sábado, 19 de março de 2011

MEGALUAR SOBRE O CAPIBARIBE



Hoje, 19 de março, a Lua em perigeu (ponto máximo de aproximação da Terra) nos proporcionou um espetáculo quase inédito de luz e beleza.. Há 18 anos atrás foi assim também e eu a fotografei, na época,  com minha velha câmera Zenith, uma russa pesada e lenta.. Hoje com lentes e câmera mais sofisticadas, digitais, mais rápidas e eficientes, sem a necessidade de laboratório e aquela torturante espera, para ver a foto em papel dias depois, compartilho com vocês as fotos que fiz, exatos 20 minutos atrás. dessa maravilhosa Lua Cheia.  E para acompanhá-la, céu afora, pela ondas da Música, segue também um frevo de bloco que escrevi, faz uns 10 anos, inspirado num pedido do colega Paulo Aloise, trompetista e quase-fundador, com sua esposa Beatriz, de um Bloco Lírico que seria chamado Raios de Cristal.  Gravei essa música com o Coral Stalo e nossa Orquestra de Pau e Corda, em 2009.  A música está ali em cima, com as fotos da Lua..  Abaixo, segue a letra:

ESPELHO DO CAPIBARIBE



A lua derramou sobre o Recife

Seus raios de cristal
E o Capibaribe refletiu
Imagens de um antigo Carnaval
Em que eu me perdi apaixonado
Por uma pastorinha angelical

A orquestra tocava uma marcha tão linda
Sorrindo a menina de longe me olhou
Um acorde fiz soar ao violão
Mas ela se perdeu na multidão

E agora eu aguardo o Bloco passar
Pra minha pastorinha admirar...(BIS)

(dedico este post aos apaixonados pela Lua, pela Poesia e pelos Blocos Líricos do Recife aqui muito bem representados por: Paulo Aloise e Beatriz, Ana Pottes e Paulo Fernando)

quarta-feira, 16 de março de 2011

A CANETA PARKER E UMA PEQUENA TRAGÉDIA





trilhos de bonde no Recife Antigo(foto do autor)
No "tem-tem" do bonde a gente ia levando aquela vida mansa , na rotina de casa pro colégio e do colégio pra casa.
Por isso, as emoções de qualquer descoberta eram supervalorizadas pela garotada afoita do meu bairro.
"Tem-tem" é a expressão mais próxima que encontrei pra imitar o barulho característico das rodas de aço do bonde, ao passar nas emendas dos trilhos altos e brilhosos, polidos como prata ao sol do meio-dia e traiçoeiros como o diabo nos dias de chuva, pra quem andava de bicicleta.
Uma das grandes aventuras da gente era saltar do bonde em movimento.
O salto tinha que ser perfeito, do estribo para a calçada, caindo nos calcanhares com o pé de apoio, normalmente o direito, para trás e os braços descontraídos mas abertos, para equilibrar o movimento no momento do contato como o solo que, para quem saltava, parecia uma esteira rolante em velocidade.
A gente aproveitava quando o bonde se aproximava o máximo do ponto de parada e quando ele já estava bem lento, saltava.
"reclame" de jornal da Parker 51 (google imagens)
Uma carreirinha curta depois do salto e pronto ... virávamos homens feitos em alguns segundos e saíamos, elegantemente, assobiando qualquer coisa e olhando de lado, pra ver se alguma menina bonitinha que estivesse por acaso sentada na ponta dos bancos do veículo admirava nossa maluquice.
Depois, era só curtir os comentários elogiosos e vangloriar-se um pouco, avaliando a velocidade do bonde com uma lente de -pelo menos- duas vezes de aumento.
Pra não dizer que estou contando vantagem, confesso que um dia me estrepei numa dessas peripécias.
Paizinho tinha me dado como presente de conclusão do curso de admissão ao ginasial, sua caneta Parker 51, uma jóia que hoje deve custar bastante a algum colecionador fanático e que eu já tive oportunidade de ver , Brasil afora, exposta em vários Museus, em posição de destaque.
Era linda minha Parker 51: corpo de baquelite grená escuro, tampa de 18 e pena de 21 quilates, sendo a tampa arrematada pela célebre seta característica da marca.  A bomba de tinta era de borracha de látex muito macia e a pena fazia gosto de ver e, principalmente, de escrever.
Vou, um dia, bem lampreiro no estribo do bonde e ao aproximar-se o mesmo do ponto de parada bem em frente ao portão do Colégio São Luiz, na calçada do palacete dos Batista da Silva, resolvi saltar à maneira dos aventureiros.
Pra que fiz isso?... a caneta, que estava no bolso da camisa, desprendeu-se na hora da minha desastrada aterrissagem e, desequilibrado, saí  "catando tostão", como se diz na gíria, tentando evitar um tombo maior.

Um dos últimos bondes da PTPC (do blog "Júlio Ferreira")

Não cheguei a cair de todo, mas a caneta pulou do meu bolso e foi direto, como se estivesse imantada, para a roda traseira do bonde.

Nem preciso dizer qual o seu estado, quando fui juntar os pedaços que sobraram  daquela prensagem entre a roda e o trilho: somente restaram a tampa amassada e a seta de ouro empenada, apontando pra mim, como a dizer: - Bobão.. você devia saber que isso podia acontecer a qualquer hora...
Nunca mais, até o último bonde calar o seu "tem-tem" alegre nas manhãs de Casa Forte, me dei ao direito de viajar no estribo.



(Do meu livro de crônicas "Caçador de Lagartixas", Ed.do Autor, impr. pela Editora Livro Rápido - Elógica, Recife, 2008)



sábado, 12 de março de 2011

E POR FALAR EM CINZAS

ETERNO CARNAVAL

Este é o título de um poema, que musiquei como frevo-de-bloco e que foi classificado nas eliminatórias do Festival do VII Recifrevo, juntamente com outra música minha "Sol na Moleira", em 1995.  Infelizmente só uma delas fez parte do disco do Festival, já que o Regulamento da época era explicito ao estabelecer que cada compositor só podia vencer com uma música, não importanto quantas classificasse pelas 5 categorias existentes. Assim, somente muitos anos depois gravei essa música, com a excelente Woleide Dantas, que foi "crooner" da famosa Orquestra do Maestro Nelson Ferreira.

Eis aqui o poema original:

Meio cinzenta vem chegando a quarta-feira
Sua tristeza apertando os corações
Anunciando que acabou-se a brincadeira
e a vida nem sempre é formada de ilusões

Mas, resistimos agarrados nas lembranças
Feito crianças recusamos despertar
E um belo sonho de amor, tão colorido
pelas ruas do Recife insistimos em sonhar

Virá um dia de alegria sem igual
e um grande sol dourando as pontes da cidade
Vai nos dizer que eternamente é Carnaval
e o nosso bloco não precisa ser saudade..

quarta-feira, 9 de março de 2011

CINZAS SOBRE O RECIFE E OLINDA





Em 1994 compus meu primeiro frevo-de-bloco.   Chama-se "Saudade de Olinda" e foi escolhido para participar do VI RECIFREVO, o concurso de músicas de carnaval promovido pela Prefeitura de então. Fiquei muito feliz por ter feito essa música.  Conto a vocês como ela nasceu..  Era uma quarta-feira de cinzas e chovia fino, garoava, sobre as cidades gêmeas.  Ainda ressacado daquele carnaval, que brinquei intensamente, estava na varanda do apartamento aqui em Casa Forte, olhando para Olinda, através do véu da garoa, e sentindo ainda nos ouvidos o som das orquestras de frevo, imaginando-as a tocar as marchas-regresso tão dolentes que nos impregnam a alma nessa hora de despedida da folia.  Subitamente, fui até a sala,  peguei meu violão sobre o sofá, caneta e papel e, a música fluiu toda, de repente, quase uma psicografia.  Pronta e acabada.  Satisfeito com o resultado, invadiu-me uma sensação de paz profunda e adormeci ali mesmo no sofá.  No final de semana seguinte, cantei esse frevo-de-bloco para os familiares que me incentivaram -no final desse mesmo ano de 2004- a inscreve-lo no Festival.  Fiquei com a quarta colocação na categoria, não tendo alcançado o objetivo de incluir a música no disco do Festival (só entravam as 3 primeiras).. Mas, eu gosto muito dessa música e a gravei.  Agora, estou fazendo uma releitura dela e de outro frevo de bloco meu chamado "Mascate das Lembranças", numa linguagem clássico-ligeira.  Arranjei-as numa pequena suíte para quinteto de cordas e começo ainda esse mês a gravação.  A peça vai se chamar "Serenata Pernambucana para Quinteto de Cordas, n.1".. O que significa que já tenho outras escritas e a caminho de gravação.  Oportunamente vou trazê-las para este espaço.

NO CHÃO OU NO TELÃO ?




















Carnaval é festa do povo, certo? Sei não.. pelo andar da carruagem, aqui no Recife isso em breve será apenas uma frase no inconsciente coletivo dos recifenses.  Ser festa popular não basta?  Levar o povo às ruas da maneira mais pura e simples não basta ?  Deixar o povo se organizar livremente e organizar seus folguedos pobres, baratos, mas que atraem turistas do mundo todo (e sempre atraíram) não basta? Não.. não para os políticos que lidam com vultosas verbas, dizem que a deste ano beirou os 34 milhões de reais se não estou enganado.. Deve até ter passado disso, pois há caminhos e descaminhos nas estradas financeiras do dinheiro público do Brasil. No entanto, toda essa dinheirama na certa não foi destinada às pequenas ”troças”, aos “bois de carnaval”, às “la ursas”, aos blocos que se vestem, como no passado, com o esforço e o suor dos seus participantes..

Esses são esquecidos pelos subúrbios, não sobem o palco dos espetáculos para turista ver, como um bando de ovelhas, apertadas no curral do Marco Zero, em meio a toneladas de equipamentos de som, holofotes, telões monstruosos, todos empenhados em mostrar mais um capítulo da “novela do carnaval multicultural ”.. Já estou farto de gritar: perguntem ao povo do Recife se eles preferem botar o pé no chão e brincar atrás do seu grupo preferido, ou quedar-se hipnotizado no meio de milhares de “ovelhas” espremidas num grande curral, simplesmente olhando para o palco brilhante com colunas de som de milhares de watts a explodir pagodeiros, rockeiros, reggaeiros, baianos do axé, que quase já nos levam a alma, nos horrendos tempos do Recifolia..   Por que os baianos, cariocas, paulistas, gaúchos, catarinenses, paranaenses que eu conheço se encantam tanto com o nosso “carnaval participação” ?   É isso que eles vieram buscar.. é isso que eles não têm, nos seus Estados !  Nessa fonte popular vieram beber.. Não na sua própria cultura, nortista ou sulista, não importa..   Eles querem ver o povo na rua, brincando, correndo atrás de uma “la ursa” que eles não têm; vibrando com as bandinhas de pífano que nem sequer conhecem e estão morrendo à míngua; eles querem ter a liberdade de ir brincar atrás do Elefante, da Pitombeira, do Maracatu que nunca viram, do Bloco da Saudade e de tantos outros lindos Blocos que temos para lhes mostrar.  Já devem estar cansando dessa  "história de trancoso" de lhe venderem um pacote das nossas tradições mais puras, mas lhe entregarem um palco iluminado onde um telão ilumina com seus reflexos coloridos, uma multidão inerme, calada, passiva.. Como convém às multidões,  quando vistas pelos donos do Poder e da Cultura alheia !

domingo, 6 de março de 2011

CARNAVAL DE PERNAMBUCO É ASSIM


Carnaval, carnaval..de tantas lembranças, de tanta alegria que mal cabe numa vida só.
Desde criança vejo no carnaval a forma mais pura de manifestação desse estado de alegria que deveria permear a vida de todos.  Essa maneira quase infantil de ver o mundo, quando a gente pouco se interessa por horários (a não ser o da saída da troça, do bloco, da laursa preferida), nem por comida (a não ser quando o estômago quase colado nas costelas implora por um "sanduba", um "churrasco de gato"  feito numa grelha de marrom indeterminado, ou ainda um "cachorro quente" de porta de clube, daqueles em que o recheio pode conter papelão  ensopado em colorau, com uns pedaços de tomate verde e cebola ardida)...
Com a bebida, aí a coisa já rola mais solta: sempre tem um isopor salvador por perto dos brincantes.. Interessante como a cerveja quente nos persegue em qualquer rua do Recife nos dias de carnaval.  Mas num calor de mais de 40 graus dentro do Bloco, quem quer saber da temperatura? O termômetro alí funciona de forma invertida.  O carnaval, aliás, inverte tudo mesmo: o cara mais "nerd" do mundo faz besteira de metro, a menina mais recatada bota uma roupa de arrasar quarteirão e se pinta mais do que "as meninas" do meu tempo de adolescente e aceitam beijo até de quem nunca viu..

Depois? não tem depois.. tem saudade..

Saudade por mais 360 dias (se a gente computar somente os cinco dias 'oficiais' de folia, do sábado de zé-pereira à quarta de cinzas).. Sim, porque tem gente que gostaria também aqui de reverter a conta: 360 dias de carnaval pra 5 de trabalho.. Mas aí também já é demais, também, como dizem os "feras" !
E vamos pra rua que ninguém é de ferro.  No áudio aí em cima, um frevo de rua de minha autoria chamado "SEU BITA MAIS ELISA", em homenagem ao Mestre Beethoven e sua musa Elise: eu os imaginei nas ladeiras de Olinda, atrás de uma "mutreta" daquelas em que a tuba ronca e o trombone desafina, mas que o surdo e a caixa, a 160 batimentos por minuto, rasgam o frevo mais gostoso que Deus já botou no mundo !  É Pernambuco de verdade !! 

quinta-feira, 3 de março de 2011

O SERTÃO NO CARNAVAL





Tempo de carnaval, mas também tempo de banda de pífanos ?
Como é que é?.. Eu respondo: tudo a ver !
Num certo carnaval – acho que foi em 2003 ou 2004 – encontrei, no Recife Antigo, uma bandinha de pífanos tocando frevo. Um frevinho buliçoso, animado, quase um forrozinho desse que a gente chama de arrasta-pé, ou rastapé. Pífano, zabumba, bombo, caixa e pratos.
Soube depois que eles eram, quase todos, de uma mesma família. Pai, irmão, filho, primo.
Coisas da tradição nordestina. Música, no Nordeste se faz muito em família (tenho exemplo vivo disso na minha ..) Pois bem.. Fiquei na roda formada por turistas de todos os recantos do Brasil escutando aquela beleza de som. Mas não me contive e pedi ao “pifeiro” emprestado um triângulo que estava sobrando por alí, em cima de um chapéu de palha, aos seus pés. Toquei com a bandinha por cerca de uns 15 minutos.. A roda de curiosos aumentava, a animação também.. Aí o líder comentou com os outros: “ Tá na hora de passar o chapéu...” 



Mas notei que nenhum deles se animava a fazer isso.. Tomei a iniciativa e perguntei se podia “passar o chapéu”.. Ele, aliviado, consentiu.. Eu imediatamente botei umas duas notas de 5 e 2 reais, mais umas moedas que eu tinha no bolso, dentro do chapéu e comecei a estender o chapéu para a turistada da “roda”.. Hehehe.. Correu quase todo mundo.. Afora meus caraminguás, e mais uma ou duas cédulas e umas moedinhas, voltei pro “pifeiro” e entreguei a magra coleta. Mas o papo continuou e eu os convidei pra gravar no meu estúdio.. Quase morreram de susto com a idéia. O resultado foi um disco muito legal.. Chama-se Flor de Taquari, que é o nome dessa bandinha, do interior de Pernambuco (Lajedo). Aproveitei e inclui no disco um pequeno vídeo de uma performance deles no estúdio, tocando “Asa Branca”, o Hino do Nordeste como também um frevinho para banda de pífanos chamado “frevança na chuva”... Estão aí, pra vocês curtirem, a foto da capa do CD (fotografia que fiz num terreiro de fazenda em Taquaritinga-PE. Divirtam-se !

quarta-feira, 2 de março de 2011

O REALEJO DOS BLOCOS



Acabo de chegar da Livraria Cultura, onde participei -tocando meu banjo- do lançamento do CD do meu caro amigo Geraldo Azoubel um dos grandes gaitistas (ele prefere ser chamado de "tocador de realejo") que conheço.  Gente da melhor espécie, Geraldo completa um naipe de 6 (seis) cds dedicados ao pequeno e sonoro instrumento que também é conhecido como harmônica de boca, gaita de boca ou realejo (esse último termo é muito corrente aqui no Nordeste).  São 13 músicas escolhidas a dedo pelo Geraldo, que me agraciou com a inclusão de um  frevo-de-bloco da minha autoria no seu disco.  É essa música que vocês podem ouvir aqui, clicando aí em cima.. Chama-se "Deusa Amazona" e foi feita para homenagear meu querido e saudoso Bloco Flor da Vitória Régia, que desfilou em Casa Forte entre 1999 e 2005.. Era o Bloco feito pela nossa família, para congregar as famílias do Bairro e os amigos mais queridos.  O show foi um sucesso e o público participou dançando e cantando o tempo todo.  Produção da Professora e Coreógrafa Juliana Azoubel, filha do Geraldo.  Tão logo as tenha, postarei fotos do evento.  Por enquanto, fiquem com a capa do CD, de muito bom gosto..

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

CARNEIROS, O CARIBE DA GENTE


Tiramos 4 dias de féiras. Esta semana foi dureza pra mim. Gravei ao vivo a Banda da Polícia Militar num disco de frevos de rua muito bom. Depois falarei sobre ele. Então, as férias caíram como uma luva. Precisava mesmo de descanso e silêncio. E tive bastante disso, da quinta até hoje pela manhã. Confiram nas fotos. Carneiros é atualmente o melhor destino praieiro do Brasil, podem crer... Dizem que as cartas não mentem jamais. E eu digo: as fotos também !






NOVO ENDEREÇO / NOVO DOMÍNIO

Estou de volta.. e com uma novidade.
O blog agora está hospedado em seu próprio domínio.
para acessá-lo você digita: seteinstrumentos.com
Pronto ! nada mudou, na verdade.. enquanto estamos em fase
de transição, podem acessar o usando o mesmo http://fredcrux.blogspot.com/
O Blogger redirecionará esse endereço para o atual.  E mesmo depois de
consolidado o novo domínio, podem usar o endereço antigo, ok?
Amanhã estarei postando algumas fotos da Praia dos Carneiros, um pequeno
pedaço do Paraíso, para quem ainda não conhece.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

BLOGUEIRO DE MINI-FÉRIAS

Bom dia, meus queridos !
O blogueiro e sua esposa vão dar um tempo, desta quinta-feira até a próxima segunda..
Recarregar a bateria é essencial, né?  E na Praia dos Carneiros, melhor ainda..
Até a volta !!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

22 DE FEVEREIRO, UMA DATA MUITO ESPECIAL


Há datas mágicas na vida da gente. No caso dos Monteiro da Cruz descendentes de Frederico e Maria, uma dessas datas é 22 de fevereiro, aniversário do nosso Patriarca. Hoje, em sua homenagem, vou falar musicalmente desta data. Vou relembrar, especialmente para os meus irmãos, cunhados e cunhadas, filhos e sobrinhos, a música que moveu nossos sentimentos durante anos a fio e que continuará nos emocionando toda vez que a escutarmos. Todos vocês, queridos leitores, tenho certeza, também serão tocados por esta música. Além de ouvi-la, gostaria que vocês conhecessem sua história.

O grande Maestro Nelson Ferreira, certa vez convocado pelos diretores da União dos Viajantes de Pernambuco compôs letra e música do Hino dos Viajantes. Desde a mais tenra infância, isso a partir dos anos 60, todos nós aprendemos e cantamos juntos com nossos pais essa marcha-hino.

Com muito garbo e orgulho, repetíamos melodia e letra em qualquer ocasião de reunião familiar. Por que? Ora... porque sentíamos o quanto nosso pai amava sua profissão de vendedor-viajante, sem medir esforços para tirar o sustento da família e a educação dos filhos nessa tarefa extenuante de percorrer todo o Estado e Estados vizinhos, na labuta do seu dia-a-dia, mesmo tendo que afastar-se temporariamente de nós todos para executá-la.

Uma frase em especial nesta música, toca fundo o coração de qualquer um de nós: o seu tema maior, que era o lema da União dos Viajantes: “Enquanto houver madrugada, haverá um viajante” !

E foi assim que resolvi gravar este hino com um coral de quase 20 vozes, formado por nossa Mãe, todos os irmãos e irmãs, minha filha, alguns sobrinhos e sobrinhos-netos. É esta a versão apresentada, muito embora eu tenha conseguido com o pesquisador musical e grande amigo Samuel Valente um raríssimo exemplar do disco original em 78 rpm, da gravadora Rozemblit, cujo selo ilustra também esse post. Cantem conosco e participem desta emoção !

MANGUEIRAS, VITÓRIAS-RÉGIAS E TACACÁ


Igarapé no Rio Guamá
 
Bar do Parque
Um passeio por Belém nos remete aos bons tempos das cadeiras nas calçadas e das manga-espadas verde-amareladas, cheirosas e suculentas, pendentes dos galhos frondosos de mangueiras pelas ruas, ao dispor dos transeuntes.  Tantas frutas, tantos sabores, tanta sombra, que esquecemos de ter saudade delas.



Cerâmica marajoara - Icoaraci

Estivemos em Belém por volta de 1998, comemorando nossas bodas de prata. Apesar do calor úmido, a cidade é acolhedora e convidativa a passeios intermináveis por suas eternas alamedas de mangueiras, pelos seus vetustos edifícios de talhe europeu, bem conservados e ainda bastantes imponentes. O Theatro da Paz, na Praça da República lembra, até pela localização e  o nosso Teatro de Santa Izabel, também plantado na recifense praça do mesmo nome. Apesar da semelhança não é obra do francês Louis Vauthier, como o nosso, mas sim do engenheiro militar José Tiburcio de Magalhães, inspirado no Teatro Scala de Milão. 

Theatro da Paz
 Mas lá, na Praça da República de Belém, há lindos coretos moldados em ferro, quiosques da época, como o Bar da Praça, fotogênico e simpático.  As construções religiosas também são notáveis, destacando-se a Igreja de Nazaré, pela famosa Festa do Círio e a Sé de Belém.  O Mercado  Ver-o-Peso, habita o imaginário de todo turista que não lhe pode negar uma visita de manhã inteira, em meio a ervas, frutas, peixes, amuletos de toda espécie, artesanato variado do urbano ao indígena, enfim, tudo o que atrai os viajantes.


Tacacá no fim da tarde

Um capítulo à parte, em Belém é o Museu Goeldi, um oásis verde em meio ao burburinho da capital.  Próximo a Belém, outras visitas inesquecíveis: Icoaraci, famosa pelo artesanato em cerâmica que tem no Mestre Anísio uma expressão eloquente da arte marajoara e tapajônica. 


Praia do Paraíso - Mosqueiro
De Icoaraci pode-se fazer uma travessia para a Ilha de Marajó, ou simplesmente quedar-se nas areias brancas das praias do Mosqueiro, em especial a praia do Paraíso. Outros passeios imperdíveis partem para vários igarapés no entorno do Rio Guamá, onde podemos presenciar a colheita do açaí e saborear essa iguaria vegetal numa tijela rústica, acompanhada por farinha branquinha e crocante de mandioca. Belém é daqueles destinos brasileiros a que pedimos bis.




 
 

Vitórias-régias no Parque Goeldi


domingo, 20 de fevereiro de 2011

CINEMA EM CASA - O CINE MONTEIRO

Totó, em Cinema Paradiso
  
É difícil para mim externar minhas emoções em público.  O que não quer dizer que eu não as externe.. pelo contrário. Emociono-me com alguma facilidade e o cinema é para mim um agente facilitador ou desencadeador desse estado de alma. Mas não sou um cinéfilo chorão, não... Para chegar às lágrimas é preciso alguma carga de emoção que as faça valer. Como, por exemplo, a história terna e saudosa de um filme que tem tudo a ver comigo: Cinema Paradiso, filme autobiográfico do italiano Giusepe Tornatore. A história de Totó, garoto amante dessa Arte maravilhosa me comoveu profundamente.  Vi-me, naquela fita, transportado no tempo dos meus dias de criança em Casa Forte, nas matinês do Cinema Luan e nas sessões improvisadas de cinema que eu fazia na nossa casa.  
cena do seriado Flash Gordon

A sessão de cinema tinha público certo: um monte de irmãos pequenos de todas as idades. Mas, às vezes, contava com o honorável e prestigioso público formado pelos irmãos mais velhos e (glória total!) até mesmo dos nossos pais.  Aprendi,  não sei se com um colega de escola ou em algum volume do “Tesouro da Juventude”, a fazer um arremedo de projetor de cinema: uma lâmpada transparente oca, cheia de água, servia de lente de projeção. O tal engenho funcionava movido a luz do sol, dirigida ao projetor por um espelhinho redondo, que não podia faltar em qualquer bolso de calça de menino daquele tempo, junto ao pente “Flamengo” de ‘matéria-plástica’.   

Roy Rogers e seu cavalo Trigger
 
O projetor era uma caixa de madeira com a figura de um leão gravada a fogo e os dizeres: ‘Matte Leão: já vem queimado’. Dois retângulos cortados a canivete, um atrás, outro na frente. No meio da caixinha, a lâmpada oca e cheia d’água, isto é: a lente de projeção. Botava na frente da lente , em posição invertida tudo o que era possível projetar: papel celofane de ‘confeitos’ da Renda Priori & Cia., de várias cores e sabores, desenhos feitos com tinta nanquim sobre celofane, recortes de letras e figuras que eu vazava em papel com tesoura ou gilete... eram os créditos de abertura e o famoso letreiro “the end”.
Ah.. do meio para o fim da sessão havia a grande atração, a fita principal: pedaços de filme que eu achava no lixo do Cine Luan e colecionava com todo carinho. Tinha cenas de Flash Gordon, Rock Lane, Hopalong Cassidy, Zorro e Tonto, o outro Zorro e o Tenente Garcia, Sansão e Dalila, Jornal da Tela, Carlitos, O Gordo e o Magro, A ilha misteriosa, até mesmo da Paixão de Cristo ainda em preto-e-branco. Enfim.. tudo quanto era sobra de filme que eu achasse na caixa de lixo do Cinema ia para a coleção particular do Cine Monteiro, a melhor sala de cinema que eu operei e frequentei na minha infância.
No final da sessão, Dedé (nossa segunda mãe), providenciava um lanche para premiar o bom comportamento da plateia que, aliás, batia palmas e assoviava demais, quando aparecia na tela de lençol a palavra FIM, ou melhor THE END !
(Do meu livro de crônicas "Caçador de Lagartixas", Ed.do Autor, impr. pela Editora Livro Rápido - Elógica, Recife, 2008)

DUDA, SETENTA ANOS DE FREVO !


Duda e Hugo Martins, no FSTUDIO

                                                                          
Este ano tem o Carnaval do Recife tem um homenageado especial : o Maestro Duda. Goianense, começou a tocar ainda menino na Banda Saboeira de Goiana-PE. Gênio musical, maestro, arranjador e exímio saxofonista, Duda é um ícone da Música Pernambucana e brasileira. Reconhecido nos quatro cantos do Mundo como um dos maiores arranjadores para música de metais de todos os tempos, Duda é a simpatia personificada, conservando ainda seu sotaque matuto e sua risada franca.



Duda e Mida, sua esposa, com Fred Monteiro
no Bloco Flor da Vitória Régia
Não cabe, nesse espaço tão modesto, traçar uma biografia do Maestro Duda e tentar mostrar um mínimo que seja da sua valiosa Obra Musical. Há cinco anos atrás, compus, em sua homenagem, um frevo-de-bloco exaltando seus 70 anos de idade, que denominei “ Duda, Setenta Anos de Frevo”. O arranjo é do Maestro Ademir Araújo (Formiga), outro grande músico, arranjador, compositor e amigo. Participei também com meu banjo, junto aos excelentes músicos de Ademir e um coro formado por Rosaura Muniz, Sevy Nascimento e Margarete Cavalcanti. Esta música está presente na seleção anual do Centro da Musica Carnavalesca de Pernambuco-CEMCAPE (O tema é frevo – pesquisa).

Ouçam e aplaudam junto comigo este grande pernambucano, o Maestro Duda !


Duda mixando uma gravação no FSTUDIO

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

CORRER É O MELHOR REMÉDIO CONTRA O TÉDIO

Um dos meus objetivos deste ano de 2011 era escrever um livrinho, ou um pequeno manual, narrando minhas experiências e observações de corredor veterano. Ou duas vezes veterano, porque, aos 65 de idade e com 28 anos ininterruptos de corrida acho que passei por tudo o que um corredor veterano tem que passar.

Esse tempo todo, posso assegurar, sem grandes traumas, sem qualquer contusão mais séria, a não ser aquelas dores normais da fase de condicionamento físico (as famosas dores nas canelas, nas panturrilhas e coxas, na musculatura das costas, tendinites e unhas roxas, etc). Todas absolutamente previsíveis e perfeitamente superadas sem grandes problemas, sem remédio nem internação. Ou como eu costumava dizer.. às vezes a gente cura uma dor de corrida com repouso, às vezes com mais corrida, mas sempre com muita cautela.

Eu falei duas vezes veterano porque já comecei a correr “velho”, isto é aos 37 anos de idade.

Na linguagem popular eu já era um “vovô” para começar um programa sério de treinamento para quem ambicionava correr a prova-tabu de todo corredor de longa distância: a Maratona.

Antes de mais nada, porque este blog é lido também por leigos no Atletismo, cumpre dizer que Maratona é aquela prova de 42.195 metros e não, como infelizmente muitos organizadores de provas ainda insistem em fazer, qualquer corrida pedestre, ou rústica. Dito isto, passemos ao que interessa.

Correr é uma atividade humana tão natural quanto andar, comer, falar, etc.. Ninguém nos ensina a balbuciar os primeiros sons, ou a nos levantar nas duas pernas e, desajeitadamente, sair andando, aos poucos (mesmo depois de alguns tombos). Ninguém também ensinou aos nossos ancestrais a fugir do perigo representado por um enorme tigre ou leão faminto, correndo em busca da segurança da caverna (ou da árvore) mais próxima.

Não vou aqui me meter na seara de treinadores e professores de educação física, que têm por objetivo aperfeiçoar nos seus pupilos aspectos técnicos do treinamento, da dieta, dos cuidados paralelos com calçados, roupas adequadas e planilhas de treinamento. De forma alguma.

Essas linhas são escritas para aquelas pessoas que, como eu, querem se iniciar na corrida sem grandes pretensões, mas com um mínimo de conhecimento do que os espera pela frente.

Eu li bastante sobre corrida, a medida em que iniciava minhas primeiras aventuras no esporte.

De vários livros e revistas sobre corrida, tirei ensinamentos úteis e necessários para evitar cometer muitos erros (porque erros sempre cometemos). Agradeço de coração, hoje, a gente que preocupou-se em transmitir suas experiências pessoais, pondo outros milhares de corredores pelas ruas, trilhas e estradas do mundo afora, a usufruir dos maravilhosos benefícios da corrida. Destaco, dentre esses, os livros de Kenneth Cooper (Aerobics- Aptidão física em qualquer idade), James Fixx (The complete book of running – Guia completo de corrida), Werner Sonntag (Spass am Laufen – Alegria de correr) e um manual muito simples e eficiente escrito por um veterano corredor brasileiro chamado Airton Ferreira – Diário do Corredor.

Bons artigos em revistas de corrida foram de grande utilidade no meu aprendizado dessa arte-esporte, em especial os cuidadosamente selecionados e publicados pela VIVA-A revista da Corrida, cujo editor foi o José Inácio Werneck, também competente corredor, como todos os demais citados.

A VIVA tinha, aliás um acordo editorial com “The Runner”, uma das grandes revistas de corrida da época. Estamos aqui falando dos anos de ouro da corrida pelo mundo, os anos 80, que coroaram o “boom” do esporte iniciado por Cooper, nos anos 60, com a publicação de “Aerobics” e o lançamento dos fundamentos científicos do condicionamento aeróbico, oriundo principalmente do treinamento da Força Aérea Americana dirigido aos seus pilotos e astronautas em plena “corrida espacial”, sendo K. Cooper o cardiologista-chefe da US Air Force, por aqueles anos.

Dito isto (o que já foi muita coisa para se ler em tela de computador), parto para uma primeira e óbvia afirmativa, repetida por todos os grandes mestres da corrida:

O SEGREDO DO ESTILO É CORRER NATURALMENTE !

Observa James Fixx : “Seu corpo é um sistema biomecânico singular. É diferente de todos os outros corpos. Possui seus próprios centros de gravidade e articulações. Por isso é que se comete um erro ao se tentar imitar o estilo de correr de outra pessoa. Simplesmente mantenha o corpo empertigado, a cabeça alta, e fique ligeiramente inclinado para a frente. Não exagere os movimentos dos braços. Corra com os cotovelos  dobrados, mas não comprimidos contra o corpo. As mãos devem estar relaxadas, não se correndo com os punhos cerrados. A tensão em uma parte do corpo causa tensão em outra. Ao correr, não se preocupe com a extensão da sua passada; faça apenas o que sentir que for natural."

E segue Fixx demonstrando com muita competência outros aspectos como respirar naturalmente, coisa que preocupa demais treinadores e orientadores de corrida e principalmente os corredores iniciantes.   Já Werner Sonntag faz melhor minha cabeça:   “A corrida não exige uma técnica complicada. Aprendemos a andar e a correr na primeira infância, sem que ninguém nos desse lições de estilo. A corrida é uma função natural no ser humano. Todos os erros que cometemos no início da mesma foram adquiridos no decorrer da vida e por isso, em minha opinião, podem ser corrigidos. Por que iniciar a correção justamente no primeiro dia de corrida? Comece a correr conforme seu gosto. Com o tempo, o corpo racionalizará os movimentos. Quase sem perceber você passará a movimentar-se de maneira mais racional e desse modo adquirirá um “estilo”. E se você nunca adquirir um “estilo”, não se importe. Zatopek, a “locomotiva”, cultivou o anti-estilo. .... Mas é bom você saber como se corre certo. Só lhe peço que não fique treinando diante do espelho.”

O importante de tudo isso, penso eu, é iniciarmos a prática da corrida, ou de outro exercício aeróbico que se escolha, o mais breve possível. Depois de visitar o seu médico, fazer um teste de esteira ergométrica para saber do seu nível de condicionamento físico e ter dele a sua aprovação para a prática do exercício, comece imediatamente ! Na corrida aprendemos uma coisa curta e certa: correr pode não aumentar a duração da sua vida, mas certamente acrescentará muito mais vida aos anos que você ainda tem por viver !



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

UM CÃOZINHO OBSTINADO



Em 1990, na Itália, jogou-se mais uma Copa do Mundo. Um dos jogadores da Esquadra Azzurra destacou-se nessa edição da Copa: Totó Schillaci. Mas tão rápido quanto apareceu, sumiu logo depois, como acontece, de qualquer forma a tudo e a todos. Mas, um outro Schillaci jamais será esquecido. Falo de um cachorrinho fox-terrier, em que pusemos o nome do ex-famoso jogador. Quando era bem pequeno, Schillaci chorava muito à noite e queria a todo custo dormir dentro de casa, como acontece com todos os filhotes.









Ele tinha sua casinha, que ficava no terraço da casa, mas nem por isso se conformava em dormir sozinho. Como era muito insistente comecei a chamá-lo de "cãozinho obstinado", por isso o título desse post.  Schillaci surgiu na nossa vida através de Tatiana, que havia pedido um cachorrinho de presente. Era um grande companheiro, corria comigo pela praia (em Catuama, onde tivemos uma casa), brincava o dia todo com os meninos. Mas, logo conquistou a família inteira com sua esperteza e suas brincadeiras.


Saltava como uma pulga, corria como um coelho e era valente demais. Um dia, porém, mudamos da nossa casa térrea para um apartamento. A convenção de condomínio do prédio não permitia animais. Hoje isto é assunto ultrapassado, mas naquela época tivemos que aceitar o fato e Schillaci foi morar numa fazenda de um amigo em Bonito (PE). Tornou-se, eu soube depois, um grande caçador por aquelas bandas, muito requisitado pelos amigos do fazendeiro.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

EU SOU ASSIM



Eu sou assim:
tenho meus defeitos, mas olho pra cima
Poeta bissexto, procurando rima
Pra caber no xote do meu coração...

Eu sou assim:
Pareço menino, só penso besteira
Esse é meu destino, perco a vida inteira
Sempre dividido entre Amor e Razão !

Mas, veja bem:
De que adianta a vida, se a gente não canta
De que adianta o canto, se a gente não liga
Para a maravilha que se chama Amor

Pra que dinheiro?
Se a gente não leva, quando vai embora
E o que vale mesmo é a dor de quem chora
Pelas coisas boas que a gente deixou...