossa casa ambulante.

No trailer tudo era mais tranquilo...conforto demais cansa 
Para rebocar essa mini-casa comprei o único carro grande da minha vida: um Chevrolet Opala Comodoro 2.5, grande bebedor de gasolina, mas que valia por muitas duplas de cavalos fortes para rebocar minha diligência moderna.

Depois de 5 anos nesse conforto todo, bateu a saudade das barracas e voltei à minha "sina" cigana, fazendo então belas e inesquecíveis viagens aos Estados mais distantes.

De toda essa aventura campista eu, Edla e os filhos guardamos recordações registradas em mais de mil fotos e dezenas de horas de vídeo, sempre revistos em família, no que chamamos "sessão-maratona" das viagens maravilhosas que fizemos por esse Brasil imenso.

sábado, 9 de julho de 2011

DE IBIMIRIM PARA O VATICANO: A ARTE DE MANOEL SANTEIRO



Sagrada Família
Nesse Brasil/Continente as coisas acontecem sem que tomemos conhecimento delas,   a não ser que sejamos interessados pelo assunto, principalmente quando esse assunto é Cultura.   Não é muito difícil explicar: muitos de nós consumem Cultura como se fosse um objeto qualquer.. 

É comum comprarmos um quadro ou uma escultura, somente pelo aspecto físico que eles apresentam, importando-nos mais como ficarão nos nossos planos de decoração  da casa, sem nos ligarmos em toda uma história que envolve aquele produto.



O consumismo utilitarista/imediatista tem-nos levado a isso.  Nem procuramos pensar  que, por trás daquela obra de arte existe um processo de criação, uma história de vida, de luta, de aprendizado.  
Anjos

Mas ficamos muito orgulhosos quando sabemos que um artista da nossa terra é reconhecido, ganha um prêmio, é divulgado em grandes centros ou até em outros países do mundo.  Por isso considero muito importante divulgarmos nossos artistas.  De todas as formas, por todos os meios.  Mesmo quando eles já nem precisam tanto dessa divulgação.. 

Como é o caso de Manoel Santeiro.  Este escultor, de Ibimirim, sertão de Pernambuco, começou o seu aprendizado com Mestres que já dominavam a arte.  Hoje é reconhecido, como ele próprio fala, neste depoimento, por ter sido o escolhido para atender a um pedido do então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, de presentear o Papa João Paulo II  com uma imagem da primeira Santa católica brasileira, a Santa Paulina.  Aliás, ele já está indo, pela segunda vez, compor a galeria de imagens sacras do Vaticano, com uma imagem de São Bento, para o Papa Bento XVI, a pedido do Governador Eduardo Campos.
Frei Damião

Vida longa a todos os grandes escultores da Arte Sacra pernambucana e brasileira, em especial aos Santeiros de Ibimirim !

terça-feira, 5 de julho de 2011

CAMINHÃO DE MADEIRA E BOI DE BARRO

Num tempo em que não havia vídeo-game, televisão, celular, computador e tudo o que é novidade tecnológica de hoje, em que até os meninos de 5 anos já têm seu próprio notebook e passam metade da vida navegando nos orkuts, messengers, googles e wikipedias da vida, a gente bem que se virava da melhor maneira para se divertir, e como.

Até faltaria tempo pra coisas mais importantes, se a mãe da gente não estivesse de olho no relógio, controlando e dividindo bem o tempo da gurizada, a fim de que não se atrasassem nos estudos.

Diogo, meu neto, mantendo a tradição (no caminhão de madeira,
o detalhe dos saquinhos de mantimentos)
A escola era sagrada e por nada nesse mundo se faltava a uma aula. Os horários de estudo eram prioritários e ninguém saía da mesa de estudo sem ter feito o "dever de casa".

Depois dessa maratona de aprendizado, aí sim, estávamos liberados para a brincadeira... e como brincávamos.

A maior parte do tempo eram os jogos de temporada: havia "tempo" de pião, de bola de gude, de empinar papagaio, mas tinha coisa que rolava o ano todo.   

"Barra a barra", "ferrinho", "pelada", "caubói" (os sulistas sempre sofisticando, chamavam "mocinho e bandido").  Dependendo da rua ou do bairro, esses nomes mudavam, mas não tanto.

Um autêntico "boi de barro"
No mais, menina brincava de boneca e menino só não brincava disso. Se bem que, nos famosos "batizados de boneca" a gente aparecia na hora do lanche, quando as meninas faziam uns refrescos, preparavam uns bolinhos, uns docinhos.. aí a gente se chegava e logo depois partia, dizendo que ia pro trabalho.

Se tinha uma brincadeira que eu gostava, era de fazer frete. Isso mesmo... montei minha própria empresa de transporte de quintal, no dia em que Mãezinha me trouxe, da feira de Casa Amarela, um caminhão de madeira.

Não era muito sofisticado, mas tinha começo, meio e fim, isto é: rodas, cabine e carroceria.

Vovó Anna, vendo um dia meu entusiasmo em transportar, tanto areia de quintal, como os boizinhos de barro da minha "fazenda", situada no canto do muro, nos fundos do terreno, resolveu aperfeiçoar minha transportadora. E na sua santa paciência, costurou umas três ou quatro dezenas de saquinhos de algodão cru contendo arroz, feijão e farinha... de verdade ! E ainda escreveu, em nanquim, o conteúdo de cada saquinho.   Aquilo era a glória para mim !

Quando eu carregava o caminhão me sentia um comerciante rico, distribuindo mercadoria valiosa, pra lá e pra cá. Entre o portão da frente, onde ficava meu "armazém" e a "fazenda" lá no fundo do quintal, onde pastavam meus bois de barro, havia 30 metros de distância, em linha reta.  Mas quem queria linha reta, aqui? O percurso total era duas ou três vezes maior, arrodeando a casa toda e fazendo curvas a todo instante, para dar mais emoção e justificar o valor do frete: uma notas de papel de caderno do meu banco particular, pagas a mim mesmo.  Afinal, comerciante, transportador e fazendeiro que era, senti também a necessidade de me tornar banqueiro, ora!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

LENÇÓIS MARANHENSES - PARAíSO BRANCO


Marcas dos nossos pés nas areias dos Lençóis
Cenário de deserto.  Dunas imensas, milhares delas em meio a um areal branco, a perder de vista. Uma ou outra palmeira quebra a monocromia da paisagem.  Mas, de repente, uma lagoa azul; mais adiante, outra verde claro e um pouco mais à frente, mais uma, desta vez cor de esmeralda, quase inconcebível no meio de tanta brancura.






Lagoa esmeralda nos Lençóis




A brisa forte e constante, ameniza o calor do sol escaldante e da areia quente sob os pés descalços.   E seguimos, nômades de espírito, tuaregs voluntários, no esforço de subir e descer tanta duna, mas usufruindo do prazer de sermos livres naquele espaço sagrado e quase intocado.



Beco da Catarina Mina - S.Luís






A viagem a este paraíso começou em São Luís do Maranhão, de tantas tradições, azulejos e casario original : restos europeus, nesse pedaço pré-amazônico do Brasil.  Marcas de Portugal, França e África, amalgamadas no sotaque nordestino de ser e de viver.



De São Luís a Santo Amaro, não são dois altares e um corredor… Não !  É muita estrada (de asfalto e de muita areia em meio ao capoeiral) até cruzarmos um braço de rio e aportarmos na Pousada Águas Belas, um lugar de paz e simplicidade à beira do rio.


Um jipão no meio da travessia







Dali começamos, num jipão 4 x 4, nossas incursões pelas dunas e lagoas.  Um deslumbramento só e centenas de fotos para eternizar esses momentos incríveis. E seguimos para Barreirinhas, no outro extremo do Parque Nacional.  Outras visões incríveis do lugar..  a beleza selvagem dos passeios pelo Rio Preguiças é imperdível.







Comunidades de descendência indígena ou quilombola, lidando com suas memórias ancestrais, materializadas no artesanato da palha do buriti e nas casas de farinha.  Pequenas vilas, alheias ao burburinho do mundo e do tempo. Atins,  Caburé, Mandacarú, Vassouras...Uma vida repetida por décadas a fio, como se os séculos estivessem congelados nesse isolamento compulsório em meio a areia e água, areia e palmeiras, areia e luz, areia e trevas.... areia e areia e areia e areia......

Vila de Mandacaru  - (coresia L.Shimabukuru)

Estar na rede ... não tem preço ! - Lá nos Lençois e rede é essa !
Tambor de crioula - S.Luís




Azulejos de Alcântara-(cort. L.S.)

terça-feira, 28 de junho de 2011

MASCATE DAS LEMBRANÇAS

Não quero nem falar sobre a famosa "Guerra dos Mascates".. Deixo isso para os historiadores em geral e os do Recife, em particular, como o meu amigo Leonardo Dantas, que sabe tudo sobre essa terra do "Leão do Norte".   Só queria dizer alguma coisa sobre um costume bem nosso: o Recife sempre foi farto de mascates.  Vendedores de tudo, incluindo-se aí a própria "Esperança".   Mario Sette nos fala, com enlevo, das "negras da Costa" vendendo em seus tabuleiros bolos, acarajés, pamonhas de garapa, grudes e canjicas.    E também nos "italianos tocadores de tachos" que consertavam de porta em porta os mais variados utensílios de metal (panelas, frigideiras, caçarolas, soldando tudo, repondo asas, desamassando tampas, depois do que saiam batendo em vasilhas que levavam para consertar em casa, com um pedaço de pau: tém..tém..tém..tém.....   Ainda alcancei, na minha infância, resquícios desses costumes.   Uma dia, há alguns anos atrás, acordei pela madrugada e deixei que essas memórias aflorassem com tal força que compus, de um só fôlego, uma das canções que mais gosto: "Mascate das Lembranças".


Na letra dessa música, relembro tipos que povoaram meu tempo de criança: um amolador de tesouras; o vendedor de cuscuz e o seu apito matinal; o "gringo da prestação", com seu baú mágico cheio de retroses de linhas coloridas, rolos de fitas, cordões e sianinhas, cartelas de botões coloridos, das mais variadas formas e tamanhos; os vendedores de "cavaco chinês"; todos os repentistas/propagandistas dos mais variados produtos, que pululavam pelas ruas estreitas do Recife-centro, incluindo os pândegos "Mané do Palito" e "Chá Preto e Pente", contando suas "novidades"..  Por trás de todos eles, como uma sombra protetora da categoria, rondava o célebre tema musical do patrono maior, de tempos que não alcancei: "Bolinha de Cambará"  !  Mas ficou sua música, renitente na memória de todos os recifenses com mais de 50 anos..
O "Mascate das Lembranças" foi gravado quatro vezes: a primeira com a Orquestra e Coral do Bloco Flor da Vitória-Régia; a segunda, com a Orquestra e Coral Levino Ferreira, do Maestro Lúcio Sócrates; a terceira com a minha Orquestra e Coro Cemcape e finalmente num arranjo para Cordas, mais elaborado, sob a forma de "Serenata Pernambucana".  Gravei o tema musical do "Mascate" em conjunto com outro tema da música "Saudade de Olinda".   Aos que não conhecem ainda o "Mascate das Lembranças", fica a sugestão.. Aos que já o curtiram nos Blocos de pau e corda do Recife, fica a oportunidade de relembrar e cantar conosco os refrões de antigamente, que registrei, com meu amigo Hamilton Florentino, na primeira gravação.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

O BLOGUEIRO VAI DAR UM TEMPO .. É SÃO JOÃO!

   
Tempo bom pra dançar quadrilha, comer milho assado na brasa, canjica e pé-de-moleque.. Tudo bem..

Mas, bom também pra relaxar, fazer umas trilhas, ler um bom livro, tomar um vinho pra aquecer de noite e uma cervejinha gelada pra acompanhar um bode assado no almoço, etc, etc..

Tudo isso a partir de amanhã.. Vou pra Bonito.. Não o de Mato Grosso do Sul, onde estive em setembro do ano passado.. É o nosso Bonito pernambucano, terra de Nelson Ferreira.  Terra de muita cachoeira e ainda uns caminhos legais pra se curtir..

IMPORTANTE !... ATUALIZAÇÃO URGENTE!

Não vou mais levar o livro que estava guardado na mala, já programado desde a semana passada, quando ainda terminava de ler "O símbolo perdido", um ótimo thriller de Dan Brown.. De jeito nenhum.. Ingrid Betancourt que me perdoe pelo adiamento.. "Não há silêncio que não termine" vai ficar pra volta.. Sinto muito, Ingrid, mas acabo de receber, agorinha, na volta do "cooper" vespertino, o tão esperado presente do meu amigo Mário Jorge Jacques, o MaJor, Mestre em Jazz,que é um dos Editores do excelente CJUB-Jazz & Bossa onde a gente bebe na fonte da sabedoria jazzística.  Trata-se do seu livro GLOSSÁRIO DO JAZZ,  que vou começar a degustar como um bom vinho, sorvendo cada página e aprendendo sobre essa Arte fantástica, ao som dos seus fantásticos "podcasts" .  Muito obrigado Mestre MaJor...  Paz, saúde e muita Música !

Bom São João pra todos e até a volta !!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

DIOGO, UM CARA MUITO ESPECIAL !

http://www.youtube.com/watch?v=fKDo93diPTk

Não é fácil ter somente um neto e ficar longe dele. Como diz o povo, "avô é pai duas vezes". Portanto, mais difícil ainda que ficar longe dos filhos é ficar longe dos netos.  Ou do único neto, no caso.

Claro que ninguém é senhor da Vida ou do Tempo, das circunstâncias, ou das distâncias.  E a gente termina se conformando com essas ausências, porque importa muito mais,  mesmo, a felicidade da família.
Eu tenho um carinho muito grande por esse (por enquanto) único neto. Outros virão, eu sei..  Enquanto não chegam, resta aos avós o consolo das visitas esparsas. Num ano eles vêem ao Brasil, noutro vamos nós visitá-los por lá. E assim vamos driblando a saudade, conversando pelo telefone, nos vendo pela Internet (que felicidade viver esses tempos modernos, onde subjugamos as distâncias com um simples modem, um teclado e um monitor)..

E aí é como se estivéssemos todos juntos, em casa, na hora do café ou do almoço, conversando, rindo, até mesmo brincando de esconde-esconde.

Quando Diogo era ainda bem pequeno, lembro que a gente tomava conta dele, no cercadinho, com seus brinquedos, enquanto sua mãe preparava seu suco, seu lanchinho.  Notebook ligado por lá, microfone aberto e os vovós-babás do lado de cá alertas a qualquer movimento.

Agora, aos quase seis anos ele está independente.. Um rapazinho!  Violinista promissor, quem sabe, um cientista, ou um ator? Talvez advogado, bem falante como é.  Comediante?  Médico? Que futuro lhe aguarda?  Nós na torcida.. Só sabemos que ele será grande, enorme no que escolher. Inteligente, esperto, bonito... Nosso orgulho, nosso neto !

sábado, 18 de junho de 2011

ABACAXI

Os Tártaros em 1965 - Da esq p/ dir : José Araújo, Fred, Walter, Djilson e Maristone

Três horas da manhã... Boate Candomblé,onde os Tártaros atuaram durante todo o ano de 1967.

Casa cheia, como sempre.  Muitos turistas que, em época de alta estação se hospedavam nos hotéis da orla de Boa Viagem.

Num momento de descontração, que era o da nossa refeição da madrugada, faltava um dos Tártaros.

Era o Mr X , galã inveterado que, conforme logo verificamos, conversava com uma loura platinada, num cantinho escuro, a poucos metros dali.   Conversa vai, conversa vem, o jantar dele esfriando, e o Mr X mandando lábia..Terminamos o jantar e o cara não estava nem aí...A louraça fazia trejeitos, balançava os cabelos, enfim, esbanjava charme pra cima do conquistador. Ele, animado, acenava de vez em quando, disfarçadamente, por cima dos ombros da loura, naquele gesto de -unindo as pontas dos cinco dedos da mão direita- traçar um "S" diante da boca, como a dizer:  "Está ferrada!".
A gente era feliz e não sabia...


Logo, logo, a loura levanta-se, vestido de baile justíssimo, brilhantíssimo, jóias e brincos balançando, cabelos jogados para trás, apanha a bolsinha dourada em cima da mesa, afasta a cadeira com afetação e, bamboleante, insinuante, sedutora, dirige-se ao "toilette".

Diante das portas dos banheiros pára um pouco, volta-se, sorri cinicamente para Mr.X e, com uma "rabissaca" de cabeça, queixo levantado, seios empinados, entra pela porta da direita.

No letreio da porta escolhida, talhada em acrílico brilhante, com todas as cores tropicais, a figura de um belo abacaxi e, pouco acima, em inglês, uma singela palavra de três letras: MEN...A propósito, no outro letreiro, faceira e amarela, uma banana acrílica vestida de Carmem Miranda, indicava: WOMEN...

Mr. X quase chora de raiva !

(Do meu livro de crônicas "Tártaros: os seis do Recife" )

quinta-feira, 16 de junho de 2011

DUDA: A MARCA DO GÊNIO


Há pessoas que se eternizam em vida..    
São as pessoas diferentes dos comuns mortais, pelo talento com que nascem e  que desenvolvem mais e mais, a cada dia na Vida, no Esporte, na Literatura, na Política, na Ciência, na Música.  
Esses me interessam de perto.. Músico esforçado, curioso, ousado nos projetos,  sempre admirei profundamente os grandes talentos musicais  de Pernambuco, procurando aproximar-me deles e aprender, observando a sua genialidade, tentando melhorar a minha curta bagagem musical.  Há alguns desses grandes talentos musicais brasileiros aqui em Pernambuco.   Este nosso Estado é um grande celeiro de gênios musicais da raça brasileira. São verdadeiros Alquimistas, que transformam instantaneamente em sucessos as canções que compõem, arranjam ou executam.  Eu tinha um projeto, que era mais um desejo, meio difícil de realizar, como tudo o que se refere à Arte pernambucana.  Uma série de documentários em vídeo com os "bambas do Frevo".  Não queria comercializá-los... Apenas preservar a memória do nosso povo tão bem aquinhoado, nesse particular. Não consegui o apoio mínimo que imaginava, mas não fico triste por isso.   Simplemente,  passo a divulgar como posso, através deste Blog,  os meus amigos geniais..  São poucos, porque sou exigente.  Não quero errar simplesmente por mostrar quantidade, abstraindo o principal, nesse tema: a genialidade pura e simples. Aqui vai o primeiro, e que considero, ao lado de Nelson Ferreira, Raul Moraes, Capiba, Lourival Oliveira, Zumba e Levino Ferreira, que já se foram, um dos criadores do nosso Frevo:  O Maestro Duda.  José Ursicino da SIlva, nascido em Goiana, Zona da Mata de Pernambuco, em 23 de dezembro de 1935.  Compositor de todos os gêneros, de todos os ritmos, de todas as épocas,  deixando sempre em sua obra a marca que o distingue dos comuns: a marca do Gênio.  Não vou dissertar sobre a vida e a obra de Duda.  Outros mais competentes já o fizeram.  Ele próprio, na sua humildade e simplicidade de homem realizado,consciente da grandeza do seu trabalho, prestou-me um depoimento curto sobre o que pensa da sua vida e da sua Arte.  Simples, direto, talentoso !   No vídeo, vocês verão uma síntese do que é Duda e sua obra.  






Verão, finalmente,  um pouco das homenagens a ele prestadas esse ano (o ano do Carnaval Maestro Duda), com o próprio Maestro regendo uma Superorquestra com mais de 100 músicos no encerramento do Carnaval do Recife 2011.  Além disso, temos a participação da Orquestra de Frevos do Conservatório Pernambucano de Música, formada por alunos e professores do Conservatório, regidos pelo Prof. Nino Celestino e denominada Orquestra Maestro Duda,  tocando os seus arranjos na obra erudita de dois dos quase 10 compositores cuja obra foi por ele revisitada. Mais vídeos com obras de outros compositores arranjados por Duda, você encontra aqui:  http://www.youtube.com/user/passarogomes

quarta-feira, 15 de junho de 2011

MAIS FORTES SÃO OS PODERES DO RIO!

A Natureza sempre me surpreende..   Ultimamente temos tido muitas razões para acreditar que o planeta é realmente um ser vivo, como apregoam os ecologistas.   Como um organismo doente, a Terra reage, contorcendo-se em terremotos, tsunamis, tempestades, furacões e erupções vulcànicas numa frequência pra lá de incomum.    É lógico que seja assim, pois estamos cada dia mais provocando esses acontecimentos. Sempre existiram, é certo, mas creio que nós, como hóspedes recentes nessa casa espacial, estamos perturbando o seu equilíbrio de todas as formas.   Porém, como uma mãe que apenas repreende os filhos e nunca deixa de amá-los e de prover o seu sustento, a Natureza se recompõe dos maus tratos que lhe infligimos e continua a nos matar a fome e a sede.

Dia 13 passado,  atravessava a Ponte Velha quando, já próximo ao Cais José Mariano, deparei-me com um pescador que lançava sua tarrafa ao rio.  Diminui o passo e tive o prazer de vê-lo puxar a rede e abrir um sorriso de alegria ao tirar dela um belo camurim (robalo, para os sulistas) de cerca de 3 kgs.   Imediatamente procurei conversar com ele.  Chama-se João Batista, e eu já o tinha  visto  pescando naquele local.  Convenci-o a dizer alguma coisa sobre a pescaria no que ele, mesmo meio envergonhado, consentiu.  Por uma incrível coincidência ,  estava com minha câmera portátil e ali mesmo gravei tudo.. Tive muita sorte, porque tão logo ele terminou seu depoimento, um transeunte comprou o peixe e o levou. Eu tinha gravado fazia uns dias algumas cenas nas Ruas da Imperatriz e Sete de Setembro, bem como "takes" do caótico trânsito recifense.
Aproveitei-as para montar esse pequeno clipe, que ornamentei com uma bela trilha sonora, uma toada chamada "Caminhos de Vidro",  composta e interpretada por minha filha Tatiana Monteiro,  gravada no F Studio, há uns dois anos atrás. Coube como uma luva.  Fiquei feliz com o resultado e divido com vocês essas indagações  sobre o nosso sofrido, mas sempre belo Recife...

terça-feira, 14 de junho de 2011

FESTA DO POÇO

O Poço da Panela já foi o subúrbio mais nobre do Recife; hoje é uma pálida sombra dos seus áureos tempos em que os Coronéis do açúcar ali mantinham suas residências de veraneio.


Nos idos dos séculos XVII e XVIII, dizem os historiadores, era por ali, no meio daqueles pomares fartos, com o Rio Capibaribe correndo manso e limpo, que as famílias abastadas passavam os dias de calor, na Capital da Província.

Ali também procuravam cura para as suas mazelas, nas propriedades terapêuticas dos banhos de rio, ao sol, numa vida saudável, que contrastava com o sombrio ambiente dos casarões do Recife de então.

Em louvor a Nossa Senhora da Saúde, construiu-se no Poço uma Igreja muito bela e bem adornada internamente em talhas de cedro, elaboradíssimas, conforme era o gosto do Barroco pernambucano.

E, diante da Igreja, passou-se a celebrar, desde então, uma festa religiosa-profana que já é tricentenária: a Festa do Poço.

Claro que, como tudo no Recife, a festa teve seus dias de glória sendo hoje, como o bairro, um fantasma do que foi.  No meu tempo de adolescente, aliás, já era assim.  A gente ia pra Festa do Poço somente por falta do que fazer, mesmo.  Depois da Novena, que eu nunca frequentava, começava a festa de rua.  A oportunidade pra gente conhecer meninas de outros Bairros, tomar uma caneca de chopp, comer um "churrasquinho de gato", um "pastel de vento", ou oferecer para as garotas uma "maçã do amor", vermelha e caramelada, coberta ainda por uma camada de bolinhas coloridas muito pequenas que as meninas, nem sei porque, adoravam...


Acho que, na verdade, elas aceitavam essas nefandas maçãs mais pelo galanteio e como uma espécie de troféu pensando, talvez, assim: ..."Oba, hoje eu estou irresistível.. ganhei uma maçã do amor!"...

Pra gente, oferecer uma maçã destas era uma maneira de dizer que estava a fim de um namoro.

Claro, havia também o serviço de alto-falantes pra ajudar a conquistar os corações femininos que deambulavam palpitantes por ali...

E haja música oferecida às garotas, muitas vezes até pelo velho espírito de molecagem.

O locutor da festa, invariavelmente empostava a voz e tascava: "Atenção Fulana... Assim como as rosas abrem suas pétalas para receber o orvalho da manhã, abra também o seu coração para receber esta melodia que Fulano lhe dedica...."

E vinha, pelo som rouco das "cornetas", um bolerão de Anísio Silva ou Orlando Dias, com suas juras de amor e lágrimas
de um coração despedaçado...

(Crônica extraída do meu livro "Caçador de Lagartixas", Ed.LivroRápido/Elógica, Recife, 2008)

sábado, 11 de junho de 2011

DANÇAS MATUTAS PELO MUNDO E PELOS TEMPOS

Se olharem direitinho, verão que não somos tão diferentes, povos do hemisfério norte ou do hemisfério sul.. Afinal, nesse planetinha azul, em "festas de interior", na celebração das colheitas,  o que conta é a alegria da Música e da Dança.

Normalmente danças "de roda", com passos vibrantes e simples, mas que transmitem grande energia.  Pesquisando sobre danças populares, baixei esses dois vídeos do You Tube e vi muita semelhança no vigor dessas danças "caipiras".   

Um trio de músicos, um "gritador" de quadrilhas, moças e rapazes dançando felizes, mesmo separados pelo tempo e pela distância.. No tempo, estão distantes quase 50 anos ( a "quadrilha" americana é dos anos 60, filmada em 16 mm, P&B, numa cidadezinha do oeste dos EEUU; a brasileira é recente, filmada em vídeo digital, numa cidade do Agreste pernambucano, poucos anos atrás).

Na distância serão talvez umas 5.000 milhas ou 8.000 kms em linha reta..  De avião umas 10 horas de vôo direto, é pouco ?

Propositalmente, troquei as trilhas sonoras e o resultado ficou bem interessante:  uma quadrilha pernambucana com banjos e fiddles (rabecas) e uma festa americana movida a "trio de forró".    A intenção, porém,  é a uma só: celebrar a Música, a Dança e a Vida!

A todos os que curtem o Blog, desejo neste início de Ciclo Junino muita Paz, Saúde e Alegria !

quinta-feira, 9 de junho de 2011

MEU AMIGOS ANIMAIS (2)

onças cochilando- recife(pe)
cristal - recife (pe)



cervo com bem-te-vis na garupa  - pantanal (ms)











Sempre que posso, na natureza ou em zoológicos, estou fotografando animais.

Uma mania de muitos anos que eu gosto de preservar.

Eles são autênticos, não se importam muito conosco e vão levando sua vidinha do jeito que a natureza manda.



Não têm gostos extravagantes, como seus irmãos "superiores" (pelo menos nós pensamos que somos assim em relação a eles).

Em compensação, não se obrigam a matar ou morrer por ideais, nações ou crenças.


São como são e conforme foram criados.  Os que domesticamos até que suportam se afeiçoar a nós.. 

Pensamos que somos seus "donos".. Qual o que.. Eles pensam o mesmo e acho que têm razão.  

Haja vista a fortuna que se gasta para manter um cachorrinho ou um gatinho "up to date".


mister M - timbó(sc)
Os menos afáveis nos mantêm afastados (para o bem deles, eu acho).



E que seja assim, por todos os séculos, amém..  Deixemos que vivam..

Afinal estão no planeta há muito mais tempo que nós.. E não vêm destruindo seu habitat. 

Apesar de "feras", têm inteligência para não fazê-lo.  E aí eu pergunto: Nós é que somos superiores ???


jacaré - timbó (sc)



quarta-feira, 8 de junho de 2011

FLORES, SORRISOS DE DEUS 4 - MAIS FLORES, SEMPRE !

florianópolis - sc
tulipas - redmond - wa(usa)

helicônia - pomerode-sc
bromélia - florianópolis - sc









Singelas,  elegantes, 

coloridas...

às vezes tímidas, retraídas

(escondem-se)

em meio a espinhos,

ou entre as pedras

dos caminhos..


 Mas, sempre lindas,

e até perigosas,

veneno oculto, maliciosas

Inspiram sonhos,

esbanjam cores.

sorrisos de Deus...

divinas flores !



Recife, junho 2011


bromélia - florianópolis - sc
ninféia - marimbús - ba