domingo, 13 de fevereiro de 2011

SANTA CATARINA, MOSAICO DE BELEZAS


garça na lagoa da Conceição
 Quantas faces tem Santa Catarina ? Muitas e as mais diversas.  Ao mesmo tempo, uma só.  A face brasileira, sempre.  Multicultural, influenciada por portugueses, germânicos, açorianos, italianos, brasileiros imigrantes do Norte e do Sul, do Nordeste e do Centro-Oeste.  Todos deixaram e deixam um pouco de si nessa “Ilha da Magia” que é Florianópolis, no “Vale Europeu”, no litoral privilegiado desse Estado que tão bem sabe acolher  os que lhe procuram, seja por duas semanas de passeios inesquecíveis, seja por toda uma vida de envolvimento pessoal, profissional, familiar, afetivo.
Ponte Hercílio Luz
O prazer de visitar Santa Catarina e de privar da amizade do seu povo gentil e hospitaleiro somente se iguala, em volume, à nostalgia de retornar à nossa rotina.  Iguala-se, ainda, ao desejo de retornar, sempre, para revisitar, redescobrir e continuar a amar essa terra fantástica.
A vida intensa de Santa Catarina reflete-se na beleza de Florianópolis com belas e tão diversas praias: Joaquina, Campeche, Pântano do Sul.. Aliás, um passeio pela vila açoriana de Santo Antonio de Lisboa, é um imperdível retorno ao passado colonial de Santa Catarina e do Brasil. Cidades que são pedaços da Europa encravadas no vale do Itajaí, como Timbó, Pomerode, Nova Trento e Brusque. Blumenau é um capítulo à parte, com todo o esplendor da sua arquitetura enxaimel, suas praças floridas e seus cristais nascidos das mãos de experimentados mestres da vidraçaria secular. 
Santo Antonio de Lisboa
Uma das melhores viagens que fizemos por este Brasil afora e que pretendemos ainda repetir, para abraçar novamente amigos como o Rafael Hilbrecht, a Cléa Braganholo, o Paolo Piermarini e tantos outros que nos receberam em suas casas e em suas almas generosas.
 


lagoa da Conceição

Casa do Imigrante - Pomerode

barco em Pântano do Sul

gaivota na praia da Joaquina


sábado, 12 de fevereiro de 2011

CHAPADA DOS VEADEIROS E ALTO PARAÍSO-GO

Gosto muito e viajo sempre que posso e tenho tempo pelos Parques Nacionais brasileiros. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, temos Parques incrivelmente belos.  Alguns bem cuidados e com excelente estrutura de atendimento turístico, outros nem tanto, mas todos com atrações naturais e beleza ímpar.  Uma das coisas que me fascina são as cachoeiras.  Sou capaz de passar horas numa trilha, seja ela leve, moderada ou pesada, somente para tomar banho em uma ou várias cachoeiras dos muitos parques que visitei. 
A Chapada dos Guimarães tem cachoeiras fantásticas, a Diamantina idem, Alto Paraíso de Goiás e o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros também. São famosas as que ficam ao longo do Rio Preto. Famosas e também algo perigosas.

O Rio Preto passa por corredeiras entre as pedras, entra por um cânion estreito e desaba numa primeira queda d'água de 80 metros, prossegue caindo mais adiante entre as pedras da Cachoeira das Carioquinhas e a seguir deságua em duas formosas quedas de 120 metros de altura, tudo em meio a uma vegetação de cerrado fechada e muito bonita.
Noutro ponto do Parque, o Rio da Água Fria também é um atrativo de uma imensa beleza. Nesse vale a pena experimentar o "cascading" (descida em rapel no meio da cachoeira, de 52 metros, com uma descida em negativo de cerca de 20 metros, onde você pode admirar uma bela vista das cascatas do Rio dos Couros, mais adiante.
As trilhas do Parque, assim como as da região de Alto Paraíso são muito lindas e, com alguma sorte, você ainda pode ver veados campeiros (que deram nome ao parque, perseguidos e caçados que foram pelos caçadores "veadeiros" da região, no tempo em que inexistia proteção à fauna e flora e caçar era uma ato natural para os nativos).

Outra coisa que admiro nesses Parques é a diversidade das suas árvores e principalmente das suas flores. As flores do cerrado têm um encanto primitivo e ao mesmo tempo fascinante. Deixo que algumas fotos falem por mim a respeito da beleza ainda selvagem desses lugares.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

9 DE FEVEREIRO - DIA DO FREVO !

Não poderia este blog deixar passar em branco uma data tão importante para nós pernambucanos como esta. Na verdade, nem pernambucano eu sou.. Nasci em Maceió, Alagoas e vim pro Recife bem pequeno ainda. Aqui cresci, aqui crei minhas raízes e hoje me considero também um pernambucano, um recifense completo e apaixonado. Quem me conhece sabe quanto eu amo o frevo e tudo quanto diga respeito ao Carnaval de Pernambuco. Um amor incondicional, traduzido em quase 30 frevos de bloco, 7 frevos de rua, 5 frevos-canção, 3 marchas de La-Ursa e 3 maracatus, todos devidamente gravados por mim e pelos meus amigos e amigas músicos e cantores (as) no meu pequeno estúdio de gravação.
Escolhi, para ilustrar essa homenagem ao frevo, um frevo-canção gravado originalmente por Ivanildo Silva e regravado anos depois pelo grande Claudionor Germano. Nesse frevo eu conto um pouco desse amor que tenho pelo Recife e pelo seu Carnaval. Chama-se “Coração Recifense” e faz parte de um CD-coletânea somente de músicas minhas. Curtam e digam se não tenho razão de me sentir recifense !

                                                       


SONETO PARA VOVÓ ANNA

(Para Vovó Anna, meu anjo guardião, no seu centenário)


Pernambucana de Palmares nata
No signo da Cruz foi concebida
De doce mel de engenho impregnada
Doçura transferiu às nossas vidas

Um século depois de amor constante
Prossegue a cativar com augustos modos
A alma dos seus filhos, netos, todos
Por força de um sorriso estonteante

Ternura no falar, aconselhando
Aos novos compreendendo e aos maduros
A sua experiência transmitindo

Merece Vovó Anna cem mil hinos
Lavrados em louvores de ouro puro
Por nós, que ainda somos seus meninos..


Recife, julho de 1996

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O URSO MALUVIDO



A idéia foi de Fred Filho, junto com sua sogra, que é também nossa dentista.  Junita foi professora de música e toca de tudo, inclusive acordeon.  E a gente saiu, por conta disso, de La Ursa, em Olinda. Muito bom.. pena que o Maluvido saiu somente uma vez.. Coisa de meio-dia, sol escaldante, Olinda fervendo em pleno Carnaval e a La Ursa saiu.  A orquestra éramos nós mesmos. Junita na sanfona, Fred e eu no banjo e cavaquinho, Hamilton, que também confeccionou o cartaz,  no surdo, João Ranulfo segurando o cartaz e seu irmão Pedro dançando com uma boneca de pano, uma nega-maluca em tamanho natural, Enrico na flauta e Tatiana revezando com Liliane no papel de La Ursa. 
A multidão, como sempre, acompanhou, como vemos na foto.  Uma brincadeira muito legal, com toda a alegria que se tem direito numa manhã de sábado de Carnaval em Olinda.  Só ficaram duas grandes lembranças do Urso Maluvido.  Uma das músicas-tema, de minha autoria (a outra é de Fred Filho e ainda não gravamos, porque no ano seguinte ele foi embora pros EEUU) e uma solitária fotografia, feita por um grande fotógrafo, o amigo Celso Bayo, que reside na Califórnia e ficou maluco pela La Ursa.  Há três gravações da música: uma comigo mesmo, outra com o cantor e compositor Don Antonio e esta que ouvimos aqui, com meus amigos do "Urso Traquino", de Casa Forte.   Mas o Maluvido promete voltar um dia, para atormentar o povo de Pernambuco com suas "ursadas".  Aguardemos !

UM PASSEIO POR SEATTLE

Há uma piada recorrente sobre Seattle (mas toda piada tem um fundo de verdade e essa não é exceção à regra): "Em Seattle só chove duas vezes por ano... de janeiro a junho e de julho a dezembro).."Como diria aquele personagem de Chico Anysio: É mentira, Terta ?.. Verdaaadeeee.. Seattle é uma metrópole muito agradável de se visitar. Eu e Edla tivemos como guia especial nesse passeio nossa nora Juliane, que -numa folga de trabalho da Procuradoria do estado de Washington- nos mostrou os principais atrativos do centro da cidade, em especial o famoso Pike Place Market, uma atração e tanto para turistas do mundo inteiro. 


Entre flores de todas as espécies, principalmente as belas tulipas de todas as cores, plantadas em Mount Vernon, já próximo à fronteira do Canadá; balcões imensos recheados de salmão, halibute, vieiras e os famosos caranguejos gigantes do Alaska; artesanato local e de pequenas fazendas das redondezas; lojas e restaurantes; a primeira loja da cadeia Starbucks de cafés, originada e sediada justamente ali pertinho; músicos de rua simpáticos e muito competentes, etc, etc, etc... passamos um dia muito agradável, batemos perna por horas e almoçamos num restaurante italiano na Pacific Gallery, de excelente cardápio.

Para finalizar, já de tarde, uma cena inesperada: em plena 4a.Avenida, onde fica a sede local da famosa YMCA, um prédio de tijolinhos vermelhos que aparece na parte final do vídeo,uma gaivota, na certa vindo do Seattle Aquarium, às margens da Baía de Elliot, marchava tranquilamente em companhia de... um corvo !



domingo, 6 de fevereiro de 2011

CORDAS PARA QUE TE QUERO



Há entre pais e filhos, quase sempre, porque exceções também existem, uma relação de amizade, cumplicidade e entendimento tão grande que chega a beirar o sobrenatural. Entre os animais essa relação, intensa no início da vida da cria, desaparece quando chega a idade de separação e formação de nova prole. Aí passam a competir e se for o caso até de lutar pela posse do território ou pelo mando do grupo.   O inverso disso,  acho eu, é exatamente umas das características mais marcantes no gênero humano. Entre mim e meus filhos –e agora um neto também- não sei definir bem o que há: provavelmente, devido ao longo tempo em que dividimos o mesmo teto, passamos a advinhar os pensamentos e gostos uns dos outros e também, claro, seus temores, seus sofrimentos, suas conquistas, numa simbiose muito agradável e nunca invasiva dos terrenos privados, etéreamente demarcados e completamente respeitados, ao ponto de exaustão. Até na Música, que também e sempre nos uniu, somos muito parecidos, eu e Fred.  Só que ele dedicou-se mais ao solo das melodias que tocamos junto, ficando eu com a parte da harmonia. E assim temos dividido o prazer de tocar juntos, que era quase diário enquanto ele morou conosco. Agora longe, muito longe mesmo, em hemisférios opostos e separados por mais de 15 horas de vôo direto, se existisse, praticamente não tocamos mais.

E aí fica o que ficou tocado, ficam as lembranças das tardes de sábado ou domingo em que nós dividíamos o prazer da Música aqui no Recife. Ficam também as imagens que fiz em Redmond, em visitas que duraram menos do que gostaríamos. Fica o som gostoso que fazíamos no nosso “Chorando à toa”, na companhia de Enrico, com o chorinho e o frevo rolando solto nas tardes e manhãs dos domingos em Aldeia ou Casa Forte. Ainda bem que temos lembranças a dividir e compartilhar, também com os amigos. Choremos, pois... no bom sentido, claro !

STARS AND STRIPES FOREVER







Sou fascinado pela música de John Philip de Sousa.  Esse filho de imigrante português e mãe alemã compôs uma das mais belas páginas musicais para bandas militares, que tornou-se o segundo hino dos Estados Unidos da América.  Stars and Stripes Forever é uma marcha envolvente, vibrante e que nos leva a acreditar que a música realmente nos proporciona –por minutos- uma alegria incontida.  Assim como em “Ode à Alegria” (4° mov da 9ª. Sinfonia de Beethoven), é impossível ficar estático ou indiferente a uma marcha de Sousa.  Tenho como relíquia três arquivos em mp3 dessa já mais que centenária marcha: a primeira gravação da música, de 1897, um ano depois de composta, foi feita em cilindro de cera, pela Colúmbia Records; uma outra, de 1917, já em disco mecânico de 78 rpm e uma terceira gravação, esta digital, de 1997, com a Dallas Wind Symphony.  A primeira e a última vão aqui reproduzidas, juntamente com a fotografia desse Mestre da Música que soube como ninguém eternizar nos metais de uma banda marcial toda a energia e emoção em forma de som.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

UMA FLAUTA DOCE E SONOROSA



Enrico é de pouca conversa.  Não é de se mostrar.  Tem até um pouco de receio de exibir seu talento musical. 
Mas é de uma competência no que faz que me dá orgulho de tê-lo como filho e parceiro de tantos anos de música.  Meu amigo Maestro Duda, um dos expoentes musicais brasileiros, sem sombra de dúvida, é fã de Rico.  E faz questão de dizer isso de público.  Quem sou eu para contradizê-lo?  Querem tirar a dúvida? Então ouçam esse exemplo num ensaio do nosso conjunto de chorinho doméstico “Chorando à Toa”.. Um choro de Pixinguinha tocado numa flauta doce?  Segundo Duda, não é pra todo mundo não.  Eu concordo.  E me orgulho de Rico. E olhe que ele também arrasa na flauta transversal, no sax-alto e,atualmente, também no piano.  Competência é isso.  Sem muita conversa.  Quieto como ele sabe ser. A música é o choro 1x0; no acompanhamento Fred Filho (pandeiro) e eu no banjo-tenor.  1 x 0 pra Rico, claro !

FILHO DE PEIXE, NETO DE PEIXE

Filho de peixe é peixinho..
Neto de peixe é piaba ?
Diogo tem talento de sobra
e tempo pra estudar, idem..
Mas um dia a gente vai tocar
todos juntos, numa orquestra/família
Graças a Deus, graças a Suzuki..
E viva a Música, que nos uniu e nos une !

Euterpe, Musa da Música nos inspire,
Santa Cecília nos proteja
E que a Música continue sempre
nos nossos corações..

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A NOITE DOS MARACATUS

Carnaval tá chegando e já ouço o baque das alfaias, o tinir dos gongûes e agogôs, o som lamentoso das loas cantadas pelas damas do paço.. Já antevejo o cortejo solene dos maracatus-nação, com o casal real e seus súditos lentamente se deslocando pelos becos e vielas do Recife Antigo. Ouço, igualmente, os chocalhos dos "mateus", intrépidos guerreiros de lança dos maracatus-rurais, descendo pelas ladeiras empoeiradas dos engenhos de cana de Nazaré da Mata e Timbaúba, em marcha batida rumo aos arrabaldes, seguindo outro cortejo mais humilde mas não menos importante.  Os trombones tocam roucos os temas de outras loas, mais singelas, mais matutas.. É esse o universo dos maracatus pernambucanos.  E está todo aí, à disposição de quem o queira conhecer.  Vamos a ele...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

TATI CANTA

Minha beleza continua a mesma..
Mas, minha voz.... quanta diferença !
Há trinta anos atrás ela cantava assim



Hoje, canta assim...



Tenho ou não tenho razão para me orgulhar dos meus artistas?
Aguardem.. outros dois virão em novos posts !

OUTONO EM CASA FORTE

Um dia foram brotos
Ligados ao tronco
Cresceram e floresceram
Folhas, flores, perfume, encanto
 
Noutro dia, não tão depois
Num átimo, num quebranto
Feneceram


E hoje o que lhes resta ?
Juntar lembranças ?
Ouvir seu canto ?
Enterneceram...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

IPÊS E CEREJEIRAS

Ipês brancos, Pantanal MS, primavera 2010

Ipês e cerejeiras; Rosas e brancos; Brasil e Estados Unidos; Pantanal e Pinheirais.

(cerejeira rosa - Redmond, WA, USA -primavera 2009)
Tantos contrastes, datas diversas, lugares ainda mais..
Mas a beleza é uma só; as flores são flores.    

(cerejeira branca- Redmond, WA, USA- primavera 2009)
Aqui e lá falam a mesma linguagem. A linguagem da Natureza, a linguagem das cores.. Um viva às flores, um viva à Vida !  Que elas permaneçam vivas. No mato, num pote, numa lembrança, numa foto..

(ipê roxo - Poconé, Pantanal MT - primavera 1996)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

SOBRE CORRER E LER (PARTE 2)

continuação... (texto compilado do livro "Alegria de Correr", de Werner Sonntag)

Equipe do CORRE que disputou a Maratona de J. Pessoa de 1985, A Maratona do IV 
Centenário..Eu sou o corredor 316, o primeiro da fila de baixo à direita


“Procure manter a corrida num ritmo uniforme. Não aumente ou diminua sua velocidade propositadamente. Entre os quilômetros 10 e 20 você experimentará uma sensação de euforia (nas corridas de 10 quilômetros essa sensação aparece aproximadamente entre os quilômetros 3 e 5). Quando isso acontecer, mantenha a velocidade sob controle. Se resolver juntar-se a um grupo verifique cuidadosamente se o mesmo corre à velocidade que você quer manter. Você há de encontrar corredores que estão no seu nível de treinamento. Se durante a corrida –acredito que isso aconteça aos 30 quilômetros- você tiver dúvida do seu desempenho, tome a resolução de percorrer o restante do trajeto andando. Se constatar que você tem que controlar melhor suas forças, você deve tomar a decisão de reduzir a velocidade, passando talvez a trotar como costuma fazer no jogging e mantendo esse ritmo durante todo o percurso, ou então fazendo pausas durante as quais andará. Utilize os postos de abastecimento com muita moderação. Durante a corrida você deve contentar-se com um gole de chá e se houver necessidade, com um pedacinho de fruta. Durante a corrida você sentirá perfeitamente que ela exige o engajamento das energias psíquicas. É um desafio que você tem de aceitar. Só abandone a corrida se surgir algum risco para a saúde. Se começar a cambalear ou sentir pancadas na cabeça, tenha cuidado. São sinais de alarme. Se estiver apenas cansado e os músculos começarem a doer, continue. Procure correr descontraído, Para sentir a descontração, deixe os braços penderem molemente. Chegará a hora que você se dará conta que conseguirá.Não transforme esta numa corrida de velocidade. Passe à frente de alguns corredores que esgotaram as forças antes do tempo, mas lembre-se de que a corrida não valerá a pena se você desmaiar na linha de chegada. Depois de cruzá-la continue a trotar mais alguns minutos até que sua pulsação esteja mais tranquila. Eu o invejo pela corrida que tem pela frente, pois nenhuma maratona lhe proporcionará a mesma sensação que esta primeira. Encare-a com alegria ! “

domingo, 30 de janeiro de 2011

SANTA MARIA SANTA !




Todas as pessoas nesse mundo ganham seus apelidos. Há os apelidos carinhosos, de homem para mulher e vice-versa, há os apelidos de família, de escola, de trabalho, de esportes, etc. Alguns nos dão orgulho, outros nos machucam, a maior parte deles não nos ofende, e nem fazemos caso deles. Certa vez, anos atrás, uma prima de minha mãe começou a chamá-la de “Maria Santa”.
Gostei disso, desde o começo. Ivone, a prima, acertou em cheio na definição das qualidades de Dona Maria, Mãezinha ou Merinha, como eu a chamava ultimamente.
Realmente, chamar uma mãe de santa é muito comum entre nós. Mas isso, no caso de Merinha, para todos que a conheceram, é simplesmente a expressão da verdade mais absoluta.
Mãe de 13 filhos, amou a cada um deles com um Amor ilimitado, infinito. Conhecia cada sutileza do nosso comportamento, do nosso humor, que chegava a parecer que nos lia os pensamentos. E lia, mesmo.

Merinha tinha um Amor tão grande por Paizinho que saltava aos olhos de todos. A vida em comum de ambos, em mais de 70 anos de convivência e 67 de um casamento perfeito sob todos os pontos de vista, foi o maior legado que nos deixou. Um amor tão grande que a levou ao encontro de Paizinho exatos 5 meses e 5 dias depois da sua morte. De pura saudade, de puro desejo de reencontrá-lo em um Plano mais elevado de Vida. Uma parada cardíaca que ocorreu exatamente no Dia dos Namorados a levou para pertinho do seu Eterno Amor.
A mim pareceu que minha Santa Maria Santa quis assim demonstrar, pela última vez, a ligação infinita que sempre teve com meu Pai.
Um exemplo a ser seguido, esse de Mãezinha. Uma vida vivida com humildade, piedade e caridade cristãs, renúncia, trabalho, dedicação e, sobretudo, com um Amor simplesmente inexplicável, de tão imenso... Tenho certeza que, na sua simplicidade, sem aceitar esses elogios de um filho saudoso, Mãezinha faria agora aquela pose que nos fazia tão felizes, nesses seus últimos momentos conosco. Colocando as mãozinhas já descarnadas pelo tempo na cintura, abriria aquele sorriso lindo e num gesto faceiro diria, alegremente: “Estás brincando...”

sábado, 29 de janeiro de 2011

SALVE O AMÉRICA, CAMPEÃO DO CENTENÁRIO






Em abril de 2004, o América completou 90 anos.  Pouco antes da data comemorativa, fui procurado  no meu estúdio de gravação de áudio pelos diretores esmeraldinos Sérgio Serpa e José Amaro e combinamos a gravação de três hinos do América: o Hino Oficial, de autoria de Mário Filho, o Hino dos 90 anos, de autoria de Sérgio Serpa e José Amaro e a música-jingle "Quem tem coração verde-branco", de  Nilton Gonçalves ( Birinho). Os arranjos foram do Maestro Duda, a execução primorosa foi da sua Orquestra e Coral, acompanhando o cantor Lêdo.  Considero essa uma excelente gravação, tanto pelos arranjos de Duda como pelas interpretações e pela qualidade dos hinos.  Nesse ponto, meus amigos, o América é também um Campeão !  E mais Hinos virão por aí, no Centenário que se aproxima.



SOBRE CORRER E LER


Não, não é um post sobre literatura.  Essa leitura que eu falo é sobre experiências de quem escreveu e cuidou/vem cuidando do treinamento próprio e do alheio, há algumas ou muitas décadas.  Eu gosto muito de ler sobre corrida e treinamento.  Fiz disso um hábito constante nesses 28 anos desse esporte.  Meu primeiro livrinho sobre corridas é de um alemão muito experiente: Werner Sonntag.  O nome do livro é "Alegria de Correr", ("Spass am laufen", no original, publicado em 1979, pela Falken-Verlag, edição brasileira da Tecnoprint, Rio, 1982). Se vocês tiverem a oportunidade, não deixem de ler esse livro por inteiro.  Eu praticamente o decorei.  Foi meu guia e farol de corredor iniciante e continuou sendo pela vida afora.  Tanto que, recentemente, o desentoquei de um fundo de gaveta e me deliciei com os conselhos do velho Sonntag, relendo-o pela Xsésima vez.  Gostaria de transcrever aqui uns trechos dos seus conselhos a um maratonista de primeira viagem.  Tenho que resumir bastante, porque o capítulo inteiro demandaria tempo demais pra se ler num computador.  Eu, pelo menos, não sou adepto de e-books.  Acho cansativo passar horas diante de uma telinha brilhante.  Prefiro os livros de papel mesmo.  Até os velhinhos, que nem esse, o "Aerobics" de K. Cooper, e muitos outros, afora a minha coleção da primeira revista sobre corridas no Brasil, a "VIVA-A revista da corrida", que nos idos dos anos 80 também publicava artigos de "Runner's World" e "The Runner", as mais famosas do mundo das corridas.  Divido o post em duas partes, pra não ficar muito cansativo.  Leiam esta e aguardem a próxima.  É pra curtir e praticar, podem crer !

Caro corredor: Durante a última corrida que fizemos juntos, você anunciou sua intenção de participar pela primeira vez de uma maratona e me perguntou quais as precauções que deveria tomar. Você me disse que só corre há um ano.  É um tempo de preparo muito curto para uma maratona. Você nunca correu 30 quilômetros de uma só vez.  Não quero dar conselhos difíceis de serem postos em prática.  De qualquer maneira, procure fazer um treinamento percorrendo toda a distância da maratona.  No mínimo, seriam 35 quilômetros, pois só assim você terá consciência de que tem algo difícil pela frente.Poupe suas forças  durante a semana anterior à corrida. Corra somente para manter-se treinado e descontraído. Aproveite os primeiros dois ou três quilômetros para aquecer-se. A maior parte dos participantes corre depressa demais na largada.  Será mais sensato procurar um lugar numa das últimas fileiras. Dessa forma você não será levado a largar em determinada velocidade e não estará no caminho dos outros.  Alguns quilômetros depois da largada você notará que, tal como acontece nas corridas populares, as primeiras pessoas que se excederam na corrida já estão andando em passo normal. Quero dizer que nos primeiros quilômetros você deve correr muito devagar.  Dali em diante você nunca deve ficar abaixo de sua velocidade básica, pois do contrário estará desperdiçando tempo. Seja lá como for que você correr, de qualquer maneira ficará cansado. Economize suas forças.  Não adianta correr invariavelmente em todas as subidas, a não ser que depois de caminhar você tenha muita dificuldade em voltar ao ritmo da corrida -um detalhe que você tem de descobrir antes. Nesta grande competição, que é a sua primeira, você só deve correr para conseguir uma boa chegada, num tempo que considere aceitável. Se fizer questão de entrar em competições particulares, não comece antes dos 35 quilômetros. Procure manter a corrida num ritmo uniforme.  (continua))

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

ARITUBA, O PARAÍSO

Sabem onde fica o paraíso?  Eu sei e digo pra vocês... onde a gente tá feliz!
E, podem crer, eu estava muito feliz quando fiz essa foto aí.  Onde?  Arituba..


"Sei lá onde é isso?", perguntarão vocês.. Eu ensino..  Pertinho de Natal, uma lagoa linda, onde a gente passa um dia de rei.  Verdade.. perguntem a quem já foi.   E aproveitem.  O paraíso é logo ali.

FLORES SORRISOS DE DEUS 2- NINFÉIAS



Minha vida é em verde e branco.  Há poucos dias atrás, revelei aqui no blog meu amor por essas cores quando me decidi a torcer de uma vez por todas pelo meu time do coração: o América do Recife, alvi-verde da Estrada do Arraial.  Mas minha história verde e branco não pertence somente ao América.  Fundei, em Casa Forte, 1998, um bloco lírico chamado Flor da Vitória-Régia.  Suas cores? verde e branco.  Sim, apesar de toda a tradição dos folguedos pernambucanos indicar as cores azul e encarnado (vermelho), Vitória-Régia, o bloco, era verde e branco.  Como a Gigante do Samba, escola em que muitas vezes toquei tamborim, emprestado pelos batuqueiros, nos carnavais da minha adolescência, quando eu ficava esperando os blocos, troças e escolas de samba desfilarem rumo à Avenida Guararapes, saindo da Boa Vista, no Pátio de Santa Cruz.  Vitória-Régia é planta da família das ninféias e havia muitas delas nos tanques da Praça de Casa Forte.  Enormes, "redondas barcaças", no dizer do poeta Romero Amorim, na música composta em parceria com Getúlio Cavalcanti, para o nosso Bloco.  Em homenagem a todos os amantes das ninféias e das Vitórias-Régias, vão essas fotos que fiz, no Pantanal de Marimbús, próximo à Chapada Diamantina e no Jardim Botânico de Timbó, Santa Catarina.


LAGOAS DAS ALAGOAS

Tenho uma dívida de gratidão para com Alagoas..  Afinal, nasci em Maceió e apesar de ter vindo para o Recife com dois ou três meses, amo minha terra.  Alagoas tem -sem dúvida- as mais belas praias do Nordeste e, por que não dizer, do Brasil.  Bairrismo?  Acho que não.  Eu, por exemplo, ainda não conheço o mar caribenho.  Qualquer dia desses vou conhecer; não tenho pressa... prefiro gastar meus dias de folga nas praias nordestinas, em especial ao sul de Pernambuco e norte de Alagoas.  Elas têm um mar de azul especial, que se mistura, no horizonte, com o azul do céu.   Essas fotos, eu fiz num passeio pela bela Lagoa do Mundaú.  São ou não vistas caribenhas bem pertinho do Recife?



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

RENDEIRAS DE ALCAÇUZ


A riqueza cultural brasileira só pode ser melhor apreendida quando viajamos por esse país continental.  Foi o que fiz a vida toda. Já pisei o solo de praticamente todos os Estados brasileiros.  Estão faltando somente o Tocantins, Roraima, Rondônia, Acre e Amapá.. Pretendo ir ao Tocantins ainda este ano.  Mas hoje mostro para vocês uma atração inesquecível.  São as mulheres-rendeiras que ainda sobrevivem da sua arte lançando seus bilros e criando maravilhas em forma de rendas do mais alto valor artístico e cultural que se pode compreender.  Essa arte quase esquecida ainda pode ser vista em pequenas comunidades interioranas ou, como no caso, próximas ao litoral nordestino. Nesse vídeo, sem pretensões cinematográficas nem documentais no sentido estrito da palavra, deixo para vocês a pureza e a simplicidade dessas heroínas que se recusam a acabar com a sua tradição, passada de mãe para filha, há séculos, mundo afora.

UM DOBRADO PARA OS MONTEIRO DA CRUZ




Meu pai gostava muito de música. Era bom cantor, apesar de não tocar qualquer instrumento. Tinha uma voz muito parecida com a de Francisco Alves e cantava muito bem o repertório dele.  Lembro bem de uma de suas favoritas: Nancy.  Essa canção inspirou minha irmã a por esse nome em sua filha.  Ouvi muitas bandas de música na minha infância.  Naquele tempo eram comuns as retretas dos domingos à tarde, em Olinda, na Praça da Preguiça, num coreto muito bacana, ou no Derby, no coreto próximo ao tanque do peixe-boi.  Bons tempos aqueles.. Em homenagem ao meu velho e a todos os familiares, compus um dobrado que chamei de "Monteiro da Cruz".  O meu amigo Maestro Duda fez para ele um belo arranjo e eu convidei meus amigos da Banda Sinfônica da Cidade do Recife para interpretá-lo.  Graças a todo esse pessoal posso hoje orgulhar-me de ter dado ao meu pai e à minha família este presente que divido com vocês.  Esse post foi inspirado numa conversa que tive hoje com meu irmão mais velho, companheiro de toda essa jornada, Jaime e a ele o ofereço. 

CARNAVAL VEM AÍ..

RÓI-RÓIS & CASTANHOLAS
(crônica publicada no livro "Imperador, Imperatriz"), Recife, 2002, ed. do Autor)

Mais um Carnaval se foi, deixando no ar uma tristeza de pierrô traído, uma saudade das loucuras, uma ressaca dos excessos, um vazio dos desejos insatisfeitos, uma ânsia de esperar, de sempre esperar, pelo próximo Carnaval, pela próxima ilusão, enfim...

E chegou mais um Carnaval, alegre como todos sempre chegaram, na minha vidinha de menino do Recife.  Não trazia nada de especial, feito aquelas noites de Natal, cheias de brinquedos, surpresas e esperanças.  Mas trazia uma alegria diferente, plena de cores, cheiros e encantos. 
E vinha lento, dengoso,  preguiçoso, esparramando-se pelos bairros por uma ou duas semanas, até reinar absoluto nos seus três dias de glórias e exaurir-se bêbado e esgotado na quarta-feira de Cinzas, ingrata, chuvosa e chata.
Lembro-me dos preparativos para a semana do Corso: íamos, irmãos e irmãs, agarrados pelas mãos, tal qual uma cordinha de caranguejos, procurar os artigos da época, no bairro de São José.  Eram óculos de plástico colorido e transparente, amarrados por um elástico fininho, a melhor proteção contra os esguichos de lança-perfume, que também comprávamos...Rodouro e Colombina: a primeira em embalagem metálica pintada de dourado, a outra de vidro, com um rótulo bem colorido.  Ambas deixavam no ar um perfume inconfundível e na pele um friozinho inesquecível.  Nos olhos, quando neles batiam, um ardor dos infernos. Daí, os óculos.
E..que mais? Ah, sim! Havia os acessórios indispensáveis para as mais diversas idades.  Saquinhos de filó colorido, para os confetes; pacotes de rolos de serpentina de todas as cores; rói-róis..  Quem mais se lembra dos rói-róis?  Um brinquedinho bobo, mas barulhento e divertido, que consistia em um pequeno cilindro de papelão revestido com papel de seda colorido e franjado, amarrado num cordão, que se enlaçava a um pedaço de madeira untado de breu, na sua ponta.  O contato do cordão com o breu, ao se girar o rói-rói, produzia um som roufenho, amplificado pelo cilindro: daí seu nome.  Esse brinquedo é conhecido no sertão como "berra-boi".  Quem não "rodou" um bom rói-rói na infância, não pode se dizer um folião de verdade.
Apareceram, depois, uns reco-recos industrializados.  Os que conheci, na infância, ainda eram de madeira pintada.  Os de plástico tinham uma catraca e uma lingueta presa a uma haste.  Não tinham muita graça, não.. Creio que sumiram, esquecidos pelos carnavais afora.
Por falar em rói-róis, para onde foram os mascarados e suas inseparáveis castanholas?  Os poucos que hoje vemos, em Olinda, são uma raça em extinção.  Resistem como aratús nos mangues, numa franciscana pobreza.  Máscaras velhas, com a pintura descascada, roupas desbotadas, falta-lhes alegria e entusiasmo.  Rareiam...
Antigamente, andavam aos bandos, às dezenas, verdadeiros blocos multicoloridos, com grandes corações vermelhos, de cetim brilhante, costurados nos fundos dos macacões folgados.  Brincavam, pulavam e estalavam suas castanholas sem parar.  Quando, raramente, falavam com alguém, faziam voz de falsete, para não serem reconhecidos por ninguém da sua rua, do seu bairro.
Acusem-me, como já acusei a tantos, na minha juventude, de querer viver de recordações!  Acusem-me, repito...eu bem mereço.   É essa, a roda da vida, girando e nos apanhando a cada giro, no enlevo do relembrar, no destino inexorável de procurar alegrias no passado tentando, ao menos tentando, reter um pouco dos momentos felizes que vivemos.

Recife, fevereiro de 1999.