segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ALAGOAS TAMBÉM TEM SUA MISS LIBERTY



Não sei se vocês sabem, mas em Maceió, onde eu nasci, também temos uma Estátua da Liberdade.
É uma réplica perfeita, mas em menor escala, da Miss Liberty de New York e foi feita pela mesma fundição, tendo como autor o mesmo escultor da original, Frederic Auguste Bartholdi.  


A Miss Liberty alagoana está fincada no seu pedestal à frente do MISA - Museu da Imagem e do Som de Alagoas, no bairro portuário do Jaraguá.A escultura tem mais de um século de existência e o prédio onde está situado o Museu foi construído em 1869. Fiz esta foto em 20 de dezembro, dia em que eu estava completando 63 anos.

TRÊS EM UM - PARTE FINAL



Como eu disse lá em cima, essa é a pior parte da experiência do triathlon, pelo menos para mim.  As pernas ficam completamente bambas, depois do ciclismo. É terrível.  Você não consegue controlar a tremedeira dos músculos das coxas, o corpo aderna para um lado e para o outro, feito um veleiro numa tempestade, e durante uns bons 3 minutos você tem que conviver com isso. Mas até o que é ruim tem um fim, pois pouco depois a gente já está correndo normalmente e começando a ganhar ritmo.

Assim, concentrei-me no percurso de 7 km que tinha pela frente e dentro daquela "tática infalível" dei o melhor de mim.  Como sempre, sou muito concentrado quando estou competindo e somente observei um pelotão de recrutas que me acompanhava, já próximo ao final do percurso, voltando pela Av Marcos Freire em direção ao Quartel, à altura do km 6.  Cheguei a ouvi-los comentar mais ou menos isso: "Esse coroa tá dando muito trabalho. A gente não pode chegar depois dele, não".. E o grito de guerra deles: "Infantariaaaa!!!"


Mantive o quanto pude meu ritmo, tentando guardar uma reserva para o tiro de chegada. E esse "tiro" logo aconteceu, poucos minutos depois. No último trecho, faltando algumas dezenas de metros para o funil, quatro recrutas, passaram por mim, naquele ímpeto que a juventude lhes proporcionava, talvez também determinados a não perder para um "coroa" que tinha idade de ser pai de algum deles.

Cruzei a meta 1h,25m e 9 segs depois que entrei no mar para as primeiras braçadas.  Perdi quatro posições na última etapa e finalizei novamente em 41° na classificação geral e 1° lugar entre os veteranos.  Nada mal para um "coroa" que começou a correr aos 37 e fumou feito uma chaminé dos 18 aos 32 anos.


Meu diploma de triatleta, que vocês vêm aí, é um dos mais queridos da minha coleção.  Após correr oficialmente cerca de 60 competições, entre as quais 3 Maratonas e esse Triathlon, considero-me livre dos malefícios do fumo e das pragas da preguiça e da desmotivação.

E verifiquei o seguinte: o ser humano é realmente uma máquina extraordinária, comandada pelo cérebro que tudo pode !

Qual o combustível desse cérebro/motor de duas pernas ? Respondo, sem medo de errar: é único e impalpável... seu nome é SONHO !

domingo, 16 de janeiro de 2011

TÁRTAROS - O VÍDEO !


Prometido é devido.. e sem mais comentários, seguem as imagens da festa dos 45 anos aos Tártaros, por ocasião do aniversário do nosso baterista Djilson Beirão, ano passado. Os coroas vão curtir, os mais novos vão saber um pouco mais da história do rock pernambucano dos anos 60 e todos nós vamos ficar um pouco mais felizes por saber que ainda existem, neste mundo complicado, certos valores que não podem ser esquecidos. Divirtam-se !

sábado, 15 de janeiro de 2011

OS TÁRTAROS

Eu tinha oito anos quando ganhei meu primeiro instrumento, uma gaita de boca Hering cromática, linda e sonora.  Foi presente de aniversário de minha tia Mary, que tocava acordeon e cantava no Coral do Carmo, no Recife. Logo aprendi umas melodias simples e levava a gaita sempre comigo, até os dez anos, quando fui estudar no Ceará, na Serra de Baturité e a perdi, numa dessas viagens.
                Só recomecei aos 16 anos, quando comprei um violão para acompanhar-me nas muitas serenatas que fiz pelo bairro de Casa Forte, com nossa turma.  Isso até o dia em que um amigo que estava montando uma banda de rock (naquele tempo, a gente dizia “conjunto de iê-iê-iê”) me convidou para participar.  Eu havia acabado de comprar minha primeira guitarra elétrica e estava mesmo doido pra montar um grupo.
             

Assim, em maio de 1965, fundamos “Os Tártaros” (nada a ver com dentes.. era uma referência aos povos bárbaros da Mongólia, do famoso guerreiro Gengis Khan). Atuamos muito nos clubes sociais, casas noturnas e estações de rádio e TV do Recife e por todo o Nordeste.  Aliás, hoje fazemos parte da história dos 50 anos de televisão pernambucana, citados que fomos num livro recentemente publicado para comemorar o cinquentenário.
                Os fundadores dos Tártaros foram José Araújo Neto (contrabaixo), Walter Neves (guitarra-solo), Djilson Beirão (baterista), eu (guitarra-base e órgão elétrico) e um saxofonista chamado Ferreira, que passou pouco tempo conosco.  Logo depois dele, convidamos o  Raimundo Carrero, hoje conhecido escritor que, naquele tempo chegava de Salgueiro para estudar no Recife e tocou sax-tenor conosco por pouco mais de um ano.
                Depois de Raimundo, veio o irmão do Walter, o Waldilson (guitarra-base) que ficou até o final desse primeiro grupo, em março de 1969, coincidentemente na mesma época em que os Beatles terminavam uma fase de ouro da música pop global.  Fomos também contratados pela maior fábrica de discos do Nordeste, a Rozemblit, tendo gravado vários compactos e também acompanhado outros artistas dos selos Mocambo e Artistas Unidos, pertencentes à Rozemblit.
                O conjunto foi refundado e ainda permaneceu na ativa por muito tempo, até os anos 90, pelo menos. Mas aí, já num caráter muito mais profissional, com uma troca constante de componentes, de forma que dezenas de músicos recifenses chegaram a tocar com o conjunto.
                Ano passado, por ocasião do aniversário do Djilson, juntamos muitos desses músicos conosco, participantes da primeira formação numa noite de muito rock e de muita alegria, juntamente com os familiares.  O evento foi por mim registrado em vídeo e oportunamente vou editá-lo para divulgação aqui no blog.


Quem viveu os anos 60, com toda aquela renovação de estilos musicais, comportamentais e de atitudes perante o mundo em crise, só pode lembrar com saudade de tempos românticos e ao mesmo tempo de uma intensa mudança que nos levou pela vida afora a outra visão do mundo, a outra visão da vida.

CARIRIS PARAIBANOS

Um  dos  belos  destinos  ecoturísticos  do  Nordeste,  a região dos Cariris paraibanos é ainda pouco conhecida, embora suas imagens estejam mais que amplamente divulgadas em filmes antológicos, rodados sob o sol escaldante do verão nordestino e do céu sempre azul, que faz a felicidade de fotógrafos e cineastas. Tanto que hoje Cabaceiras, a “Roliúde Nordestina” , cidadezinha próxima a Campina Grande é uma referência nacional, tendo servido de cenário a mais de 20 filmes brasileiros e inúmeras mini-séries da TV Globo, tais como “O Auto da Compadecida” e “Cinemas, Aspirinas e Urubus”.
Formação rochosa rara, a região do Lajedo do Pai Mateus foi-se moldando há mais de meio milhão de anos, com o afloramento rochoso do terreno, e se constitui de  pedras imensas, pesando dezenas de toneladas que, à primeira vista, parecem ter sido cinzeladas caprichosamente,  tomando formas  arredondadas (como p.ex. a Pedra do Capacete, a Casa do Pai Mateus e outras) e também retangulares, empilhadas como se fossem construções feitas pela mão humana (como a Saca de Lã).
De apelo místico, faz parte do conjunto fantástico envolto pela chamada Muralha do Meio do Mundo, e ali ocorrem muitos sítios arqueológicos com milhares de inscrições.  Destes, o mais imponente é a Itacoatiara do Ingá, ou simplesmente Pedra do Ingá, no município de Ingá do Bacamarte, que já tive oportunidade de visitar em três ocasiões distintas.
Cabaceiras também  é conhecida pela Festa do Bode-Rei, em junho, quando as comemorações da Festa de São João, a mais popular do sertão nordestino, tomam conta da pequena cidade.
O Hotel Fazenda Pai Mateus, onde fiquei hospedado, é simples mas muito agradável, com vários chalés individuais, todos com vistas para um jardim bem sertanejo, muitas árvores e cactáceas, bandos de pássaros voando entre elas, um atendimento muito simpático, comida caseira e regional excelente, enfim, uma típica fazenda nordestina nos Cariris.
Além de agradável e curioso, esse passeio tem opções para todas as idades e gostos.  Você tanto pode ficar o dia inteiro simplesmente sem fazer nada, na sua rede, somente ouvindo os canários, galos-de- campina e casacas-de-couro fazendo dueto com os bodes, gansos e galinhas d’angola da fazenda, como pode andar por trilhas e mais trilhas com os guias locais, subindo e descendo lajedos, fotografando a belíssima flora local (predominância de cactos os mais diversos, como a coroa de frade, xique-xique, macambira, mandacarus, algarobas e árvores maiores como aroeiras e juazeiros). 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

TRÊS EM UM (SEGUNDA PARTE)

Feito no tempo dos seriados, lá vai o final do primeiro capítulo da minha experiência com o Triathlon:

"Resumindo, passei pela segunda e terceira bóias com muita tranquilidade e, 16 m e 34 segs depois, na 41a. posição, venci os 700 metros da etapa e corri pela areia rumo à minha bicicleta."
Pois bem... Como eu já tinha dito, você sai do mar meio tonto, depois do esforço de nadar, com a garganta muito seca e os braços meio desarticulados. Mas as pernas (ainda) estavam inteiras e parti com gosto pra cima da minha "magrela".. Bicicleta pobrezinha, coitada.. Em meio a tantas máquinas de luxo, a maior parte japonesas, americanas, praticamente todas de alumínio, com belas engrenagens entre 15 e 21 marchas, a minha velha Caloi Peri tinha só 3 marchas.
Uma "coroa" e 3 "catracas", para falar em termos mais populares no ciclismo. O único luxo que dei para a pobrezinha da minha "magrela" foi um par de pneus de uma polegada, um selim "concorde"e um guidão esportivo, de aço mesmo, pois o de alumínio tinha um preço proibitivo..
Mas a Caloi estava afinadinha comigo e, pensando bem, ninguém usa mais que 3 marchas mesmo, não é verdade?.. Bom.. ganhei a Av Getúlio Vargas e usei da minha tática infalível, aprendida num jocoso comentário de um corredor de maratonas americano, citado pelo mestre das corridas Jimmy Fix (ainda vou falar desse guru por aqui !): "minha tática é simples... começo a toda velocidade que conseguir e vou aumentando até chegar à meta" !
Pois foi isso que fiz: pedalei com muita garra e consegui galgar mais quatro posições, terminando em 37° lugar na etapa de ciclismo, com o tempo de 34m25s para os 15 km de percurso. A bicicleta tinha que ser largada no pátio do Quartel do 4° Batalhão de Polícia do Exército, que deu todo o apoio à prova.
Foi o que fiz.. Pulei da Peri e já saí dali correndo desajeitadamente.
(continua no próximo episódio, o final..)

TERNURA ANTIGA

Anos atrás, publiquei muitas fotos num site de fotografia em que compartilhavam o espaço fotógrafos amadores, como eu, e profissionais do mais alto nível, assim do Brasil, como da Europa e de outros lugares do mundo. Chamava-se "Photografos". Essa época me deu muitas alegrias.
Receber elogios e comentários de colegas amantes da arte de "escrever com a luz", tradução literal para "fotografar", é muito gratificante e, ao mesmo tempo, receber uma crítica construtiva dos mais observadores, ou um conselho inteligente dos mais sábios, no sentido de melhorar sua técnica e sua maneira de olhar o mundo, também.
Comecei a gostar da fotografia muito cedo, vendo meu pai, também fotógrafo amador, usar sua câmera "Flex-A-Ret" e acompanhando-o no seu improvisado laboratório, a revelar negativos e ampliar suas belas fotos de família e de viagem.
Meu Pai e minha Mãe se foram ano passado.. Ainda velhinhos eu os fotografei e filmei muitas e muitas vezes, na ânsia de guardar suas imagens físicas e de congelar num papel suas emoções, o brilho dos seus olhos e do seu sorriso carinhoso. Casaram-se em 1942.  Em 2010 completariam 68 anos de casados, em 72 de convívio harmonioso.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

DOIS POEMINHAS SOLARES




ENCANTAMENTO DO SOL

Do Eterno Oriente
às dunas do Iguape,
louvada seja a Luz !

(diuturna, vibra
a vida
em áurea flama)










SANGRIA DE LUZ

O sangue solar se esvai
Em rubras cores pintando
a Morte de mais um Dia

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

TRÊS EM UM (PRIMEIRA PARTE)


3 em 1 aqui não é eletrodoméstico, não... É um esporte fantástico chamado Triathlon.
Só quem já o praticou e competiu pode avaliar como é legal a gente se superar para concluir uma prova dessas, por menor que seja.

O grande problema de correr um triathlon, qualquer que seja a distância para a qual a gente treina e se condiciona é, ao meu ver, a mudança de atividade em sequência. Essa mudança implica em você usar, para a natação -primeira das provas- o grupo muscular superior com mais intensidade, isto é, o seu esforço maior estará concentrado principalmente nos músculos dos braços. Como no triathlon a natação é desenvolvida no mar, a coisa fica pior, pois você tem que vencer também alguma correnteza. Saindo do mar, já meio tonto por causa da respiração forçada pela boca, você corre para, rapidamente vestir uma bermuda e camiseta de ciclismo, calçar os sapatos, montar na bicicleta e iniciar outro tipo de esforço. No ciclismo você descansa a musculatura superior e passa a forçar os membros inferiores, com ênfase na musculatura das coxas e articulações de joelhos e tornozelos. Depois de ter atingido aquele estado de equilíbrio, após alguns minutos pedalando forte e até terminar a distância é que vai começar a pior parte: a corrida final. No Triathlon olímpico as provas são assim divididas: 1 km de natação, 40 kms. de bicicleta e finalmente 10 kms. de corrida.

Eu treinava sempre nessas distâncias. Mas, por volta de 1988, quando corri minha única prova oficial não existia em Pernambuco o menor interesse pelo Triathlon. Até que, em 22 de maio daquele ano, foi incluído o esporte como parte da Semana da Infantaria promovida pelo Comando Militar do Nordeste. Não sei se a prova ainda existe até hoje, mas não tenho tido notícias disso.

Assim, naquela manhã ensolarada, na beira-mar de Casa Caiada, Olinda, vi-me em meio aos cerca de 150 triatletas mirando o mar e imaginando como seria disputar aquela prova em meio a tanta gente nova, já que, veteranos ali seriam todos os indivíduos com mais de 30 anos... e eu já tinha completado os meus 41...Na verdade, acima dos 30 éramos talvez uns 15 triatletas, a maior parte completamente iniciantes nesse esporte.

Assim que foi dada a largada (uma salva de tiros) o mar transformou-se numa espuma branca pontilhada com centenas de pernas e braços movendo-se furiosamente em direção à primeira bóia, a cem metros da linha de arrebentação.
Deixei a moçada se afastar e somente quando a confusão da largada terminou, entrei na água e comecei a nadar. Havia, lembro-me bem, uma equipe de jovens nadadores, uns caras que costumo chamar de "armários" (1,80m de altura por 1 metro de largura) que largaram desesperadamente rápido. Antes da primeira bóia os alcancei e logo saí ganhando posições, sempre com medo de levar uma pernada na cabeça ou nos braços, pois os pelotões ainda estavam muito próximos. Resumindo, passei pela segunda e terceira bóias com muita tranquilidade e, 16 m e 34 segs depois, na 41a. posição, venci os 700 metros da etapa e corri pela areia rumo à minha bicicleta.
E, como nos velhos seriados de cinema da minha época de garoto, deixo a continuação desta narrativa para o próximo post sobre esportes. Dou a vocês, meus pacientes leitores, um tempo para respirar. Até a próxima !

A NOSSA PRÉ-HISTÓRIA

Quando se fala em Pré-História, em cavernas, tumbas e inscrições rupestres, logo nos transportamos mentalmente à Velha Europa, ao Oriente Médio, Próximo ou Extremo, à África, enfim aos Velhos Continentes. Só que esquecemos que o planeta é um grão de areia no Universo e abriga possibilidades impensadas.

A nossa Indiana Jones de saias, uma mulher extraordinária chamada Niède Guidon, embrenhou-se a fundo no sertão e na arqueologia brasileira para, em plena caatinga piauiense, comprovar a sua teoria do surgimento do homem nas Américas. Não vou aqui tratar de toda a base científica da tese de Nìede Guidon, porque me foge competência para tanto.


Mas, garanto que vocês jamais verão tão de perto as nossas origens, se não fizerem o que eu fiz: uma viagem à Serra da Capivara é uma viagem ao nosso passado mais remoto, às nossas raizes ancestrais.
A beleza rude do lugar, o clima seco e quente, a natureza exuberante, tudo nos deu tanto prazer , que consideramos a Serra da Capivara um dos nossos melhores destinos ecoturísticos.
Sem o charme de hotéis de luxo, sem o conforto total ao turista, sem tecnologia de lazer, estar naquele Parque Nacional é, no entanto, puro prazer mental, cultural e artístico.


Sim.. a Arte mais pura brota naquela Serra em cada inscrição rupestre, em cada objeto metodicamente catalogado no seu Museu, em cada explicação dos guias bem treinados, todos estudantes de Arqueologia e de Ciências da Natureza, da extensão local da Universidade do Vale do São Francisco, em São Raimundo Nonato - PI, sede do Parque Nacional.


Conselho de um velho viajante que há mais de quarenta anos roda pelo Brasil descobrindo a cada dia suas belezas infinitas: conheçam nossa pré-história na Serra da Capivara, surpreendam-se com nossos ancestrais puramente nordestinos, brasileiros como nós e orgulhem-se dos seus feitos, da sua arte e do seu amor pelo Brasil !

domingo, 9 de janeiro de 2011

RUA DO IMPERADOR

Em 2002, eu e Tatiana, minha filha e companheira de música, literatura e esportes, escrevemos em conjunto um livrinho chamado "Imperatriz/Imperador", cuja abertura eram dois acrósticos, um dela e outro meu, tratando dos temas ligados às ruas que têm esses nomes, no Recife. Transcrevo aqui ambos, ilustrando o post com uma foto minha da bela fachada da Capela de São Francisco (a Capela Dourada), a que me reporto no poema, assim como outra foto, igualmente da minha autoria retratando a Rua da Aurora, às margens do Capibaribe.

IMPERADOR
I mpossível esquecer..
M ulheres, meninos
P edintes, mendigos,
E m frente à Capela,
R etrato do Horror..
A o lado, a Justiça,
D e frente, o Tesouro..
O utrora foi nobre o
R eino da Dor



IMPERATRIZ
I ndago:
M ulher ou rua?
P aixão ou blocos ?
E strelas ou pedras-portuguesas?
R ua da Imperatriz:
A rte ou rua?
T esouros ou blocos?
R ubis ou pedras-portuguesas?
I mperatriz:
Z únia no coração do Recife.

sábado, 8 de janeiro de 2011

VIOLONCELLO

Desde os oito anos de idade comecei a tentar fazer-me ouvir como músico.
Já tinha tentado ser cantor aos dois ou três anos de idade... e tem mais, cantor internacional !
Pois é.. eu arremedava umas canções em espanhol, boleros de Bienvenido Granda, tangos de Carlos Gardel, etc. Isso tudo varando as noites de insônia, esse fantasma que até hoje ainda me acompanha.
Aos oito anos, ganhei de presente da minha tia Mary uma gaita de boca Hering na qual aprendi a tocar algumas melodias da época,entre as quais a canção "Boiadeiro" de Armando Cavalcanti e Klecius Caldas, interpretada pelo eterno Luiz Gonzaga.
Com o tempo, fui-me atrevendo mais e mais no campo da música e comprei um violão aos 15 anos. Aos 17, uma guitarra elétrica, que me levou à profissão, nos anos 60, embarcando na onda da Jovem Guarda, como guitarrista e posteriormente organista do Conjunto "Os Tártaros". Mais recentemente, compositor mais ou menos conhecido entre os adeptos da MPP (Música Popular Pernambucana) totalizo no meu catálogo umas 90 peças musicais, todas gravadas no meu estúdio de gravação (F Studio Audio e Video). Há também inúmeras regravações de músicas minhas por cantores, cantoras e grupos daqui de Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro, o que me deixa muito feliz.
Mais recentemente, em abril do ano passado, dei um passo que temo seja maior que minhas pernas: meti-me a estudar violoncello. Pois é: o meu sonho de consumo musical sempre foi este.
Estudar um instrumento erudito, que contenha em si um grau de dificuldade tal que me obrigue a voltar à teoria, ao solfejo, às partituras, à audição de obras clássicas, enfim a um universo musical mais complexo do que o dia-a-dia da música popular entre as paredes do meu estúdio e entre o left/right dos fones do meu player Zune.
Não desdenho nada do que fiz até hoje, mas tenho dado muita atenção ao meu cello. E tenho agradecido imensamente a Sinichi Suzuki, o grande Mestre que criou um excelente método para o aprendizado das cordas que -dirigido a crianças, inicialmente- hoje entusiasma um fiel seguidor de (por enquanto) 65 anos de vibração musical.

FLORES, SORRISOS DE DEUS - NINFÉIAS


Tenho uma paixão muito grande pelas flores.

Certa vez, num site de fotografia muito bom, que infelizmente acabou, chamado "Photografos", onde fiz excelentes amizades com fotógrafos profissionais e amadores do Brasil e da Europa, havia publicado uma das dezenas de fotos de flores que eu fiz por aí, Brasil afora, algumas também em Redmond, WA, onde mora meu filho Fred.

Faltava-me, porém, um título para aquela foto..Era uma flor muito singela, dessas flores cujo nome a gente nem procura saber, tão belas são.

Ocorreu-me então uma imagem poético/filosófica bastante divulgada cuja autoria, por incerta, é melhor não citar: "Se a Rosa tivesse outro nome, por acaso seria menor a sua beleza ?"

Afinal, tantos e grandes poetas e escritores já disseram tudo sobre as flores que isso é tão secundário quanto o nome daquela florzinha que eu fotografei, numa manhã, no sítio do meu irmão, em Aldeia, muito apropriadamente chamado "Granja Paraíso".

Chamei aquela flor, na verdade um cacho de pequenas flores lilases, de "O sorriso de Deus".

Realmente, considero que as flores só podem ter sido criadas num momento de extrema felicidade do Pai Eterno.

Na letra de um frevo-de-bloco de minha autoria, chamado "Deusa Amazona" em uma das estrofes eu afirmo: Se Deus ao criar as flores/em noite tão soberana/ungiu-te com Seus favores/oh minha deusa amazona..tomou-se então de amores/ e nunca mais te esqueceu/pois dentre todas as flores/a preferida Ele te escolheu..

Pois bem..Símbolo do Bloco Flor da Vitória-Régia que nossa família fundou em setembro de 1998 em Casa Forte e que desfilou por 7 anos nos carnavais do bairro, a flor da Vitória-Régia tem na sua beleza uma legião de apaixonados, e nela eu me incluo.

Assim, divido com vocês essa paixão, com uma foto de uma ninféia, cuja família conta com o prestígio de abrigar também a Vitória-Régia, uma deusa amazona/amazônica/universal e tão amada.

MUITO REAL

Mal soou o sinal de largada, os quase 100 corredores esqueceram a distância que teriam de enfrentar e precipitaram-se rumo à Avenida Rosa e Silva, início da "I Maratona da Jaqueira", numa quente tarde recifense de Novembro.

Logo após a confusão das primeiras centenas de metros, os grupos foram-se formando, alguns logo se destacando, em razão da velocidade dos corredores que os compunham.Formei num pelotão intermediário, com cerca de dez corredores e entramos numa cadência uniforme, até os primeiros nove quilômetros.A esta altura, já havíamos vencido parte do trecho urbano da prova (Parnamirim, Casa Forte, Apipucos, Dois Irmãos) e seguiamos pela BR-101 (Cidade Universitária) em direção ao Aeroporto, via Avenida Recife.  Por volta do km.12, o pelotão dispersou-se: alguns seguiram à minha frente, outros foram ficando para trás.


Concentrado na corrida, prossegui sozinho até o km. 21, após haver cruzado toda a extensão da Avenida Recife, com seus muitos conjuntos habitacionais, fábricas e depósitos. O trecho da orla marítima de Boa Viagem amenizou o calor dessa primeira hora e meia de corrida. Além do mais, com o sol posto, a temperatura tenderia a cair. Até os 28 quilômetros, acompanhei outro pequeno pelotão que, aos poucos, foi seguindo em frente.

Novamente corria sozinho, ao subir o Viaduto Joana Bezerra. No posto d'água do km. 30 verifiquei meu tempo de corrida: 2 horas e 36 minutos. O desgaste provocado pelo calor e pela distência começaria a pesar bastante, nesse trecho apropriadamente chamado de "barreira".
................
Foi a partir do km. 32 que notei, ao meu lado, uma presença estranha... travamos um diálogo feito de frases curtas:

- Bastante quente o tempo aqui, não ?

- É, respondi. A umidade também está muito alta...

- Na minha terra, o clima é quente, mas um pouco mais seco, disse o estranho.

- E você, o que faz por lá, afora correr?

- Exatamente isso... corro. Sou mensageiro profissional. Estou sempre correndo.

Notei que ele usava uma roupa esquisita e calçava sandálias antigas de couro, amarradas com tiras, nas pernas. Corria com um desembaraço e estilo que não deixavam dúvidas quanto à sua afirmativa: era, realmente, um profissional. Mas, se assim era, por que acompanhava um corredor mais velho e lento, como eu ?

- Desde quando você começou a correr ? perguntei para reiniciar a conversa

- Desde que entrei para o Exército, respondeu. Atualmente, sirvo ao General Milcíades.

.............................

A essa altura, já havíamos subido o Viaduto de Olinda e tomado o retorno do Centro de Conveções. Estávamos no km. 36 e ainda faltavam seis quilômetros para o final. Nesse trecho mais crítico da prova, esqueci o corredor e continuei, concentrando meu pensamento no momento da chegada, a fim de amenizar um pouco o desconforto físico geral, provocado por mais de três horas de corrida.

Depois da curva do Clube Português, na retomada da Avenida Rosa e Silva, um súbito "estalo" de memória fez-me olhar para o lado.

O corredor continuava firme, trocando passadas no exato ritmo em que eu prosseguia. Seu aspecto era de absoluta tranquilidade. Não se notava nele o menor vestígio de suor, enquanto que as minhas roupas estavam completamente encharcadas.

...................................

Faltando menos de um quilômetro para a meta de chegada, em frente ao Parque da Jaqueira, mal contendo a emoção, arrisquei uma pergunta:
- Antes da Batalha, você correu mesmo aqueles 240 quilômetros até Esparta ?

- Claro !, respondeu-me o corredor. Ida e volta, em dois dias e duas noites. Logo depois, o General Milcíades pediu-me que fosse até Atenas para levar ao Rei a notícia da nossa vitória. Então, corri de Maratona a Atenas e transmiti o recado.
.............................
Emudeci... um nome, apenas um nome, ocupava agora toda a minha mente: FIDÍPEPES.. a lenda da Batalha de Maratona. FIDÍPEDES, o semi-deus ! Faltavam poucos metros. No asfalto, em grandes letras amarelas, alguém da Organização havia escrito: 'VOCÊ É UM HERÓI !"

A minha batalha estava ganha. Cruzei a meta, desta vez sorrindo. Fidípedes seguiu à minha frente, em direção ao Parque. Ainda voltou-se e dirigiu-me um aceno. Depois, sumiu na noite.

Recife, novembro de 1989